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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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— Achei que fosse surpreendê-la. Mas, como sempre, Anastasia, você me surpreende estando aqui.

Olho rapidamente para mamãe, que está contemplando Christian... sim! contemplando! Pare com isso, mãe. Como se ele fosse uma criatura exótica, nunca vista antes. Quer dizer, sei que eu nunca tive namorado, e Christian só pode ser classificado como tal para facilitar a referência, mas será que é tão incrível o fato de eu ter podido atrair um homem? Este homem? Sim, francamente! Olhe para ele!, diz meu inconsciente. Ah, cale a boca! Quem convidou você para essa festa? Olho carrancuda para minha mãe, mas ela parece não notar.

— Não quero interromper os momentos que você tem com sua mãe. Vou tomar um drinque rápido e me retirar. Tenho que trabalhar — declara ele todo formal.

— Christian, adorei conhecê-lo — interrompe mamãe, afinal conseguindo falar. — Ana fala de você com muito carinho.

Ele sorri para ela.

— É mesmo?

Ergue uma sobrancelha para mim, achando graça, e coro de novo.

O garçom chega com nossas bebidas.

— Hendricks, senhor — anuncia com um floreio triunfante.

— Obrigado — agradece Christian.

Bebo nervosamente meu Cosmopolitan.

— Quanto tempo vai ficar na Geórgia, Christian? — pergunta mamãe.

— Até sexta-feira, Sra. Adams.

— Quer jantar conosco amanhã? E me chame de Carla, por favor.

— Seria um prazer, Carla.

— Ótimo. Se vocês me dão licença, preciso ir ao toalete.

Mãe... você acabou de ir. Olho desesperada para ela enquanto ela se levanta e sai, deixando-nos a sós.

— Então, você está zangada comigo porque jantei com uma velha amiga.

Christian volta seu olhar ardente e desconfiado para mim, leva minha mão aos lábios e beija com ternura todos os nós dos meus dedos.

Putz, ele quer fazer isso agora?

— Estou — murmuro, e o sangue corre quente em minhas veias.

— Nosso caso terminou há muito tempo, Anastasia — murmura ele. — Não quero ninguém a não ser você. Ainda não entendeu isso?

Pisco para ele.

— Penso nela como uma molestadora de crianças, Christian.

Prendo a respiração, esperando a reação dele.

Christian fica lívido.

— Essa ideia é muito sentenciosa. Não foi assim — murmura, chocado, e solta minha mão.

Sentenciosa?

— Ah, então como foi? — pergunto.

Os Cosmopolitans estão me tornando corajosa.

Ele me olha espantado. Continuo.

— Ela se aproveitou de um garoto vulnerável de quinze anos. Se você fosse uma garota de quinze anos e a Mrs. Robinson fosse um homem, aliciando você para um estilo de vida BDSM, isso seria correto? Se fosse com a Mia, por exemplo?

Ele arqueja e me olha sério.

— Ana, não foi assim.

Olho furiosa para ele.

— Tudo bem, para mim, não dava impressão de ser assim — prossegue ele calmamente. — Ela era uma força do bem. Aquilo de que eu precisava.

— Não entendo.

É a minha vez de fazer cara de espanto.

— Anastasia, sua mãe já vai voltar. Não me sinto bem de falar nisso com você agora. Depois, talvez. Se não me quiser, eu tenho um avião à minha espera em Hilton Head. Posso ir embora.

Ele está zangado comigo... não.

— Não, não vá. Por favor. Estou muito feliz por você estar aqui. Só estou tentando fazer com que entenda. Estou zangada porque, assim que viajei, você foi jantar com ela. Pense em como você fica quando eu chego perto do José. José é um grande amigo. Nunca tive um caso com ele. Ao passo que você e ela...

Deixo a frase no ar, sem querer levar a ideia adiante.

— Está com ciúmes? — Ele me olha, perplexo, e seu olhar fica ligeiramente mais suave, afetuoso.

— Estou, e com raiva do que ela fez com você.

