Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
Houve então uma pausa de uns dez minutos, como se a pessoa estivesse esperando para verificar se o ruído havia me acordado. Escutei então um leve estalido e a janela abriu-se devagar. Não podendo suportar a tensão, pois meus nervos já não são os mesmos, saltei da cama e abri a janela. Havia um homem agachado no peitoril. Não o vi bem porque desapareceu na mesma hora. Estava envolto numa espécie de capa, que ocultava a parte inferior do rosto. De uma coisa estou certo: ele empunhava uma arma. Parecia um punhal. Vi nitidamente o brilho da lâmina quando ele se virou para fugir.
– Muito interessante – comentou Holmes. – O que fez então?
– Eu teria saltado a janela para persegui-lo se estivesse mais forte. Toquei a campainha e despertei a casa toda. Isso levou algum tempo, porque a sineta toca na cozinha e os criados dormem lá em cima. Gritei, e isso atraiu Joseph, que acordou os outros. Joseph e o criado encontraram pegadas no canteiro em frente à janela, mas o tempo anda tão seco ultimamente que acharam inútil procurar pegadas no gramado. Contudo, um ponto da cerca que contorna o jardim mostra sinais, dizem eles, de que alguém saltou sobre ela, quebrando-a na parte superior. Não chamei a polícia local porque achei melhor ouvir antes a sua opinião.
A narrativa do nosso cliente teve um efeito extraordinário sobre Sherlock Holmes. Levantando-se, ele começou a andar de um lado para outro, numa excitação incontrolável.
– As desgraças nunca vêm sozinhas – disse Phelps sorrindo, embora fosse evidente que o episódio o deixara um tanto abalado.
– Sua dose de desgraças não foi pequena – observou Holmes. – Acha que poderia dar uma volta em torno da casa comigo?
– Sim, gostaria de tomar um pouco de sol. Joseph virá também.
– E eu também – disse a srta. Harrison.
– Acho melhor não ir – disse Holmes, meneando a cabeça. – Vou pedir-lhe que fique sentada exatamente onde está.
A moça voltou a sentar-se com ar aborrecido. Mas o irmão veio conosco e saímos os quatro, contornando o gramado até chegarmos à janela do jovem diplomata. Como ele tinha dito, havia pegadas no canteiro, mas estavam muito confusas e pouco nítidas. Holmes inclinou-se sobre elas por um instante e depois levantou-se, encolhendo os ombros.
– Não creio que se possa obter grande coisa aqui. Vamos contornar a casa e verificar por que o ladrão escolheu especificamente este quarto. A meu ver, as janelas grandes do salão e da sala de jantar seriam mais atraentes para ele.
– São mais visíveis da estrada – sugeriu o sr. Joseph Harrison.
– É claro. Há esta porta que ele poderia ter experimentado. Para que serve?
– É a entrada de serviço. Fica trancada à noite, naturalmente.
– Já houve alguma ocorrência semelhante aqui?
– Nunca – respondeu nosso cliente.
– Vocês guardam prataria em casa, ou qualquer coisa que possa atrair ladrões?
– Nada de valor.
Holmes andou em volta da casa com as mãos nos bolsos e um ar de desinteresse que não era habitual.
Virando-se para Joseph Harrison, disse:
– A propósito, soube que encontrou o lugar onde o sujeito pulou a cerca. Vamos dar uma espiada.
O rapaz conduziu-nos ao local onde a parte superior da cerca estava rachada. Dali pendia um pedacinho de madeira. Holmes arrancou-o e o examinou com olho crítico.
– Acha que isto foi feito esta noite? Parece mais antigo, não é?
– Bem, é possível.
– Não há sinais de que alguém tenha saltado do outro lado. Não, creio que aqui não encontraremos nada. Vamos voltar ao quarto e conversar sobre o assunto.
Percy Phelps caminhava muito devagar, apoiado no braço do futuro cunhado. Holmes atravessou rapidamente o gramado e chegamos à janela aberta do quarto bem antes dos outros.
