Cinquenta tons de cinza [em Portugues]
- Автор: Джеймс Эрика Леонард
- Серия: Cinquenta Sombras #1
- Год: 2012
- Язык: португальский
- Жанр: Любовь и отношения
Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:
— Nossa, Ana, o que você tem aí?
Deve ser o Mac, e vamos os três abraçados para o estacionamento.
Sempre me esqueço do calor insuportável que faz em Savannah. Saindo dos limites refrigerados do terminal de desembarque, entramos no calor da Geórgia como se o estivéssemos vestindo. Ufa! Ele mina tudo. Preciso me desvencilhar do abraço de mamãe e de Bob para tirar o casaco de capuz. Ainda bem que trouxe uns shorts. Às vezes sinto falta do calor seco de Las Vegas, onde morei com mamãe e Bob aos dezessete anos, mas custo a me acostumar com este calor úmido, mesmo às oito e meia da manhã. Quando estou no banco traseiro do utilitário esportivo Tahoe maravilhosamente refrigerado, sinto-me fraca, e meu cabelo já iniciou um protesto frisado diante do calor. Ali no Tahoe, rapidamente envio uma mensagem de texto para Ray, Kate e Christian:
*Cheguei bem em Savannah. A :)*
Penso rapidamente em José ao apertar “enviar”, e, através da névoa do meu cansaço, lembro-me de que a exposição é semana que vem. Será que eu devia convidar Christian, sabendo como ele se sente em relação a José? Será que Christian ainda vai querer me ver depois daquele e-mail? Estremeço ao pensar nisso, e então tiro o assunto da cabeça. Vou tratar disso depois. No momento, vou aproveitar a companhia de minha mãe.
— Querida, você deve estar cansada. Vai querer dormir quando chegar em casa?
— Não, mãe. Eu queria ir à praia.
* * *
ESTOU COM MEU maiô frente-única azul, tomando uma Coca Diet, numa espreguiçadeira de frente para o Oceano Atlântico. E pensar que ontem mesmo eu estava contemplando o Estuário na direção do Pacífico. Minha mãe está instalada a meu lado com um chapéu absurdamente grande à la Jackie O, bebendo a Coca dela. Estamos na Praia da Ilha Tybee, só a três quarteirões lá de casa. Ela segura minha mão. Meu cansaço desapareceu, e ali tostando ao sol, sinto-me confortável, segura, aquecida. Pela primeira vez em séculos, começo a relaxar.
— Então, Ana... me conte sobre esse homem que está deixando você nessa confusão toda.
Confusão! Como ela pode saber? O que vou dizer? Não posso entrar em maiores detalhes sobre Christian por causa do termo de confidencialidade, mas, apesar disso, será que eu escolheria falar com minha mãe sobre isso? Fico lívida com essa ideia.
— E então? — provoca ela, e aperta minha mão.
— O nome dele é Christian. Ele é muito bonito. É rico... rico demais. É muito complicado e instável.
Sim — estou felicíssima com minha síntese precisa e acurada. Viro de lado para ficar de frente para ela, na hora que ela faz o mesmo movimento. Ela me olha com aqueles olhos azul-claros.
— Complicado e instável são duas informações sobre as quais quero me concentrar, Ana.
Ah, não...
— Ah, mãe, as oscilações de humor dele me deixam tonta. Ele teve uma criação triste, e é muito fechado, difícil de avaliar.
— Você gosta dele?
— Gosto demais dele.
— É mesmo?
Ela me olha boquiaberta.
— Sim, mãe.
— Os homens são muito complicados, Ana, querida. São criaturas muito simples e literais. Normalmente o que eles falam é o que pensam mesmo. E a gente passa horas tentando analisar o que falaram, quando está na cara. Se eu fosse você, eu o tomaria ao pé da letra. Isso poderia ajudar.
Olho para ela pasma. Parece um bom conselho. Tomar Christian ao pé da letra. Na mesma hora, me vêm à cabeça umas coisas que ele disse.
Não quero perder você...
Você me enfeitiçou...
Você me seduziu completamente...
Vou sentir sua falta, também... mais do que você pensa.
Olho para minha mãe. Ela está no quarto casamento. Talvez saiba alguma coisa sobre os homens afinal de contas.
