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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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Ele se levanta e veste uma cueca. Ah... Eu poderia ficar aqui o dia todo, observando-o passear pelo quarto.

— Ande — repreende-me, mandão como sempre. Eu sorrio para ele.

— Só admirando a vista.

Ele revira os olhos para mim.

Enquanto nos vestimos, percebo que nos movemos com a sincronia de duas pessoas que se conhecem bem, um prestando atenção ao outro, trocando de vez em quando um sorriso tímido e um toque gentil. E me dou conta de que isso é tão novo para mim quanto é para ele.

— Seque o cabelo — ordena Christian, depois que nos vestimos.

— Autoritário como sempre. — Sorrio, e ele se inclina para beijar meu cabelo.

— Isso nunca vai mudar, baby. Não quero que você fique doente.

Reviro os olhos, e ele contorce a boca, divertindo-se.

— Você sabe que as palmas das minhas mãos ainda coçam, não sabe, Srta. Steele?

— Fico feliz em ouvir isso, Sr. Grey. Estava começando a achar que você estava perdendo o jeito.

— Eu posso facilmente demonstrar que esse não é o caso, se você assim o desejar.

Christian retira de sua bolsa um grande suéter creme de malha grossa e o coloca sobre os ombros. De calça jeans, camiseta branca e com o cabelo magistralmente desgrenhado, parece saído das páginas de uma revista de moda.

Ninguém deveria ser tão bonito. E não sei se é a distração momentânea de sua aparência perfeita ou se é porque sei que ele me ama, mas as ameaças dele já não me enchem de pavor. Esse é o meu Cinquenta Tons; é assim que ele é.

Ao pegar o secador de cabelo, uma sensação quase tangível de esperança floresce. Vamos encontrar um meio-termo. Só precisamos reconhecer as necessidades um do outro e equilibrá-las. Sou capaz disso, não sou?

Olho para mim mesma no espelho da penteadeira. Estou vestindo a camisa azul-clara que Taylor comprou e lembrou de colocar na mala para mim. Meu cabelo está uma bagunça, o rosto corado, os lábios inchados. Eu os toco, lembrando-me dos beijos escaldantes de Christian, e não consigo evitar um pequeno sorriso diante do espelho. Sim, amo, ele disse.

* * *

— PARA ONDE ESTAMOS indo, exatamente? — pergunto enquanto esperamos pelo manobrista no saguão do hotel.

Christian pisca para mim com ar conspiratório, tentando desesperadamente conter a alegria. Sinceramente, essa atitude é totalmente nova.

Ele estava assim quando saímos para voar no planador. Talvez seja isso que a gente vá fazer agora. Dou uma olhada nele. Ele me encara de volta daquele seu jeito superior, o sorriso torto, e se inclina para me dar um beijo de leve.

— Você tem alguma ideia de como me faz feliz? — murmura.

— Tenho... Sei exatamente. Porque você faz o mesmo por mim.

O manobrista aparece trazendo o carro de Christian e exibindo um sorriso gigante. Nossa, está todo mundo tão feliz hoje.

— Belo carro, senhor — murmura ele ao entregar as chaves. Christian lhe dá uma piscadela e uma gorjeta obscenamente alta.

Faço cara feia. Francamente.

* * *

À MEDIDA QUE AVANÇAMOS pelo tráfego, Christian mergulha profundamente em seus pensamentos. Uma voz jovem de mulher vem dos alto-falantes. É um timbre bonito, rico e suave, e me perco na tristeza comovente daquela voz.

— Preciso fazer um desvio. Não deve demorar muito — diz ele, distraído, afastando-me da música.

Ah, por quê? Estou curiosa para saber qual é a surpresa. Minha deusa interior está pulando feito uma criança de cinco anos.

— Claro — murmuro. Tem alguma coisa errada. De repente, ele parece sombriamente determinado.

Christian entra no estacionamento de uma enorme concessionária de veículos, encosta o carro e se vira para mim, a expressão cautelosa.

— Precisamos comprar um carro novo para você.

Fico boquiaberta.

