A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
Carter, por outro lado, não dava a mínima. Ele estava muito ocupado na piscina ao ar livre, o que, na língua de Carter, era uma piscinaolivre. Quando ele não estava lá, podia ser encontrado na sala de TV, assistindo a vídeos dos Power Rangers, enquanto modelos seminuas se sentavam ao lado dele e esfregavam sua barriguinha, garantindo que fariam o que ele quisesse se ele emprestasse seus cílios para uma foto. Um dia, eu tinha certeza, Carter iria ficar muito emputecido quando descobrisse que havia afastado todas aquelas jovens belezas só porque tinham atrapalhado seus filmes dos amados Power Rangers.
Numa observação à parte, foi em algum momento no final de julho que ouvi falar de alguém chamado John. Chandler tinha trazido o nome em primeiro lugar, descrevendo-o como “o novo amigo californiano de mamãe”. John. John. No começo não dei muita importância àquilo, embora uma vozinha dentro de minha cabeça insistisse em dizer: “Esse cara pode ser problema”. Não era o fato de a Duquesa ter um namorado, eu estava bem com isso. O que eu não aprovava muito era ele morar do outro lado do país. Afinal, se ela se apaixonasse por ele, poderia querer se mudar para lá.
Eu não sabia muito sobre o cara, apenas que ele era um pouco mais velho que eu, que era muito rico (puxa, que surpresa) e que era dono de uma enorme indústria de roupas infantis em Los Angeles. Eu tinha resistido ao impulso de chamar Bo para fazer sua parte, decidindo, em vez disso, deixar as coisas quietas. Da forma como eu via as coisas, a Duquesa estava fazendo a parte dela, namorar nas férias, de forma que as chances de ela se apaixonar por John eram mínimas.
A única coisa que vinha me incomodando de verdade – além do fato de que eu estava queimando dinheiro mais rápido que um país da América Latina – era o modo obstinado como TOC estava perseguindo o Chef. Na verdade, eu tinha estado em Nova Jersey duas vezes nas últimas quatro semanas, tentando fazer o Chef discutir nossos antigos negócios para gravar em fita. Mas em ambas as vezes ele se recusou. Ainda assim, TOC estava certo de que em algum momento ele o faria. Ele era um bandido nato, raciocinou TOC, e não seria capaz de resistir à tentação para sempre.
Ironicamente, fora por causa dessas duas viagens recentes a Nova Jersey que eu tinha aceitado a ideia de Kiley de ir a Atlantic City. Eram cerca de 11 horas da manhã e eu estava na cozinha fazendo o café da manhã para ela e Lisa quando Kiley teve a ideia:
– Você me levaria um dia para Atlantic City para me ensinar a jogar?
O que de fato complicou as coisas foi eu achar Kiley atraente, não apenas na aparência, mas em personalidade também. Ela era vibrante e vivaz – exalando uma certa inocência infantil que, na época, atribuí ao fato de ela ter sido criada no Canadá, e não de ela ser realmente uma criança.
– Então você nunca foi Atlantic City antes? – perguntei a ela.
– Nãoooo – respondeu ela inocentemente. – Você me levaria até lá?
Hoje eu me lembro de pensar que seu tom era o de uma criança perguntando ao avô se ele estaria disposto a levá-la ao zoológico, um dia. Quando perguntei a Kiley quantos anos tinha e ela disse “22; e você?”, eu estava inclinado a acreditar nisso. Foi quando comecei a calcular os riscos de fazer uma viagem não autorizada de helicóptero para Atlantic City, enquanto ainda estava em prisão domiciliar.
No final, acabei reduzindo as coisas para dois riscos distintos: primeiro, deixar o Estado de Nova York sem aprovação prévia e, segundo, a possibilidade de ficar preso em Atlantic City por ter violado meu toque de recolher à meia-noite. Quanto ao jogo, eu não estava tão preocupado, porque não era ilegal. Eu também não estava muito preocupado em ter de levar 50 mil dólares em dinheiro para convencer Donald Trump a despachar um helicóptero. Afinal, eu tinha duas vezes esse valor no cofre do meu quarto, que, por mera coincidência, era o tanto de dinheiro que eu supostamente teria de entregar ao governo como parte do meu confisco de bens (eles simplesmente não tinham aparecido para pegá-lo ainda). Então, qual seria o mal, concluí, se eu só pegasse emprestado alguns dólares deles?
