Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Você é implicante, como sempre, Srta. Steele. Tome seu chá.
Vejo o rótulo Twinings, e meu coração pula de alegria. Está vendo, ele se importa, sim, pronuncia meu inconsciente para mim. Sento-me e o encaro, absorvendo sua beleza. Será que algum dia vou me fartar desse homem?
* * *
QUANDO SAÍMOS DO quarto, Christian joga um casaco de moletom para mim.
— Vai precisar disso.
Olho para ele, intrigada.
— Pode confiar em mim.
Ele sorri, inclina-se e me beija rapidamente nos lábios, depois pega minha mão e saímos.
Na rua, no frio relativo do lusco-fusco do alvorecer, o manobrista entrega a Christian um jogo de chaves de um chamativo carro esporte conversível. Faço uma cara espantada para Christian, que me dá um sorriso.
— Sabe, às vezes é ótimo ser eu — diz ele com um sorriso conspiratório, mas petulante, que simplesmente não posso deixar de emular.
Ele é absolutamente adorável quando está alegre e descontraído. Abre a porta do carro para mim com uma mesura exagerada, e entro. Ele está de muito bom humor.
— Aonde vamos?
— Você vai ver.
Ele sorri ao colocar o carro em movimento, e pegamos a Savannah Parkway. Ele programa o GPS, depois pressiona um botão no volante, e uma música clássica preenche o carro.
— O que é isso? — pergunto quando o som doce de cem cordas de violino nos assalta.
— É de La Traviata. Uma ópera de Verdi.
Nossa... é lindo.
— La Traviata? Já ouvi falar. Não lembro onde. O que significa?
Christian me olha e dá um sorriso.
— Bem, literalmente, “a mulher perdida”. É baseada no livro de Alexandre Dumas, A dama das camélias.
— Ah. Já li.
— Achei que talvez já tivesse lido.
— A cortesã condenada. — Remexo-me desconfortável no assento de couro macio. Será que ele está tentando me dizer algo? — Humm, é uma história deprimente — murmuro.
— Muito deprimente? Quer escolher alguma música? Estão no meu iPod.
Christian está de novo com aquele sorriso misterioso.
Não vejo o iPod dele em lugar nenhum. Ele toca na tela no console entre nós, e pasmem, tem uma lista de músicas.
— Pode escolher.
Ele sorri, e sei que isso é um desafio.
O iPod de Christian Grey, isso deve ser interessante. Rolo a tela e encontro a canção perfeita. Aperto “play”. Eu não o imaginaria sendo um fã de Britney. A batida techno club-mix nos assalta, e Christian abaixa o volume. Talvez seja muito cedo para isso: Britney no máximo da sua sensualidade.
— “Toxic”, hein?
Christian sorri.
— Não sei o que você quer dizer — faço-me de inocente.
Ele abaixa mais um pouco a música, e, no íntimo, estou me abraçando. Minha deusa interior está em pé no pódio esperando sua medalha de ouro. Ele abaixou a música. Vitória!
— Eu não botei essa música no meu iPod — diz afinal, e acelera, fazendo com que eu fique colada no banco enquanto o carro corre na autoestrada.
O quê? Ele sabe o que está fazendo, o filho da mãe. Quem botou? E tenho que escutar Britney cantando. Quem... quem?
A música termina e o iPod passa para Damien Rice cantando desolado. Quem? Quem? Olho pela janela, o estômago revirado. Quem?
— Foi a Leila — responde ele aos meus pensamentos. Como ele faz isso?
— Leila?
— Uma ex, que botou a música no meu iPod.
Fico perplexa, tendo como música de fundo as modulações de Damien. Uma ex... ex-submissa? Uma ex...
— Uma das quinze? — pergunto.
— Sim.
— O que aconteceu com ela?
— Terminamos.
— Por quê?
Ai, droga. É muito cedo para esse tipo de conversa. Mas ele está com uma expressão relaxada, até feliz e, ainda por cima, está falante.
