O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Mas a alcova mais interessante, no entanto, era a que ficava no centro do salão, a exatamente 180° do túnel de entrada. Essa alcova especial era cuidadosamente organizada e tinha prateleiras grossas talhadas em suas paredes.
Havia ao todo quinze prateleiras, cinco em cada uma das paredes laterais e mais cinco na que ficava oposta à porta da alcova. As estantes nas laterais tinham objetos arrumados nelas (tudo estava em perfeita ordem), mas as da parede do fundo tinham cada uma cinco buracos redondos cavados ao longo de sua extensão.
O conteúdo desses buracos — cada um deles subdividido em segmentos, como em uma torta — era fascinante. Uma das fatias em cada um dos buracos continha um material muito fino, parecendo cinza. Uma segunda continha um, dois ou três anéis, ou cor de cereja ou dourados, que reconheci imediatamente em função de sua semelhança com os anéis que víramos no pescoço de nossa ave amiga de veludo cinzento. Não parecia haver nenhum plano reconhecível no resto dos artigos encontrados nos buracos — alguns, de fato, estavam vazios, a não ser pela cinza e pelos anéis.
Afinal, voltei-me para aproximar-me da estrutura abobadada. Sua porta ficava voltada para a alcova especial. Examinei a porta com minha lanterna. Um desenho complicado fora talhado em sua superfície retangular. Havia quatro painéis, ou quadrantes, separados no desenho. Uma ave aparecia no quadrante do alto à esquerda, com um melão-maná no painel adjacente à direita. Os dois quadrantes inferiores continham figuras desconhecidas. No lado esquerdo havia a talha de uma figura engonçada e listrada, correndo sobre seis pernas. No painel final, embaixo, à direita, aparecia uma grande caixa cheia de uma rede ou um trançado muito fino.
Após alguma hesitação, empurrei a porta, e quase morri de susto quando um alarme altíssimo, como uma buzina, rasgou o silêncio. Fiquei parada junto à porta, sem me mexer, enquanto o alarme continuou tocando por quase um minuto. Quando acabou, continuei sem me mexer. Fiquei tentando ouvir se alguém (ou alguma coisa) atendia ao alarme.
Nenhum som perturbou o silêncio. Após alguns minutos, comecei a examinar o interior da edificação. Um cubo transparente, com mais ou menos dois metros e meio em cada lado, ocupava o centro da sala única. As paredes do cubo estavam manchadas em alguns pontos, obscurecendo em parte minha visão, mas pude ver que, na base, dez centímetros estavam cobertos por um material fino e escuro. O resto do edifício em torno do cubo era decorado com desenhos geométricos, nas paredes, no chão e no teto. Uma das faces do cubo tinha uma entrada estreita que permitia o acesso ao interior.
Entrei. O material preto e fofo parecia cinza, mas era de consistência ligeiramente diferente do material parecido que eu vira nos buracos nas alcovas.
Meus olhos seguiam o facho de luz da lanterna quando este se movia ao longo de um desenho sistemático em torno do cubo. Perto do centro havia um objeto parcialmente enterrado na cinza. Caminhei até lá e apanhei o objeto, sacudiu-o, e quase desmaiei. Era OB, o robô de Richard.
OB estava bastante mudado. O exterior estava todo preto, seu pequenino painel de controle derretera e caíra, e ele não funcionava mais. Mas era ele, sem dúvida. Levantei o robozinho até meus lábios e o beijei. Com o olhar da mente podia vê-lo a jorrar os sonetos de Shakespeare enquanto Richard ouvia embevecido.
Era óbvio que OB estivera em um incêndio. Teria Richard também sido apanhado em um inferno dentro do cubo? Peneirei cuidadosamente as cinzas, mas não achei nem traço de ossos. Fiquei imaginando, no entanto, o que teria queimado e criado aquela cinza? E o que estaria OB fazendo dentro do cubo, para início de conversa?
Fiquei convencida de que Richard estava em algum lugar no interior da toca das aves, de modo que passei mais oito longas horas lutando para subir e descer de patamar em patamar e explorando túneis. Visitei todos os lugares onde havia estado antes, durante minha breve estada de há tanto tempo, e até descobri alguns cômodos novos, interessantes mas sem possibilidade de identificação funcional. Mas não havia sinal de Richard. Na verdade, não havia sinal de qualquer espécie de vida. Lembrando-me de que o breve dia ramaiano estava quase acabando e que as quatro crianças em breve estariam acordando em nossa própria toca, finalmente voltei, cansada e desapontada, para meu lar ramaiano.
