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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]

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Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
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Percy Phelps e a moça olharam para Holmes com surpresa e decepção. Ele estava devaneando com a rosa entre os dedos, um devaneio que durou alguns minutos e foi interrompido pela moça.

– Vê alguma possibilidade de resolver o mistério, sr. Holmes? – perguntou, com certa aspereza.

– O mistério! – exclamou, voltando à realidade concreta. – Seria absurdo negar que o caso é nebuloso e complicado, mas prometo estudar a questão e comunicar qualquer detalhe que venha a me impressionar.

– Vê alguma pista?

– Você me forneceu sete, mas é claro que preciso examiná-las antes de me pronunciar acerca do seu valor.

– Suspeita de alguém?

– Suspeito de mim mesmo.

– O quê?

– De chegar a conclusões precipitadas.

– Então volte para Londres e teste as suas conclusões.

– Conselho excelente, srta. Harrison – disse Holmes, erguendo-se. – Creio, Watson, que é o melhor que temos a fazer. Não se entregue a falsas esperanças, sr. Phelps. O caso é muito complicado.

– Não vou conseguir descansar até tornar a vê-lo! – exclamou o diplomata.

– Voltarei amanhã pelo mesmo trem, embora o mais provável é que o meu relatório seja negativo.

– Deus o abençoe pela promessa de voltar – exclamou o nosso cliente. – Sinto-me reanimado só de saber que algo está sendo feito. Por falar nisso, recebi uma carta de lorde Holdhurst.

– Ah! E o que ele disse?

– Uma carta fria, mas não áspera. Creio que minha doença grave me salvou disso. Repetiu que o assunto era de máxima importância e acrescentou que não seria tomada nenhuma medida em relação ao meu futuro – refere-se, naturalmente, à minha demissão – até que eu estivesse recuperado e tivesse oportunidade de compensar o meu deslize.

– Razoável e cheio de consideração – observou Holmes. – Vamos, Watson. Temos um longo dia de trabalho pela frente na cidade.

O sr. Joseph Harrison levou-nos até a estação e pouco depois tomávamos um trem de Portsmouth. Holmes mergulhou em profunda meditação e mal abriu a boca até ultrapassarmos a estação de Clapham Junction.

– É muito agradável chegar a Londres por uma dessas linhas elevadas, que permitem ver as casas do alto.

Pensei que estivesse brincando, pois o panorama era deprimente; mas ele explicou:

– Veja aqueles grupos de construções isoladas e altas, erguendo-se acima dos telhados como ilhas de tijolo num mar cor de chumbo.

– Os internatos.

– Faróis, meu rapaz! Faróis iluminando o futuro! Cápsulas contendo centenas de pequenas sementes, das quais brotará a Inglaterra melhor e mais sábia do futuro. Suponho que Phelps não beba.

– Creio que não.

– Também acho. Mas precisamos levar em conta todas as possibilidades. O pobre-diabo meteu-se em grandes apuros e não sei se conseguiremos tirá-lo disso. O que achou da srta. Harrison?

– Uma moça de temperamento enérgico.

– Sim, mas é boa pessoa, se não me engano. Ela e o irmão são filhos únicos de um fabricante de ferro de Northumberland. Phelps apaixonou-se por ela quando viajou no inverno passado e a moça veio para ser apresentada à família dele, escoltada pelo irmão. E então ocorreu o escândalo e ela ficou para cuidar do noivo, enquanto o irmão, Joseph, vendo-se em situação confortável, permaneceu também. Andei fazendo algumas investigações independentes. Mas hoje será um dia de pesquisas.

– Meus clientes... – comecei.

– Se achar que seus casos são mais interessantes que os meus... – disse Holmes, com certa aspereza.

– Eu pretendia dizer que meus clientes podem me dispensar por um ou dois dias. É a época menos movimentada do ano.

– Ótimo – disse ele, recuperando o bom humor... – Então examinaremos juntos o assunto. Creio que devemos começar por uma visita a Forbes. Ele provavelmente pode nos contar todos os detalhes de que precisamos para descobrir de que lado o caso deve ser abordado.

– Você disse que tinha uma pista.

– Temos várias, mas só podemos testar sua validade com novas investigações. O crime mais difícil de solucionar é aquele sem finalidade. Este não é. Quem lucra com ele? O embaixador francês, o russo, ou quem conseguisse vender aos dois o documento. E lorde Holdhurst.

– Lorde Holdhurst!

– É concebível que um estadista se encontre em situação de não lamentar que o documento tenha sido acidentalmente destruído.

– Não um estadista com a ficha honrosa de lorde Holdhurst.

– É uma possibilidade e não podemos ignorá-la. Visitaremos hoje o ilustre lorde, para verificar se ele é capaz de nos dizer alguma coisa. Enquanto isso, já providenciei investigações.

– Já?

– Sim. Passei telegramas da estação de Woking para todos os vespertinos de Londres. Este anúncio será publicado nos jornais.

Entregou-me uma folha arrancada de uma caderneta, onde tinha rabiscado a lápis:

“Recompensa de 10 libras. – O número do cabriolé que deixou um passageiro no Foreign Office ou nas imediações, em Charles Street, por volta de 21:45h de 23 de maio. Respostas para Baker Street, 221-B.”

– Tem certeza de que o ladrão chegou num cabriolé?

– Se não chegou, é indiferente. Mas se o sr. Phelps está certo ao dizer que não existe esconderijo na sala ou nos corredores, então a pessoa veio de fora. Se veio de fora numa noite chuvosa e não deixou marcas no linóleo examinado minutos depois de sua passagem, é muito provável que tenha chegado num veículo. Sim, creio que podemos deduzir com segurança que se trata de um cabriolé.

– É plausível.

– Esta é uma das pistas a que me referi, e pode levar-nos a uma descoberta. E há a história da sineta, que é a característica mais marcante do caso. Por que a sineta tocaria? O ladrão teria feito isso num gesto de desafio? Ou seria alguém que estava com o ladrão e queria impedir o crime? Ou teria sido um acidente? Ou...?

Ele mergulhou novamente numa concentração intensa e silenciosa. Mas como estava habituado a todas as suas mudanças de humor, achei que lhe ocorrera uma nova possibilidade.

Eram 15:20h quando chegamos ao terminal e, após um almoço apressado no partimos para a Scotland Yard. Holmes já havia telegrafado para Forbes e ele estava à nossa espera. Era um homem baixinho, esperto, de expressão viva e nem um pouco amável. Mostrou-se glacial, principalmente quando soube do objetivo da visita.

– Ouvi falar dos seus métodos, sr. Holmes – disse secamente. – Está sempre pronto a usar todas as informações que a polícia coloca à sua disposição, e depois encerra o caso por conta própria lançando descrédito sobre nós.

– Ao contrário. Dos últimos 53 casos que investiguei, meu nome só apareceu em quatro, e a polícia recebeu todo o crédito pelos outros 49. Não o culpo por ignorar o detalhe. É jovem e inexperiente. Mas se quiser progredir em sua nova função, trabalhará comigo e não contra mim.

– Gostaria de ouvir uma ou duas sugestões – disse o detetive, mudando de atitude. – Até agora não obtive crédito nenhum neste caso.

– Que providências tomou?

– Tangey, o contínuo, vem sendo seguido. Deixou os Guards com boa ficha, e não encontramos nada contra ele. Mas a mulher não presta. Acho que ela sabe mais a respeito dos documentos do que aparenta.

– Mandou segui-la?

– Destacamos uma das mulheres para a tarefa. A sra. Tangey bebe e uma policial conversou com ela duas vezes, quando estava embriagada, mas nada conseguiu.

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