Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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– “Talvez encontremos outra coisa de Carlos I”, exclamei, quando de repente me ocorreu o provável significado das duas primeiras perguntas do Ritual. “Vamos examinar o conteúdo da sacola que foi pescada do lago.”
– Subimos até o gabinete e Musgrave colocou diante de mim os fragmentos metálicos. Compreendi que ele devia tê-los considerado de pouca importância, já que o metal estava quase negro e as pedras, totalmente sem brilho. Esfreguei uma delas na manga e ela cintilou na concavidade da minha mão. O trabalho de metal tinha a forma de um duplo anel, mas estava entortado, perdendo a forma original.
– “É preciso ter em mente que o partido realista tinha prestígio na Inglaterra mesmo após a morte do rei, e que quando finalmente resolveram fugir, devem ter deixado enterrados muitos de seus bens mais preciosos, com a intenção de voltar e recuperá-los em tempos mais tranqüilos”, observei.
– “Meu antepassado, Ralph Musgrave, era um destacado Cavaleiro, o braço direito de Carlos II em suas viagens”, disse meu amigo.
– “Verdade? Bem, creio que isso nos fornece o último elo de que precisávamos. Devo congratulá-lo por tomar posse, embora de modo um tanto trágico, de uma relíquia de grande valor intrínseco, e de importância ainda maior como curiosidade histórica.”
– “Que relíquia?”, ele perguntou, espantado.
– “Nada menos que a antiga coroa dos reis da Inglaterra.”
– “A coroa!”
– “Exatamente. Considere o que diz o Ritual. O que diz ele? ‘A quem pertenceu? Àquele que se foi.’ Isso ocorreu depois da execução de Carlos I. E depois: Quem o terá? Aquele que virá, ou seja, Carlos II, cujo advento já estava previsto. Não pode haver dúvida de que este diadema amassado e disforme coroou a fronte dos reis Stuart.”
– “E como foi parar no lago?”
– “Ah, esta é uma pergunta que levaremos algum tempo para responder.”
– E esbocei para ele toda a longa cadeia de suposições e provas que eu havia elaborado. O crepúsculo havia baixado e a lua brilhava no céu quando terminei a narrativa.
– “E por que Carlos II não recuperou a coroa quando voltou?”, perguntou Musgrave, guardando a relíquia na sacola de linho.
– “Você tocou num ponto que provavelmente jamais conseguiremos esclarecer. É possível que o Musgrave que guardava o segredo tenha morrido no intervalo e, por algum lapso, deixou ao seu descendente esta orientação sem explicar o que significava. Dessa época até hoje passou de pai para filho, e acabou caindo nas mãos de um homem que desvendou o segredo e perdeu a vida na aventura.”
– Esta é a história do Ritual Musgrave, Watson. A coroa continua em Hurlstone, embora houvesse algum empecilho legal e fosse necessário pagar uma soma considerável para obterem a permissão de conservá-la. Tenho certeza de que se você mencionar meu nome, eles terão prazer em mostrá-la. Da mulher nunca mais se teve notícia e o mais provável é que tenha saído da Inglaterra, levando a lembrança do crime para algum país de além-mar.
os senhores de reigate
Meu amigo Sherlock Holmes levou algum tempo para se recuperar das tensões provocadas por sua intensa atividade na primavera de 1887. Toda a questão da Companhia Netherland-Sumatra e dos colossais planos do barão Malpertuis ainda está bem viva na memória do público e ligada muito intimamente à política e às finanças para ser assunto adequado a esta série de resumos. Mas o caso levou, de maneira indireta, a um problema singular e complexo, que proporcionou ao meu amigo uma oportunidade para demonstrar o valor de uma arma nova entre as muitas que ele manejava na sua eterna luta contra o crime.
