Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Era uma bela noite, mas a vigília foi cansativa. Naturalmente, envolvia o tipo de emoção que um desportista sente quando está junto a um rio esperando a caça de grande porte. Mas a espera foi longa – quase tão longa, Watson, quanto a que vivemos naquele quarto sinistro, estudando o problema da “Banda pintada”. O relógio da igreja de Woking marcava os quartos de hora e mais de uma vez pensei que ele havia parado. Finalmente, por volta das duas horas, ouvi de repente o leve ruído de um ferrolho sendo empurrado e o estalido de uma chave. Logo depois a porta de serviço abriu-se e o sr. Joseph Harrison surgiu à luz da lua.
– Joseph! – exclamou Phelps.
– Estava com a cabeça descoberta, mas havia jogado nos ombros uma capa negra para poder ocultar rapidamente o rosto, caso houvesse algum alarme. Caminhou silenciosamente à sombra da parede, e quando chegou à janela, enfiou uma faca de lâmina comprida na brecha entre as venezianas, empurrou o ferrolho e abriu-a.
– De onde estava eu podia ver perfeitamente o interior do quarto e acompanhar todos os seus movimentos. Ele acendeu as duas velas que ficam sobre a lareira e em seguida levantou a ponta do tapete perto da porta. Então inclinou-se e ergueu um pedaço de madeira quadrado, do tipo que costuma ser deixado para permitir o acesso de bombeiros às juntas dos encanamentos de gás. Aquele cobria, para ser exato, a junta em forma de T que leva o gás à cozinha. Ele retirou do esconderijo o cilindro de papel, recolocou a tábua, arrumou o tapete, apagou as velas e caiu direto nos meus braços, já que eu esperava por ele em frente à janela.
– O sr. Joseph foi mais agressivo do que eu o imaginava. Avançou para mim de faca em punho e tive de jogá-lo ao chão duas vezes, recebendo um corte nos dedos, para conseguir dominá-lo. Olhou-me com fúria assassina com o único olho capaz de ver quando terminamos, mas ele cedeu e entregou-me os documentos. De posse deles, eu o libertei, mas telegrafei a Forbes esta manhã, dando todos os detalhes. Se ele for bastante rápido para pegar o pássaro, tudo bem! Mas se, como desconfio, encontrar o ninho vazio, tanto melhor para o governo. Imagino que lorde Holdhurst, de um lado, e o sr. Phelps, de outro, preferem que o caso não chegue à justiça.
– Meu Deus! – arquejou nosso cliente. – Quer dizer que nessas dez longas semanas de agonia os documentos roubados estavam no próprio quarto onde eu fiquei?
– Exatamente.
– E Joseph! Joseph, bandido e ladrão!
– Hum! Creio que o caráter de Joseph é mais complexo e perigoso do que pode parecer à primeira vista. Soube esta manhã que ele sofreu grandes perdas jogando na bolsa e está disposto a qualquer coisa para melhorar sua sorte. Sendo um homem profundamente egoísta, quando surgiu a oportunidade, não levou em conta a felicidade da irmã, ou a sua reputação.
Percy Phelps afundou na poltrona.
– Estou completamente zonzo. O que disse me deixou aturdido.
No seu modo didático, Holmes observou:
– No seu caso, a principal dificuldade estava no excesso de evidências. Os elementos vitais estavam encobertos pelos irrelevantes. Entre todos os fatos que nos foram apresentados era preciso escolher os que julgávamos essenciais e depois colocá-los em ordem, a fim de reconstituir esta extraordinária cadeia de acontecimentos. Comecei a suspeitar de Joseph quando você disse que pretendia viajar para casa com ele naquela noite. Era muito provável, portanto, que ele passasse pelo Foreign Office – bem conhecido dele – a caminho da estação. Quando eu soube que alguém havia tentado entrar no quarto onde ninguém, exceto Joseph, poderia ter escondido alguma coisa – você nos contou que Joseph havia sido desalojado quando chegou com o médico –, minhas suspeitas transformaram-se em certeza, principalmente porque a tentativa foi feita na primeira noite em que a enfermeira estava ausente, mostrando que o intruso estava a par do que acontecia na casa.
