Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #2
- Язык: португальский
- Жанр: Романы для взрослых
Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Ana. — A voz de Elliot é contida e baixa, e sinto meu couro cabeludo pinicar ameaçadoramente.
— O que houve?
— É o Christian. Ele não voltou de Portland.
— O quê? Como assim?
— O helicóptero dele desapareceu.
— Charlie Tango? — sussurro, e todo o ar se esvai de meu corpo. — Não!
CAPÍTULO DEZENOVE
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Encaro as chamas, em choque. Elas dançam e se entrelaçam em tons vívidos de laranja com extremidades de azul-cobalto, na lareira do apartamento de Christian. E apesar do calor que emana e do cobertor que me envolve os ombros, estou com frio. Um frio de congelar os ossos.
Ouço vozes abafadas, muitas vozes abafadas. Mas elas estão lá no fundo, um zumbido distante. Não identifico as palavras. Tudo o que posso ouvir, tudo em que posso me concentrar é o silvo suave da saída de gás da lareira.
Meus pensamentos se voltam para a casa que vimos ontem e para as lareiras imensas — lareiras de verdade de queimar lenha. Queria fazer amor com Christian diante de uma lareira de verdade. Queria fazer amor com Christian diante desta lareira. É, seria divertido. Sem dúvida, ele acharia um jeito de tornar isso inesquecível, assim como todas as vezes em que fizemos amor. Rio ironicamente para mim mesma; até nas vezes em que a gente estava só fodendo. Sim, essas também foram inesquecíveis. Onde ele está?
As chamas se remexem e brilham, aprisionando-me, entorpecendo-me. Eu me concentro apenas na beleza resplandecente e escaldante delas. Elas me enfeitiçam.
Anastasia, você me enfeitiçou.
Ele disse isso para mim na primeira vez em que dormiu comigo na minha cama. Ah, não...
Envolvo meu corpo com os braços e o mundo desmorona ao meu redor, a realidade invadindo minha consciência. O vazio rastejante se expande um pouco mais dentro de mim. Charlie Tango está desaparecido.
— Ana. Aqui — chama a Sra. Jones com carinho, sua voz me trazendo de volta para a sala, para o presente, para a angústia.
Ela me estende uma xícara de chá. Pego a xícara e o pires com gratidão, o barulho de um contra o outro evidenciando o tremor de minhas mãos.
— Obrigada — sussurro, minha voz rouca das lágrimas não derramadas e do grande nó em minha garganta.
Mia está sentada na minha frente, no enorme sofá em forma de U, de mãos dadas com Grace. Elas me observam, a dor e a ansiedade gravadas em seus belos rostos. Grace parece mais velha — uma mãe preocupada com o filho. Pisco para elas sem emoção. Não posso oferecer um sorriso tranquilizador, uma lágrima sequer — não há nada, só um vazio crescente. Olho para Elliot, José e Ethan, que estão de pé junto à bancada da cozinha, todos de rosto sério, falando baixinho. Discutindo algo com vozes calmas e tristes. Atrás deles, a Sra. Jones se ocupa na cozinha.
Kate está na sala de tevê, acompanhando o jornal local. Ouço o ruído da grande tevê de plasma. Não suporto mais ver a notícia — CHRISTIAN GREY DESAPARECIDO — e o seu lindo rosto na tevê.
Distraída, ocorre-me que nunca tinha visto tanta gente nesta sala, e que ainda assim todos parecem insignificantes perante o tamanho dela. Pequenas ilhas de pessoas perdidas e ansiosas no apartamento do meu Cinquenta Tons. O que ele acharia de estarem todos aqui?
Em algum lugar, Taylor e Carrick conversam com as autoridades que nos dão informações pingadas, mas é inútil. O fato é que ele está desaparecido. Está desaparecido há oito horas. Nenhum sinal, nenhuma notícia dele. As buscas foram interrompidas — isso eu sei. Está escuro demais. E nós não sabemos onde ele está. Ele pode estar machucado, com fome ou pior. Não!
