Sherlock Holmes - Edicao completa [calibre 0.9.23]
- Автор: Конан Дойл Артур
- Серия: Aventura #14
- Год: 2000
- Язык: португальский
- Жанр: Классические детективы
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O coronel assobiou.
– Meu Deus! Quem foi assassinado? O juiz de paz ou o filho?
– Nem um nem outro. Foi William, o cocheiro. Abatido com um tiro no coração, senhor, e não abriu mais a boca.
– Mas quem o matou?
– O ladrão, senhor. Saiu voando como uma bala e escapou. Tinha acabado de quebrar a janela da despensa quando William o surpreendeu, e morreu defendendo a propriedade do patrão.
– A que horas?
– Foi ontem à noite, senhor, por volta da meia-noite.
– Neste caso, iremos até lá mais tarde – disse o coronel, voltando tranqüilamente à refeição. – Um caso desagradável – acrescentou quando o mordomo saiu. – O velho Cunningham é o morador mais importante da região e um excelente sujeito. Deve estar muito abalado, porque o criado trabalhava para ele há anos e era muito bom. Devem ser os mesmos bandidos que assaltaram a casa de Acton.
– E roubaram aquela estranha coleção de objetos – disse Holmes, pensativo.
– Exatamente.
– Hum! Talvez seja a coisa mais simples do mundo, mas à primeira vista é meio estranho, não acham? Um bando de ladrões agindo no campo para variar o cenário de suas atividades é coisa de se esperar, mas não dariam dois golpes no mesmo distrito com poucos dias de intervalo. Quando falou ontem à noite em tomar precauções, lembrei-me de que esta região seria a última na Inglaterra para a qual um ladrão, ou ladrões, voltaria a atenção. O que demonstra que ainda tenho muito a aprender.
– Creio que se trata de algum aprendiz local – disse o coronel. – Neste caso, as residências de Acton e Cunningham seriam exatamente as que ele procuraria, já que são as maiores.
– E as mais ricas?
– Bem, é provável. Mas estão com um processo que dura anos e sugou os recursos de ambos, eu imagino. O velho Acton alega ser proprietário de metade das terras de Cunningham, e os advogados vêm lutando acirradamente na questão.
– Se for um criminoso local, não deve ser muito difícil encontrá-lo – disse Holmes com um bocejo. – Está bem, Watson. Não pretendo me envolver.
– O inspetor Forrester, coronel – anunciou o mordomo, abrindo a porta.
O policial, um rapaz elegante, de expressão viva, entrou na sala.
– Bom-dia, coronel. Espero não estar incomodando, mas soube que o sr. Holmes, de Baker Street, está aqui.
O coronel indicou meu amigo com um gesto e o inspetor se inclinou.
– Pensamos que talvez quisesse nos ajudar, sr. Holmes.
– O destino está contra você, Watson – disse ele, rindo. – Conversávamos sobre o assunto quando entrou, inspetor. Poderia dar alguns detalhes?
E quando se recostou na cadeira, naquela pose familiar, compreendi que seria inútil protestar.
– Não tínhamos pistas no caso Acton. Mas neste dispomos de várias, e não há dúvida de que se trata da mesma pessoa. O homem foi visto.
– Ah!
– Sim, senhor. Mas fugiu como um cervo após o tiro que matou o pobre William Kirwan. O sr. Cunningham viu-o da janela do quarto e o sr. Alec Cunningham viu-o do corredor dos fundos. Faltava um quarto para a meia-noite quando se deu o alarme. O sr. Cunningham acabava de se deitar e o sr. Alec fumava cachimbo, de roupão. Ambos ouviram William, o cocheiro, pedir socorro, e o sr. Alec correu para baixo, a fim de verificar o que estava acontecendo. Encontrou a porta dos fundos aberta e, ao chegar ao pé da escada, viu dois homens lutando. Um deles disparou, o outro caiu. O assassino atravessou o jardim correndo e saltou a cerca viva. O sr. Cunningham, olhando pela janela
do quarto, viu o sujeito chegar à estrada, mas perdeu-o de vista logo depois. O sr. Alec parou para socorrer o moribundo e assim o assassino conseguiu fugir. Além do fato de ser um homem de estatura mediana e vestir roupa escura, não temos pista pessoal, mas estamos fazendo investigações rigorosas e, se ele for um estranho por aqui, logo o encontraremos.
