Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
Электронная книга - «Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]». Краткое содержание книги:
– É bom verificar tudo. Nossa investigação não foi inútil. Conversamos depois com o sr. Cunningham e o filho, que indicaram o local exato onde o assassino atravessou a cerca do jardim na fuga. É um ponto de grande interesse.
– Naturalmente.
– Em seguida visitamos a mãe do pobre coitado. Mas não conseguimos nenhuma informação. Ela é muito idosa e doente.
– E qual foi o resultado da investigação?
– A convicção de que o crime é muito peculiar. Talvez a nossa visita agora possa esclarecer alguma coisa. Creio que nós dois concordamos, inspetor, que o fragmento de papel encontrado na mão do morto, em que estava indicada a hora exata de sua morte, é extremamente importante.
– Isso deveria fornecer uma pista, sr. Holmes.
– E uma pista. A pessoa que escreveu o bilhete foi o homem que tirou William Kirwan da cama àquela hora. Mas onde está o resto do papel?
– Examinei cuidadosamente o terreno na esperança de encontrá-lo – disse o inspetor.
– Foi arrancado da mão do morto. Por que alguém estaria tão ansioso para recuperá-lo? Porque o incriminava. E o que faria com ele? Enfiaria no bolso, provavelmente, sem notar que um fragmento ficara na mão do morto. Se conseguíssemos obter o resto do papel, é óbvio que avançaríamos bastante na solução do mistério.
– Sim, mas como chegar aos bolsos de um criminoso antes de pegar o próprio criminoso?
– Vale a pena meditar no assunto. E há outro ponto óbvio. O bilhete foi enviado a William. O homem que o escreveu não deve ser o mesmo que entregou, porque, neste caso, daria pessoalmente o recado. Quem levou o bilhete? Ou teria vindo pelo correio?
– Andei investigando – disse o inspetor. – William recebeu uma carta ontem, pelo correio da tarde. O envelope foi destruído por ele.
– Ótimo – exclamou Holmes, dando uma palmada nas costas do inspetor. – Interrogou o carteiro. É um prazer trabalhar ao seu lado. Bem, aqui está o pavilhão, e se quiser subir, coronel, eu lhe mostrarei o local do crime.
Passamos pelo bonito chalé onde morara o homem assassinado e seguimos pela alameda ladeada de carvalhos que conduzia à antiga e bela residência em estilo Queen Anne, ostentando a marca de Malplaquet sobre o lintel da porta de entrada. Holmes e o inspetor contornaram a casa até o portão lateral, separado por um jardim da cerca viva que o isola da estrada. Havia um policial na porta da cozinha.
– Abra a porta – pediu Holmes. – Era nesta escada que o sr. Cunningham filho estava, e dali avistou os dois homens lutando no lugar onde estamos agora. O sr. Cunningham pai estava na janela – a segunda à esquerda – e viu o sujeito escapar pelo lado esquerdo daquele arbusto. O filho também viu. Ambos têm certeza por causa daquela sebe. Então o sr. Alec correu para fora e ajoelhou-se ao lado do ferido. O solo é muito duro, como podem ver, e não há pegadas para nos orientar.
Enquanto ele falava, dois homens aproximaram-se pela trilha do jardim, depois de contornarem um ângulo da casa. Um deles era idoso, de expressão enérgica, rosto enrugado, pálpebras pesadas; o outro era um rapaz elegante que, com sua expressão viva e sorridente e as roupas de cores alegres, fazia um estranho contraste com o assunto que nos levara até ali.
– Continua investigando? – perguntou, dirigindo-se a Holmes. – Pensei que vocês, londrinos, não erravam nunca. Não parece tão rápido, no fim das contas.
– Precisa conceder-nos algum tempo – disse Holmes, bem-humorado.
– E vão precisar mesmo – disse Alec Cunningham. – Aparentemente, não há pista nenhuma.
– Apenas uma – disse o inspetor. – Achamos que se encontrássemos... Meu Deus, sr. Holmes, o que aconteceu?
O rosto do meu pobre amigo havia assumido de repente a expressão mais assustadora. Rolou os olhos para cima, fisionomia alterada pela dor e, com um gemido abafado, caiu de bruços no chão. Horrorizados diante do ataque repentino e grave, nós o carregamos para a cozinha, onde foi instalado numa cadeira grande, respirando com dificuldade durante alguns minutos. Afinal, com um pedido de desculpas pelo desmaio, levantou-se.