– Srta. Harrison – disse Holmes, falando com gravidade. – Deve permanecer onde está o dia inteiro. Que nada a afaste daí. É de importância vital.
– Sim, se quiser, sr. Holmes – disse a moça, surpresa.
– Quando subir para se deitar, tranque a porta deste quarto e guarde a chave. Prometa que fará isto.
– E Percy?
– Ele irá para Londres conosco.
– E eu fico aqui?
– É em benefício dele. Poderá ajudá-lo! Depressa, prometa!
Ela fez que sim no instante em que os dois se aproximavam.
– Por que está sentada aí à toa, Annie? – perguntou o irmão. Venha para o sol!
– Não, obrigada, Joseph. Estou com um pouco de dor de cabeça e este quarto é maravilhosamente fresco e silencioso.
– O que pretende fazer agora, sr. Holmes? – perguntou nosso cliente.
– Ao investigar este episódio secundário, não podemos perder de vista a questão principal. Seria de grande ajuda se viesse conosco a Londres.
– Agora?
– Assim que achar conveniente. Digamos, dentro de uma hora.
– Estou me sentindo bem melhor. Se puder de fato ajudar...
– Ajudará muito.
– Talvez queiram que eu passe a noite na cidade.
– Era o que eu ia sugerir.
– Então, se meu amigo noturno repetir a visita, descobrirá que o pássaro desapareceu. Estamos em suas mãos, sr. Holmes. Diga exatamente o que quer que façamos. Talvez prefira que Joseph nos acompanhe, para cuidar de mim.
– Não. Meu amigo Watson é médico e fará isso. Almoçaremos aqui, se permitir, e depois iremos os três para a cidade.
Tudo se passou como ele sugeriu e a srta. Harrison recusou-se a sair do quarto, seguindo a sugestão de Holmes. Eu não conseguia imaginar qual era o objetivo das manobras de meu amigo, a menos que fosse manter a moça longe de Phelps. Este, satisfeito com a recuperação e a perspectiva de agir, almoçou conosco na sala. Mas Holmes guardava para nós uma surpresa ainda mais espantosa. Depois de nos acompanhar até a estação, anunciou calmamente que não pretendia sair de Woking.
– Há dois ou três pontos que quero esclarecer antes de voltar a Londres – disse. – Sua ausência me ajudará em certos aspectos, sr. Phelps. Quando chegar a Londres, Watson, siga imediatamente para Baker Street com o nosso amigo e fique ao seu lado até eu voltar. Ainda bem que são velhos colegas de escola. Devem ter muito o que conversar. O sr. Phelps pode dormir no quarto de hóspedes esta noite e eu estarei de volta para tomar o café-da-manhã com os dois. Há um trem que me deixará em Waterloo às oito horas.
– E a nossa investigação em Londres? – perguntou Phelps, desapontado.
– Podemos fazer isso amanhã. Creio que no momento sou mais útil aqui.
– Diga ao pessoal em que espero voltar amanhã à noite – gritou Phelps quando o trem começou a se afastar da plataforma.
– Não pretendo voltar a – respondeuHolmes, acenando alegremente, enquanto a estação ficava para trás.
Phelps e eu conversamos durante a viagem, mas nenhum dos dois conseguiu encontrar um motivo satisfatório para aquele novo acontecimento.
– Creio que ele quer descobrir alguma pista a respeito da tentativa de assalto de ontem à noite, se é que foi assalto. Quanto a mim, não acredito que se tratasse de um ladrão comum.
– O que pensa a respeito, então?
– Não sei se a culpa é dos meus nervos abalados, mas acredito que haja uma intriga política à minha volta e que, por algum motivo que escapa à minha compreensão, os conspiradores querem me matar. Parece exagerado e absurdo, mas considere os fatos! Por que um ladrão tentaria forçar a janela de um quarto onde não havia esperança de conseguir um bom saque, e por que viria empunhando uma faca?
– Tem certeza de que não era um instrumento de arrombador?