— Quase todos os homens são mal-humorados, querida, uns mais que outros. Pense no seu pai, por exemplo...
Ela fica com um olhar meigo e tristonho sempre que pensa em meu pai. Meu pai verdadeiro, esse homem mítico que não conheci, arrebatado da gente de forma tão cruel num acidente de treino de combate quando era da marinha. Uma parte minha acha que minha mãe anda procurando meu pai esse tempo todo... talvez finalmente tenha encontrado o que procura em Bob. Pena que não conseguiu encontrar com Ray.
— Eu achava que seu pai era mal-humorado. Mas quando olho para trás, só acho que ele estava muito envolvido com o trabalho dele e tentando nos sustentar. — Ela suspira. — Era muito jovem, nós dois éramos. Talvez a questão fosse essa.
Humm... Christian não é exatamente velho. Sorrio com carinho para ela. Ela é capaz de ficar muito emotiva falando do meu pai, mas tenho certeza de que ele não tinha nada dos maus humores de Christian.
— Bob quer nos levar para jantar fora hoje. No clube de golfe dele.
— Ah, não! O Bob começou a jogar golfe?
Debocho incrédula.
— Nem me fale — reclama minha mãe, revirando os olhos.
* * *
APÓS UM ALMOÇO leve em casa, começo a desfazer a mala. E vou me dar o capricho de um cochilo. Minha mãe desapareceu para moldar umas velas ou o que quer que ela faça com elas, e Bob está no trabalho, de modo que tenho tempo de botar o sono em dia. Ligo o Mac. São duas da tarde na Geórgia, onze da manhã em Seattle. Pergunto-me se tenho uma resposta de Christian. Com agitação, abro meu e-mail.
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De: Christian Grey
Assunto: Finalmente!
Data: 31 de maio de 2011 07:30
Para: Anastasia Steele
Anastasia,
Estou aborrecido porque, assim que a gente se afasta um pouco, você se comunica aberta e honestamente comigo. Por que não pode fazer isso quando estamos juntos?
Sim, eu sou rico. Vá se acostumando com isso. Por que eu não deveria gastar dinheiro com você? Já contamos a seu pai que sou seu namorado, pelo amor de Deus. Não é o que os namorados fazem? Como seu Dominador, eu esperaria que você aceitasse sem discutir o que quer que eu gaste com você. Por falar nisso, conte a sua mãe, também.
Não sei como responder a seu comentário sobre se sentir uma puta. Sei que não foi isso que escreveu, mas é o que sugere. Não sei o que posso dizer ou fazer para erradicar esses sentimentos. Eu gostaria que você tivesse tudo do melhor. Dou um duro extraordinário para poder gastar meu dinheiro como achar melhor. Eu poderia lhe comprar o que você quisesse, Anastasia, e quero comprar. Chame isso de redistribuição de riqueza, se quiser. Ou saiba simplesmente que eu não pensaria, nem jamais poderia pensar em você do jeito que você descreveu, e fico furioso por ser esta a maneira como você se vê. Para uma moça tão inteligente, espirituosa e bonita, você tem alguns autênticos problemas de autoestima, e me dá vontade de marcar uma consulta para você com o Dr. Flynn.
Peço desculpas por tê-la assustado. Acho abominável a ideia de lhe causar medo. Acha mesmo que eu iria deixá-la viajar no porão? Ofereci-lhe meu jato particular, por favor. Sim, foi uma brincadeira, de mau gosto, é óbvio. No entanto, o fato é que pensar em você amarrada e amordaçada me excita (isso não é brincadeira — é verdade). Posso ficar sem o caixote: não ligo para caixotes. Sei que você tem problemas com amordaçamento, já falamos sobre isso, e se/ou quando eu amordaçá-la, vamos discutir antes. O que acho que você não percebe é que, em relações Dom/sub, é a sub que tem todo o poder. Não eu. No ancoradouro você disse não. Não posso tocar em você se você disser não; por isso temos um contrato — o que você fará e o que não fará. Se experimentarmos coisas e você não gostar, podemos rever o contrato. Isso é com você, não comigo. E se você não quiser ser amarrada e amordaçada dentro de um caixote, então isso não vai acontecer.