Tanto a tampa quanto a grade de nossa toca estavam abertas quando cheguei. Embora tivesse bastante certeza de as ter fechado antes de partir, não conseguia lembrar-me de minhas ações exatas na hora da saída. Acabei por dizer a mim mesma que talvez eu estivesse excitada demais naquele momento e tivesse esquecido de fechar tudo. Tinha acabado de começar a descer quando ouvi Michael chamando “Nicole” atrás de mim.
Virei-me. Michael estava se aproximando, vindo do caminho do leste.
Estava andando depressa, o que não é comum nele, e carregava o pequeno Patrick em seus braços. “Aí está você”, disse ele arfando, quando caminhei até ele, “estava começando a me preocupar…”
Ele parou de repente, olhou para mim um momento, depois espiou em volta. “Mas onde está Katie?”, disse ele preocupado.
“O que está dizendo, onde está Katie?” retruquei, com a expressão no rosto de Michael me alarmando.
“Ela não está com você?”, perguntou ele.
Quando abanei a cabeça e disse que não a tinha visto, Michael repentinamente caiu em prantos. Eu avancei correndo e consolei o pequeno Patrick, que se assustara com os soluços de Michael e começara a chorar também.
“Ah, Nicole, eu sinto tanto, tanto. Patrick esteve muito inquieto à noite e eu o levei para o meu quarto. Hoje Benjy teve dor de barriga e Simone e eu tivemos de cuidar dele por umas duas horas. Caímos todos no sono enquanto Katie estava sozinha no quarto das crianças. Há cerca de duas horas, quando acordamos, ela tinha desaparecido.”
Eu jamais vira Michael tão desesperado. Tentei consolá-lo, dizendo que provavelmente Katie estava brincando pela vizinhança (e quando a acharmos, pensei eu, passarei um pito que ela nunca mais há de esquecer), mas Michael argumentou comigo.
“Não, não; ela não está em nenhum lugar por aqui. Patrick e eu já procuramos por mais de uma hora.”
Michael, Patrick e eu descemos para ver se estava tudo bem com Simone e Benjy. Simone informou-nos de que Katie ficara desapontadíssima ao saber que eu fora procurar Richard sozinha. “Ela esperava”, acrescentou Simone serenamente, “que você a levasse junto.” “Por que não me disse isso ontem à noite?”, perguntei eu à minha filha de oito anos.
“Não me pareceu importante. E jamais imaginei que Katie fosse tentar encontrar papai por si mesma.”
Tanto Michael quanto eu estávamos exaustos, mas um de nós dois tinha de ir procurar Katie. Eu era a escolha certa. Lavei o rosto, pedi aos ramaianos desjejum para todos, e contei uma versão abreviada de minha descida à toca das aves. Simone e Michael examinaram lentamente com as mãos o enegrecido OB, e percebi que ambos estavam imaginando o que teria acontecido a Richard.
“Katie disse que papai tinha ido procurar as octoaranhas”, comentou Simone pouco antes de eu sair. “Ela disse que o mundo delas era mais excitante.”
Foi apavorada que me arrastei caminhando até a praça perto da toca das octoaranhas. Enquanto andava, as luzes se apagaram e era noite novamente em Rama. “Bonito”, resmunguei, “nada melhor do que procurar uma criança desaparecida no escuro”.
Tanto a tampa quanto as grades protetoras das octoaranhas estavam abertas. Eu jamais vira aquelas grades abertas antes. Meu coração deu um salto.
Senti instintivamente que Katie descera para a toca e que, apesar do medo que sentia, estava a ponto de segui-la. Primeiro ajoelhei-me e gritei “Katie!” duas vezes na direção da escuridão lá embaixo. Ouvi seu nome ecoando pelos túneis.
Esforcei-me tentando ouvir qualquer resposta, mas não havia nenhum tipo de som. Pelo menos, disse para mim mesma, não ouvi o arrastar de escovas ou o guincho de alta freqüência.