Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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– Alguma providência? – perguntou.
Mycroft pegou o que estava sobre uma mesinha.
Quem puder fornecer qualquer informação sobre o paradeiro de um senhor grego chamado Paul Kratides, de Atenas, e que não fala inglês, receberá uma recompensa. Recompensa similar será entregue a quem der informações referentes a uma senhora grega, cujo primeiro nome é Sophy. X 2473.
Foi publicado em todos os jornais. Não houve resposta.
– E a Legação da Grécia?
– Já indaguei. Não sabem de nada.
– Um telegrama ao chefe de polícia de Atenas, então?
– Sherlock concentrou toda a energia da família – comentou Mycroft, virando-se para mim. – Fique com o caso e avise-me se conseguir algum resultado.
– Combinado – disse meu amigo, levantando-se. – Eu me comunicarei com você e também com o sr. Melas. Mas, se eu fosse o senhor, eu ficaria bastante alerta, pois devem saber pelos anúncios que os traiu.
Enquanto caminhávamos para casa, Holmes entrou numa agência dos telégrafos e enviou vários telegramas.
– Nosso serão não foi desperdiçado, Watson – observou. – Alguns dos meus casos mais interessantes chegaram-me por intermédio de Mycroft. O problema que acabamos de ouvir, embora só possa admitir uma explicação, tem características singulares.
– Espera solucioná-lo?
– Sabemos tanta coisa a respeito que seria estranho se não descobríssemos o resto. Você mesmo já deve ter elaborado alguma teoria que explique os fatos que acabamos de ouvir.
– Sim, uma teoria vaga.
– Qual é a sua idéia?
– Parece óbvio que a moça grega foi seqüestrada pelo jovem inglês chamado Harold Latimer.
– Seqüestrada onde?
– Atenas, talvez.
Sherlock Holmes meneou a cabeça.
– O rapaz não falava uma só palavra de grego. A moça falava inglês razoavelmente, donde se deduz que estava na Inglaterra há algum tempo, e que ele não esteve na Grécia.
– Então, presume-se que ela veio uma vez em visita à Inglaterra e que Harold a convenceu a fugir com ele.
– Isso é mais provável.
– Então o irmão – pois creio que esse é o parentesco – veio da Grécia para interferir. Imprudentemente, colocou-se à mercê do rapaz e de seu sócio mais velho. Agarraram-no e usaram de violência para obrigá-lo a assinar papéis que transferiam para o nome deles a fortuna da moça, da qual ele deve ser o administrador. Ele se recusa a assinar. Para negociar precisam de um intérprete e se apoderam do pobre sr. Melas, depois de usar outra pessoa. A moça não é informada da chegada do irmão e fica sabendo por mero acaso.
– Excelente, Watson! – exclamou Holmes. – Creio que não está muito longe da verdade. Temos todas as cartas na mão e só devemos temer algum ato repentino de violência por parte deles. Se nos derem tempo, nós os pegaremos.
– Mas como encontraremos a casa?
– Se nossas conjecturas estiverem corretas, o nome da moça é, ou era, Sophy Kratides. Não será difícil encontrá-la. É a nossa maior esperança, pois o irmão, naturalmente, não passa de um completo estranho. Claro que se passou algum tempo desde que esse Harold travou relações com a moça. Semanas, pelo menos, até o irmão saber na Grécia e vir para cá. Se os jovens estavam vivendo juntos nesse período, é provável que obtenhamos alguma resposta ao anúncio de Mycroft.
Enquanto conversávamos, chegamos à nossa casa, em Baker Street. Holmes subiu na frente e, ao abrir a porta da sala, soltou uma exclamação de surpresa. Olhando por cima do ombro dele, levei um susto igual. Mycroft estava sentado numa poltrona, fumando.
– Entre, Sherlock! Entre, senhor! – falou tranqüilo, sorrindo diante da nossa surpresa. – Não esperava tanta energia de minha parte, não é, Sherlock? Mas este caso me atrai.
– Como veio até aqui?
– Passei por vocês num cabriolé.
– Aconteceu alguma coisa?
– Recebi uma resposta ao meu anúncio.
– Ah!
– Chegou alguns minutos depois que saíram.