Nenhum, pensei. Então liguei para o cassino, pedi o helicóptero, levei Kiley para comprar roupas, tomei um empréstimo de curto prazo do governo federal e me dirigi para o heliporto.
Agora, no entanto, seis horas depois, eu estava preso em Teterboro, em um hangar dilapidado, com uma menina menor de idade e prestes a quebrar o toque de recolher. Estar em Jersey, percebi, era o menor de meus crimes.
– Isso significa que não vamos? – lamentou Kiley.
Olhei para meu relógio e balancei a cabeça gravemente.
– Eu não sei, Kiley. Já são 9 horas e eu preciso estar em casa por volta da meia-noite.
Com um bico, ela disse:
– É triste.
– Sim, é – concordei com um aceno de simpatia e, em seguida, concentrei-me no fato de que meu toque de recolher não era realmente um toque de recolher… Ou era? Bem, tecnicamente era, mas na prática não era, sobretudo em uma noite de domingo onde uma violação inofensiva (como aquela) provavelmente iria escorrer através das rachaduras. Sim, talvez a empresa de monitoramento fizesse uma chamada para Patrick Mancini, meu agente da pré-condicional, e ele poderia apenas supor que minha tornozeleira estivesse com problema de funcionamento. Por que, afinal, aquela coisa podia ter um problema de vez em quando, não é? Sim, isso certamente acontecia e, além disso, Pat sabia que eu não era um cara que apresentasse risco de fuga, certo? Claro, eu tinha quase certeza disso, e ele estava bem ciente de que eu era uma testemunha que colaborava com o governo federal (do lado da retidão do problema).
Nesse momento o piloto veio sorrindo:
– A boa notícia é que foi apenas um indicador de combustível – disse ele alegremente. – E estará consertado dentro de 20 minutos.
Kiley pegou minha mão e começou a agitá-la para cima e para baixo, como a dizer “Ebaaa! Ebaaa! Agora podemos ir para Atlantic City!”.
– E qual é a má notícia? – perguntei.
O piloto deu de ombros.
– Bem, o que ocorre é que eu e o copiloto estamos fora de nosso horário de serviço. Vocês vão ter que esperar dois novos pilotos, que estarão aqui em cerca de uma hora…
Kiley olhou para mim, confusa.
– O que isso significa? – perguntou tristemente.
Minha vontade era dizer: “Significa que isso é o que acontece quando você viaja com o antigo Lobo de Wall Street. Qualquer coisa que pode dar errado, vai dar errado!”. Mas em vez disso eu disse:
– Significa que estamos presos aqui por um tempo.
Outro bico amuado:
– Então não vamos agora?
Olhei para Kiley e dei de ombros.
– Deixe-me pensar por um segundo.
Percorri a situação novamente em minha mente. Bem, óbvio que eu não poderia dormir com Kiley; ela era muito jovem. Mas, por outro lado, eu era um jogador muito bom, então talvez eu pudesse ganhar alguma grana!
– Há um telefone por aqui? – perguntei ao piloto.
Ele apontou o dedo na direção de um telefone de parede.
– Obrigado – disse, e um segundo depois eu deixei uma mensagem no correio de voz de Pat Mancini, explicando que eu estava preso na “cidade”, sem dizer em qual cidade, e que estaria de volta bem tarde naquela noite ou na manhã seguinte. Então desliguei o telefone e fiquei olhando para ele por um segundo, me perguntando se eu tinha acabado de cometer um grande erro. Não, pensei. Patrick tinha as mãos cheias de assassinos e estupradores e eu já tinha tomado a decisão de não ter relações sexuais com Kiley. Com esse pensamento, caminhei de volta para Kiley e lhe ofereci um sorriso paternal.
– Tudo bem, querida, nós vamos!
– Ebaaaaaa! – ela gritou. E foi isso.
NÃO HAVIA COMO NEGAR que Donald Trump ostentava o pior penteado deste lado da Cortina de Ferro, mas o safado sabia como ganhar dinheiro! Em Atlantic City, ele possuía três cassinos: Trump Plaza, Taj Mahal e Trump Castle. Eu preferi o Castle porque tinha um heliporto no telhado, o que permitia entradas e saídas rápidas. Isso é importante numa cidade como Atlantic City, onde a decadência pode lançar um jogador em uma pirueta emocional quando ele já está prestes a saltar de uma janela.