O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
8 DE MARÇO DE 2208
Patrick Erin O’Toole, um bebê saudável e perfeito sob todos os aspectos, nasceu ontem às 2:15 da tarde. O pai, orgulhoso, está no momento com ele nos braços, sorrindo enquanto meus dedos correm pelas teclas de meu caderno de notas eletrônico.
É tarde da noite. Simone botou Benjy para dormir, como faz toda noite, depois foi deitar-se, muito cansada. Ela cuidou de Benjy sem auxílio de ninguém durante meu trabalho de parto surpreendentemente longo. Cada vez que eu gritava, Benjy reagia gritando também, e Simone é quem o aquietava.
Katie já tomou Patrick para ela, como o seu irmãozinho. Ela é muito lógica, e se Benjy pertence a Simone, então Patrick tem de ser dela. Ao menos está mostrando interesse em outro membro da família.
Patrick não foi planejado, mas tanto Michael quanto eu estamos encantados que ele tenha aparecido para juntar-se à nossa família. Sua concepção teve lugar em algum momento da última primavera, provavelmente durante o primeiro mês no qual Michael e eu começamos a compartilhar o seu quarto de noite. A idéia de dormirmos juntos foi minha, embora acredite que Michael também já pensara nisso.
Na noite em que se completaram dois anos desde que Richard partiu, eu simplesmente não conseguia dormir. Sentia-me só, como de hábito. Tentei imaginar dormir sozinha por todo o resto de minhas noites e fiquei muito deprimida. Logo depois da meia-noite atravessei o corredor e fui para o quarto de Michael.
Michael e eu temos estado relaxados e à vontade um com o outro desde o começo, desta vez. Creio que estávamos ambos prontos para isso. Depois do nascimento de Benjy, Michael ficou muito ocupado ajudando-me com todas as crianças. Durante esse período, ele atenuou um pouco suas atividades religiosas, deixando-se ficar mais acessível a todos nós, inclusive eu mesma.
Eventualmente, nossa compatibilidade natural se reafirmou. A única coisa que faltava era nós dois reconhecermos que Richard não voltaria nunca mais.
Confortável. Essa é a melhor maneira de descrever meu relacionamento com Michael. Com Henry, foi o êxtase. Com Richard, fora paixão e excitação, uma montanha-russa tanto na vida quanto na cama. Michael me reconforta.
Dormimos de mãos dadas, o símbolo perfeito de nosso relacionamento. Fazemos amor raramente, mas o bastante.
Tenho feito algumas concessões. Chego até a rezar, de vez em quando, porque isso deixa Michael feliz. Por seu lado, ele se tem mostrado mais tolerante quanto a expor as crianças a idéias e sistemas de valores fora de seu catolicismo.
Concordamos em que o que buscamos é harmonia e coerência em nossa mútua atividade parental.
Agora somos seis, uma única família de seres humanos mais próximos de várias outras estrelas do que do planeta e estrela de nosso nascimento. Ainda não sabemos se este cilindro gigantesco a voar pelo espaço está realmente indo para algum lugar. Às vezes, parece não importar, pois criamos nosso próprio mundo aqui em Rama e, embora este seja limitado, creio que somos felizes.
11
30 DE JANEIRO DE 2209
Eu esquecera o que era ter adrenalina correndo por meu sistema. Nas últimas trinta horas, nossa vida calma e plácida em Rama foi completamente destruída.
Tudo começou com dois sonhos. Ontem de manhã, logo antes de acordar, tive um sonho extraordinariamente vivido com Richard. Ele não aparecia pessoalmente no sonho, quer dizer, ele não aparecia junto com Michael, Simone, Katie e eu. Mas o rosto de Richard aparecia em recorte no canto esquerdo superior de meu sonho enquanto nós quatro executávamos alguma atividade rotineira e diária. Ele me chamava sem parar, e seu chamado era tão forte que eu ainda o ouvia quando acordei.
Eu acabava de começar a contar meu sonho a Michael quando Katie apareceu na porta, de pijama. Estava trêmula e assustada. “O que foi, querida?”, perguntei, abrindo os braços para acolhê-la.
