Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Ah.
— E eu poderia acusá-la da mesma coisa, Anastasia.
— Está dizendo que também sou uma pessoa maçante, Dr. Flynn?
— Não, Anastasia. — Ele ri com desdém. — Que você não revela muita coisa.
— Não tenho muito a revelar. — Sorrio.
— Honestamente, duvido. — Ele franze a testa de modo inesperado.
Fico vermelha, mas a música termina e Christian está de volta ao meu lado. Dr. Flynn me solta.
— Foi um prazer conhecê-la, Anastasia. — Ele me lança um sorriso caloroso e eu me sinto como se tivesse passado numa espécie de teste secreto.
— John. — Christian acena para ele.
— Christian. — Dr. Flynn acena de volta, vira-se e desaparece na multidão.
Christian me puxa para junto de si, para a próxima dança.
— Ele é muito mais jovem do que eu esperava — murmuro. — E terrivelmente indiscreto.
— Indiscreto? — Christian inclina a cabeça.
— Ah, sim, ele me contou tudo — brinco com ele.
Christian fica tenso.
— Bom, nesse caso, vou pegar sua bolsa. Imagino que você não queira mais nada comigo — diz de mansinho.
Eu paro.
— Ele não me contou nada! — Minha voz sai cheia de pânico.
Christian pisca antes de o alívio tomar seu rosto. Ele me puxa para seus braços de novo.
— Então, vamos aproveitar esta dança. — Ele me olha, confortando-me e me fazendo rodopiar.
Por que ele acha que eu iria querer deixá-lo? Não faz sentido.
Dançamos as duas músicas seguintes, e eu me dou conta de que preciso ir ao banheiro.
— Não vou demorar.
A caminho do banheiro, percebo que deixei minha bolsa na mesa do jantar, e volto até a tenda. Quando entro, vejo que as luzes ainda estão acesas, embora o salão esteja deserto, exceto por um casal lá no fundo, que deveria procurar um quarto! Pego minha bolsa.
— Anastasia?
Uma voz suave me assusta. E eu me viro e vejo uma mulher num vestido longo preto, de veludo bem justo. Sua máscara é peculiar. Cobre o rosto até o nariz, e também o cabelo. É linda, com um filete de ouro elaborado.
— Que bom que está sozinha — acrescenta ela delicadamente. — Passei a noite toda querendo falar com você.
— Desculpe, não sei quem você é.
Ela tira a máscara e solta o cabelo.
Merda! É Mrs. Robinson.
— Desculpe, assustei você?
Fico boquiaberta. Puta que pariu — que diabo essa mulher quer?
Não sei como a convenção social diz que devemos nos comportar com molestadores de crianças. Ela está sorrindo gentilmente e me convidando a me sentar a uma mesa. E porque não tenho nenhuma referência a respeito do que fazer, obedeço só por educação, agradecida pelo fato de ainda estar de máscara.
— Vou ser breve, Anastasia. Sei o que você pensa de mim... Christian me contou.
Eu a fito, impassível, não revelando nada, mas fico feliz que ela saiba. Isso me poupa o trabalho de ter que falar, e ela pode ir direto ao assunto. Parte de mim está mais do que intrigada em saber o que ela poderia ter para me dizer.
Ela faz uma pausa e volta o olhar para além de mim, por cima de meu ombro.
— Taylor está nos observando.
Viro a cabeça e o vejo vigiando a tenda da entrada. Sawyer está com ele e os dois olham para todos os lados, menos para nós.
— Não temos muito tempo — diz ela, depressa. — Já deve estar claro para você que Christian a ama. Eu nunca o vi desse jeito, nunca — enfatiza a última palavra.
O quê? Ele me ama? Não. Por que ela está me falando isso? Para me reconfortar? Não consigo entender.
— Ele não vai dizer a você, porque provavelmente nem se dá conta disso, apesar de tudo o que eu disse para ele, mas ele é assim. Não é muito conectado com nenhum sentimento ou emoção positiva que possa ter. Ele se concentra demais no negativo. Em todo caso, você já deve ter percebido isso sozinha. Ele acha que não merece.
Estou em parafuso. Christian me ama? Ele não disse isso, e essa mulher disse a ele como ele se sente? Que bizarro.
