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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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O ambiente que me cerca é despojado, mas acho que esse despojamento é antes uma declaração de estilo do que um sinal de frugalidade. Estou sentada em um dos dois sofás de couro verde-escuro estilo Chesterfield — parecidos com o sofá que Christian tem no quarto de jogos. Acaricio o couro com aprovação e me pergunto o que Christian faz naquele sofá. Minha mente divaga enquanto penso nas possibilidades... não. Não posso entrar nessa agora. Coro diante dos meus pensamentos rebeldes e impróprios. A recepcionista é uma jovem negra com enormes brincos de prata e cabelos compridos alisados. Tem um visual boêmio, o tipo da mulher de quem eu poderia ser amiga. A ideia é tranquilizadora. De vez em quando, ela tira os olhos do computador, olha para mim e me dá um sorriso tranquilizador. Timidamente, sorrio de volta.

Meu voo está reservado, minha mãe está no sétimo céu com minha visita, estou de malas prontas e Kate concordou em me levar de carro ao aeroporto. Christian ordenou que eu levasse o BlackBerry e o Mac. Reviro os olhos ao me lembrar daquele seu autoritarismo despótico, mas vejo agora que este é simplesmente o jeito dele. Ele gosta de controlar tudo, inclusive a mim. No entanto, também é muito imprevisível, agradável e irresistível. Pode ser gentil, bem-humorado, até meigo. E quando demonstra essas qualidades, faz isso de forma inesperada e repentina. Insistiu em me acompanhar até meu carro na garagem. Minha nossa, só vou passar uns dias fora e ele está agindo como se eu fosse passar semanas. Ele sempre me pega desprevenida.

— Ana Steele?

Uma mulher de longos cabelos negros ondulados parada na recepção me distrai da minha introspecção. Ela tem o mesmo visual boêmio da recepcionista. Deve ter uns trinta e muitos ou uns quarenta e poucos anos. É muito difícil saber a idade de mulheres mais velhas.

— Sim — respondo, levantando-me desajeitada.

Ela me lança um sorriso educado, avaliando-me com seus olhos frios cor de avelã. Estou usando uma roupa de Kate, uma jardineira preta sobre uma blusa branca, e meus escarpins pretos. Estilo entrevista, acho eu. Meu cabelo está contido num coque apertado, e, pela primeira vez, os cachinhos estão comportados. Ela me estende a mão.

— Olá, Ana, meu nome é Elizabeth Morgan. Sou a gerente de recursos humanos aqui da SIP.

— Como vai? — Aperto a mão dela. Parece muito descontraída para ser a gerente do RH.

— Acompanhe-me, por favor.

Entramos pelas portas duplas atrás da área da recepção numa ampla sala sem divisórias com decoração alegre, e dali nos dirigimos a uma pequena sala de reuniões. As paredes são verde-claras, cobertas de capas de livros. Sentado à cabeceira da mesa de conferência de madeira há um homem ruivo de rabo de cavalo. Pequenas argolas de prata brilham em suas duas orelhas. Ele está com uma camisa azul-clara, sem gravata, e calças de brim desbotadas. Quando me aproximo, levanta-se e me olha com misteriosos olhos azul-escuros.

— Ana Steele, sou Jack Hyde, o editor de aquisições aqui na SIP, e é um grande prazer conhecê-la.

Cumprimentamo-nos, e sua expressão é misteriosa, embora bastante simpática.

— Você mora longe? — pergunta amavelmente.

— Não, acabei de me mudar para a área do Pike Street Market.

— Ah, então mora pertinho. Por favor, sente-se.

Sento-me, e Elizabeth se senta ao lado dele.

— Então, porque gostaria de estagiar aqui conosco na SIP, Ana? — pergunta.

Diz meu nome com doçura, e inclina a cabeça, como uma pessoa que conheço — é aflitivo. Fazendo o possível para ignorar a cautela irracional que ele me inspira, começo meu discurso cuidadosamente preparado, consciente do rubor que se espalha por minhas bochechas. Olho para os dois, lembrando-me da aula de Técnica da Entrevista Bem-Sucedida de Katherine Kavanagh. Mantenha contato visual, Ana! Nossa, Kate também pode ser mandona, às vezes. Jack e Elizabeth ouvem com atenção.

