A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– E, no entanto, preciso ter algum exército – disse Dany. – O rapaz Joffrey não me dará o Trono de Ferro se eu pedir educadamente.
– Quando chegar o dia de içar os estandartes, metade de Westeros estará com a senhora – prometeu Barba-Branca. – Seu irmão Rhaegar ainda é lembrado com grande amor.
– E meu pai? – perguntou Dany.
O velho hesitou antes de dizer:
– O Rei Aerys também é recordado. Deu ao reino muitos anos de paz. Vossa Graça não tem necessidade de escravos. O Magíster Illyrio pode mantê-la a salvo enquanto seus dragões crescem e pode mandar enviados secretos para o outro lado do mar estreito em seu nome, para sondar os grandes senhores a respeito de sua causa.
– Esses mesmos grandes senhores que abandonaram o meu pai em favor do Regicida e se curvaram a Robert, o Usurpador?
– Mesmo aqueles que dobraram os joelhos podem ansiar no seu íntimo pelo retorno dos dragões.
– Podem – disse Dany. Podem era uma palavra tão escorregadia! Em qualquer língua. Virou-se para Kraznys mo Nakloz e para sua pequena escrava. – Tenho de refletir cuidadosamente.
O negociante de escravos encolheu os ombros.
– Diga-lhe para refletir depressa. Há muitos outros compradores. Não há mais de três dias mostrei estes mesmos Imaculados a um rei corsário que espera comprar todos eles.
– O corsário só queria cem, excelência – Dany ouviu a pequena escrava dizer.
Ele cutucou-a com a ponta do chicote.
– Os corsários são todos mentirosos. Ele vai comprar todos. Diga-lhe isso, garota.
Dany sabia que levaria mais de cem, se chegasse a levar algum.
– Lembre ao Bom Mestre quem eu sou. Lembre-lhe de que sou Daenerys Nascida na Tormenta, Mãe de Dragões, a Não Queimada, legítima rainha dos Sete Reinos de Westeros. Meu sangue é o sangue de Aegon, o Conquistador, e da antiga Valíria antes dele.
Mas suas palavras não tocaram o rotundo e perfumado negociante de escravos, mesmo depois de transmitidas em sua feia língua.
– A antiga Ghis dominava um império quando os valirianos ainda andavam fodendo ovelhas – rosnou para a pobre pequena escriba – e nós somos os filhos da harpia. – Encolheu os ombros. – Tagarelar com mulheres é um desperdício. No leste ou no oeste são todas iguais, são incapazes de decidir até terem sido paparicadas, aduladas e empanturradas de docinhos. Bom, se é esse o meu destino, que seja. Diga à rameira que se quiser um guia para a nossa bela cidade, Kraznys mo Nakloz está a seu serviço... e também pode lhe prestar outros serviços, se for mais mulher do que parece.
– O Bom Mestre Kraznys terá todo o gosto em mostrar-lhe Astapor enquanto a senhora reflete, Vossa Graça – disse a tradutora.
– Dou-lhe geleia de miolos de cão, um belo e rico guisado de polvo vermelho e feto de cão para comer. – Passou a língua pelos lábios.
– Ele diz que aqui é possível provar muitos pratos deliciosos.
– Diga-lhe como as pirâmides são bonitas à noite – rosnou o negociante de escravos. – Diga-lhe que lamberei mel dos peitos dela, ou deixarei que lamba mel dos meus, se preferir.
– Astapor é muito bela ao pôr do sol, Vossa Graça – disse a pequena escrava. – Os Bons Mestres acendem lanternas de seda em todos os terraços, para que todas as pirâmides brilhem com luzes coloridas. Barcaças do prazer percorrem o Verme, cheias de música suave e acostando nas pequenas ilhas para oferecer comida, vinho e outras delícias.
– Pergunte se ela quer ver as nossas arenas de luta – acrescentou Kraznys. – A Arena de Douquor tem um bom espetáculo marcado para esta noite. Um urso e três garotinhos. Um menino será besuntado de mel, outro de sangue e outro de peixe podre, e ela pode apostar qual deles o urso comerá primeiro.
