A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
“Em Yunkai e Meeren, os eunucos são frequentemente gerados através da remoção dos testículos de um rapaz, deixando o pênis. Uma criatura dessas é infértil, mas frequentemente ainda capaz de ereção. Apenas problemas podem advir de tal prática. Nós removemos também o pênis, sem deixar nada. Os Imaculados são as criaturas mais puras da face da Terra. “Ofereceu a Dany e Arstan outro largo sorriso branco.” Ouvi dizer que nos Reinos do Poente os homens fazem votos solenes de se manterem castos e não gerar filhos, mas viver apenas para o seu dever. É verdade?”
– É – disse Arstan, quando a pergunta foi colocada. – Há muitas ordens dessas. Os meistres da Cidadela, os septões e as septãs que servem os Sete, as irmãs silenciosas dos mortos, a Guarda Real e a Patrulha da Noite...
– Pobres coitados – rosnou o senhor de escravos depois da tradução. – Os homens não deveriam viver assim. Seus dias são um tormento de tentação, qualquer tolo pode ver isso, e não há dúvida de que a maioria sucumbe aos seus instintos mais primários. Nossos Imaculados não são assim. Estão casados com suas espadas de uma maneira que seus Irmãos Juramentados não podem ter esperanças de igualar. Nenhuma mulher poderá alguma vez tentá-los, e nenhum homem também.
A garota transmitiu a essência do discurso, com mais delicadeza.
– Há outras maneiras de tentar os homens, além da carne – retrucou Arstan Barba-Branca depois de ela terminar.
– Os homens, sim, mas os Imaculados, não. O saque não lhes interessa mais do que a violação. Nada possuem além de suas armas. Nem sequer permitimos que tenham nomes.
– Não têm nomes? – Dany franziu a testa para a pequena escriba. – Poderá ser isso que o Bom Mestre disse? Eles não têm nomes?
– É verdade, Vossa Graça.
Kraznys parou na frente de um ghiscari que podia ter sido um irmão seu mais alto e em melhor forma e estalou o chicote num pequeno disco de bronze que ele tinha preso no cinto da espada, a seus pés.
– O nome dele está ali. Pergunte à rameira de Westeros se sabe ler glifos ghiscari. – Quando Dany admitiu que não sabia, o feitor virou-se para o Imaculado. – Como se chama? – quis saber.
– O nome deste é Pulga Vermelha, excelência.
A garota repetiu a conversa no Idioma Comum.
– E ontem, qual era?
– Rato Preto, reverência.
– No dia anterior?
– Pulga Marrom, reverência.
– E antes disso?
– Este não se lembra, reverência. Talvez Sapo Azul. Ou Verme Azul.
– Diga-lhe que todos os nomes deles são assim – ordenou Kraznys à garota. – Recordam-lhes de que, por conta própria, são bichos. Os discos com os nomes são atirados dentro de um barril vazio ao terminarem os deveres do dia, e todas as alvoradas são de lá sorteados.
– Mais loucuras – disse Arstan quando ouviu aquilo. – Como um homem pode se lembrar de um nome novo todos os dias?
– Os que não podem são excluídos no treino, com aqueles que não são capazes de correr o dia inteiro com a bagagem completa, escalar uma montanha no meio da noite, caminhar sobre brasas ou matar uma criança.
A boca de Dany certamente se contorceu ao ouvir aquilo. Ele terá visto, ou será tão cego quanto é cruel? Virou-se depressa, tentando manter uma máscara no rosto até ouvir a tradução. Foi só então que se permitiu dizer:
– De quem são as crianças que matam?
– Para conquistar seu capacete de espigão, um Imaculado deve ir aos mercados de escravos com um marco de prata, encontrar um recém-nascido qualquer e matá-lo diante dos olhos da mãe. Dessa maneira, certificamo-nos de que não resta neles qualquer fraqueza.
Dany sentiu-se prestes a desmaiar. O calor, tentou dizer a si própria.
– Arrancam um bebê dos braços da mãe, matam-no com ela assistindo e pagam por sua dor com uma moeda de prata?
