Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
*Vc tá bem Ana?*
*Kd vc Ana?*
*Droga Ana*
Ligo para Kate. Quando ela não atende, deixo uma mensagem para lhe dizer que estou viva e não sucumbi ao Barba Azul, bem, não do jeito que a deixaria preocupada — ou quem sabe eu tenha sucumbido. Ah, isso é muito confuso. Tenho que tentar avaliar e analisar meus sentimentos por Christian Grey. Trata-se de uma tarefa impossível. Balanço a cabeça, derrotada. Preciso de um tempo sozinha, longe daqui, para pensar.
Encontro duas presilhas na bolsa e rapidamente faço marias-chiquinhas. Sim! Quanto mais eu me parecer com uma garotinha, mais protegida talvez eu fique do Barba Azul. Pego o meu iPod e ponho os fones de ouvido. Não há nada como cozinhar com música. Enfio o aparelho no bolso da camisa de Christian, aumento o volume e começo a dançar.
Caramba, estou com fome.
A cozinha dele é intimidadora. É muito elegante e moderna, e os armários não têm puxadores. Levo alguns segundos para deduzir que tenho que pressionar as portas para abri-las. Talvez eu deva preparar um café da manhã para Christian. Ele estava comendo uma omelete outro dia... hã, ontem, no Heathman. Nossa, tanta coisa aconteceu desde então. Olho a geladeira, onde há vários ovos, e decido fazer panquecas com bacon. Começo a fazer a massa, dançando pela cozinha.
É bom estar ocupada. Há brecha para pensar, mas nada muito profundo. A música alta em meus ouvidos também ajuda a evitar grandes reflexões. Vim aqui para passar a noite na cama de Christian Grey e consegui, embora ele não admita ninguém na cama dele. Sorrio, missão cumprida. Mandei bem. Dou uma risadinha. Mandei muito bem, e me distraio com a lembrança da noite passada. As palavras, o corpo dele, o seu jeito de fazer amor... Fecho os olhos enquanto meu corpo cantarola ao se lembrar, e meus músculos se contraem deliciosamente no fundo do meu ventre. Meu inconsciente me repreende... Ele fode — não faz amor, grita para mim como um gavião. Finjo que não ouço, mas, no fundo, sei que ele tem razão. Balanço a cabeça para me concentrar na comida.
Há um fogão de primeiríssima linha. Acho que já peguei a manha dele. Preciso de algum lugar para manter as panquecas aquecidas, e então começo com o bacon. Amy Studt está cantando no meu ouvido sobre os desajustados. Essa canção costumava significar muito para mim. Porque sou uma desajustada. Nunca me encaixei em lugar algum e agora... Tenho uma proposta indecente do Rei dos Desajustados para considerar. Por que ele é assim? Natureza ou criação? Isso é muito diferente de tudo que conheço.
Ponho o bacon no grill e, enquanto ele frita, bato uns ovos. Viro-me e vejo Christian sentado num dos bancos do balcão da cozinha, debruçado ali, o rosto apoiado nas mãos. Ainda está vestindo a camiseta com que dormiu. O cabelo pós-foda fica muito bem nele, assim como a barba por fazer. Ele olha para mim, divertido e perplexo. Fico paralisada, enrubesço, então me recupero e tiro os fones de ouvido, as pernas bambas ao vê-lo.
— Bom dia, Srta. Steele. Você está cheia de energia hoje — diz ele secamente.
— E-eu dormi bem — explico, gaguejando.
Seus lábios tentam disfarçar o sorriso.
— Não consigo imaginar por quê. — Ele se cala e franze a testa. — Eu também dormi bem depois que voltei para a cama.
— Está com fome?
— Muita — diz ele com um olhar intenso, e desconfio que não esteja se referindo à comida.
— Panquecas, ovos e bacon?
— Está ótimo.
— Não sei onde você guarda seus descansos de prato.
Dou de ombros, tentando desesperadamente não parecer nervosa.
— Eu faço isso. Você cozinha. Quer que eu ponha uma música para você continuar a sua... hã... dança?
Olho para os meus dedos, sabendo que estou corando.