Tap tap tap, ouviu Dany. O rosto de Arstan Barba-Branca estava imóvel, mas seu bastão demonstrava a ira que sentia. Tap tap tap. Obrigou-se a sorrir.
– Tenho meu próprio urso na Balerion – disse à tradutora – e pode bem me comer se não voltar para junto dele.
– Está vendo – disse Kraznys quando as palavras de Dany foram traduzidas. – Não é a mulher que decide, é este homem para quem corre. Como sempre!
– Agradeça ao Bom Mestre por sua paciente gentileza – disse Dany – e diga-lhe que pensarei em tudo que aprendi aqui. – Ofereceu o braço a Arstan Barba-Branca, para que o velho escudeiro a levasse através da praça até a liteira. Aggo e Jhogo rodearam-nos, caminhando com o gingar de pernas arqueadas que todos os senhores dos cavalos adotavam quando eram forçados a desmontar e caminhar pela terra como simples mortais.
Dany subiu na sua liteira com a expressão carregada e fez sinal a Arstan para que subisse também. Um homem tão velho como ele não devia andar a pé num calor tão forte. Não fechou as cortinas quando se puseram em movimento. Com o sol castigando tão duramente aquela cidade de tijolos vermelhos, qualquer brisa perdida era algo a ser apreciado, mesmo se viesse acompanhada de um redemoinho de fina poeira vermelha. Além disso, tenho de ver.
Astapor era uma cidade estranha, mesmo aos olhos de alguém que tinha andado pela Casa de Poeira e se banhado no Ventre do Mundo à sombra da Mãe das Montanhas. Todas as ruas eram feitas dos mesmos tijolos vermelhos que pavimentavam a praça. E o mesmo material construíra as pirâmides de degraus, as profundamente escavadas arenas de luta – com suas arquibancadas em forma de anéis descendentes –, as fontes sulfurosas e as sombrias adegas, e as antigas muralhas que os cercavam. Tantos tijolos, pensou, e tão velhos e desgastados. A fina poeira que soltavam encontrava-se por toda a parte, dançando pelas valetas a cada sopro de vento. Pouco admirava que tantas mulheres de Astapor velassem o rosto, a poeira de tijolo pinicava mais nos olhos do que a areia.
– Abram alas! – gritava Jhogo, do cavalo à frente da liteira. – Abram alas para a Mãe de Dragões! – Mas quando desenrolou o grande chicote de cabo de prata que ela lhe dera e o fez estalar no ar, Dany debruçou-se para fora e disse-lhe que não.
– Neste lugar, não, sangue do meu sangue – disse, na língua dele. – Estes tijolos ouviram o som de chicotes mais do que deveriam.
As ruas tinham estado praticamente desertas quando saíram do porto naquela manhã, e não pareciam muito mais povoadas agora. Um elefante passou pesadamente por eles, com uma liteira gradeada sobre o dorso. Um garoto nu com a pele descascando estava sentado numa valeta de tijolo seca, com o dedo enfiado no nariz e olhando, carrancudo, para um grupo de formigas que caminhavam pela rua. Ergueu a cabeça ao ouvir o ruído de cascos e ficou olhando de boca aberta quando uma coluna de guardas a cavalo passou por ele a trote, numa nuvem de poeira vermelha e gargalhadas quebradiças. Os discos de cobre cosidos aos seus mantos de seda amarela cintilavam como outros tantos sóis, mas suas túnicas eram de linho bordado, e abaixo da cintura usavam sandálias e saias de linho plissadas. De cabeça nua, cada homem tinha penteado, untado e retorcido seus rígidos cabelos vermelhos e negros, dando-lhes uma forma fantástica qualquer, cornos, asas e lâminas, e até mãos dadas, de modo que pareciam uma trupe de demônios fugida do sétimo inferno. O garoto nu observou-os por um tempo, tal como Dany, mas eles rapidamente desapareceram, e o menino voltou às suas formigas, com um dedo no nariz.
Esta é uma cidade antiga, refletiu, mas não tão populosa quanto foi no seu apogeu, nem de perto tão povoada quanto Qarth, Pentos ou Lys.