– Watson lhes dirá que acabo de me recuperar de uma doença grave – explicou. – Sou sujeito a esses ataques nervosos.
– Quer que mande minha charrete levá-lo para casa? – perguntou o velho Cunningham.
– Já que estou aqui, há um ponto que gostaria de comprovar. É bem fácil verificá-lo.
– Qual é?
– É possível que o pobre William tivesse chegado à casa não depois e sim antes do ladrão. Todos parecem aceitar como ponto pacífico que, embora a porta tenha sido forçada, o ladrão não chegou a entrar.
– Creio que é bastante óbvio – disse o sr. Cunningham gravemente. – Meu filho Alec ainda não se deitara e com certeza ouviria alguém que se movimentasse por aqui.
– Onde estava sentado?
– Eu estava fumando no meu quarto de vestir.
– Qual é a janela?
– A última à esquerda, ao lado da de meu pai.
– As luzes nos dois quartos estavam acesas, naturalmente.
– É claro.
– Há pontos muito estranhos aqui – disse Holmes, sorrindo. – Não é extraordinário que um ladrão – e um ladrão com certa experiência prévia – invadisse uma casa numa hora em que, como ele podia ver pelas luzes, ainda havia duas pessoas da família acordadas?
– Devia ser um sujeito muito frio.
– É claro que se o caso não fosse tão estranho, não precisaríamos recorrer ao senhor para obter uma explicação – disse o sr. Alec. Mas quanto à sua idéia de que o homem já havia roubado a casa antes de William surpreendê-lo, é totalmente absurda. Não teríamos encontrado o lugar revirado e dado pela falta dos objetos que ele havia roubado?
– Depende do tipo de objetos – disse Holmes. – Deve lembrar-se de que lidamos com um ladrão muito peculiar e que parece ter uma linha de trabalho toda pessoal. Veja, por exemplo, a estranha coleção de objetos que roubou da casa dos Acton: um rolo de barbante, um peso de papéis e não sei que outras ninharias!
– Bem, estamos inteiramente em suas mãos, sr. Holmes – disse o velho Cunningham. – Qualquer coisa que o senhor ou o inspetor proponham será aceita com certeza.
– Em primeiro lugar, gostaria que oferecessem uma recompensa. Deve partir dos senhores, porque a polícia levaria algum tempo para chegar a um acordo a respeito da quantia, e isto precisa ser feito rapidamente. Tenho aqui um esboço, caso não se importem em assiná-lo... Cinqüenta libras são mais que suficientes, eu acho.
– Eu daria quinhentas de boa vontade – disse o juiz de paz, pegando o papel e o lápis que Holmes lhe estendia. – Mas isto não está muito correto – acrescentou, olhando para o documento.
– Eu escrevi às pressas.
– Vejo que começou assim: “Tendo em vista que na madrugada de terça-feira, faltando um quarto para uma, foi feita uma tentativa...” etc. Era um quarto para a meia-noite, para ser exato.
Eu me afligi por causa do erro, pois sabia que Holmes ficaria profundamente abalado com um engano daquele tipo. Era sua especialidade manter-se fiel aos fatos, mas a doença recente o havia abalado e aquele pequeno incidente era suficiente para mostrar que ainda estava longe da recuperação. Ele ficou embaraçado por um momento, enquanto o inspetor erguia as sobrancelhas e Alec Cunningham caía na gargalhada. Mas o velho corrigiu o erro e devolveu o papel a Holmes.
– Mande imprimir o mais depressa possível. Creio que sua idéia é excelente.
Holmes guardou cuidadosamente o papel na carteira.
– E agora seria muito bom visitarmos juntos a casa para verificar se esse ladrão excêntrico, afinal, não levou alguma coisa.
Antes de entrar, Holmes examinou a porta que tinha sido forçada. Era evidente que haviam usado um cinzel e uma faca resistente para arrombar a fechadura. Eram visíveis as marcas na madeira, no lugar onde a porta fora empurrada.
– Não usam barras? – perguntou.
– Nunca achamos necessário.