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Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons mais escuros [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Assustada com os segredos obscuros do belo e atormentado Christian Grey, Ana Steele poe um ponto final em seu relacionamento com o jovem empresario e concentra-se em sua nova carreira, numa editora de livros. Mas o desejo por Grey domina cada pensamento de Ana e, quando ele propoe um novo acordo, ela nao consegue resistir. Em pouco tempo, Ana descobre mais sobre o angustiante passado de seu amargurado e dominador parceiro do que jamais imaginou ser possivel. Enquanto Christian tenta se livrar de seus demonios interiores, Ana se ve diante da decisao mais importante da sua vida.
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Abrindo os olhos, encaro as chamas mais uma vez. Posso ver seu sorriso tímido — a minha favorita dentre todas as suas expressões, um vislumbre do verdadeiro Christian, o meu verdadeiro Christian. Ele é tantas pessoas: maníaco por controle, CEO, perseguidor, deus do sexo, Dominador e, ao mesmo tempo, um menino com os seus brinquedos. Sorrio. O carro, o barco, o avião, o helicóptero Charlie Tango... meu menino perdido, perdido de verdade agora. Meu sorriso desaparece, e a dor me domina de novo. Eu me lembro dele no chuveiro, limpando as marcas de batom.

Não sou nada, Anastasia. Sou a casca de um homem. Não tenho coração.

O nó em minha garganta se expande. Ah, Christian, você tem sim, você tem um coração, e ele é meu. Quero amá-lo para sempre. Mesmo ele sendo tão complexo e difícil, eu o amo. Sempre vou amar. Nunca haverá outra pessoa. Nunca.

Lembro-me de passar a hora de almoço na Starbucks, avaliando os prós e os contras de Christian. Todos os contras, mesmo as fotografias que encontrei esta manhã, derretem na insignificância agora. Só há ele e o medo de ele não voltar. Ah, por favor, Senhor, traga-o de volta, por favor, faça com que fique bem. Eu vou à igreja... Faço qualquer coisa. Ah, se ele voltar, vou aproveitar o dia. Sua voz ecoa em minha cabeça mais uma vez: “Carpe diem, Ana.”

Olho mais fundo nas chamas, as labaredas ainda lambendo e contorcendo-se em torno de si mesmas, brilhando intensamente. E então Grace solta um grito, e tudo fica em câmera lenta.

— Christian!

Viro a cabeça a tempo de ver Grace correndo pela sala de estar, saindo do canto atrás de mim onde estava andando de lá para cá, e, na entrada, vejo um Christian consternado. Está apenas com a camisa, as mangas arregaçadas e a calça do terno, e carrega nas mãos o paletó azul-marinho, os sapatos e as meias. Parece cansado, sujo e absolutamente lindo.

Puta merda... Christian. Ele está vivo. Eu o observo, entorpecida, tentando descobrir se estou alucinando ou se ele está realmente aqui.

Sua expressão é de absoluto espanto. Ele deixa o paletó e os sapatos no chão bem a tempo de pegar Grace, que joga os braços ao redor de seu pescoço e o beija com força na bochecha.

— Mãe? — Christian olha para ela, completamente perdido.

— Achei que nunca mais ia ver você de novo — sussurra Grace, expressando nosso medo coletivo.

— Mãe, estou aqui. — Ouço a consternação em sua voz.

— Morri mil vezes hoje — diz ela, a voz quase inaudível, ecoando meus pensamentos.

Grace suspira e soluça, incapaz de conter as lágrimas. Christian franze a testa — se de horror ou de vergonha, eu não sei — e, depois de um instante, envolve-a num abraço apertado.

— Ah, Christian — engasga, envolvendo os braços em torno dele, chorando em seu pescoço, o comedimento completamente esquecido.

E Christian não recua. Apenas permanece ali, segurando-a, balançando-a de leve, reconfortando-a. Lágrimas escaldantes brotam em meus olhos. Carrick grita do corredor.

— Ele está vivo! Caramba, você está aqui! — Ele aparece do escritório de Taylor, segurando o celular, e abraça os dois, os olhos fechados de alívio.

— Pai?

Mia grita algo ininteligível ao meu lado, e então ela está de pé e corre para se juntar aos pais, abraçando-os também.

Enfim, as lágrimas começam a escorrer pelas minhas bochechas. Ele está aqui, ele está bem. Mas não consigo me mover.

Carrick é o primeiro a se afastar, enxugando os olhos e batendo no ombro de Christian. Mia também os solta, e, em seguida, Grace dá um passo para trás.

