A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Há gente – disse-lhe Bran. – Os Umber vivem principalmente a leste da estrada do rei, mas pastoreiam suas ovelhas nos prados de altitude durante o verão. Há os Wull a oeste das montanhas ao longo da Baía de Gelo, os Harclay atrás de nós, nas colinas, e os Knott, Liddle e Norrey e até alguns Flint aqui em cima, nas zonas altas. – A mãe da mãe de seu pai fora uma Flint das montanhas. A Velha Ama certa vez dissera que era o sangue dessa antepassada que levou Bran a gostar tanto de escalar antes da queda. Mas ela tinha morrido muitos, e muitos e muitos mais anos antes de ele nascer, até antes do pai nascer.
– Wull? – disse Meera. – Jojen, não houve um Wull que acompanhou o pai durante a guerra?
– Theo Wull – Jojen ofegava devido à subida. – Costumavam chamá-lo de Baldes.
– É o símbolo deles – disse Bran. – Três baldes marrons sobre azul, com um bordado de xadrez branco e cinza. Lorde Wull veio uma vez a Winterfell, para prestar vassalagem e conversar com o pai, e ele tinha os baldes no escudo. Mas não é um verdadeiro lorde. Bem, é, mas chamam-no só de o Wull, e há também o Knott, o Norrey e o Liddle. Em Winterfell, nós os chamávamos de lordes, mas seus povos não os chamam.
Jojen Reed parou para recuperar o fôlego.
– Acha que essa gente das montanhas sabe que estamos aqui?
– Eles sabem. – Bran avistara-os observando; não com os próprios olhos, mas com os olhos mais sensíveis de Verão, que deixavam escapar muito pouco. – Não nos incomodarão se não tentarmos fugir com suas cabras ou cavalos.
E não incomodaram. Só uma vez encontraram um membro do povo da montanha, quando uma súbita carga de água gelada tinha feito com que buscassem abrigo. Verão encontrou-o por eles, farejando uma gruta pouco profunda por trás dos ramos cinza-esverdeados de uma altaneira árvore sentinela, mas quando Hodor se abaixou sob a saliência rochosa, Bran viu o clarão alaranjado de uma fogueira mais para trás e compreendeu que não estavam sós.
– Entrem e aqueçam-se – chamou uma voz. – Há pedra suficiente para manter a chuva afastada de todas as nossas cabeças.
O homem ofereceu-lhes bolos de aveia e morcela e um gole da cerveja que trazia num odre, mas não lhes disse o nome; e também não perguntou o deles. Bran achou que devia ser um Liddle. O broche que prendia seu manto de pele de esquilo era de ouro e bronze, trabalhado em forma de pinha, e os Liddle usavam pinhas na metade branca de seus escudos verde e branco.
– Aqui é longe da Muralha? – perguntou-lhe Bran enquanto esperavam que a chuva parasse.
– Não muito para o voo do corvo – disse o Liddle, se é que ele era tal coisa. – Mais longe, para aqueles que não têm asas.
Bran então começou:
– Aposto que já estaríamos lá se...
– ... tivéssemos seguido a estrada do rei – concluiu Meera com ele.
O Liddle puxou uma faca e começou a desbastar um pedaço de madeira.
– Quando havia um Stark em Winterfell, uma donzela podia percorrer a estrada do rei usando o vestido do dia de seu nome e nada sofrer, e os viajantes encontravam fogo, pão e sal em muitas estalagens e castros. Mas agora as noites são mais frias, e as portas estão fechadas. Há lulas na mata de lobos, e homens esfolados percorrem a estrada do rei, perguntando por forasteiros.
Os Reed trocaram um olhar.
– Homens esfolados? – perguntou Jojen.
– Os rapazes do Bastardo, ora. Ele tava morto, mas agora não tá. E paga bom dinheiro por pele de lobos, segundo um homem ouviu dizer, e talvez até ouro por notícias de certos outros mortos que andam. – Olhou para Bran quando disse aquilo, e para Verão, que estava estendido ao seu lado. – Quanto a essa Muralha – prosseguiu o homem –, não é lugar para onde eu iria. O Velho Urso levou a Patrulha para a floresta assombrada, e tudo que voltou foram seus corvos, quase sem trazer nenhuma mensagem. Asas escuras, palavras escuras, dizia a minha mãe, mas parece-me que quando os pássaros voam calados, isso é ainda mais sombrio. – Atiçou o fogo com o pedaço de madeira. – Era diferente quando havia um Stark em Winterfell. Mas o velho lobo tá morto e o novo foi para o sul jogar o jogo de tronos, e tudo que nos resta são os fantasmas.