– O que esse William fazia ali? Disse alguma coisa antes de morrer?
– Nem uma palavra. Morava no pavilhão com a mãe e era um sujeito muito leal. Supomos que tenha ido até a casa para verificar se estava tudo em ordem. É claro que o caso Acton deixou todo mundo alerta. O ladrão deve ter arrombado a porta – a fechadura foi forçada – e logo em seguida William apareceu.
– William disse alguma coisa à mãe antes de sair?
– Ela é muito idosa e surda. Não conseguimos obter nenhuma informação. O choque deixou-a atordoada, mas eu soube que ela nunca foi muito inteligente. Mas há um detalhe muito importante. Vejam!
Tirou de um caderninho um fragmento de papel e alisou-o sobre o joelho.
– Isto foi encontrado entre o indicador e o polegar do morto. Parece um pedaço arrancado de uma folha maior. Observem que a hora mencionada é a mesma em que o pobre sujeito morreu. O assassino talvez tenha arrancado dele o resto da folha ou ele pode ter tirado este fragmento da mão do assassino. Dá a impressão de que havia um encontro marcado.
Holmes pegou o pedaço de papel, cujo está reproduzido aqui.
– Supondo-se que havia um encontro marcado – continuou o inspetor –, é concebível a teoria de que esse William Kirwan, apesar da reputação de homem honesto, estivesse de conluio com o ladrão. Talvez tenha vindo encontrá-lo no local, pode até tê-lo ajudado a arrombar a porta, e depois os dois se desentenderam.
– A caligrafia é extraordinariamente interessante – observou Holmes, que a examinava com grande concentração. – O caso é bem mais complicado do que imaginei.
Apoiou a cabeça nas mãos enquanto o inspetor sorria diante do efeito que seu caso produzia no famoso especialista londrino.
– Sua última observação relativa à possibilidade de haver um entendimento entre o ladrão e o empregado, e de este papel ser um bilhete marcando encontro entre os dois, é uma hipótese engenhosa e não de todo impossível. Mas este fragmento de escrita sugere...
Mergulhou novamente a cabeça nas mãos e permaneceu por alguns minutos na mais profunda meditação. Quando ergueu a cabeça, fiquei surpreso ao vê-lo corado e de olhos brilhantes, como antes de adoecer. Levantou-se vivamente, com toda a antiga energia.
– Sabem de uma coisa? Eu gostaria de dar uma espiada discreta nos detalhes deste caso. Ele contém algo que me fascina bastante. Se me permite, coronel, deixarei meu amigo Watson e o senhor, para acompanhar o inspetor e testar a veracidade de uma ou duas idéias minhas. Voltaremos em meia hora.
Uma hora e meia se passou antes que o inspetor voltasse, sozinho.
– O sr. Holmes está caminhando de um lado para outro no campo lá fora – anunciou. – Quer que nós quatro vamos juntos à casa.
– À casa do sr. Cunningham?
– Sim, senhor.
– Para quê?
O inspetor encolheu os ombros.
– Não sei exatamente, senhor. Cá entre nós, acho que o sr. Holmes ainda não se recuperou totalmente de sua doença. Age de maneira estranha e está muito excitado.
– Não precisa ficar alarmado – eu disse. – Geralmente descubro que há método na loucura dele.
– Há quem diga que há loucura no método dele – murmurou o inspetor. – Mas ele está ansioso para agir, coronel, de modo que será melhor irmos logo, se já estiver pronto.
Encontramos Holmes caminhando de um lado para outro no campo, a cabeça inclinada sobre o peito e as mãos enfiadas nos bolsos da calça.
– O caso está cada vez mais interessante – ele disse. – Watson, sua viagem ao campo foi um sucesso. Passei uma manhã muito agradável.
– Esteve no local do crime, pelo que eu soube – disse o coronel.
– Sim, o inspetor e eu fizemos juntos uma boa investigação.
– E foram bem-sucedidos?
– Encontramos coisas muito interessantes. Contarei tudo quando estivermos a caminho. Antes de mais nada, vimos o corpo daquele homem infeliz. Ele morreu, com certeza, de um disparo de revólver.
– Então tinha alguma dúvida?