A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Você, não. Você fede. – Arya empurrou-o contra a bigorna e tentou fugir, mas Gendry segurou-a pelo braço. Ela enfiou um pé entre as suas pernas e passou-lhe uma rasteira, mas ele puxou-a ao cair, e rolaram pelo chão da forja. Ele era muito forte, mas ela era mais rápida. Todas as vezes que ele tentava dominá-la, ela libertava-se com uma contorção e dava um murro nele. Gendry limitava-se a rir dos golpes, e isso deixava-a furiosa. Por fim, ele pegou ambos os pulsos dela com uma mão e começou a fazer-lhe cócegas com a outra, e Arya enfiou o joelho entre as pernas dele e libertou-se. Ambos estavam cobertos de sujeira, e o estúpido vestido de bolotas tinha uma manga rasgada.
– Aposto que agora já não estou tão bonita – gritou ela.
Tom estava cantando quando voltaram ao salão.
Meu colchão de penas é grande e suave,
e é lá que a vou deitar
Vou vestir-la toda de seda amarela,
e na testa uma coroa pousar.
Pois será o meu amor, senhora,
e eu seu senhor serei.
Sempre a manterei quente e segura,
e com espada a defenderei.
Harwin deu um olhar de relance para eles e estourou em gargalhadas, e Anguy deu um de seus estúpidos sorrisos sardentos e disse:
– Temos certeza de que esta é uma senhora bem-nascida?
Limo Manto Limão deu um cascudo na cabeça de Gendry.
– Se quer lutar, lute comigo! Ela é uma menina, e tem metade de sua idade! Mantenha essas mãos longe dela, ouviu?
– Fui eu que comecei – disse Arya. – Gendry estava só conversando.
– Deixe o moço, Limo – disse Harwin. – Foi mesmo ela quem começou, não duvido. Era a mesma coisa em Winterfell.
Tom piscou o olho para ela e cantou:
E como sorriu e como ela riu,
a donzela do pinheiro.
Fugiu num rodopio e disse-lhe,
não quero o seu braseiro.
Usarei um vestido de folhas douradas,
a trança com ervas atada,
Mas você pode ser meu amor da floresta,
e eu a sua namorada.
– Não tenho trajes de folhas – disse a Senhora Smallwood, com um pequeno sorriso simpático –, mas Carellen deixou aqui mais alguns vestidos que podem servir. Venha, filha, vamos lá em cima ver o que encontramos.
Foi ainda pior do que antes; a Senhora Smallwood insistiu que Arya tomasse outro banho, e também que cortasse e escovasse os cabelos; o vestido em que a enfiou daquela vez era de uma cor parecida com lilás, e decorado com pequenas perolazinhas. A única coisa boa era ser tão delicado que ninguém podia esperar que Arya montasse a cavalo com ele. Por isso, na manhã seguinte, enquanto quebravam o jejum, a Senhora Smallwood deu-lhe calções, cinto e túnica para vestir, e um gibão marrom de pele de veado com rebites de ferro.
– Eram coisas de meu filho – disse ela. – Morreu com sete anos.
– Lamento, senhora. – Arya subitamente sentiu-se envergonhada e com pena dela. – Também lamento ter rasgado o vestido das bolotas. Era bonito.
– Sim, filha. E você também é. Seja corajosa.
DAENERYS
No centro da Praça do Orgulho havia uma fonte de tijolo vermelho cujas águas cheiravam a enxofre, e no meio da fonte erguia-se uma monstruosa harpia feita de bronze martelado. Empinava-se até seis metros de altura. Tinha rosto de mulher, com cabelos dourados, olhos de marfim e dentes pontiagudos também de marfim. A água jorrava amarela de seus seios pesados. Mas, no lugar dos braços, possuía as asas de um morcego ou dragão; suas pernas eram as de uma águia, e atrás tinha a cauda enrolada e venenosa de um escorpião.
A harpia de Ghis, pensou Dany. A Velha Ghis caíra havia cinco mil anos, se bem se lembrava; suas legiões foram despedaçadas pelo poderio da jovem Valíria; suas muralhas de tijolo, arrasadas; suas ruas e seus edifícios, transformados em cinzas e brasas por fogo de dragão; os campos, semeados com sal, enxofre e crânios. Os deuses de Ghis estavam mortos, e seu povo também; aqueles astapori eram mestiços, dizia Sor Jorah. Até a língua ghiscari estava quase completamente esquecida; as cidades escravagistas falavam o Alto Valiriano de seus conquistadores, ou aquilo em que o tinham transformado.