Consultando minhas anotações, vejo que foi no dia 14 de abril que recebi um telegrama de Lyons informando que Holmes estava doente no Hotel Dulong. Em 24 horas eu estava ao lado dele, e aliviado por saber que não havia nada de grave nos seus sintomas. Sua constituição férrea cedera sob as tensões de uma investigação que se prolongara por dois meses, período em que nunca trabalhara menos de 15 horas diárias e mais de uma vez, como me afirmou, ficara em atividade durante cinco dias seguidos. O resultado triunfal de seus esforços não o salvara da reação a um trabalho tão cansativo. Numa época em que a Europa inteira vibrava com o seu nome e ele tinha o quarto literalmente coberto de telegramas de congratulações, encontrei-o mergulhado na mais profunda depressão. Nem mesmo o fato de saber que tivera êxito onde a polícia de três países havia fracassado e de ter ludibriado em todos os sentidos o mais requintado vigarista da Europa foram suficientes para arrancá-lo da prostração nervosa.
Três dias depois estávamos de volta a Baker Street, mas era evidente que meu amigo precisava de uma mudança. E a idéia de uma semana de primavera no campo também me parecia atraente. Meu velho amigo, o coronel Hayter, que estivera sob os meus cuidados profissionais no Afeganistão, havia alugado uma casa perto de Reigate, no Surrey, e freqüentemente me convidava para visitá-lo. Na última vez, ele comentara que se meu amigo quisesse me acompanhar, ele teria prazer em oferecer-lhe sua hospitalidade. Foi necessário um pouco de diplomacia, mas quando Holmes compreendeu que nosso anfitrião era solteiro e que ele gozaria da mais ampla liberdade, concordou com meus planos, e uma semana depois de regressarmos de Lyons estávamos na casa do coronel. Hayter era um velho e excelente militar, que conhecia grande parte do mundo. E descobriu em pouco tempo, como eu esperava, que ele e Holmes tinham muitas coisas em comum.
Na noite da nossa chegada, estávamos na sala de armas do coronel, depois do jantar, Holmes estirado no sofá, enquanto Hayter e eu examinávamos a sua pequena coleção de armas de fogo.
– Vou levar uma dessas pistolas lá para cima, para o caso de haver algum alarme – disse ele de repente.
– Alarme! – exclamei.
– Sim, temos tido problemas nesta região ultimamente. O velho Acton, um dos magnatas do nosso condado, teve a casa arrombada na segunda-feira passada. Não houve grandes prejuízos, mas o sujeito continua à solta.
– Alguma pista? – perguntou Holmes, olhando para o coronel.
– Ainda não. Mas o caso é insignificante, um crimezinho do interior, pequeno demais para a sua atenção, sr. Holmes, depois desse grande caso internacional.
Holmes abanou a mão num gesto de modéstia ao ouvir o elogio, embora seu sorriso revelasse satisfação.
– Alguma característica interessante?
– Creio que não. Os ladrões vasculharam a biblioteca, mas este trabalho rendeu bem pouco. A sala inteira foi revirada, gavetas esvaziadas, prateleiras em desordem, e o resultado foi que desapareceram um volume de , de Pope, dois castiçais prateados, um peso de papéis de marfim, um pequeno barômetro de carvalho e um rolo de barbante!
– Que extraordinário conjunto de objetos! – exclamei.
– É evidente que os sujeitos agarraram tudo que puderam.
Holmes grunhiu lá do sofá:
– A polícia do Condado devia dar alguma importância ao caso – falou. – Afinal, é óbvio que...
Mas eu ergui o dedo num sinal de advertência.
– Você está aqui para descansar, meu caro. Pelo amor de Deus, não se envolva em novos problemas quando seus nervos estão em farrapos.
Holmes deu de ombros, lançou ao coronel um olhar resignado e a conversa passou para temas menos perigosos.
Toda a minha cautela profissional estava destinada a ir por água abaixo, porque na manhã seguinte o problema se impôs de tal maneira que foi impossível ignorá-lo. E nossa visita ao campo assumiu características imprevisíveis. Estávamos tomando o café-da-manhã quando o mordomo do coronel irrompeu na sala, ignorando as conveniências.
– Soube da notícia, senhor? – arquejou. – Na casa dos Cunninghams, senhor!
– Roubo! – exclamou o coronel, com a xícara de café suspensa no ar.
– Homicídio!