Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
Ele desliga o carro.
— Você topa? — pergunta ele.
— Você vai voar?
— Vou.
— Sim, por favor. — Não hesito. Ele sorri e me dá um beijo.
— Outra primeira, Srta. Steele — diz ele ao saltar do carro.
Primeira vez? Que tipo de primeira vez? Voar de planador pela primeira vez... merda! Não — ele disse que já fez isso. Relaxo. Ele dá a volta e abre minha porta. O céu agora está opalescente, irisado com um brilho suave por trás das esporádicas nuvens. Já amanheceu.
Christian pega minha mão e dá a volta no prédio, levando-me para uma longa pista onde há vários aviões estacionados. Ao lado dos aviões, um homem de cabeça raspada e olhar selvagem aguarda com Taylor.
Taylor! Será que Christian vai a algum lugar sem esse homem? Sorrio para ele, e ele sorri para mim com simpatia.
— Sr. Grey, este é seu piloto rebocador, Sr. Mark Benson — diz Taylor.
Christian e Benson trocam cumprimentos e dão início a uma conversa que parece extremamente técnica sobre velocidade, direções dos ventos e coisas assim.
— Olá, Taylor — murmuro timidamente.
— Srta. Steele. — Ele faz um aceno de cabeça ao me cumprimentar, e eu faço cara feia. — Ana — corrige-se. — Ele anda infernal esses últimos dias. Ainda bem que você está aqui — diz em tom conspiratório.
Ah, isso é novidade. Por quê? Com certeza não por minha causa! Quinta-feira de revelações! Deve ser alguma coisa na água de Savannah que faz esses homens se descontraírem um pouco.
— Anastasia — chama Christian. — Venha.
Ele estende a mão.
— Até logo.
Sorrio para Taylor, e, com uma rápida continência para mim, ele volta para o estacionamento.
— Sr. Benson, esta é minha namorada, Anastasia Steele.
— Muito prazer — murmuro ao apertarmos as mãos.
Benson me lança um sorriso deslumbrante.
— O prazer é meu — diz ele, e vejo pelo sotaque que é inglês.
Pego a mão de Christian empolgada, sentindo o frio na barriga aumentar. Nossa... planar! Atravessamos o pátio com Mark Benson a caminho da pista. Ele e Christian mantêm uma conversa constante. Capto o teor. Estaremos num Blanik L-23, que aparentemente é melhor que o L-13, embora isso esteja aberto a discussão. Benson vai voar um Piper Pawnee. Ele já é piloto rebocador de faixas há uns cinco anos. Isso não significa nada para mim, mas vejo Christian tão animado, tão confortável, que dá prazer.
O avião é comprido, elegante e branco com listras laranja. Tem uma cabine pequena com dois assentos, um na frente do outro. Está preso por um longo cabo branco a um aviãozinho convencional monomotor. Benson abre a grande cúpula transparente que forma a cabine para que possamos entrar.
— Primeiro precisamos colocar seu paraquedas.
Paraquedas!
— Eu faço isso — interrompe-o Christian e pega a mochila de Benson, que sorri solicitamente para ele.
— Vou buscar um lastro — diz Benson, e se dirige ao avião.
— Você gosta de me amarrar — observo secamente.
— Srta. Steele, você não tem ideia. Venha, coloque os tirantes.
Obedeço, apoiando o braço em seu ombro. Christian se retesa ligeiramente mas não se mexe. Quando estou com os pés dentro das alças, ele puxa o paraquedas para cima, e coloco os tirantes dos braços. Com habilidade, ele afivela a mochila e ajusta todos os tirantes.
— Bom, está bem assim — diz com suavidade, mas seus olhos estão brilhando. — Você tem o prendedor de cabelo de ontem?
Balanço a cabeça.
— Quer que eu prenda o cabelo?
— Quero.
Obedeço depressa.
— Vá entrando — ordena Christian.
Ele continua muito autoritário. Dirijo-me ao banco de trás.
— Não, na frente. O piloto fica atrás.
— Mas você não vai conseguir ver!
— Vou ver muito.
Ele sorri.