Quando a tradução lhe chegou, Kraznys mo Nakloz soltou uma sonora gargalhada.
– Que idiota chorona e molenga esta aí é. Diga à puta de Westeros que o marco é para o dono da criança, não para a mãe. Os Imaculados não estão autorizados a roubar. – Bateu com o chicote na perna. – Diga-lhe que são poucos os que falham nesse teste. Os cães são mais difíceis para eles, na verdade. Damos um cachorro a cada garoto no dia em que é cortado. Ao fim do primeiro ano, ele deve estrangulá-lo. Todos os que não conseguem fazer isso são mortos e dados de comer aos cães sobreviventes. Achamos que isso serve como uma boa e forte lição.
Arstan Barba-Branca batucou com a ponta de seu bastão nos tijolos enquanto ouvia aquilo. Tap tap tap. Lenta e regularmente. Tap tap tap. Dany viu-o afastar os olhos, como se não conseguisse olhar mais para Kraznys.
– O Bom Mestre disse que esses eunucos não podem ser tentados com moedas ou carne – disse Dany à garota –, mas se algum inimigo meu lhes oferecesse a liberdade por me traírem...
– Eles iriam matá-lo imediatamente e trariam-lhe a cabeça, diga-lhe isso – respondeu o feitor. – Outros escravos podem roubar e guardar prata em segredo na esperança de comprar a liberdade, mas um Imaculado não a aceitaria se a eguazinha a oferecesse de presente. Não têm vida fora de seu dever. São soldados, e só.
– É de soldados que preciso – admitiu Dany.
– Diga-lhe que, nesse caso, fez bem em vir a Astapor. Pergunte-lhe qual é o tamanho do exército que deseja comprar.
– Quantos Imaculados tem para vender?
– Oito mil completamente treinados e disponíveis de imediato. Ela deve saber que só os vendemos em larga escala. Em milhares ou centenas. Antes os vendíamos em dezenas, para guardas domésticos, mas isso revelou-se um erro. Dez são poucos demais. Misturam-se com os outros escravos, e até com homens livres, e esquecem-se de quem e do que são. – Kraznys esperou que aquilo fosse transmitido no Idioma Comum e depois prosseguiu. – Essa rainha pedinte precisa compreender que tais maravilhas não saem baratas. Em Yunkai e Meereen, espadachins escravos podem ser obtidos por menos do que o preço de suas espadas, mas os Imaculados são a melhor infantaria do mundo inteiro, e cada um deles representa muitos anos de treino. Diga-lhe que eles são como aço valiriano, dobrados uma e mais uma vez e martelados anos a fio, até ficarem mais fortes e resistentes do que qualquer metal da Terra.
– Eu conheço o aço valiriano – disse Dany. – Pergunte ao Bom Mestre se os Imaculados têm seus próprios oficiais.
– Precisa pôr seus oficiais à frente deles. Nós os treinamos para obedecer, não para pensar. Se é inteligência que ela quer, que compre escribas.
– E o equipamento?
– Espada, escudo, lança, sandálias e túnica acolchoada estão incluídos – disse Kraznys. – E os capacetes de espigão, com certeza. Eles usarão qualquer armadura que você queira, mas quem vai fornecê-la é você.
Dany não conseguia pensar em mais perguntas. Olhou para Arstan.
– Viveu longo tempo no mundo, Barba-Branca. Agora que já os viu, o que diz?
– Digo que não, Vossa Graça – o velho respondeu de imediato.
– Por quê? – perguntou ela. – Fale livremente. – Dany julgava saber o que ele diria, mas queria que a menina escrava o escutasse, para que Kraznys mo Nakloz ouvisse depois.
– Minha rainha – disse Arstan –, não há escravos nos Sete Reinos há milhares de anos. Tanto os velhos deuses como os novos consideram a escravidão uma abominação. Maligna. Se desembarcar em Westeros à frente de um exército de escravos, muitos bons homens irão se opor a você por nenhum outro motivo além desse. Causará grande dano à sua causa e à honra de sua Casa.