— Ela queria mais.
Sua voz é grave, chegando a ser introspectiva, e ele deixa a frase no ar em suspenso entre nós, terminando-a de novo com aquela palavrinha poderosa.
— E você não? — pergunto antes que possa usar meu filtro do cérebro para a boca. Merda, será que eu quero saber?
Ele balança a cabeça.
— Eu nunca quis mais até conhecer você.
Arquejo, encantada. Não é isso que eu quero? Ele quer mais. Ele também quer! Minha deusa interior deu um salto mortal do pódio e agora está dando cambalhotas pelo estádio. Não sou só eu.
— O que aconteceu com as outras quatorze? — pergunto.
Putz, ele está falando — aproveite.
— Quer uma lista? Divorciadas, decapitadas, mortas?
— Você não é Henrique VIII.
— Tudo bem. Sem nenhuma ordem especial, só tive relações longas com quatro mulheres, à parte Elena.
— Elena?
— Mrs. Robinson para você.
Ele dá aquele seu sorriso indolente.
Elena! Puta merda. A maligna tem nome e, pelo jeito, deve ser estrangeira. A visão de uma vamp gloriosa de pele clara, cabelos negros e lábios vermelhos me vem à mente, e sei que ela é linda. Não devo ficar pensando nisso. Não devo ficar pensando nisso.
— O que aconteceu com as quatro? — pergunto para me distrair.
— Muito perguntadora, muito ansiosa por informações, Srta. Steele — censura ele em tom jovial.
— Acha mesmo, Sr. Quando Deve Ficar Menstruada?
— Anastasia, um homem precisa saber dessas coisas.
— Precisa?
— Eu preciso.
— Por quê?
— Porque não quero que você engravide.
— Nem eu! Bem, só daqui a alguns anos.
Christian pisca, espantado, depois relaxa visivelmente. Tudo bem. Christian não quer filhos. Agora ou nunca? Estou encantada com esse seu súbito e inédito ataque de sinceridade. Quem sabe é a hora? Algo na água da Geórgia? O ar da Geórgia? O que mais quero saber? Carpe diem.
— Então as outras quatro, o que houve? — pergunto.
— Uma conheceu outra pessoa. As outras três queriam mais. Eu não estava a fim de mais na época.
— E as outras? — pressiono.
Ele me olha rapidamente e se limita a balançar a cabeça.
— Simplesmente não deu certo.
Ih, um monte de informações para digerir. Olho no espelho lateral do carro, e vejo os tons suaves de azul e rosa se espraiando no céu atrás do carro. A aurora está nos seguindo.
— Para onde estamos indo? — pergunto, perplexa, olhando para a Interestadual 95. Estamos indo para o sul, é só o que sei.
— Um campo de aviação.
— Não estamos voltando para Seattle, estamos?
Arquejo alarmada. Não me despedi de minha mãe. Ela está nos esperando para jantar.
Ele ri.
— Não, Anastasia, vamos nos distrair com meu segundo passatempo favorito.
— Segundo?
Franzo as sobrancelhas para ele.
— É. Contei do meu favorito hoje de manhã.
Olho para seu perfil glorioso, intrigada, quebrando a cabeça.
— É me distrair com você, Srta. Steele. Isso está no topo da minha lista. Do jeito que for.
Ah.
— Bem, isso também ocupa um dos primeiros lugares na minha lista de prioridades divertidas e bizarras — murmuro, corando.
— Gostei de ouvir isso — diz ele secamente.
— Então, campo de aviação?
Ele sorri para mim.
— Planar.
O termo diz vagamente alguma coisa. Ele já mencionou isso.
— Vamos atrás da aurora, Anastasia.
Ele se vira e sorri para mim enquanto o GPS o manda entrar à direita no que parece um complexo industrial. Para em frente a um vasto prédio com um letreiro que diz ASSOCIAÇÃO DE PLANADORES DE BRUNSWICK.
Planar! Vamos andar de planador?