Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– Soube que uns cobradores estiveram na casa.
– Sim, mas a dívida foi paga.
– De onde veio o dinheiro?
– De fonte limpa. Ele recebeu a pensão e o casal não tem dado mostras de estar rico.
– Que explicação ela deu para o fato de ter atendido ao chamado quando o sr. Phelps pediu café?
– Disse que o marido estava muito cansado e quis poupá-lo.
– Isto combina com o fato de ele ter sido encontrado, minutos depois, adormecido na cadeira. Então não há nada contra eles, exceto o caráter da mulher. Perguntou por que ela saiu apressada naquela noite? A pressa atraiu a atenção do policial.
– Era mais tarde do que o horário habitual e queria chegar logo a casa.
– Comentou com ela que o senhor e Phelps, que saíram pelo menos vinte minutos depois, chegaram antes dela?
– Explicou o fato pela diferença entre um ônibus e um cabriolé.
– Esclareceu por que, ao chegar a casa, correu para a cozinha?
– Era ali que guardava o dinheiro para pagar aos cobradores.
– Ela tem resposta para tudo. Perguntou se, ao sair, encontrou alguém, ou viu alguém rondando na Charles Street?
– Não viu ninguém, a não ser o policial.
– Parece que a interrogou minuciosamente. Que outras providências tomou?
– O funcionário, Gorot, foi seguido durante essas nove semanas, mas sem resultados. Não podemos provar nada contra ele.
– Mais alguma coisa?
– Não dispomos de nenhuma outra pista para seguir, nenhum indício de qualquer tipo.
– Formulou alguma teoria a respeito do toque da campainha?
– Confesso que não sei o que pensar sobre isso. Fosse quem fosse, era uma pessoa muito fria para soar o alarme daquela maneira.
– Sim, foi uma atitude estranha. Muito obrigado pelas informações. Se eu conseguir pôr o sujeito em suas mãos, terá notícias minhas. Vamos, Watson!
– Aonde vamos agora? – perguntei quando saímos do escritório.
– Vamos entrevistar lorde Holdhurst, ministro do Gabinete e futuro da Inglaterra.
Tivemos a sorte de descobrir que lorde Holdhurst ainda estava em seu gabinete de Downing Street. Quando Holmes enviou o seu cartão, fomos conduzidos imediatamente à sua presença. O estadista recebeu-nos com sua velha e conhecida cortesia, fazendo-nos sentar em luxuosas poltronas ao lado da lareira. De pé no tapete entre nós, silhueta alta e magra, traços aquilinos no rosto pensativo, cabelos prematuramente grisalhos, parecia representar um tipo pouco comum – um nobre em toda a acepção da palavra.
– Conheço-o de nome, sr. Holmes – ele disse com um sorriso. – E é claro que não vou fingir que ignoro o motivo da sua visita. Só houve nestas salas uma ocorrência que exigiria a sua atenção. Posso saber em nome de quem está agindo?
– No do sr. Percy Phelps – respondeu Holmes.
– Ah, o meu infeliz sobrinho. Deve compreender que o nosso parentesco torna ainda mais difícil, para mim, protegê-lo. Receio que o incidente tenha um efeito muito prejudicial sobre a carreira dele.
– E se o documento for encontrado?
– O caso seria diferente, é claro.
– Gostaria de fazer-lhe uma ou duas perguntas, lorde Holdhurst.
– Será um prazer prestar-lhe qualquer informação ao meu alcance.
– Foi nesta sala que deu as instruções para que o documento fosse copiado?
– Foi.
– Então, dificilmente alguém teria ouvido.
– Isto está fora de cogitação.
– Disse a alguém que pretendia mandar fazer uma cópia do tratado?
– De modo algum.
– Tem certeza?
– Absoluta.
– Se o senhor não contou a ninguém e o sr. Phelps também não, e ninguém mais sabia do assunto, então a presença do ladrão na sala foi puramente acidental. Ele viu a oportunidade e aproveitou-a.
O estadista sorriu.
– Isso está fora da minha especialidade.
Holmes refletiu um instante.
– Há um outro ponto muito importante que gostaria de discutir com o senhor. Pelo que entendi, o senhor temia graves conseqüências se os detalhes do tratado fossem divulgados.
Uma sombra cobriu a fisionomia expressiva do estadista.
– Sim, conseqüências muito graves.
