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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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— Você é implicante, como sempre, Srta. Steele. Tome seu chá.

Vejo o rótulo Twinings, e meu coração pula de alegria. Está vendo, ele se importa, sim, pronuncia meu inconsciente para mim. Sento-me e o encaro, absorvendo sua beleza. Será que algum dia vou me fartar desse homem?

* * *

QUANDO SAÍMOS DO quarto, Christian joga um casaco de moletom para mim.

— Vai precisar disso.

Olho para ele, intrigada.

— Pode confiar em mim.

Ele sorri, inclina-se e me beija rapidamente nos lábios, depois pega minha mão e saímos.

Na rua, no frio relativo do lusco-fusco do alvorecer, o manobrista entrega a Christian um jogo de chaves de um chamativo carro esporte conversível. Faço uma cara espantada para Christian, que me dá um sorriso.

— Sabe, às vezes é ótimo ser eu — diz ele com um sorriso conspiratório, mas petulante, que simplesmente não posso deixar de emular.

Ele é absolutamente adorável quando está alegre e descontraído. Abre a porta do carro para mim com uma mesura exagerada, e entro. Ele está de muito bom humor.

— Aonde vamos?

— Você vai ver.

Ele sorri ao colocar o carro em movimento, e pegamos a Savannah Parkway. Ele programa o GPS, depois pressiona um botão no volante, e uma música clássica preenche o carro.

— O que é isso? — pergunto quando o som doce de cem cordas de violino nos assalta.

— É de La Traviata. Uma ópera de Verdi.

Nossa... é lindo.

La Traviata? Já ouvi falar. Não lembro onde. O que significa?

Christian me olha e dá um sorriso.

— Bem, literalmente, “a mulher perdida”. É baseada no livro de Alexandre Dumas, A dama das camélias.

— Ah. Já li.

— Achei que talvez já tivesse lido.

— A cortesã condenada. — Remexo-me desconfortável no assento de couro macio. Será que ele está tentando me dizer algo? — Humm, é uma história deprimente — murmuro.

— Muito deprimente? Quer escolher alguma música? Estão no meu iPod.

Christian está de novo com aquele sorriso misterioso.

Não vejo o iPod dele em lugar nenhum. Ele toca na tela no console entre nós, e pasmem, tem uma lista de músicas.

— Pode escolher.

Ele sorri, e sei que isso é um desafio.

O iPod de Christian Grey, isso deve ser interessante. Rolo a tela e encontro a canção perfeita. Aperto “play”. Eu não o imaginaria sendo um fã de Britney. A batida techno club-mix nos assalta, e Christian abaixa o volume. Talvez seja muito cedo para isso: Britney no máximo da sua sensualidade.

Toxic”, hein?

Christian sorri.

— Não sei o que você quer dizer — faço-me de inocente.

Ele abaixa mais um pouco a música, e, no íntimo, estou me abraçando. Minha deusa interior está em pé no pódio esperando sua medalha de ouro. Ele abaixou a música. Vitória!

— Eu não botei essa música no meu iPod — diz afinal, e acelera, fazendo com que eu fique colada no banco enquanto o carro corre na autoestrada.

O quê? Ele sabe o que está fazendo, o filho da mãe. Quem botou? E tenho que escutar Britney cantando. Quem... quem?

A música termina e o iPod passa para Damien Rice cantando desolado. Quem? Quem? Olho pela janela, o estômago revirado. Quem?

— Foi a Leila — responde ele aos meus pensamentos. Como ele faz isso?

— Leila?

— Uma ex, que botou a música no meu iPod.

Fico perplexa, tendo como música de fundo as modulações de Damien. Uma ex... ex-submissa? Uma ex...

— Uma das quinze? — pergunto.

— Sim.

— O que aconteceu com ela?

— Terminamos.

— Por quê?

Ai, droga. É muito cedo para esse tipo de conversa. Mas ele está com uma expressão relaxada, até feliz e, ainda por cima, está falante.