— Por favor, não pare por minha causa. É muito divertido. — O tom dele é de deboche.
Contraio os lábios. Divertido, é? Meu inconsciente morreu de rir de mim. Dou meia volta e continuo batendo os ovos, provavelmente um pouco mais forte que o necessário. Num instante, ele está ao meu lado. Puxa com delicadeza a minha maria-chiquinha.
— Adoro esse penteado — murmura. — Ele não vai proteger você.
Hum, Barba Azul...
— Como você gosta dos ovos? — pergunto asperamente.
Ele sorri.
— Bem batidos e mexidos — diz com cara de bobo.
Volto ao que eu estava fazendo, tentando disfarçar o sorriso. É difícil ficar com raiva dele. Especialmente quando ele está sendo tão atipicamente brincalhão. Ele abre uma gaveta e tira dois descansos de prato de ardósia preta e os coloca sobre o balcão da cozinha. Ponho a mistura de ovos numa panela, pego o bacon, incorporo-o à mistura, e levo de novo ao grill.
Quando me viro, há suco de laranja na mesa, e ele está fazendo café.
— Quer chá?
— Sim, por favor. Se tiver.
Encontro dois pratos e coloco-os na chapa quente do fogão. Christian abre o armário e pega uma caixa de chá Twinings English Breakfast. Contraio os lábios.
— Fui um problema relativamente fácil de resolver, não?
— Você? Não sei bem se já resolvemos alguma coisa, Srta. Steele — diz ele.
O que ele quer dizer com isso? Nossas negociações? Nosso, hã... relacionamento... seja lá qual for? Ele continua muito enigmático. Sirvo o café em pratos aquecidos e coloco-os sobre os descansos. Procuro na geladeira e encontro maple syrup.
Olho para Christian, e ele está esperando que eu me sente.
— Srta. Steele. — Ele indica um dos bancos do balcão.
— Sr. Grey — agradeço com um gesto de cabeça.
Ao me sentar no banco alto, faço uma careta.
— Quão dolorida você está? — pergunta ele ao sentar-se.
Fico vermelha. Por que ele faz essas perguntas íntimas?
— Bem, para ser honesta, não tenho com que comparar isso — digo secamente. — Está se desculpando? — pergunto com gentileza demais.
Acho que ele está tentando conter um sorriso, mas não dá para ter certeza.
— Não. Eu me perguntava se devíamos continuar com seu treinamento básico.
— Ah. — Olho perplexa para ele. Paro de respirar e tudo dentro de mim se comprime. Hum... isso é bom. Suprimo o gemido.
— Coma, Anastasia.
Meu apetite fica duvidoso de novo... mais... mais sexo... sim, por favor.
— Isso está delicioso, por sinal. — Ele sorri para mim.
Provo uma garfada de omelete, mas quase não consigo sentir o gosto. Treinamento básico! Quero foder a sua boca. Será que isso faz parte do treinamento básico?
— Pare de morder o lábio. Isso me distrai muito, e por acaso sei que você não está usando nada por baixo da minha camisa, o que faz com que isso me distraia ainda mais.
Mergulho o saquinho de chá no pequeno bule que Christian providenciou. Estou atordoada.
— Que tipo de treinamento básico você tem em mente? — pergunto, a voz num tom ligeiramente agudo demais, traindo o meu desejo de soar tão natural, desinteressada e calma quanto possível, com os hormônios fazendo estragos pelo meu corpo.
— Bem, já que você está dolorida, pensei que poderíamos nos ater a habilidades orais.
Engasgo com o chá e olho para ele, boquiaberta, olhos arregalados. Ele bate delicadamente nas minhas costas e me passa o suco de laranja. Não faço ideia do que ele está pensando.
— Isto é, se você quiser ficar — acrescenta.
Olho para ele, tentando recuperar o equilíbrio. Sua expressão é misteriosa. Isso é muito frustrante.
— Eu gostaria de ficar por hoje. Se não tiver problema. Tenho que trabalhar amanhã.
— A que horas você tem que estar no trabalho amanhã?
— Às nove.
— Eu deixo você no trabalho amanhã às nove.