— Anastasia, ela me ajudou. É só o que vou dizer sobre isso. E, quanto ao seu ciúme, ponha-se no meu lugar. Eu não tive que justificar meus atos para ninguém nos últimos sete anos. Ninguém. Faço o que quero, Anastasia. Gosto da minha autonomia. Não saí com a Mrs. Robinson para irritar você. Saí porque jantamos juntos de vez em quando. Ela é minha amiga e minha sócia.

Sócia? Merda. Isso é novidade.

Ele me olha, avaliando minha expressão.

— Sim, somos sócios. Nosso caso já terminou. Há muitos anos.

— Por que o caso de vocês terminou?

Ele contrai a boca, com os olhos brilhando.

— O marido dela descobriu.

Puta merda!

Será que a gente pode falar sobre isso outra hora, num local mais reservado? — murmura ele.

— Acho que você nunca vai conseguir me convencer de que ela não é uma espécie de pedófila.

— Eu não penso nela assim. Nunca pensei. Agora chega! — corta ele.

— Você a amava?

— Como vocês vão indo?

Minha mãe voltou, sem que nós reparássemos.

Dou um sorriso forçado enquanto Christian e eu nos endireitamos depressa, numa atitude culpada. Ela olha para mim.

— Bem, mãe.

Christian toma seu gim, observando-me com atenção, a expressão cautelosa. O que está pensando? Será que a amou? Acho que, se amou, vou perder feio.

— Bem, senhoras, vou deixar vocês.

Não... não... ele não pode me deixar no ar assim.

— Por favor, ponham essas bebidas na minha conta, quarto 612. Eu telefono pela manhã, Anastasia. Até amanhã, Carla.

— Ah, é muito bom ouvir alguém chamar a gente pelo nome.

— Belo nome para uma bela mulher — murmura Christian, apertando a mão que ela estende, e ela realmente dá um sorriso sem graça.

Ah, mãe... Até tu, Brutus? Levanto-me, olhando para ele, implorando para que responda à minha pergunta, e ele me dá um beijo casto no rosto.

— Até mais, baby — sussurra em meu ouvido, e sai.

Maldito filho da mãe maníaco por controle. Minha raiva volta com força total. Deixo-me cair na cadeira e me viro para minha mãe.

— Bem, estou de quatro, Ana. Ele é um bom partido. Não sei o que está havendo entre vocês. Acho que precisam conversar. Ufa, que tensão sexual não resolvida aqui. É insuportável.

Ela se abana de um modo teatral.

— MÃE!

— Vá falar com ele.

— Não posso. Vim aqui para ver você.

— Ana, você veio aqui porque estava confusa por causa desse rapaz. É óbvio que vocês são loucos um pelo outro. Você precisa falar com ele. Ele acabou de fazer uma viagem de avião de cinco mil quilômetros para ver você, pelo amor de Deus. E você sabe como é horrível viajar de avião.

Enrubesço. Ainda não lhe contei sobre o avião particular dele.

— O quê? — pergunta ela.

— Ele tem um avião particular — murmuro, encabulada. — E são só quatro mil quilômetros, mãe.

Por que estou encabulada? Ela faz uma cara espantada.

— Nossa — murmura. — Ana, está acontecendo alguma coisa entre vocês dois. Ando tentando sondar isso desde que você chegou aqui. Mas o único jeito de você resolver o problema, seja ele qual for, é discuti-lo com Christian. Pode pensar à vontade, mas só vai chegar a algum lugar depois que realmente conversar.

Franzo as sobrancelhas para minha mãe.

— Ana, querida, você sempre teve propensão a analisar demais tudo. Siga seu instinto. O que acha disso tudo, querida?

Baixo os olhos.

— Acho que estou apaixonada por ele — murmuro.

— Eu sei, querida. E ele por você.

— Não!

— Sim, Ana. Do que mais você precisa? Um letreiro luminoso piscando na testa dele?

Olho boquiaberta para ela e lágrimas me ardem nos cantos dos olhos.

— Ana, querida. Não chore.

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