– E que dizia?
Mycroft Holmes tirou do bolso um papel.
Aqui está, escrita com pena sobre papel creme, por um homem de meia-idade e constituição franzina.
Senhor, diz ele, em resposta ao seu anúncio de hoje quero informar que conheço muito bem a senhora em questão. Se quiser me visitar, eu lhe darei alguns detalhes de sua dolorosa história. Ela reside no momento em The Myrtles, Beckenham.
Seu, atenciosamente,
J. Davenport.
– Remeteu a carta de Lower Brixton – observou Mycroft Holmes. – Não acha que devemos ir agora tomar conhecimento desses detalhes, Sherlock?
– Meu caro Mycroft, a vida do irmão é mais valiosa do que a história da irmã. Creio que devemos ir à Scotland Yard procurar o inspetor Gregson e seguir direto para Beckenham. Sabemos que há um homem condenado à morte e cada hora que passa é decisiva.
– É melhor pegarmos o sr. Melas no caminho – sugeri. – Vamos precisar de um intérprete.
– Excelente! – aprovou Sherlock Holmes. – Mande o garoto buscar uma carruagem e partiremos imediatamente.
Abriu a gaveta da escrivaninha enquanto falava e notei que enfiava o revólver no bolso. Em resposta ao meu olhar, disse:
– Sim, pelo que soubemos, estamos lidando com uma gangue muito perigosa.
Era quase noite quando chegamos a Pall Mall, onde morava o sr.Melas. Um senhor acabava de vir buscá-lo de carruagem.
– Sabe para onde foi? – perguntou Mycroft Holmes.
– Não, senhor – respondeu a mulher que abriu a porta. – Sei apenas que saiu de carruagem com um senhor.
– E ele deu o nome?
– Não, senhor.
– Era um rapaz alto, bonito, moreno?
– Não, senhor. Era um cavalheiro baixinho, de óculos, rosto magro, mas muito simpático. Ria o tempo todo.
– Vamos! – disse Sherlock Holmes bruscamente. – O caso está ficando sério! – observou enquanto nos dirigíamos à Scotland Yard. – Aquela gente seqüestrou Melas de novo. Ele é um homem sem coragem física, como eles sabem pela experiência da noite passada. O bandido conseguiu aterrorizá-lo com sua simples presença. Querem, sem dúvida, os seus serviços profissionais, mas depois de usá-lo vão querer castigá-lo pelo que devem considerar uma traição.
Nossa esperança era que, tomando o trem, pudéssemos chegar a Beckenham tão depressa ou mais que de carruagem. Mas, ao chegarmos à Scotland Yard, levamos mais de uma hora para encontrar o inspetor Gregson e cumprir as formalidades legais que nos permitiriam entrar na casa. Eram 21:45h, portanto, quando chegamos a London Bridge e levamos mais meia hora para saltarmos na plataforma de Beckenham. Um percurso de 1 quilômetro levou-nos a – uma casa ampla e escura, separada da estrada pelos jardins que a cercavam. Dispensamos a carruagem e percorremos juntos a alameda.
– As janelas estão todas fechadas – observou o inspetor. A casa parece deserta.
– Os pássaros abandonaram o ninho – disse Holmes.
– Por que pensa assim?
– Uma carruagem pesada, carregada de bagagens, passou por aqui há uma hora.
O inspetor riu.
– Vi as marcas das rodas à luz do portão. Mas como sabe da bagagem?
– Deve ter observado as mesmas marcas seguindo na direção oposta. Mas as que saem são bem mais profundas, a ponto de podermos dizer com certeza que o veículo levava um peso considerável.
– O senhor é um pouco complicado demais para mim – disse o inspetor, dando de ombros. – Não será fácil forçar aquela porta. Mas tentaremos se ninguém nos atender.
Bateu com força a aldrava, puxou a campainha, mas inutilmente. Holmes, que havia desaparecido, voltou daí a instantes.
– Abri uma janela – anunciou.
– Ainda bem que está do lado da lei e não contra ela, sr. Holmes – observou o inspetor, quando percebeu a habilidade com que meu amigo havia forçado a fechadura. – Creio que, nestas circunstâncias, podemos entrar sem esperar convite.