Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– “É este o sr. Melas, Harold?”, perguntou.
– “É.”
– “Muito bem! Muito bem! Espero que não leve a mal, sr. Melas. O caso é que não podíamos dispensá-lo. Se agir corretamente, não terá motivos para se lamentar, mas se tentar algum truque, peça a Deus que o ajude!”
– Falava aos arrancos, nervoso, frases entremeadas de risadinhas, mas deu-me a impressão de estar dominado pelo medo.
– “O que querem de mim?”, perguntei.
– “Apenas que faça algumas perguntas a um senhor grego que está nos visitando e transmita as respostas dele. Mas não diga nada além do que lhe pedirem ou – nova risadinha nervosa – lamentará o dia em que nasceu.”
– Enquanto falava, abriu uma porta e levou-me a uma sala que parecia suntuosamente mobiliada, mas também estava iluminada por uma única lâmpada de chama bastante reduzida. A peça era ampla e o fato de meus pés afundarem nos tapetes indicava sua riqueza. Vi de relance poltronas forradas de veludo, uma lareira alta de mármore branco, junto à qual havia uma armadura que me pareceu japonesa. Sob a lâmpada havia uma cadeira e o senhor idoso fez sinal para que eu me sentasse. O rapaz desapareceu e voltou de repente por outra porta, trazendo um homem vestido com uma espécie de roupão solto, que se aproximou lentamente de nós. Quando entrou no círculo de luz que me permitia vê-lo com mais nitidez, estremeci de horror. Estava extremamente pálido e magro, e tinha os olhos saltados e brilhantes de alguém cuja energia interior ultrapassa as forças físicas. Mas o que me chocou, além dos sinais de fraqueza, foi o rosto grotescamente recoberto de esparadrapo, com uma faixa larga tapando-lhe a boca.
– “Trouxe a lousa, Harold?”, perguntou o velho, enquanto aquele estranho personagem deixou-se cair numa cadeira. “As mãos estão soltas? Dê-lhe o lápis. O senhor fará as perguntas, sr. Melas, e ele escreverá as respostas. Pergunte primeiro se está disposto a assinar os papéis.”
Os olhos do homem cintilaram, enfurecidos.
– “Nunca”, escreveu em grego na lousa.
– “Sob nenhuma condição?”, perguntei, a pedido do nosso tirano.
– “Somente se eu a vir casada na minha presença por um sacerdote grego que eu conheça.”
– O homem soltou uma risadinha venenosa.
– “Neste caso, sabe o que o aguarda?”
– “Não importa o que possa me acontecer.”
– Estes são exemplos das perguntas e respostas que constituíram a nossa estranha conversa meio falada e meio escrita. Pediram-me para perguntar várias vezes se ele assinaria o documento e recebi sempre a mesma resposta indignada. Mas logo ocorreu-me uma idéia feliz. Passei a acrescentar pequenas sentenças a cada pergunta, no início inocentes, a fim de verificar se um dos homens percebia qualquer coisa, e depois, ao ver que não mostravam nenhum sinal de compreensão, iniciei um jogo mais perigoso. Nossa conversa foi mais ou menos a seguinte:
– “Não conseguirá nada com essa obstinação. Não importa. Seu destino está em suas mãos. Não importa. Esta propriedade jamais será sua. Não cairá nas mãos de bandidos. Sairá daqui em liberdade se assinar. Não assinarei jamais. Não está fazendo nenhum favor a ela. Quero ouvir a resposta diretamente dela. Poderá vê-la se assinar. Então, nunca mais tornarei a vê-la. .”
Mais cinco minutos, sr. Holmes, e eu obteria toda a história, na cara dos homens. A minha pergunta seguinte teria esclarecido a questão, mas naquele instante a porta se abriu e uma mulher entrou na sala. Não a vi com nitidez suficiente, mas sei que era alta e graciosa, de cabelos pretos, e vestia uma espécie de bata branca flutuante.
– “Harold! Não agüentei mais!”, ela falava inglês com sotaque.
– “Fico tão solitária lá em cima, somente com... Oh, meu Deus, é Paul!”