Ela veio e me abraçou com força. “É o papai, ele ficou me chamando ontem de noite, no meu sonho.”
Um arrepio percorreu-me a espinha e Michael sentou-se em sua esteira.
Eu disse o que pude para consolar Katie, mas fiquei transtornada com a coincidência. Teria ela ouvido minha conversa com Michael? Impossível; nós a vimos no momento em que entrou em nosso quarto.
Depois de Katie voltar para seu quarto a fim de trocar de roupa, eu disse a Michael que não podia de forma alguma ignorar os dois sonhos. Ele e eu já discutimos várias vezes meus poderes psíquicos ocasionais. Embora de modo geral ele não dê muita importância a toda a idéia de percepção extra-sensorial, Michael sempre admitiu que seja impossível afirmar categoricamente que meus sonhos e visões não prevejam o futuro.
“Tenho de ir à superfície procurar Richard”, disse-lhe depois do café.
Michael esperava que eu fizesse esse tipo de tentativa e se mostrava disposto a cuidar das crianças. Mas estava escuro em Rama. Ambos concordamos que seria melhor se eu esperasse até o anoitecer, quando novamente estaria claro na espaçonave acima de nossa toca.
Dormi bastante de dia para ter bastante energia e fazer uma busca completa. Mas o sono foi descontínuo, e eu ficava sonhando que estava em perigo.
Antes de sair, verifiquei que houvesse um desenho gráfico de Richard razoável em meu computador portátil. Queria poder mostrar o objeto de minha busca a quaisquer aves que encontrasse.
Depois de dar um beijo de boa noite nas crianças, eu me dirigi diretamente à toca das aves. Não fiquei muito surpreendida ao ver que a sentinelatanque tinha sumido. Há anos, quando pela primeira vez fui convidada a entrar lá por uma das aves residentes, a sentinela-tanque também estivera ausente.
Será que eu estava de algum modo sendo convidada a entrar de novo? E que ligação teria aquilo com meu sonho? Meu coração estava batendo como louco quando eu passei o cômodo com a cisterna de água e avancei mais profundamente para o túnel que a sentinela ausente normalmente guardava.
Não ouvi qualquer som. Caminhei quase um quilômetro antes de encontrar o portal à minha direita. Espiei com cuidado para o outro lado da esquina. O cômodo estava escuro, como tudo na toca das aves, a não ser o corredor vertical. Acendi minha lanterna. A sala não era muito funda, talvez uns quinze metros no máximo, mas era muito alta. De encontro à parede do lado oposto à porta havia filas e filas de cestas ovais. O facho de luz de minha lanterna mostrou-me que as filas iam até o teto altíssimo, que devia ficar logo embaixo de uma das praças de Nova York.
Não levei muito tempo para descobrir a função da sala; todas as cestas eram do tamanho certo para um melão-maná. É claro, pensei eu, devia ser ali que era guardada a comida. Não é de surpreender que não quisessem que ninguém entrasse.
Depois de verificar que todas as cestas estavam efetivamente vazias, comecei a voltar na direção do túnel vertical. Depois, por um palpite, inverti meu rumo, passei além da sala que seria de depósito, e continuei pelo túnel. Ele tem de dar em algum lugar, pensei eu, pois de outro modo acabaria na sala dos melões.
Depois de mais meio quilômetro, o túnel foi se alargando gradativamente até desaguar em um grande salão circular. No centro, que tinha teto alto, ficava uma estrutura larga, abobadada. Nas paredes circundantes havia cerca de vinte alcovas, cavadas a espaços regulares. Não havia qualquer luz senão a de minha lanterna, de modo que levei vários minutos até integrar todo o salão, com sua edificação abobadada no centro, em uma imagem completa.
Caminhei toda a volta do perímetro, examinando uma alcova após a outra.
A maioria estava vazia. Em uma encontrei três sentinelas-tanques idênticas, cuidadosamente enfileiradas junto à parede do fundo. Meu primeiro impulso foi o de desconfiar das sentinelas, mas não foi necessário, pois estavam todas adormecidas.