Acho que nunca o vi tão feliz — autoritário, mas feliz. Subo e me instalo no assento de couro. É surpreendentemente confortável. Christian vem, se debruça, suspende a mochila nos meus ombros, pega o cinto inferior entre minhas pernas e o passa pela fivela que está encostada na minha barriga. Aperta todos os tirantes.
— Hum, duas vezes em uma manhã, sou um homem de sorte — murmura ele, e me beija rapidamente. — Isso não vai demorar, vinte, trinta minutos no máximo. A essa hora da manhã, as termais não são lá essas coisas, mas é muito impressionante lá em cima. Espero que você não esteja nervosa.
— Empolgada. — Sorrio.
De onde vem esse sorriso ridículo? Na verdade, uma parte de mim está apavorada. Minha deusa interior está embaixo de uma manta atrás do sofá.
— Ótimo.
Ele sorri também, acariciando meu rosto, depois some de vista.
Ouço e sinto seus movimentos quando ele sobe no avião atrás de mim. Claro que ele me apertou tanto que não consigo me virar para vê-lo... típico! Estamos muito perto do chão. Na minha frente, há um painel de mostradores e alavancas e um bastão grande. Não mexo em nada.
Mark Benson aparece com um sorriso alegre para verificar meus tirantes e se inclina para conferir o chão da cabine. Acho que é o lastro.
— É, está seguro. É a primeira vez? — pergunta.
— É.
— Vai adorar.
— Obrigada, Sr. Benson.
— Pode me chamar de Mark. — Vira-se para Christian. — Tudo bem?
— Sim. Vamos.
Ainda bem que não comi nada. Estou bastante empolgada, e acho que não teria estômago para comida, empolgação e deixar o solo. Mais uma vez, estou me colocando nas mãos habilidosas desse belo homem. Mark fecha a cúpula da cabine, vai até o avião em frente e embarca.
A hélice única do Piper dá a partida, e meu estômago vem parar na garganta. Putz... estou fazendo isso mesmo. Mark taxia lentamente na pista, e, quando o cabo estica, avançamos subitamente. Partimos. Ouço a conversa no rádio atrás de mim. Acho que é Mark falando com a torre — mas não consigo entender o que dizem. Conforme o Piper vai ganhando velocidade, nós também ganhamos. A pista é muito esburacada, e, na nossa frente, o monomotor continua no solo. Putz, será que vamos decolar alguma hora? E, de repente, meu estômago desce vertiginosamente — estamos no ar.
— Lá vamos nós! — grita Christian atrás de mim. E estamos dentro de nossa bolha, só nós dois. Só ouço o barulho do vento passando e o zumbido distante do motor do Piper.
Vou agarrada com as duas mãos na poltrona, apertando tanto que os nós dos meus dedos ficam brancos. Rumamos para oeste, para o interior, nos afastando do nascente, ganhando altura, atravessando campos e bosques e casas e a Interestadual 95.
Puxa vida. Isso é incrível, só o céu acima da gente. A luz é extraordinária, com o tom difuso e quente, e me lembro de José divagando sobre a “hora mágica”, uma hora do dia que os fotógrafos adoram — é essa... justo depois do alvorecer, e estou nela, com Christian.
De repente, lembro-me da exposição de José. Hum. Preciso dizer a Christian. Pergunto-me por um instante como ele vai reagir. Mas não vou me preocupar com isso agora — estou curtindo o passeio. Meus ouvidos estalam à medida que ganhamos altura, e o solo fica cada vez mais longe. Isso é tão calmo. Entendo perfeitamente por que ele gosta de estar aqui em cima. Longe do seu BlackBerry e de todas as pressões do trabalho.
O rádio estala, e Mark menciona três mil pés. Putz, isso parece alto. Olho o solo, e já não consigo distinguir mais nada com clareza lá embaixo.
— Largue — diz Christian no rádio, e, de repente o Piper desaparece e a sensação de tração proporcionada pelo aviãozinho cessa. Estamos flutuando, flutuando sobre a Geórgia.
Puta merda — é empolgante. O avião aderna e vira, obedecendo a inclinação da asa, e subimos em espiral em direção ao Sol. Ícaro. É isso. Estou voando perto do Sol, mas ele está comigo, conduzindo-me. Arquejo ao me dar conta disso. Ficamos subindo em espiral, e a vista com essa luz matinal é espetacular.