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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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— Porra. Ana — sussurra ele, e se retira de mim imediatamente, rolando para o lado da cama.

Puxo os joelhos até o peito, totalmente esgotada, e imediatamente apago ou desmaio, caindo num sono exausto.

* * *

QUANDO ACORDO, AINDA está escuro. Não tenho ideia de quanto tempo dormi. Espreguiço-me embaixo do edredom, e me sinto dolorida, deliciosamente dolorida. Christian não está por perto. Sento-me na cama, observando a silhueta da cidade diante de mim. Há menos luzes acesas nos arranha-céus, e a aurora começa a se anunciar no leste. Ouço música. As notas cadenciadas do piano, um lamento triste e doce. Bach, acho eu, mas não tenho certeza.

Enrolo-me no edredom e vou de mansinho para o salão. Christian está ao piano, completamente absorto na melodia. Tem uma expressão triste e desolada, como a música. Sua interpretação é espantosa. Encosto na parede da entrada, e fico ouvindo, embevecida. Ele é um músico muito talentoso. Está nu, o corpo banhado pela luz quente de uma luminária ao lado do piano. Com o resto da sala às escuras, é como se estivesse em seu pequeno foco de luz isolado, intocável... sozinho dentro de uma bolha.

Vou de mansinho em sua direção, incitada pela música sublime e melancólica. Sinto-me mesmerizada, observando seus dedos esguios e habilidosos encontrarem e pressionarem as teclas com delicadeza, pensando em como esses mesmos dedos lidaram com meu corpo e o acariciaram com destreza. Enrubesço e suspiro com a lembrança, e aperto as coxas. Ele ergue os olhos, aqueles seus insondáveis olhos cinzentos brilhando, a expressão misteriosa.

— Desculpe — murmuro. — Não queria atrapalhar.

Ele franze o cenho.

— Com certeza, eu que devia estar dizendo isso para você — murmura ele.

Ele acaba de tocar e põe as mãos sobre as pernas.

Vejo agora que está vestindo calça de pijama. Corre os dedos pelo cabelo e se levanta. Usa as calças caídas nos quadris, daquele jeito... minha nossa. Fico com a boca seca quando ele displicentemente dá a volta no piano e vem na minha direção. Tem ombros largos, quadris estreitos, e seus músculos abdominais ondulam quando anda. Ele é mesmo um espanto.

— Você devia estar na cama — adverte.

— Essa foi uma peça linda. Bach?

— Transcrição de Bach, mas originalmente um concerto para oboé de Alessandro Marcello.

— É deslumbrante, mas bastante triste, uma melodia muito melancólica.

Ele dá um sorrisinho.

— Para a cama — ordena. — Você vai estar exausta de manhã.

— Acordei e você não estava no quarto.

— Tenho dificuldade de dormir, e não estou acostumado a dormir com alguém — murmura ele.

Não consigo entender seu estado de espírito. Ele parece meio abatido, mas é difícil dizer no escuro. Talvez fosse o tom da peça que estava tocando. Passa o braço em volta de mim e me acompanha gentilmente de volta ao quarto.

— Há quanto tempo você pratica? Toca lindamente.

— Desde os seis anos.

— Ah.

Christian com seis anos... visualizo a imagem de um lindo garotinho de cabelo cor de cobre e olhos cinzentos, e meu coração se derrete — um garotinho cabeludo que gosta de música triste.

— Como está se sentindo? — pergunta ele quando chegamos ao quarto. Ele acende a lâmpada de cabeceira.

— Estou bem.

Ambos olhamos ao mesmo tempo para a cama. Há sangue nos lençóis — prova da perda da minha virgindade. Enrubesço, sem jeito, me enrolando mais no edredom.

— Bem, isso vai dar à Sra. Jones o que pensar — murmura Christian parado à minha frente.

Ele segura meu queixo, inclinando minha cabeça para trás, e fica me olhando. Examina meu rosto com um olhar intenso. Percebo que ainda não tinha visto seu peito nu. Instintivamente, estico a mão para passar os dedos nos pelos de seu tórax. Na mesma hora, ele recua, evitando o contato.