– E elas se concretizaram?
– Ainda não.
– Se o tratado tivesse chegado, digamos, ao Ministério do Exterior da França, ou da Rússia, o senhor saberia.
– Sim, saberia – disse lorde Holdhurst, grave.
– Então, como já se passaram quase dez semanas e nada se soube, não é justo supor que, por algum motivo, o tratado não chegou às mãos deles?
Lorde Holdhurst deu de ombros.
– Seria difícil supor, sr. Holmes, que o ladrão levaria o tratado para casa a fim de emoldurá-lo e pendurá-lo na parede.
– Talvez esteja esperando um preço melhor.
– Se esperar mais um pouco, não obterá coisa alguma. O tratado deixará de ser secreto dentro de alguns meses.
– Isto é muito importante – observou Holmes. – Pode-se supor também, é claro, que o ladrão tenha adoecido subitamente...
– Um ataque de febre cerebral, por exemplo? – perguntou o estadista, com um rápido olhar para Holmes.
– Eu não disse isso – rebateu Holmes, imperturbável. – E agora, lorde Holdhurst, já tomamos muito do seu precioso tempo e lhe desejamos um bom-dia.
– Pleno êxito na sua investigação, seja quem for o criminoso – respondeu o nobre, com uma inclinação de despedida.
– É um excelente sujeito – comentou Holmes quando saímos em Whitehall. – Mas precisa lutar para manter sua posição. Não é rico e tem muitos encargos. Notou que as botas dele levaram meia-sola? Agora, Watson, não o afastarei por mais tempo de suas legítimas obrigações. Não farei mais nada hoje, a menos que receba uma resposta ao anúncio do cabriolé. Mas, ficaria muito grato se me acompanhasse a Woking amanhã, pelo mesmo trem que tomamos hoje.
Encontrei-o na manhã seguinte e viajamos juntos para Woking. Ele não obtivera nenhuma resposta relativa ao anúncio ou qualquer informação que ajudasse a esclarecer o caso. Quando queria, ele adquiria a completa imobilidade de um pele-vermelha e não consegui deduzir de sua atitude se estava ou não satisfeito com o andamento do caso. Conversou, lembro-me, sobre o sistema Bertillon de medidas e manifestou sua entusiástica admiração pelo sábio francês.
Encontramos o nosso cliente ainda aos cuidados da enfermeira dedicada, mas com uma aparência bem melhor que a da véspera. Levantou-se do sofá e cumprimentou-nos sem dificuldade quando entramos.
– Alguma novidade? – perguntou vivamente.
– Meu relatório, como eu esperava, é negativo – disse Holmes. – Conversei com Forbes e com seu tio, e encaminhei uma ou duas investigações que podem dar algum resultado.
– Então não desanimou?
– De modo algum.
– Deus o abençoe por essas palavras! – exclamou a srta. Harrison. – Se conservarmos nosso ânimo e nossa paciência, a verdade virá à tona.
– Temos mais coisas para contar ao senhor do que o senhor para nós – disse Phelps, voltando a sentar-se no sofá.
– Eu esperava que tivesse alguma coisa.
– Sim, vivemos esta noite uma aventura que poderia ter sérias conseqüências graves. – Seu rosto ficou muito sério e algo semelhante ao medo brilhou nos seus olhos. – Começo a acreditar que sou o pivô involuntário de uma conspiração monstruosa, e que tanto a minha honra como a minha vida estão ameaçadas.
– Ah! – fez Holmes.
– Parece incrível, pois, que eu saiba, não tenho um só inimigo no mundo. Contudo, após a experiência desta noite não posso chegar a outra conclusão.
– Fale, por favor.
– A noite passada foi a primeira que dormi sem a enfermeira no quarto. Sentia-me bem melhor e achei que podia dispensá-la. Mas deixei uma lamparina acesa. Por volta das duas horas eu estava mergulhado num sono leve e de repente fui despertado por um ruído fraco. Parecia um rato roendo uma tábua. Fiquei escutando durante algum tempo, com a impressão de que era essa a causa. Mas o ruído ficou mais forte e de repente ouvi um estalido metálico na janela. Sentei-me na cama, espantado. Não havia dúvidas quanto à origem dos sons. O mais leve fora causado por um instrumento introduzido na brecha entre as venezianas e o segundo, pela fechadura sendo forçada.