— Ela queria mais.

Sua voz é grave, chegando a ser introspectiva, e ele deixa a frase no ar em suspenso entre nós, terminando-a de novo com aquela palavrinha poderosa.

— E você não? — pergunto antes que possa usar meu filtro do cérebro para a boca. Merda, será que eu quero saber?

Ele balança a cabeça.

— Eu nunca quis mais até conhecer você.

Arquejo, encantada. Não é isso que eu quero? Ele quer mais. Ele também quer! Minha deusa interior deu um salto mortal do pódio e agora está dando cambalhotas pelo estádio. Não sou só eu.

— O que aconteceu com as outras quatorze? — pergunto.

Putz, ele está falando — aproveite.

— Quer uma lista? Divorciadas, decapitadas, mortas?

— Você não é Henrique VIII.

— Tudo bem. Sem nenhuma ordem especial, só tive relações longas com quatro mulheres, à parte Elena.

— Elena?

— Mrs. Robinson para você.

Ele dá aquele seu sorriso indolente.

Elena! Puta merda. A maligna tem nome e, pelo jeito, deve ser estrangeira. A visão de uma vamp gloriosa de pele clara, cabelos negros e lábios vermelhos me vem à mente, e sei que ela é linda. Não devo ficar pensando nisso. Não devo ficar pensando nisso.

— O que aconteceu com as quatro? — pergunto para me distrair.

— Muito perguntadora, muito ansiosa por informações, Srta. Steele — censura ele em tom jovial.

— Acha mesmo, Sr. Quando Deve Ficar Menstruada?

— Anastasia, um homem precisa saber dessas coisas.

— Precisa?

— Eu preciso.

— Por quê?

— Porque não quero que você engravide.

— Nem eu! Bem, só daqui a alguns anos.

Christian pisca, espantado, depois relaxa visivelmente. Tudo bem. Christian não quer filhos. Agora ou nunca? Estou encantada com esse seu súbito e inédito ataque de sinceridade. Quem sabe é a hora? Algo na água da Geórgia? O ar da Geórgia? O que mais quero saber? Carpe diem.

— Então as outras quatro, o que houve? — pergunto.

— Uma conheceu outra pessoa. As outras três queriam mais. Eu não estava a fim de mais na época.

— E as outras? — pressiono.

Ele me olha rapidamente e se limita a balançar a cabeça.

— Simplesmente não deu certo.

Ih, um monte de informações para digerir. Olho no espelho lateral do carro, e vejo os tons suaves de azul e rosa se espraiando no céu atrás do carro. A aurora está nos seguindo.

— Para onde estamos indo? — pergunto, perplexa, olhando para a Interestadual 95. Estamos indo para o sul, é só o que sei.

— Um campo de aviação.

— Não estamos voltando para Seattle, estamos?

Arquejo alarmada. Não me despedi de minha mãe. Ela está nos esperando para jantar.

Ele ri.

— Não, Anastasia, vamos nos distrair com meu segundo passatempo favorito.

— Segundo?

Franzo as sobrancelhas para ele.

— É. Contei do meu favorito hoje de manhã.

Olho para seu perfil glorioso, intrigada, quebrando a cabeça.

— É me distrair com você, Srta. Steele. Isso está no topo da minha lista. Do jeito que for.

Ah.

— Bem, isso também ocupa um dos primeiros lugares na minha lista de prioridades divertidas e bizarras — murmuro, corando.

— Gostei de ouvir isso — diz ele secamente.

— Então, campo de aviação?

Ele sorri para mim.

— Planar.

O termo diz vagamente alguma coisa. Ele já mencionou isso.

— Vamos atrás da aurora, Anastasia.

Ele se vira e sorri para mim enquanto o GPS o manda entrar à direita no que parece um complexo industrial. Para em frente a um vasto prédio com um letreiro que diz ASSOCIAÇÃO DE PLANADORES DE BRUNSWICK.

Planar! Vamos andar de planador?

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