A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– São escolhidos ainda jovens, pelo tamanho, rapidez e força – disse-lhe a escrava. – Iniciam o treinamento aos cinco anos. Treinam todos os dias, da alvorada ao pôr do sol, até dominarem a espada curta, o escudo e as três lanças. O treino é muito rigoroso, Vossa Graça. Só um garoto em três sobrevive a ele. Isso todos sabem. Entre os Imaculados diz-se que no dia em que ganham seu capacete de espigão o pior ficou para trás, pois nenhum dever que for atribuído a eles poderá ser tão duro quanto o treinamento.
Kraznys mo Nakloz, supostamente, não falava o Idioma Comum, mas balançava a cabeça enquanto escutava e de vez em quando empurrava a escrava com a ponta do chicote.
– Diga-lhe que aqueles estão ali em pé há um dia e uma noite, sem comida nem água. Diga-lhe que ficarão ali até caírem se eu lhes ordenar que o façam, e que quando novecentos e noventa e nove tiverem caído e morrido sobre os tijolos, o último ainda estará ali e não se moverá até que a própria morte o reclame. É assim a coragem deles. Diga-lhe isso.
– Eu chamo isso de loucura, não de coragem – disse Arstan Barba-Branca quando a solene pequena escriba terminou. Bateu com a ponta de seu bastão de madeira nos tijolos, tap tap, como que para afirmar seu descontentamento. O velho não quisera viajar até Astapor; tampouco era favorável à compra daquele exército de escravos. Uma rainha devia escutar todos os lados antes de tomar uma decisão. Era por isso que Dany o havia trazido consigo até a Praça do Orgulho, não para mantê-la em segurança. Seus companheiros de sangue fariam isso suficientemente bem. Deixara Sor Jorah Mormont a bordo do Balerion para proteger seu povo e seus dragões. Muito a contragosto, havia prendido os dragões no porão. Deixá-los voar livremente sobre a cidade era perigoso demais; o mundo estava repleto de homens que os matariam de bom grado por nenhum outro motivo além de poder se autodenominar matador de dragões.
– O que disse o velho fedorento? – perguntou o feitor à tradutora. Quando ela lhe disse, ele sorriu e falou: – Informe os selvagens de que chamamos isso de obediência. Outros podem ser mais fortes, mais rápidos ou maiores do que os Imaculados. Alguns, poucos, podem até igualar a sua perícia com a espada, a lança e o escudo. Mas em nenhum lugar entre os mares encontrarão alguém mais obediente.
– As ovelhas são obedientes – disse Arstan quando as palavras foram traduzidas. Ele também sabia algum valiriano, embora não tanto quanto Dany, mas, assim como ela, fingia ignorância.
Kraznys mo Nakloz mostrou seus grandes dentes brancos quando aquilo lhe foi transmitido.
– Uma palavra minha e aquelas ovelhas derramam as velhas tripas fedorentas dele nos tijolos – disse ele –, mas não lhe diga isso. Diga-lhes que estas criaturas são mais cães do que ovelhas. Eles comem cão ou cavalo lá nos Sete Reinos?
– Preferem porcos e vacas, excelência.
– Carne de vaca. Pfuá. Comida para selvagens que não se lavam.
Ignorando-os, Dany percorreu lentamente a fileira de soldados escravos. As mulheres seguiram-na de perto com o toldo de seda, para mantê-la à sombra, mas os mil homens à sua frente não desfrutavam de tal proteção. Mais da metade possuía pele acobreada e olhos amendoados dos dothraki e dos lhazarenos, mas Dany também viu nas fileiras homens das Cidades Livres, bem como qarthenos de pele clara, ilhéus de verão com rosto de ébano, e outros cuja origem não era capaz de adivinhar. E alguns tinham pele do mesmo tom de âmbar de Kraznys mo Nakloz, e os cabelos rijos vermelhos e negros que identificavam o antigo povo de Ghis, aqueles que chamavam a si mesmos de filhos da harpia. Até vendem os seus. Não a devia ter surpreendido. Os dothraki faziam o mesmo, quando khalasar se encontrava com khalasar no mar de erva.
Alguns dos soldados eram altos e outros, baixos. Dany calculou que as idades oscilariam entre os catorze e os vinte anos. Os rostos eram lisos, e os olhos todos iguais, fossem negros, castanhos, azuis, cinza ou ambarinos. São como um único homem, pensou, até se lembrar de que não eram homens coisa nenhuma. Os Imaculados eram eunucos, todos eles.
