Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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– Levei os documentos e...
– Um momento – interrompeu Holmes. – Estavam sozinhos durante essa conversa?
– Totalmente.
– Numa sala ampla?
– Com 9 metros de lado.
– Estavam no centro?
– Sim, mais ou menos.
– E falavam em voz baixa?
– Meu tio fala sempre em voz muito baixa. Eu quase não falei.
– Obrigado – disse Holmes, fechando os olhos. – Continue, por favor.
– Fiz exatamente o que ele mandou e esperei até que todos saíssem. Um dos funcionários que trabalham na minha sala, Charles Gorot, tinha uma tarefa atrasada para pôr em dia, de modo que eu o deixei ali enquanto saía para jantar. Quando voltei, ele já havia saído. Eu estava ansioso para terminar o trabalho, pois sabia que Joseph, o sr. Harrison, que acabam de conhecer, estava na cidade e iria para Woking pelo trem das 23 horas. Se fosse possível, eu gostaria de pegá-lo também.
– Quando examinei o tratado, vi logo que era tão importante que meu tio não exagerara quando falou sobre ele. Sem entrar em detalhes, posso dizer que definia a posição da Grã-Bretanha em relação à Tríplice Aliança e antecipava a política que este país adotaria no caso de a armada francesa conseguir o domínio total da italiana no Mediterrâneo. As questões que ele abordava eram puramente navais. O documento trazia as assinaturas de altos dignitários. Li rapidamente as páginas e comecei a copiá-las.
– Era um longo documento escrito em francês, contendo 26 artigos independentes. Copiava o mais depressa possível, mas às 21 horas estava apenas no 9o artigo e pareceu-me inútil tentar pegar o trem. Comecei também a ficar sonolento e vagaroso, tanto em conseqüência do jantar como de um longo dia de trabalho. Uma xícara de café me despertaria. Um contínuo permanece a noite inteira num cubículo ao pé da escada. Ele tem o hábito de preparar café num fogareiro a álcool para os funcionários que trabalhem fora do expediente. Toquei a campainha para chamá-lo.
– Para minha surpresa, foi uma mulher quem atendeu, pessoa idosa, alta, de feições grosseiras, usando um avental. Explicou que era a mulher do contínuo e que fazia a faxina. Pedi a ela que me trouxesse café.
– Copiei mais dois artigos e então, mais sonolento do que antes, levantei-me e caminhei de um lado para o outro da sala, a fim de esticar as pernas. O café ainda não havia chegado e fiquei imaginando qual seria o motivo da demora. Abri a porta e desci o corredor para descobrir. Há um corredor mal-iluminado, que sai da sala onde eu estava trabalhando e constitui a sua única via de acesso, e que termina numa escada em curva, com o cubículo do contínuo no térreo. No meio da escada há um pequeno patamar, de onde sai outro corredor formando um ângulo reto. O segundo conduz, por uma escadinha, a uma porta lateral usada pelos criados e também por alguns funcionários, por ser o caminho mais curto para quem vem da Charles Street.
– Obrigado. Creio que compreendo bem – disse Sherlock Holmes.
– É da maior importância que observem este ponto. Desci a escada até o vestíbulo, onde encontrei o contínuo profundamente adormecido no cubículo, o bule de café fervendo sobre o fogareiro a álcool, a água espirrando pelo chão. Estendi a mão para sacudir o homem, que continuava ferrado no sono, quando uma campainha soou bem alto sobre a cabeça dele, que acordou sobressaltado.
– “Sr. Phelps!”, exclamou, olhando-me, aturdido.
– “Desci para saber se meu café está pronto.”
– “Pus a chaleira para ferver e adormeci, senhor.”
– Olhou para mim e, em seguida, para a campainha que continuava vibrando, cada vez mais espantado.
– “Se o senhor estava aqui, quem tocou a campainha?”, perguntou.
– “Campainha? Que campainha é esta?”
– “A da sala onde o senhor estava trabalhando.”