Mas o símbolo do Velho Império ainda resistia ali, embora aquele monstro de bronze tivesse uma pesada corrente pendurada das garras, com uma algema aberta em cada extremidade. A harpia de Ghis tinha um relâmpago nas garras. Esta é a harpia de Astapor.
– Diga à prostituta westerosi para baixar os olhos – resmungou o senhor de escravos Kraznys mo Nakloz para a jovem escrava que falava por ele. – Eu negocio carne, não metal. O bronze não está à venda. Diga-lhe para olhar para os soldados. Até os fracos olhos púrpuras de uma selvagem do poente são certamente capazes de ver como as minhas criaturas são magníficas.
O Alto Valiriano de Kraznys era tortuoso e carregado com o rosnado característico de Ghis e temperado aqui e ali com palavras de calão de feitor. Dany compreendia-o bastante bem, mas sorriu e olhou sem expressão para a escrava, como quem se interroga sobre o que ele teria dito.
– O Bom Mestre Kraznys pergunta, não são magníficos? – a garota falava bem o Idioma Comum, para alguém que nunca estivera em Westeros. Com não mais de dez anos, tinha o rosto redondo e achatado, pele morena e olhos dourados de Naath. Chamavam seu povo de Povo Pacífico. Todos eram unânimes em afirmar que davam os melhores escravos.
– Podem ser adequados para as minhas necessidades – respondeu Dany. Tinha sido sugestão de Sor Jorah que ela falasse apenas em dothraki e no Idioma Comum enquanto estivesse em Astapor. O meu urso é mais esperto do que parece. – Fale-me de seu treinamento.
– Eles agradam à mulher westerosi, mas ela não os elogia, para manter o preço baixo – disse a tradutora ao seu dono. – Quer saber como foram treinados.
Kraznys mo Nakloz inclinou a cabeça. Aquele senhor de escravos cheirava como se tivesse tomado banho em framboesas, e sua protuberante barba vermelha e negra brilhava de óleo. Os seios dele são maiores do que os meus, refletiu Dany. Via-os através da seda verde-marinho do tokar debruado de ouro que ele trazia enrolado em volta do corpo e por cima de um ombro. A mão esquerda mantinha o tokar no lugar ao caminhar, enquanto a direita empunhava um curto chicote de couro.
– Todos os porcos westerosi são assim tão ignorantes? – protestou. – O mundo inteiro sabe que os Imaculados são mestres de lança, escudo e espada curta. – Dirigiu a Dany um largo sorriso. – Diga-lhe o que quer saber, escrava, e depressa. O dia está quente.
Isso, pelo menos, não é mentira nenhuma. Um par de jovens escravas encontrava-se atrás deles, segurando por cima de suas cabeças um toldo de seda riscado, mas, mesmo à sombra, Dany sentia-se um pouco tonta, e Kraznys transpirava abundantemente. A Praça do Orgulho cozia ao sol desde o nascer do dia. Dany conseguia sentir o calor dos tijolos vermelhos sob os pés mesmo através do solado de suas sandálias. Ondas de calor erguiam-se desses tijolos, estremecendo o ar e fazendo com que as pirâmides de degraus de Astapor que se erguiam ao redor da praça quase parecessem fazer parte de um sonho.
Se os Imaculados sentiam o calor, não mostravam qualquer sinal disso. Eles mesmos podiam ser feitos de tijolo, julgando pelo modo como estão ali. Um milhar tinha sido trazido das casernas para a sua inspeção; alinhados em dez formações de cem homens perante a fonte e a sua grande harpia de bronze, estavam rigidamente em sentido, com os olhos de pedra fixos à frente. Nada vestiam além de panos de linho branco atados na altura dos rins e elmos cônicos de bronze rematados por um espigão afiado com trinta centímetros de altura. Kraznys ordenara-lhes que apoiassem as lanças e os escudos no chão e despissem os cintos de espadas e as túnicas acolchoadas, para que a Rainha de Westeros pudesse inspecionar melhor a rigidez esguia de seus corpos.