– Como fui cego!
– Os fatos, conforme os concebi, são os seguintes: Joseph Harrison entrou no prédio do Foreign Office pela porta da Charles Street e, conhecendo o caminho, seguiu direto para a sua sala logo que você saiu. Não vendo ninguém, tocou a sineta e no mesmo instante reparou no papel que estava sobre a mesa. Um olhar de relance mostrou que a sorte havia colocado ao seu alcance um documento oficial de imenso valor. Guardou-o imediatamente no bolso e saiu. Passaram-se alguns minutos, conforme deve lembrar, antes que o contínuo sonolento chamasse a sua atenção para a sineta. Foi o suficiente para o ladrão escapar.
– Ele foi para Woking pelo primeiro trem e, depois de examinar o documento, certificou-se que era de fato de imenso valor e escondeu-o num lugar que julgou muito seguro, com a intenção de retirá-lo um ou dois dias depois e levá-lo à Embaixada da França, ou onde quer que obtivesse um bom preço. Mas então houve a sua chegada repentina. Ele, sem um aviso prévio, foi afastado do quarto e dali em diante sempre havia pelo menos duas pessoas presentes, impedindo-o de recuperar o tesouro. A situação deve ter sido de enlouquecer. Finalmente achou que chegara a oportunidade. Tentou entrar no quarto para pegar o documento, mas foi impedido pela sua vigília. Talvez recorde que não tomou o remédio habitual para dormir.
– Eu me lembro.
– Imagino que ele tomou alguma medida para que o remédio fosse eficaz e esperava encontrá-lo inconsciente. Compreendi que repetiria a tentativa sempre que pudesse fazê-lo com segurança. O fato de ter saído do quarto deu-lhe a oportunidade desejada. Mantive ali a srta. Harrison o dia inteiro para que ele não passasse à nossa frente. E então, dando-lhe a impressão de que o terreno estava livre, fiquei de guarda, como descrevi. Já sabia que os documentos estariam no quarto, mas não queria levantar todas as tábuas do assoalho para encontrá-los. Deixei que ele os tirasse do esconderijo, poupando-me um trabalho imenso. Há algum ponto que queira esclarecer?
– Por que ele entrou pela janela na primeira vez, quando podia ter entrado pela porta? – perguntei.
– Para chegar à porta teria que passar por sete quartos. Além disso, andaria pelo gramado com facilidade. Mais alguma coisa?
– Acha que ele tinha intenção de me assassinar? – perguntou Phelps. – A faca era um simples instrumento.
– É possível – disse Holmes, dando de ombros. – Só posso dizer com certeza que o sr. Joseph Harrison é um cavalheiro em cuja misericórdia eu não confiaria muito.
o problema final
É com o coração pesado que pego a pena para escrever as últimas páginas onde registrarei os talentos especiais que distinguiam meu amigo, o sr. Sherlock Holmes. De modo incoerente e, percebo-o, inteiramente inadequado, procurei narrar as minhas estranhas experiências em sua companhia, desde o acaso que nos reuniu por ocasião de , até a época de sua interferência na questão do , que teve o resultado inegável de impedir uma grave crise internacional. Era minha intenção parar ali, sem mencionar o acontecimento que gerou tamanho vazio em minha vida que nem mesmo a passagem de dois anos conseguiu amenizar. Mas fui obrigado, pelas cartas recentes em que o coronel James Moriarty defende a memória do irmão, a colocar diante do público os fatos exatamente como aconteceram. Só eu conheço a verdade absoluta a respeito do assunto, e estou certo de ter chegado o momento em que ocultá-la não
traz benefício a ninguém. Que eu saiba só houve três relatos na imprensa: o do de 6 de maio de 1891, o comunicado da Reuters nos jornais ingleses de 7 de maio, e finalmente as cartas recentes a que me referi. Destes, o primeiro e o segundo foram extremamente condensados, enquanto o último é, como mostrarei agora, uma distorção completa dos fatos. Cabe a mim contar pela primeira vez o que realmente aconteceu entre o professor Moriarty e Sherlock Holmes.