Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
De repente, ouço o silvo de um microfone, e a voz do Sr. Grey no sistema de som toma conta do ambiente, fazendo com que o burburinho desapareça. Carrick está de pé em um pequeno palco numa das extremidades da tenda, usando uma impressionante máscara dourada de Punchinello.
— Bem-vindos, senhoras e senhores, ao nosso baile anual de caridade. Espero que vocês aproveitem o que preparamos para esta noite e que abram bem esses bolsos para ajudar o fantástico trabalho que a nossa equipe tem feito com a Superando Juntos. Como vocês sabem, trata-se de uma causa muito importante tanto para minha esposa como para mim.
Olho nervosa para Christian, que, acho, está encarando o palco impassível. Ele retribui o olhar e sorri.
— Agora vou passar a palavra para o nosso mestre de cerimônias. Por favor, sentem-se e aproveitem a noite — finaliza Carrick.
Após aplausos educados, o burburinho na tenda recomeça. Estou sentada entre Christian e seu avô, admirando o pequeno cartão branco com a caligrafia fina em tinta prateada que ostenta meu nome, enquanto um garçom acende o candelabro com uma vela longa. Carrick se junta a nós, surpreendendo-me com dois beijinhos.
— Bom ver você de novo, Ana — murmura. Ele está realmente muito bonito com sua extraordinária máscara dourada.
— Senhoras e senhores, por favor, escolham um representante em cada mesa — diz o mestre de cerimônias.
— Uh... eu, eu! — diz Mia imediatamente, quicando com entusiasmo em seu assento.
— No centro da mesa, vocês vão encontrar um envelope — continua o mestre. — Cada um de vocês deve arrumar, implorar, pedir emprestado ou roubar uma nota do valor mais alto possível, escrever o nome nela e colocá-la dentro do envelope. Os representantes da mesa, por favor, devem guardar esses envelopes com cuidado. Vamos precisar deles mais tarde.
Merda. Não trouxe dinheiro comigo. Que idiota... é um evento de caridade!
Christian pega a carteira e tira duas notas de cem dólares.
— Aqui — diz ele.
O quê?
— Devolvo depois — sussurro.
Ele contorce a boca, e sei que não está feliz, mas não argumenta. Assino o meu nome usando sua caneta-tinteiro — preta com motivos florais brancos na tampa —, e Mia passa o envelope pela mesa.
Na minha frente vejo outro cartão, também escrito com tinta prateada: o menu da noite.
BAILE DE MÁSCARAS EM APOIO À SUPERANDO JUNTOS
MENU
TARTARE DE SALMÃO COM CRÈME FRAÎCHE E
PEPINO SERVIDO EM TORRADA DE BRIOCHE
ALBAN ESTATE ROUSSANNE 2006
PEITO DE PATO SELVAGEM ASSADO,
PURÊ DE GIRASSOL-BATATEIRO,
CEREJAS ASSADAS COM TOMILHO E FOIE GRAS
CHÂTEAUNEUF-DU-PAPE VIEILLES VIGNES 2006
DOMAINE DE LA JANASSE
BOLO CHIFFON DE NOZES E COBERTURA DE AÇÚCAR CRISTALIZADO,
FIGOS EM CALDA, ZABAGLIONE, SORVETE DE BORDO
VIN DE CONSTANCE 2004 KLEIN CONSTANTIA
SELEÇÃO DE PÃES E QUEIJOS LOCAIS
ALBAN ESTATE GRENACHE 2006
CAFÉ E PETITS FOURS
Bem, está explicado o número de taças de cristal de tamanhos variados que preenchem o espaço à minha frente. Nosso garçom está de volta, oferecendo vinho e água. Atrás de mim, as aberturas da tenda pelas quais entramos estão sendo fechadas, e à nossa frente dois garçons erguem o toldo, revelando o pôr do sol sobre a baía Meydenbauer.
A vista é de tirar o fôlego: as luzes cintilantes de Seattle a distância e a calmaria alaranjada e sombria da baía refletindo o céu azul. Uau. É um cenário sereno e pacífico.
Dez garçons, cada um segurando um prato, surgem entre nossos assentos. Numa largada silenciosa, servem as entradas em completa sincronia, em seguida desaparecem novamente. O salmão parece delicioso, e percebo que estou faminta.