— Você tem um CR muito impressionante. A que atividades extracurriculares você se entregava na WSU?

Entregava? Pisco para ele. Que escolha de palavras estranha. Começo a entrar nos detalhes da minha atividade de bibliotecária na biblioteca central do campus e da minha única experiência de entrevistar um déspota podre de rico para o jornal da faculdade. Toco de passagem no fato de que não escrevi verdadeiramente o artigo. Menciono as duas sociedades literárias a que pertenci e concluo com meu trabalho na Clayton's e todo o conhecimento inútil que agora possuo sobre ferragens e bricolagem. Os dois riem, o que é a reação pela qual eu torcia. Lentamente, relaxo e começo a aproveitar.

Jack Hyde faz perguntas agudas e inteligentes, mas não me atrapalho — acompanho o ritmo, e quando discutimos minhas preferências de leitura e meus livros favoritos, acho que me saio bem. Jack, por outro lado, parece só gostar da literatura Americana de 1950 em diante. Nada mais. Nada de clássicos — nem mesmo Henry James nem Upton Sinclair nem F. Scott Fitzgerald. Elizabeth não diz nada, só acena com a cabeça de vez em quando e toma notas. Jack, embora goste de discutir, é encantador a seu modo, e quanto mais ele fala, mais minha desconfiança inicial se dissipa.

— E onde você se vê daqui a cinco anos? — pergunta.

Com Christian Grey, a ideia me vem instintivamente à cabeça. Minha mente errática me faz franzir as sobrancelhas.

— Editora de textos, talvez? Quem sabe trabalhando como agente literária, não sei ao certo. Estou aberta a oportunidades.

Ele ri.

— Muito bem, Ana. Não tenho mais perguntas. Quer perguntar alguma coisa? — ele dirige a palavra a mim.

— Quando gostaria que a pessoa começasse? — pergunto.

— Tão logo possível — diz Elizabeth alto e bom som. — Quando você poderia começar?

— Estou disponível a partir da semana que vem.

— É bom saber disso — diz Jack.

— Se ninguém tiver mais nada a dizer — Elizabeth olha para nós dois —, acho que isso encerra a entrevista.

Ela sorri com simpatia.

— Foi um prazer conhecê-la, Ana — diz Jack com gentileza apertando minha mão, e eu pestanejo olhando para ele ao me despedir.

Vou para o carro me sentindo inquieta sem saber por quê. Acho que a entrevista correu bem, mas é muito difícil dizer. As entrevistas parecem situações muito artificiais. Todo mundo agindo da melhor maneira que pode, tentando desesperadamente se esconder por trás de uma fachada profissional. Será que minha postura foi apropriada? Vou ter que esperar para ver.

Entro no meu Audi A3 e volto para casa, mas sem pressa. Meu voo é o último do dia, com escala em Atlanta, e só embarco às dez e vinte e cinco, de modo que tenho muito tempo.

Kate está desembalando caixas na cozinha quando volto.

— Como foram as entrevistas? — pergunta, empolgada.

Só Kate pode ficar deslumbrante com uma camisa de um tamanho bem acima do dela, calça jeans esfarrapada e uma bandana azul-marinho.

— Bem, obrigada, Kate. Não sei se essa roupa estava suficientemente descolada para a segunda entrevista.

— Hã?

— Um visual boho chic talvez tivesse resolvido.

Kate ergue uma sobrancelha.

— Você e seu boho chic. — Ela inclina a cabeça de lado — Ai! Por que todo mundo está me lembrando do meu Cinquenta Tons preferido? — Na verdade, Ana, você é uma das poucas pessoas que poderiam usar este visual.

Sorrio.

— Eu realmente gostei do segundo lugar. Acho que poderia me encaixar ali. O sujeito que me entrevistou era enervante, mas...

Deixo a frase no ar — merda, estou falando aqui com a Kavanagh Megafone. Cala a boca, Ana!

— Ah?

O radar Katherine Kavanagh para uma informação apetitosa entra em ação — uma informação que só virá à tona em algum momento inoportuno e constrangedor, o que me lembra alguma coisa.

— Por falar nisso, quer fazer o favor de parar de provocar Christian? Seu comentário sobre José ontem à noite foi descabido. Christian é um cara ciumento. Isso não leva a nada, você sabe.

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