— Desculpe — murmura.

— Ei, mãe, tudo bem — diz Christian, a consternação ainda evidente em seu rosto.

— Onde você estava? O que aconteceu? — Grace chora, levando as mãos à cabeça.

— Mãe — murmura Christian. Ele a puxa de novo para seus braços e beija o topo de sua cabeça. — Estou aqui. Estou bem. Só levei um tempo absurdo para voltar de Portland. Qual é a do comitê de recepção? — Ele corre os olhos pela sala até pousá-los em mim.

Ele pisca e lança um olhar breve para José, que solta minha mão. A boca de Christian enrijece. Eu me delicio com a visão dele, e o alívio toma conta de meu corpo, deixando-me gasta, exausta e completamente exultante. No entanto, as lágrimas não param. Christian volta a atenção para a mãe.

— Mãe, estou bem. O que houve? — diz, de um jeito tranquilizador.

Ela segura o rosto dele entre as mãos.

— Christian, você estava desaparecido. O seu plano de voo... você nunca pousou em Seattle. Por que não entrou em contato com a gente?

Christian arqueia as sobrancelhas, surpreso.

— Não achei que levaria tanto tempo.

— Por que não ligou?

— A bateria do meu celular acabou.

— Por que você não parou... não ligou a cobrar?

— Mãe, é uma longa história.

— Ah, Christian! Nunca mais faça isso comigo de novo! Você entendeu? — Ela meio que grita com ele.

— Tá bom, mãe. — Ele enxuga as lágrimas dela com os polegares e a abraça mais uma vez. Quando ela se recompõe, ele a solta para dar um abraço em Mia, que lhe dá um tapa forte no peito.

— Você nos deixou tão preocupados! — explode ela, e também está aos prantos.

— Estou aqui agora, pelo amor de Deus — murmura Christian.

À medida que Elliot se aproxima, Christian entrega Mia para Carrick, que já tem um braço ao redor da esposa e envolve a filha com o outro. Para surpresa de Christian, Elliot dá um abraço breve nele e lhe planta um tapa forte nas costas.

— Bom ver você — diz em voz alta, um tanto ríspido, tentando esconder a emoção.

Enquanto as lágrimas me escorrem pelo rosto, vejo tudo. A sala de estar está tomada por ele: amor incondicional. Ele o tem de sobra; apenas nunca o aceitou antes, e mesmo agora, está completamente confuso.

Olhe, Christian, todas essas pessoas amam você! Talvez agora você comece a acreditar nisso.

Kate está de pé atrás de mim — deve ter saído da sala da tevê —, acariciando meu cabelo com carinho.

— Ele está mesmo aqui, Ana — murmura, reconfortando-me.

— Vou dizer oi para a minha garota agora — diz Christian a seus pais e os dois concordam com a cabeça, sorrindo e se afastando dele.

Ele se move em direção a mim, os olhos cinzentos brilhando, embora cansados e ainda confusos. Em algum lugar dentro de mim, encontro forças para ficar de pé e me jogar em seus braços abertos.

— Christian! — soluço.

— Ei — diz ele e me abraça, enterrando o rosto em meu cabelo e inspirando profundamente.

Levanto o rosto coberto de lágrimas para ele, e ele me dá um beijo breve demais.

— Oi — murmura.

— Oi — sussurro de volta, o nó no fundo da garganta ainda queimando.

— Sentiu minha falta?

— Um pouco.

Ele sorri.

— Estou vendo. — E com um toque suave de sua mão, ele enxuga minhas lágrimas, que se recusam a parar de escorrer pelo meu rosto.

— Eu pensei... Eu pensei... — engasgo.

— Eu sei. Já passou... Estou aqui. Estou aqui — murmura ele, dando-me mais um beijo casto.

— Você está bem? — pergunto, soltando-o e tocando seu peito, seus braços, sua cintura.

Ah, sentir esse o homem quente, vigoroso e sensual sob meus dedos me confirma que ele está aqui, de pé, na minha frente. Ele está de volta. E nem sequer recua sob o meu toque. Apenas me encara com atenção.

— Estou bem. Não vou a lugar nenhum.

— Ah, graças a Deus. — Passo os braços ao redor de sua cintura novamente, e ele me abraça de novo. — Está com fome? Quer alguma coisa para beber?

— Quero.

Dou um passo para trás para buscar alguma coisa para ele, mas ele não deixa eu me afastar. Passa um dos braços por sobre meus ombros e estende a mão para José.

— Sr. Grey — diz José, educadamente.

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