Centenas de imagens varrem a minha cabeça: o iPad, o planador, viajar para me ver, todas as suas atitudes, a possessividade dele, cem mil dólares por uma dança. Isso é amor?
E, francamente, ouvir isso dessa mulher não é nada bem-vindo. Eu preferiria ouvir isso dele.
Meu coração se aperta. Ele acha que não merece? Por quê?
— Eu nunca o vi tão feliz, e está claro que você também tem sentimentos por ele. — Um sorriso rápido passa por seus lábios. — Isso é ótimo, e eu desejo toda a felicidade do mundo aos dois. Mas eu queria avisar que se você o machucar de novo, mocinha, eu vou encontrá-la onde quer que esteja, e não vai ser nada agradável quando isso acontecer.
Ela me encara, os gélidos olhos azuis cravados em meu crânio, tentando penetrar debaixo de minha máscara. A ameaça é tão surpreendente, tão inesperada, que deixo escapar uma risada involuntária e de descrença. De todas as coisas que ela podia me dizer, essa é a mais inesperada.
— Você está achando graça, Anastasia? — balbucia ela, descrente. — Você não o viu no sábado passado.
Minha expressão se desfaz e fica sombria. A ideia de Christian infeliz não é nem um pouco agradável, e sábado passado foi o dia em que eu o deixei. Ele deve ter corrido para ela. O pensamento me enjoa. Por que eu estou sentada aqui, ouvindo essa baboseira, logo dessa mulher? Eu me levanto devagar, fitando-a com intensidade.
— Eu estou rindo da sua audácia, Sra. Lincoln. Christian e eu não temos nada a ver com você. E se eu o deixar, e você vier me procurar, eu estarei esperando, não tenha dúvidas. E talvez você prove o gosto do próprio veneno, em nome da criança de quinze anos de idade de quem você abusou e cuja cabeça você provavelmente perturbou ainda mais do que já era perturbada.
Ela fica boquiaberta.
— Agora, se me dá licença, tenho coisa melhor a fazer do que desperdiçar meu tempo com você. — Eu me viro, a raiva e a adrenalina possuindo meu corpo, e caminho na direção de Taylor, para a saída da tenda, no mesmo instante em que Christian chega, aparentando confusão e preocupação.
— Aí está você — murmura ele, e então fecha a cara ao ver Elena.
Passo por ele sem responder, dando-lhe a oportunidade de escolha: ela ou eu. Ele toma a decisão correta.
— Ana — chama Christian. Eu paro e me viro para ele, que me alcança. — Qual o problema? — Ele me olha, a preocupação entalhada em suas feições.
— Por que você não pergunta para a sua ex? — respondo, acidamente.
Ele contorce a boca e arregala os olhos.
— Estou perguntando a você — diz, a voz suave, mas com uma insinuação bem mais ameaçadora.
Nós nos encaramos.
Tá legal, eu sei que vamos terminar brigando se eu não contar a ele.
— Ela está ameaçando vir atrás de mim se eu magoar você de novo. Provavelmente com um chicote — digo, irritada.
O alívio toma conta de seu rosto, suavizando a expressão de sua boca com um toque de humor.
— Tenho certeza que você é capaz de apreciar a ironia nisso — diz, e vejo que está se esforçando muito para conter o riso.
— Não tem graça, Christian!
— Não. Você está certa. Vou falar com ela. — Ele assume uma expressão séria, embora ainda esteja tentando conter o riso.
— Você não vai fazer nada disso. — Cruzo os braços, a raiva crescendo novamente.
Ele pisca para mim, surpreso com meu ataque.
— Olhe, eu sei que você está amarrado a ela financeiramente, não leve a mal o trocadilho, mas... — Eu paro. O que estou pedindo? Que ele a deixe? Pare de vê-la? Posso fazer isso? — Preciso ir ao banheiro. — Olho para ele, minha boca fechada numa linha rígida.
Ele suspira e inclina a cabeça. Dá para ser mais gato do que isso? Será a máscara ou só ele?
— Por favor, não fique brava. Eu não sabia que ela estava aqui. Ela disse que não viria. — Seu tom é pacificador, como se ele estivesse falando com uma criança. Ele estica o braço e corre o polegar ao longo de meu lábio inferior trêmulo. — Não deixe Elena estragar a nossa noite, por favor, Anastasia. Ela é notícia velha.