— Deite na cama — diz bruscamente. Sua voz fica mais doce. — Vou deitar com você.

Abaixo a mão e franzo o cenho. Acho que ainda não toquei em seu torso. Ele pega uma camisa na gaveta e a veste depressa.

— Para a cama — torna a ordenar.

Volto para a cama, tentando não pensar no sangue. Ele deita ao meu lado e me aconchega, abraçando-me por trás. Beija meu cabelo com delicadeza e funga.

— Durma, doce Anastasia — murmura, e fecho os olhos, mas não posso deixar de sentir uma ponta de melancolia, seja por causa da música, seja pelo comportamento dele. Christian Grey tem um lado triste.

CAPÍTULO NOVE

_________________________________________

A luz inunda o quarto, tirando-me de um sono profundo até eu despertar. Espreguiço-me e abro os olhos. É uma linda manhã de maio, Seattle aos meus pés. Uau, que vista. A meu lado, Christian Grey dorme profundamente. Uau, que vista. Estou surpresa que ele ainda esteja na cama. Está de frente para mim, e tenho a oportunidade inédita de estudá-lo. Seu belo rosto parece mais jovem, relaxado pelo sono. Seus lábios carnudos e esculturais estão ligeiramente entreabertos, e seu cabelo limpo e brilhoso está gloriosamente bagunçado. Deveria ser proibido por lei alguém ser tão bonito assim. Penso no quarto lá em cima... talvez ele não ande dentro da lei, mesmo. Balanço a cabeça, tenho muita coisa em que pensar. É tentador esticar o braço e tocar nele, mas, como um bebê, ele é uma graça quando está dormindo. Não tenho que me preocupar com o que eu digo, com o que ele diz, nem com os planos que ele tem, especialmente com os planos que tem para mim.

Eu poderia passar o dia inteiro olhando para ele, mas tenho necessidades — necessidades fisiológicas. Deslizando da cama, encontro a camisa branca dele no chão e visto-a. Saio por uma porta pensando que poderia ser a do banheiro, mas entro num amplo closet, do tamanho do meu quarto. Fileiras e fileiras de ternos, camisas, sapatos e gravatas caros. Como alguém pode precisar de tanta roupa? Dou um suspiro de desaprovação. Na verdade, o guarda-roupa de Kate deve rivalizar com este. Kate! Ah, não. Não pensei nela a noite inteira. Era para eu ter lhe mandado uma mensagem. Merda. Vou arranjar problema. Pergunto-me como devem estar as coisas entre ela e Elliot.

Volto para o quarto e Christian continua dormindo. Tento a outra porta. É o banheiro, e é maior que o meu quarto. Por que um homem sozinho precisa de tanto espaço? Duas pias, reparo com ironia. Já que ele não dorme com ninguém, uma delas nunca deve ter sido usada.

Olho-me no espelho gigantesco em cima das pias. Será que estou diferente? Sinto-me diferente. Um pouco dolorida, para dizer a verdade, e meus músculos — nossa, é como se eu nunca tivesse feito um exercício na vida. Você nunca fez um exercício na vida. Meu inconsciente acordou. Está me olhando com os lábios contraídos, batendo o pé. Então, você acabou de dormir com ele, de entregar sua virgindade a ele, um homem que não a ama. Aliás, ele tem ideias muito estranhas a seu respeito, quer fazer de você uma espécie de submissa.

ESTÁ MALUCA?, grita comigo.

Faço uma careta ao me olhar no espelho. Vou ter que processar isso tudo. Honestamente, não tem cabimento me apaixonar por um homem deslumbrante, mais rico que Creso, o último rei da Lídia, que tem um Quarto Vermelho da Dor à minha espera. Estremeço. Estou perturbada e confusa. Meu cabelo está rebelde como sempre. Esse cabelo pós-foda não me cai bem. Tento pôr ordem no caos com os dedos, mas falho completamente e desisto — talvez eu encontre uma presilha na bolsa.

Estou faminta. Volto para o quarto. O belo adormecido continua dormindo, então, deixo-o e vou para a cozinha.

Ah, não... Kate. Deixei a bolsa no escritório de Christian. Vou até lá pegá-la e trago o celular. Três mensagens de texto.

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