— Com fome? — murmura Christian de forma que só eu possa ouvir. Sei que ele não está se referindo à comida, e os músculos dentro de mim respondem.
— Muita — sussurro, ousadamente mirando seus olhos; ele entreabre os lábios e inspira.
Rá! Está vendo? Também sei brincar.
Imediatamente, o avô de Christian começa a conversar comigo. É um senhor incrível, orgulhoso da filha e dos três netos.
É estranho pensar em Christian quando criança. A memória de suas queimaduras me vem espontaneamente à cabeça, mas eu a afasto depressa. Não quero pensar nisso agora, embora, ironicamente, elas sejam a razão por trás desta festa.
Queria que Kate estivesse aqui com Elliot. Ela iria se enturmar tão bem — o impressionante número de garfos e facas diante dela não a assustaria —, iria comandar a mesa. Eu a imagino disputando com Mia quem deveria ser a representante. A ideia me faz sorrir.
A conversa na mesa tem seus altos e baixos. Mia é divertida, como sempre, e praticamente ofusca o pobre Sean, que fica quieto a maior parte do tempo, como eu. A avó de Christian é a que mais fala. Também tem um senso de humor ácido, geralmente às custas do marido. Sinto um pouco de pena do Sr. Trevelyan.
Christian e Lance falam animadamente sobre um aparelho que a empresa de Christian está desenvolvendo, inspirado no conceito de E. F. Schumacher de que o Pequeno É Bonito. É difícil acompanhar. Christian parece decidido a capacitar comunidades carentes em todo o mundo usando tecnologia a corda: aparelhos que não precisam de eletricidade ou de baterias e requerem manutenção mínima.
Vê-lo tão à vontade é surpreendente. Ele é apaixonado e dedicado a melhorar a vida dos menos afortunados. Por meio de sua empresa de telecomunicações, está decidido a ser o primeiro no mercado a lançar um celular a corda.
Uau. Eu não tinha ideia. Quer dizer, eu sabia de sua paixão por alimentar o mundo, mas isso...
Lance parece incapaz de compreender o plano de Christian de distribuir a tecnologia sem patenteá-la. Pergunto-me vagamente como Christian conseguiu tanto dinheiro, sendo tão disposto a dar tudo de bandeja.
Durante o jantar, um fluxo constante de homens em smokings elegantes e máscaras escuras passa por nossa mesa, interessados em conhecer Christian, cumprimentá-lo e trocar amenidades. Ele me apresenta a alguns, mas não a todos. Fico intrigada, querendo saber como e por que ele faz a distinção.
Durante uma dessas conversas, Mia se debruça sobre a mesa e sorri para mim.
— Ana, você pode ajudar no leilão?
— Claro — respondo, muito animada.
No momento em que a sobremesa é servida, já anoiteceu, e eu me sinto realmente desconfortável. Preciso me livrar dessas bolas. Antes que eu possa pedir licença, o mestre de cerimônias aparece em nossa mesa, e com ele, se não estou enganada, vem a Srta. Europeia das Maria-Chiquinhas.
Qual é o nome dela? Hansel, Gretel... Gretchen.
Ela está de máscara, é claro, mas sei quem é porque não tira os olhos de Christian. Ela fica vermelha, e, em meu egoísmo, sinto-me mais do que feliz em ver que ele não parece nem notar sua presença.
O mestre de cerimônias pede o nosso envelope e, com um floreio muito praticado e espalhafatoso, pede a Grace que sorteie o vencedor. É Sean, e ele ganha a cesta embrulhada em papel de seda.
Aplaudo educadamente, mas estou achando impossível me concentrar em qualquer coisa.
— Com licença — murmuro para Christian.
Ele me olha atentamente.
— Você precisa ir ao toalete?
Concordo com a cabeça.
— Eu lhe mostro onde fica — diz ele, sombrio.
Quando me levanto, todos os homens da mesa se levantam comigo. Nossa, quanta educação.
— Não, Christian! Você não vai levar Ana... Deixe que eu vou.
Mia fica de pé antes que Christian possa protestar. Ele cerra a mandíbula, sei que está contrariado. Francamente, eu também estou. Tenho... necessidades. Dou de ombros, desculpando-me com ele, e ele se senta depressa, resignado.