Ofereço mais uma oração silenciosa a Deus. Por favor, faça com que Christian esteja bem. Por favor, faça com que Christian esteja bem. Repito isso de novo e de novo em minha cabeça: meu mantra, minha tábua de salvação, algo concreto a que me agarrar em meu desespero. Recuso-me a pensar o pior. Não, não pense nisso. Há esperança.
Você é minha tábua de salvação.
As palavras de Christian voltam para me assombrar. Sim, a esperança é a última que morre. Não devo me desesperar. Suas palavras ecoam em minha mente.
Agora sou um adepto convicto da gratificação instantânea. Carpe diem, Ana.
Por que eu não aproveitei o dia?
Estou fazendo isso porque finalmente conheci alguém com quem eu quero passar o resto da minha vida.
Fecho os olhos numa prece silenciosa, balançando o corpo de leve. Por favor, não deixe que o resto da vida dele seja assim tão curto. Por favor, por favor. Não tivemos tempo suficiente... precisamos de mais tempo. Fizemos tanta coisa nas últimas semanas, chegamos tão longe. Isso não pode acabar. Todos os nossos momentos felizes: o batom, quando ele fez amor comigo pela primeira vez no Olympic Hotel, de joelhos diante de mim, oferecendo-se para mim, enfim poder tocá-lo.
Ainda sou eu, Ana, o mesmo eu. Eu amo você e preciso de você. Toque em mim. Por favor.
Ah, eu o amo tanto. Não seria nada sem ele, nada a não ser uma sombra — toda a luz eclipsada. Não, não, não... meu pobre Christian.
Isto aqui sou eu, Ana. Eu por inteiro... e sou todo seu. O que eu tenho que fazer para você entender isso? Para você ver que quero você do jeito que for? Que eu amo você?
E eu amo você, meu Cinquenta Tons.
Abro os olhos e, mais uma vez, encaro o fogo às cegas. As lembranças de nossos momentos juntos atravessam a minha mente: sua alegria de menino quando estávamos navegando e voando no planador; seu jeito suave, sofisticado e sensual para cacete no baile de máscaras; dançando comigo, ah, sim, dançando comigo aqui no apartamento, ao som de Sinatra, girando ao redor da sala; seu silêncio esperançoso e ansioso de ontem naquela casa — aquela vista deslumbrante.
Vou colocar o meu mundo a seus pés, Anastasia. Quero você, de corpo e alma, para sempre.
Ah, por favor, faça com que ele esteja bem. Ele não pode ter morrido. Ele é o centro do meu universo.
Um soluço involuntário escapa de minha garganta, e eu levo a mão à boca. Não. Preciso ser forte.
De repente, José está ao meu lado, ou será que já faz um tempo que ele está aqui? Não tenho ideia.
— Você quer ligar para a sua mãe ou para o seu pai? — pergunta gentilmente.
Não! Faço que não com a cabeça e seguro a mão de José. Não posso falar, sei que vou me acabar se o fizer, mas o calor e o aperto suave de sua mão não me oferecem nenhum consolo.
Minha mãe. Meu lábio treme quando penso nela. Será que devo ligar para mamãe? Não. Não poderia lidar com a reação dela. Talvez Ray, ele não ficaria muito emotivo — ele nunca é emotivo, nem quando os Mariners perdem.
Grace se junta aos rapazes, o que me distrai por um momento. Deve ser o período mais longo que ela já passou sentada. Mia se senta ao meu lado e aperta minha outra mão.
— Ele vai voltar — diz, a voz a princípio determinada, mas falhando na última palavra. Seus olhos estão arregalados e vermelhos, o rosto pálido e amassado por causa do tempo sem dormir.
Ergo o olhar para Ethan. Ele está observando Mia e Elliot, que passou os braços ao redor de Grace. Olho para o relógio. Já passam das onze, quase meia-noite. Porcaria de tempo! A cada hora que passa, o vazio se expande, consumindo-me, sufocando-me. Lá no fundo, sei que estou me preparando para o pior. Fecho os olhos e ofereço outra oração silenciosa, apertando tanto a mão de Mia quanto a de José.