– Tive a impressão de que uma mão gelada apertava meu coração. Alguém estava na sala onde meu precioso tratado ficara sobre a mesa. Corri como um doido pela escada e atravessei o corredor. Não havia ninguém no corredor, sr. Holmes. Não havia ninguém na sala. Tudo estava exatamente como eu havia deixado, exceto os documentos entregues aos meus cuidados. A cópia continuava na mesa e o original havia desaparecido.
Holmes retesou-se na cadeira e esfregou as mãos. Percebi que o problema era do tipo que ele gostava.
– O que fez então? – murmurou.
– Percebi imediatamente que o ladrão devia ter subido a escada depois de entrar pela porta lateral. É claro que eu o teria encontrado se ele viesse pelo lado oposto.
– Tem certeza de que não estava escondido o tempo todo na sala, ou no corredor que acaba de descrever como mal-iluminado?
– É totalmente impossível. Nem um rato se ocultaria na sala ou no corredor. Não há esconderijo possível.
– Obrigado. Continue, por favor.
– O contínuo, vendo pela minha palidez que algo terrível acontecera, havia me seguido pela escada. Atravessamos o corredor e descemos os degraus íngremes que levam a Charles Street. A porta estava fechada, mas não trancada. Nós a abrimos e fomos até a rua. Lembro-me nitidamente de que naquele instante soaram três pancadas no relógio de uma igreja próxima. Eram 21:45h.
– Isto é da maior importância – observou Holmes, fazendo uma anotação no punho da camisa.
– A noite estava muito escura e caía uma chuva fina e quente. Não havia ninguém em Charles Street, mas no final, em Whitehall, o tráfego era intenso, como sempre. Corremos pela calçada, cabeça descoberta como estávamos, e na esquina encontramos um policial.
– “Houve um roubo”, eu disse, arquejante. “Um documento de valor imenso foi roubado do Foreign Office. Passou alguém por aqui?”
– “Cheguei aqui há 15 minutos, senhor. Só uma pessoa passou nesse tempo: uma mulher alta e idosa, com um xale Paisley.”
– “Ah, era minha mulher”, disse o contínuo. “Não passou mais ninguém?”
– “Ninguém.”
– “Então o ladrão deve ter saído pelo outro lado”, disse o sujeito, puxando-me pela manga.
– Mas eu não estava convencido, e as tentativas que ele fez para me afastar aumentaram a minha desconfiança.
– “Para que lado foi a mulher?”, perguntei.
– “Não sei, senhor. Eu a vi passar, mas não tinha motivo especial para reparar nela. Parecia estar com pressa.”
– “Há quanto tempo foi isso?”
– “Há alguns minutos.”
– “Nos últimos cinco minutos?”
– “Bem, não poderia ser mais que isso.”
– “O senhor está perdendo tempo e cada minuto é importante”, disse o contínuo. “Minha mulher nada tem a ver com isso. Vamos para o outro lado da rua. Bem, se não vier, eu vou.”
– E saiu correndo na direção oposta. Eu o alcancei num instante e segurei-o pela manga.
– “Onde é que você mora?”
– “Em Ivy Lane, no 16, Brixton. Mas não se deixe levar a uma pista falsa, sr. Phelps. Venha para o outro lado da rua e vamos ver se descobrimos alguma coisa.”
– Eu nada tinha a perder seguindo o conselho dele e, acompanhados do policial, caminhamos rapidamente até a rua movimentada, com transeuntes passando em todas as direções, ansiosos para chegarem a um local abrigado naquela noite de chuva. Não havia nenhum policial que pudesse nos dizer quem tinha passado por ali.
– Voltamos ao escritório e revistamos as escadas e os corredores sem o menor resultado. O corredor que dava na sala era forrado com linóleo claro, que fica marcado com facilidade. Nós o examinamos cuidadosamente, mas não encontramos nenhum sinal de pegadas.
– Tinha chovido a tarde toda?
– Desde as 19 horas, mais ou menos.
– Então, por que a mulher que entrou na sala por volta das 21 horas não deixou marcas de sapatos enlameados?
– Ainda bem que fez essa observação. Isso me ocorreu na ocasião. As faxineiras têm o hábito de tirar as botas no cubículo do contínuo e calçar chinelos.