Agora? Em um domingo? Que diabo é isso? E esta é uma concessionária da Saab.

— Não vai ser um Audi? — É, estupidamente, a única coisa que consigo pensar em dizer, e, graças a Deus, ele chega a ficar corado.

Christian, envergonhado. Mais uma primeira vez!

— Achei que você poderia gostar de outra coisa — balbucia ele. Está quase se contorcendo.

Ah, por favor... A oportunidade é valiosa demais para não provocá-lo. Sorrio para ele:

— Um Saab?

— É. Um 9-3. Venha.

— O que você tem com carros estrangeiros?

— Os alemães e os suecos fazem os carros mais seguros do mundo, Anastasia.

Ah, é?

— Pensei que você já tinha mandado substituírem o A3.

Ele me lança um olhar sombrio e divertido.

— Posso cancelar isso. Venha. — Saltando do carro, caminha até o lado do carona e abre a porta para mim. — Estou lhe devendo um presente de formatura — diz em voz baixa, estendendo a mão para mim.

— Christian, você realmente não tem que fazer isso.

— Sim, eu tenho. Por favor. Venha. — Seu tom diz que ele não está para brincadeiras.

Resigno-me ao meu destino. Um Saab? Eu quero um Saab? Eu bem que gostava do meu Audi Especial de Submissa. Era tão chique.

Claro, agora ele está sob uma tonelada de tinta branca... Estremeço. E ela ainda está solta por aí.

Seguro a mão de Christian, e entramos na loja.

Troy Turniansky, o vendedor, praticamente pula em cima de Christian, feito um carrapato. Sabe detectar uma venda garantida. Ele tem um sotaque estranho, não definido, talvez britânico? É difícil dizer.

— Um Saab, senhor? Usado? — Ele esfrega as mãos de contentamento.

— Novo — Christian contrai os lábios.

Novo!

— Você tem algum modelo em mente, senhor? — E é um bajulador, também.

— 9-3, 2.0T, modelo esporte, sedã.

— Excelente escolha, senhor.

— Que cor, Anastasia? — Christian inclina a cabeça.

— Hum... preto? — Dou de ombros. — Você realmente não precisa fazer isso.

Ele franze a testa.

— Preto não é muito visível à noite.

Ah, pelo amor de Deus. Resisto à tentação de revirar os olhos.

— Seu carro é preto.

Ele franze as sobrancelhas para mim.

— Amarelo, então. — Dou de ombros.

Christian faz cara feia. Amarelo obviamente não é a cor preferida dele.

— Que cor você quer que eu escolha, então? — pergunto como se ele fosse uma criança, o que ele não deixa de ser, em muitos sentidos. O pensamento não é bem-vindo. Triste e circunspecto ao mesmo tempo.

— Prata ou branco.

— Prata, então. Você sabe que eu posso ficar com o Audi — acrescento, reprimida por meus pensamentos.

Troy empalidece, sentindo que está perdendo a venda.

— Que tal o conversível, senhora? — pergunta, batendo uma mão na outra com entusiasmo.

Meu inconsciente está se remoendo de desgosto por todo esse negócio de compra de carros, mas minha deusa interior o derruba no chão. Conversível? Nossa!

Christian franze a testa e me olha de relance.

— Conversível? — pergunta, erguendo uma sobrancelha.

Fico vermelha. É como se ele tivesse uma conexão direta com minha deusa interior, o que ele obviamente tem. E pode ser bem inconveniente às vezes. Olho para minhas mãos.

Christian se vira para Troy.

— Quais são as estatísticas de segurança do conversível?

Percebendo a vulnerabilidade de Christian, Troy dá o bote, desfiando todos os tipos de estatísticas.

É claro que Christian me quer em segurança. É uma religião para ele, e, como o maníaco por controle que é, ele ouve atentamente a lenga-lenga bem afiada de Troy. Ele realmente se preocupa.

Sim. Amo. Lembro-me de suas palavras sussurradas esta manhã, e um brilho derretido se espalha por minhas veias como mel aquecido. Este homem — uma dádiva de Deus para as mulheres — me ama.

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