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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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Ah! Pisco para ele. Viciado em crack ou garoto de programa? Possivelmente as duas coisas.

— Ela me amou de um jeito que achei... aceitável — acrescenta encolhendo os ombros.

Que diabo isso quer dizer?

— Aceitável? — sussurro.

— Sim. — Ele me olha com atenção. — Ela me desviou do caminho destrutivo que eu estava seguindo. É muito difícil crescer numa família perfeita quando você não é perfeito.

Ah, não. Fico com a boca seca ao digerir as palavras dele. Ele me olha, a expressão insondável. Não vai me contar mais nada. Que frustração. Por dentro, estou atordoada — ele parece tão repugnado. E a Mrs. Robinson o amava. Puta merda... será que ainda ama? Tenho a sensação de ter levado um soco na boca do estômago.

— Ela ainda ama você?

— Acho que não, não desse jeito. — Ele franze a testa como se não tivesse cogitado essa ideia. — Continuo dizendo que isso foi há muito tempo. Já é passado. Eu não poderia mudar o que aconteceu nem se quisesse, e não quero. Ela me salvou de mim mesmo. — Ele está exasperado e passa a mão molhada pelo cabelo. — Eu nunca discuti isso com ninguém. — Faz uma pausa. — A não ser o Dr. Flynn, claro. E é só por causa dele que estou tocando nesse assunto com você agora, porque quero que você confie em mim.

— Eu confio em você, mas quero, sim, conhecê-lo melhor, e sempre que tento conversar, você me desvia. Tem muita coisa que quero saber.

— Ah, pelo amor de Deus, Anastasia. O que você quer saber? O que tenho que fazer?

Os olhos dele estão inflamados, e embora ele não levante a voz, sei que está tentando se conter.

Olho para as minhas mãos visíveis embaixo da água; as bolhas já começaram a se dispersar.

— Só estou tentando entender. Você é um enigma. Diferente de qualquer pessoa que já conheci. Ainda bem que está me contando o que eu quero saber.

Putz — talvez sejam os Cosmopolitans me dando coragem, mas, de repente, não consigo suportar a distância entre nós. Vou para o lado dele na banheira, me encosto nele, pele com pele. Ele se contrai e me olha desconfiado, como se eu pudesse morder. Bem, isso é uma reviravolta. Minha deusa interior lhe lança um olhar admirado e curioso.

— Por favor, não fique zangado comigo — murmuro.

— Não estou zangado com você, Anastasia. Só não estou acostumado com esse tipo de conversa, esse interrogatório. Só falo disso com o Dr. Flynn e com...

Ele para e franze o cenho.

— Com ela. Mrs. Robinson. Você conversa com ela? — provoco, tentando me conter.

— Sim.

— Sobre o quê?

Ele fica de frente para mim na banheira, fazendo a água transbordar ao mudar de posição. Passa o braço em volta de mim, descansando na borda da banheira.

— Persistente, não é? — murmura ele, um vestígio de irritação na voz. — A vida, o universo, negócios. Anastasia, a Mrs. R. e eu nos conhecemos há muito tempo. Podemos discutir qualquer coisa.

— A meu respeito? — murmuro.

— Sim.

Olhos cinzentos me observam com atenção.

Mordo o lábio inferior, tentando controlar a súbita onda de raiva que vem à tona.

— Por que você fala de mim? — Faço força para não soar magoada e petulante, mas não consigo. Sei que devia parar. Estou pressionando-o demais. Meu inconsciente está de novo com aquela cara de O Grito de Munch.

— Eu nunca conheci ninguém como você, Anastasia.

— O que significa isso? Alguém que não assinou sua papelada sem fazer perguntas?

Ele balança a cabeça.

— Preciso de conselhos.

— E você se aconselha com a Sra. Pedófila? — pergunto.

O poder sobre meu mau humor é mais vacilante do que eu pensava.

— Anastasia, chega — corta ele num tom severo, apertando os olhos.

Estou patinando em gelo fino, e rumando para o perigo.

