A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– E o segundo motivo?
– Quem atacaria Astapor? – perguntou Sor Jorah. – Meereen e Yunkai são rivais mas não inimigos, a Perdição destruiu Valíria, o povo do interior, para oriente, é todo ghiscari, e para lá dos montes fica Lhazar. Os Homens-Ovelhas, como os seus dothraki os chamam, são um povo notavelmente avesso à guerra.
– Sim – concordou ela –, mas a norte das cidades dos negociantes de escravos fica o mar dothraki, e duas dúzias de poderosos khal que apreciam mais do que qualquer coisa saquear cidades e levar seus povos como escravos.
– Levá-los para onde? De que servem os escravos depois de se matar seus negociantes? Valíria já não existe, Qarth fica do outro lado do deserto vermelho, e as Nove Cidades Livres estão a milhares de léguas para oeste. E pode estar certa de que os filhos da harpia são pródigos nas ofertas a qualquer khal que por aqui passe, tal como fazem os magísteres em Pentos, Norvos e Myr. Sabem que se banquetearem os senhores dos cavalos e lhes derem presentes, eles em breve partirão. É mais barato do que lutar, e bastante mais seguro.
Mais barato do que lutar, pensou Dany. Sim, talvez seja. Se ao menos pudesse ser assim tão fácil para ela. Como seria agradável velejar até Porto Real com seus dragões e pagar ao rapaz Joffrey uma arca de ouro para fazer com que fosse embora.
– Khaleesi? – disse Sor Jorah depois de ela ficar em silêncio durante muito tempo. Tocou ligeiramente o cotovelo dela.
Dany afastou-o, e disse:
– Viserys teria comprado todos os Imaculados que tivesse dinheiro para isso. Mas você certa vez disse que eu era como Rhaegar...
– Lembro-me disso, Daenerys.
– Vossa Graça – corrigiu ela. – O Príncipe Rhaegar levou homens livres para a batalha, não escravos. Barba-Branca disse que foi o próprio quem armou os escudeiros cavaleiros e também armou muitos outros homens.
– Não havia honra maior do que receber o grau de cavaleiro das mãos do Príncipe de Pedra do Dragão.
– Então diga-me: quando ele tocava um homem no ombro com a espada, o que dizia? “Vá e mate os fracos”? Ou “Vá e defenda-os”? No Tridente, esses homens corajosos de que Viserys falou e que morreram sob os nossos estandartes do dragão... deram a vida porque acreditavam na causa de Rhaegar, ou porque tinham sido comprados e pagos? – Dany virou-se para Mormont, cruzou os braços e esperou por uma resposta.
– Minha rainha – disse lentamente o forte homem –, tudo que diz é verdade. Mas Rhaegar perdeu no Tridente. Perdeu a batalha, perdeu a guerra, perdeu o reino e perdeu a vida. Seu sangue escorreu rio abaixo com os rubis de sua placa de peito, e Robert, o Usurpador, cavalgou por cima de seu cadáver para roubar o Trono de Ferro. Rhaegar lutou valentemente, Rhaegar lutou com nobreza, lutou com honra. E Rhaegar morreu.
BRAN
Nenhuma estrada atravessava os retorcidos vales de montanha que agora percorriam. Entre os picos cinzentos de pedra havia calmos lagos azuis, longos, profundos e estreitos, e as infinitas sombras verdes de florestas de pinheiros. O castanho-avermelhado e o dourado das folhas de outono tornaram-se menos comuns quando abandonaram a mata de lobos para subir as velhas colinas de sílex, e desapareceram quando as colinas se transformaram em montanhas. Gigantescas árvores sentinela cinza-esverdeadas erguiam-se agora por cima deles, ombreando com abetos e pinheiros-marciais numa profusão sem fim. Por baixo, a vegetação rasteira era pouco densa, e o chão da floresta estava atapetado de agulhas verde-escuras.