– As últimas palavras foram pronunciadas em grego. No mesmo instante o homem, num esforço supremo, arrancou o esparadrapo da boca, e gritando “Sophy! Sophy!” correu a abraçá-la. Mas o abraço durou apenas um instante, pois o rapaz agarrou a mulher e arrastou-a para fora da sala, enquanto o mais velho facilmente dominava a vítima enfraquecida, arrastando-a para a outra porta. Vendo-me sozinho por um instante na sala, levantei-me com a vaga idéia de obter uma pista a respeito da casa onde estava. Felizmente, porém, não fiz coisa alguma, pois quando ergui a cabeça, dei com o homem mais velho parado na porta e olhando para mim.
– “Quieto, sr. Melas. Deve ter percebido que lhe permitimos tomar conhecimento de assunto muito particular. Não o teríamos incomodado se o nosso amigo que fala grego, e iniciou as negociações, não fosse obrigado a voltar para o Oriente. Era necessário encontrar alguém para substituí-lo, e ficamos sabendo dos seus talentos.”
– Inclinei-me.
– “Aqui estão 5 libras”, ele disse, aproximando-se. “Espero que sejam suficientes. Mas lembre-se”, e, com um risinho, bateu de leve no meu peito, “se falar com alguém a respeito deste caso, a uma só pessoa que seja, que Deus tenha misericórdia de sua alma.”
– Não sei expressar a repulsa e o horror que aquele homenzinho de aparência insignificante me inspirou. Eu o via com mais nitidez agora que a luz incidia sobre ele. Tinha traços aquilinos, tez pálida, barba curta e pontuda, desgrenhada e maltratada. Ao falar, aproximou o rosto do meu. Seus lábios e pálpebras estavam em contínuo movimento, como os de alguém que sofresse da doença de São Guido. Ocorreu-me também que aquele risinho estranho era sintoma de uma doença nervosa. O terror que seu rosto inspirava vinha dos olhos cinza-aço, de brilho frio, revelando, em suas profundezas, uma crueldade inexorável.
– “Ficaremos sabendo, se você falar no assunto. Temos nossos canais de informação. A carruagem está à sua espera e meu amigo o acompanhará.”
– Fizeram-me atravessar às pressas o vestíbulo e entrar no veículo, e nessa hora pude ver de relance as árvores e um jardim. O sr. Latimer seguiu-me de perto e sentou-se na minha frente sem pronunciar uma palavra. Percorremos em silêncio a distância interminável, vidros fechados, até que finalmente, pouco depois da meia-noite, a carruagem parou.
– “Salte aqui, sr. Melas”, disse o meu companheiro. “Lamento deixá-lo tão longe de sua casa, mas não há alternativa. Qualquer tentativa sua de seguir a carruagem resultará em dano para a sua pessoa.”
– Abriu a porta e mal tive tempo de saltar, pois o cocheiro chicoteou o cavalo e o veículo se afastou ruidosamente. Olhei em torno, espantado. Estava numa espécie de descampado coberto de arbustos de tojo. Ao longe estendia-se uma fileira de casas. Uma luz brilhava aqui e ali nos pavimentos superiores. Do lado oposto vi os sinais vermelhos de uma estrada de ferro.
– A carruagem já havia desaparecido. Olhei em volta, perguntando a mim mesmo onde estaria quando percebi que alguém se aproximava na escuridão. Quando estava perto, vi que se tratava de um carregador da estrada de ferro.
– “Pode me dizer que lugar é este?”, perguntei.
– “Wandsworth Common”, respondeu.
– “Posso pegar algum trem para a cidade?”
– “Se caminhar cerca de 1,5 quilômetro, chegará a Clapham Junction a tempo de pegar o último trem para Victoria.”
– Foi assim que terminou a minha aventura, sr. Holmes. Não sei onde estive, ou com quem falei, nada sei além do que acabo de contar. Mas sei que há algo de muito torpe e quero ajudar aquele infeliz, se for possível. Contei a história ao sr. Mycroft Holmes na manhã seguinte e, mais tarde, à polícia.
Ficamos em silêncio por algum tempo, depois de ouvir essa narrativa extraordinária. E então Sherlock olhou para o irmão.