— Ou vou lhe dar umas palmadas. Não tenho nenhum interesse sexual ou romântico por ela. Ela é uma grande amiga que prezo muito e minha sócia. Só isso. Temos um passado, uma história em comum, que foi enormemente proveitosa para mim, embora tenha fodido com o casamento dela, mas esse lado da nossa relação acabou.

Nossa, outra parte que eu simplesmente não consigo entender. Ela também era casada. Como eles conseguiram passar tanto tempo impunes?

— E seus pais nunca descobriram?

— Não — resmunga ele —, eu já disse.

E sei que o assunto está encerrado. Não posso lhe perguntar mais nada sobre ela porque ele vai perder a cabeça comigo.

— Terminou? — pergunta secamente.

— Por enquanto.

Ele respira fundo e relaxa visivelmente na minha frente, como se tivessem lhe tirado um peso enorme dos ombros.

— Certo, minha vez — murmura, ficando com um olhar duro, curioso. — Você não respondeu ao meu e-mail.

Coro. Ah, odeio o foco das atenções em mim, e parece que ele vai ficar zangado todas as vezes que discutirmos. Balanço a cabeça. Talvez seja assim que ele se sinta em relação às minhas perguntas. Não está acostumado a ser desafiado. A ideia reveladora me distrai e me irrita.

— Eu ia responder. Mas agora você está aqui.

— Preferia que eu não estivesse? — sussurra ele, a expressão de novo impassível.

— Não, estou contente — murmuro.

— Ótimo. — Ele dá um suspiro sincero de alívio. — Estou contente de estar aqui, também, apesar do seu interrogatório. Então, embora seja aceitável me encher de perguntas, acha que pode reivindicar um tipo de imunidade diplomática só porque eu vim até aqui para ver você? Não caio nessa, Srta. Steele. Quero saber como se sente.

Ah, não...

— Já disse. Estou contente por você estar aqui. Obrigada por ter vindo — digo debilmente.

— Não há de quê.

Seus olhos brilham quando ele se abaixa e me beija com delicadeza. Sinto-me reagir na mesma hora. A água ainda está quente, o banheiro, enfumaçado. Ele para e recua, olhando-me.

— Não. Acho que quero algumas respostas antes de fazermos algo mais.

Mais? De novo essa palavra. E ele quer respostas... respostas a quê? Não tenho um passado secreto, não tenho uma infância angustiante. O que ele poderia querer saber sobre mim que já não saiba?

Suspiro, resignada.

— O que quer saber?

— Bem, como você se sente em relação ao nosso pretenso acordo, para começar.

Pisco para ele. Hora de verdade ou consequência — meu inconsciente e minha deusa interior se entreolham nervosamente. Diabo, vamos pela verdade.

— Acho que não consigo fazer isso por um período de tempo muito longo. Um fim de semana inteiro fingindo ser uma pessoa que eu não sou.

Coro e abaixo os olhos.

Ele levanta meu queixo e está rindo para mim, achando graça.

— Não, também acho que não consegue.

E uma parte de mim se sente ligeiramente afrontada e desafiada.

— Está debochando de mim?

— Sim, mas de uma forma positiva — diz com um sorrisinho.

Ele se inclina e me dá um beijinho rápido.

— Você não é uma grande submissa — sussurra ao segurar meu queixo, o olhar bem-humorado.

Olho para ele, chocada, depois caio na gargalhada, e ele me acompanha.

— Talvez eu não tenha tido um bom professor.

Ele bufa.

— Talvez. Vai ver que eu devo ser mais rígido com você.

Ele inclina a cabeça de lado e me dá um sorriso artificial.

Engulo em seco. Putz, não. Mas ao mesmo tempo, meus músculos se contraem deliciosamente lá dentro de mim. Esta é sua maneira de mostrar que ele dá importância. Talvez a única maneira de ele poder mostrar que dá importância — percebo isso. Ele está me olhando, avaliando minha reação.

— Foi tão ruim quando bati em você da primeira vez?

Olho para ele, piscando. Foi tão ruim? Lembro-me de ter ficado confusa com minha reação. Pensando bem, doeu, mas não muito. Ele já disse várias vezes que isso é mais psicológico. E da segunda vez... Bem, foi gostoso... sexy.

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