– Por que os cortam? – perguntou a Kraznys através da escrava. – Sempre ouvi dizer que homens inteiros são mais fortes do que eunucos.
– Um eunuco cortado ainda novo nunca terá a força bruta de um de seus cavaleiros westerosi, é verdade – disse Kraznys mo Nakloz quando a pergunta lhe foi colocada. – Um touro também é forte, mas touros morrem todos os dias nas arenas de luta. Uma menina de nove anos matou um há três dias na Arena de Jothiel. Os Imaculados têm algo melhor do que a força, diga-lhe. Têm disciplina. Lutamos à maneira do Velho Império, sim. São as legiões marchantes da Velha Ghis regressadas, absolutamente obedientes, absolutamente leais, e totalmente desprovidas de medo.
Dany escutou pacientemente a tradução.
– Até os homens mais corajosos temem a morte e a mutilação – disse Arstan quando a garota terminou.
Kraznys voltou a sorrir quando ouviu aquilo.
– Diga ao velho que ele cheira a mijo e precisa de uma bengala para mantê-lo em pé.
– Digo mesmo, excelência?
Ele cutucou-a com o chicote.
– Não, não diz mesmo, é uma menina ou uma cabra para fazer uma pergunta tão imbecil? Diga que os Imaculados não são homens. Diga que a morte não significa nada para eles, e a mutilação menos do que nada. – Parou perante um homem atarracado com traços de Lhazar e ergueu violentamente o chicote, deixando uma linha de sangue em sua face acobreada. O eunuco piscou, e ali ficou, sangrando. – Quer outra?
– Se sua excelência desejar.
Foi difícil fingir não entender. Dany pousou uma mão no braço de Kraznys antes de ele ter tempo de voltar a erguer o chicote.
– Diga ao Bom Mestre que eu vejo como seus Imaculados são fortes e suportam corajosamente a dor.
Kraznys soltou um risinho quando ouviu as palavras dela em valiriano.
– Diga a essa prostituta ignorante do ocidente que coragem não tem nada a ver com o assunto.
– O Bom Mestre diz que aquilo não foi coragem, Vossa Graça.
– Diga-lhe para abrir esses olhos de cadela.
– Ele pede-lhe que observe com atenção, Vossa Graça.
Kraznys aproximou-se do eunuco que se seguia na fileira, um jovem muito alto com os olhos azuis e os cabelos louros de Lys.
– A sua espada – disse. O eunuco ajoelhou, desembainhou a arma e ofereceu-a, com o cabo para a frente. Era uma espada curta, feita mais para trespassar do que para cortar, mas o gume parecia afiado como uma navalha. – Fique em pé – ordenou Kraznys.
– Sua excelência. – O eunuco levantou-se, e Kraznys mo Nakloz deslizou lentamente a espada por seu tronco acima, deixando uma fina linha vermelha na barriga e entre as costelas. Depois espetou a ponta da espada por baixo de um grande mamilo cor-de-rosa e começou a manejá-la para trás e para a frente.
– O que ele está fazendo? – perguntou Dany à garota, enquanto o sangue escorria pelo peito do homem.
– Diga à vaca que pare de mugir – disse Kraznys sem esperar pela tradução. – Isso não lhe fará grande mal. Os homens não precisam dos mamilos, e os eunucos menos ainda. – O mamilo pendeu, preso por um fio de pele. Ele o cortou e fez com que rolasse pelos tijolos, deixando em seu lugar um olho vermelho que chorava sangue copiosamente. O eunuco não se mexeu, até que Kraznys entregou-lhe a espada de volta, com o cabo para a frente. – Tome, está dispensado.
– Este está feliz por tê-lo servido.
Kraznys virou-se para Dany.
– Eles não sentem dor, está vendo?
– Como isso é possível? – ela quis saber através da escriba.
– O vinho da coragem – foi a resposta que ele lhe deu. – Não é um vinho de verdade, mas sim uma bebida feita a partir de beladona, larvas de mosca de sangue, raízes de lótus negra e muitas coisas secretas. Bebem-no em todas as refeições desde o dia de seu corte, e a cada ano que passa sentem cada vez menos. Isso torna-os destemidos em batalha. E também não podem ser torturados. Diga à selvagem que seus segredos estão seguros com os Imaculados. Ela pode colocá-los de guarda em seus conselhos e até em seu quarto, sem nunca se preocupar com o que eles possam ouvir.