– Os lobos voltarão – disse solenemente Jojen.
– E como é que você sabe, rapaz?
– Sonhei com isso.
– Há noites em que sonho com a minha mãe, que enterrei há nove anos – disse o homem –, mas, quando acordo, ela não voltou pra junto de nós.
– Há sonhos e sonhos, senhor.
– Hodor – disse Hodor.
Passaram aquela noite juntos, pois a chuva não cedeu até bem depois de escurecer, e só Verão parecia querer abandonar a gruta. Quando a fogueira se reduziu a brasas, Bran deixou-o ir. O lobo gigante não sentia a umidade como as pessoas, e a noite chamava-o. O luar pintava os bosques molhados em tons de prata e tornava brancos os picos cinzentos. Corujas piavam na escuridão e voavam silenciosamente entre os pinheiros, enquanto cabras brancas se deslocavam pelos flancos das montanhas. Bran fechou os olhos e entregou-se ao sonho de lobo, aos cheiros e sons da meia-noite.
Quando acordaram na manhã seguinte, a fogueira tinha se apagado e o Liddle havia desaparecido, mas deixou-lhes uma morcela e uma dúzia de bolos de aveia bem embrulhados num pano verde e branco. Alguns bolos tinham pinhões misturados na massa e outros, amoras-pretas. Bran comeu um de cada, e não conseguiu decidir de qual tinha gostado mais. Um dia voltaria a haver Stark em Winterfell, disse a si próprio, e então mandaria chamar os Liddle e pagaria cem vezes por cada pinhão e amora.
A trilha que seguiam era um pouco mais fácil naquele dia e, pelo meio-dia, o sol surgiu numa clareira entre as nuvens. Bran sentiu-se quase satisfeito, sentado em seu cesto às costas de Hodor. Cochilou um pouco, embalado pelo balanço regular dos passos do grande cavalariço e pelo suave cantarolar que ele às vezes soltava quando caminhava. Meera acordou-o com um ligeiro toque no braço.
– Olhe – disse ela, apontando para o céu com sua lança de caçar rãs –, uma águia.
Bran levantou a cabeça e viu-a, com asas cinzentas abertas e imóveis, como se flutuassem no vento. Seguiu a ave com os olhos enquanto ela subia aos círculos, perguntando a si mesmo como seria pairar pelo mundo afora com tal ausência de esforço. Ainda melhor do que escalar. Tentou alcançar a águia, abandonar seu estúpido corpo aleijado e subir ao céu para se juntar a ela como fazia com Verão. Os videntes verdes conseguiam fazer isso. Eu também devia ser capaz. Tentou e tentou, até que a águia desapareceu na bruma dourada da tarde.
– Sumiu – disse, desapontado.
– Ainda vamos ver outras – Meera falou. – Elas vivem aqui em cima.
– Suponho que sim.
– Hodor – disse Hodor.
– Hodor – concordou Bran.
Jojen deu um chute numa pinha.
– Parece que o Hodor gosta quando diz o nome dele.
– Hodor não é o verdadeiro nome dele – explicou Bran. – É só uma palavra qualquer que ele diz. A Velha Ama disse-me que seu verdadeiro nome é Walder. Ela era avó da avó dele, ou qualquer coisa do gênero. – Falar da Velha Ama entristecia-o. – Acha que os homens de ferro a mataram? – Não tinham visto o corpo dela em Winterfell. Não se lembrava de ver nenhuma mulher morta, agora que pensava nisso. – Ela nunca fez mal a ninguém, nem mesmo a Theon. Só contava histórias. Theon não ia fazer mal a alguém assim. Certo?
– Algumas pessoas machucam outras só porque podem fazer isso – disse Jojen.
– E não foi Theon quem fez a matança em Winterfell – disse Meera. – Muitos dos mortos eram homens de ferro. – Passou a lança para a outra mão. – Lembre-se das histórias da Velha Ama, Bran. Lembre-se da maneira como ela as contava, do som da voz dela. Enquanto se lembrar, parte dela estará sempre viva em você.
– Vou me lembrar – prometeu ele. Subiram em silêncio durante muito tempo, seguindo uma trilha de animais cheia de curvas ao longo da passagem elevada entre dois picos pedregosos. Pinheiros marciais esqueléticos agarravam-se às vertentes em volta deles. Bem mais à frente Bran viu a cintilação gelada de um rio que caía pelo flanco de uma montanha. Deu por si escutando o ruído da respiração de Jojen e o som quebradiço das agulhas de pinheiro sob os pés de Hodor. – Sabem histórias? – perguntou de repente aos Reed.