Quando se perdiam, como aconteceu uma ou duas vezes, bastava-lhes esperar por uma noite fria e límpida em que as nuvens não se intrometessem e olhar para o céu em busca do Dragão de Gelo. A estrela azul no olho do dragão indicava o caminho para o norte, segundo Osha tinha lhe dito um dia. Pensar em Osha fazia Bran se perguntar sobre onde ela estaria. Imaginava-a a salvo em Porto Branco, com Rickon e Cão-Felpudo, comendo enguias, peixe e torta quente de caranguejo com o gordo Lorde Manderly. Ou talvez se aquecessem na Última Lareira, diante das fogueiras do Grande-Jon. Mas a vida de Bran transformara-se em dias infinitos e gelados nas costas de Hodor, subindo e descendo em seu cesto as vertentes de montanhas.
– Para cima e para baixo – suspirava às vezes Meera enquanto caminhavam – e depois para baixo e para cima. E depois outra vez para cima e para baixo. Detesto estas suas malditas montanhas, Príncipe Bran.
– Ontem disse que as adorava.
– Ah, e adoro. O senhor meu pai tinha me falado de montanhas, mas nunca tinha visto nenhuma até agora. Adoro-as mais do que consigo expressar.
Bran fez uma careta para ela.
– Mas acabou de dizer que as detestava.
– Por que é que não pode ser as duas coisas? – Meera esticou a mão para apertar o nariz de Bran.
– Porque são coisas diferentes – insistiu ele. – Como a noite e o dia, ou o gelo e o fogo.
– Se o gelo pode queimar – disse Jojen em sua voz solene –, então o amor e o ódio podem se juntar. Montanha ou pântano, não importa. A terra é só uma.
– Uma – concordou a irmã –, mas enrugada demais.
Os vales de altitude raramente lhes faziam o favor de correr de norte para sul, de modo que era frequente verem-se seguindo ao longo de léguas na direção errada, e às vezes eram forçados a voltar.
– Se tivéssemos seguido a estrada do rei, a esta alutra já poderíamos estar chegando à Muralha – Bran costumava lembrar aos Reed. Queria encontrar o corvo de três olhos, para poder aprender a voar. Repetira isso meia centena de vezes, até que Meera começou a caçoar dele, proferindo as palavras ao mesmo tempo que ele. – Se tivéssemos seguido a estrada do rei também não teríamos tanta fome – começou então a dizer.
Lá embaixo, nas colinas, não tinham tido falta de alimentos. Meera era uma boa caçadora, e melhor ainda em arrancar peixes dos riachos com a sua lança de três dentes para caçar rãs. Bran gostava de observá-la, admirando a sua rapidez, o modo como arremessava a lança e a puxava de volta com uma truta prateada contorcendo-se na ponta. E também tinham Verão para caçar para eles. O lobo gigante desaparecia quase todas as noites quando o sol se punha, mas estava sempre de volta antes do nascer do dia, normalmente com alguma coisa nas mandíbulas, um esquilo ou uma lebre.
Mas ali, nas montanhas, os riachos eram menores e gelados, e a caça, mais escassa. Meera ainda caçava e pescava quando podia, mas era mais difícil, e certas noites nem o Verão encontrava presas. Era frequente irem dormir de barriga vazia.
Mas Jojen continuava teimosamente determinado a permanecer bem longe das estradas.
– Onde você encontra estradas, encontra viajantes – dizia, com aquela sua maneira de falar –, e os viajantes têm olhos para ver e bocas para espalhar histórias sobre o rapaz aleijado, seu gigante e o lobo que caminha com eles. – Ninguém era capaz de ser tão teimoso quanto Jojen, portanto avançavam com dificuldade por território bravio, e todos os dias iam um pouco mais alto, e caminhavam um pouco mais para o norte.
Havia dias em que chovia, outros eram ventosos, e uma vez foram pegos por uma saraivada tão forte que até Hodor berrou de medo. Nos dias sem nuvens, frequentemente tinham a impressão de que eram as únicas criaturas vivas no mundo inteiro.
– Ninguém vive aqui em cima? – perguntou certa vez Meera Reed, enquanto rodeavam um maciço de granito tão grande quanto Winterfell.