A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
Sentindo-me muito confiante, disse:
– Não, Greg. Eu não alertei ninguém. Juro. Joel está completamente enganado.
– Isso é bom – respondeu ele calmamente. – Você não tem nada com que se preocupar, então. Tenho certeza de que é apenas um engano. Nós vamos esclarecer tudo isso logo na primeira hora de amanhã.
– Sem dúvida – disse rapidamente. – Onde ele quer se reunir?
– No centro, na sede do FBI. Eu não estarei lá, tenho que viajar para um depoimento. Mas não se preocupe, Nick estará com você.
– Isso é bom – disse. – Nick é um bom homem.
E além disso, pensei, quando você não tem nada a esconder, não tem nada a temer.
Graças a Deus.
CAPÍTULO 18
O IMPENSÁVEL
Com os ombros firmes, o queixo erguido e o branquelo do homem de Yale a meu lado, entrei na sala de reuniões (ou de interrogatório?) preparado para o pior. Imediatamente, três coisas me pareceram estranhas, a começar pelo fato de que todos os meus quatro captores tinham vindo para as festividades do dia: o Canalha, o TOC, o Mórmon e, infelizmente, a Bruxa Má do Leste, que eu não via há quase um ano. Os quatro estavam sentados de um lado da mesa, esperando que o homem de Yale e eu tomássemos nossos lugares em frente a eles.
A segunda coisa estranha era que todo mundo estava vestido formalmente, incluindo TOC, que quase nunca fazia isso. Meus captores masculinos estavam com o paletó, a gravata apertada no colarinho. Trajes de tribunal. O homem de Yale e eu também usávamos ternos, assim como a Bruxa, que ostentava um tailleur de poliéster preto que, assim como o resto de seu guarda-roupa, necessitava desesperadamente de algumas alterações.
E a terceira estranheza, a mais perturbadora de todas, foi que notei a ausência das trocas de amabilidades iniciais de abertura. O Canalha apertou minha mão molemente e não disse nada. O Mórmon apertou minha mão com firmeza e disse:
– Como é que vai, cara? – usando aquele tipo de tom sombrio que um treinador da faculdade usaria com um jogador antes de cortá-lo da equipe e revogar sua bolsa de estudos.
O TOC apertou minha mão com força, um pouco forte demais, de fato, como se fosse um general romano gentil enviando um de seus soldados para um poço de gladiador repleto de leões. E a Bruxa nem sequer apertou minha mão.
Então, nos sentamos.
– Tudo bem, vamos tratar dos casos, então – começou o Canalha, calmamente. – Michele… – e ele estendeu a mão em direção a ela, palma para cima.
A Bruxa assentiu com a cabeça e entregou-lhe uma pasta grossa de arquivos legais que estava segurando. Então, colocou suas mãos pequenas na mesa e começou a girar os polegares na velocidade da luz.
Eu senti meu coração pular uma batida.
Com muito cuidado, o Canalha depositou o arquivo na frente dele. E olhou para ele. A pasta estava fechada, mantida assim por um barbante marrom claro, que envolvia a pasta e dava voltas em um fino disco de papelão do tamanho de uma moeda de 10 centavos. O safado só se manteve olhando a pasta.
Olhei para o homem de Yale, confuso. Ele revirou os olhos e deu de ombros, como se dissesse: “É apenas teatro, não significa nada”. Eu assenti com a cabeça e olhei para o Canalha, que ainda estava olhando para o arquivo – teatralmente.
Por fim, fazendo uma imitação quase perfeita do assustador e impenetrável agente Smith, do filme Matrix, o Canalha lentamente começou a desenrolar o barbante marrom, numa velocidade incrível e em círculos perfeitos. Quando acabou, abriu lentamente a pasta com os arquivos e olhou para um documento que estava no topo da pilha.
Ainda olhando para baixo, ele disse, no tom assustador do agente Smith:
– Senhor Belfort, você já se confessou culpado de praticamente todas as fraudes de valores mobiliários para as quais temos leis – verdade, pensei. – Manipulação de ações, violações de 10B5, fraudes em vendas, fraudes com moedas… – ele lentamente olhou para cima – e, claro, lavagem de dinheiro – ele deslizou o documento para meu lado da mesa. – Você está familiarizado com este documento, senhor Belfort?
Olhei para o papel por um momento e ouvi o agente Smith dizer:
– Por que não deixa o senhor De Feis examiná-lo para você, para que não haja nenhum erro?
Ansioso para agradar, o homem de Yale inclinou-se e estudou o documento por um momento.
– É seu acordo judicial – sussurrou em meu ouvido.
Não diga, Sherlock! É o que diz bem em cima!
O homem de Yale veio em meu socorro:
– É o acordo judicial dele, Joel.
– Eu gostaria de ouvir o senhor Belfort dizer isso – rebateu o agente Smith.
– É meu acordo judicial – disse eu, monocordicamente.
O agente Smith assentiu com a cabeça e voltou os olhos para a pasta, olhando fixamente para ela por um momento. Depois de uns bons 10 segundos, ele pegou um segundo documento do topo da pilha e deslizou-o sobre a mesa para mim. Então, ergueu os olhos.
– E você sabe que documento é esse, senhor Belfort?
Estudei-o por um momento.
– É meu acordo de cooperação.
Ele balançou a cabeça.
– É isso mesmo. Na parte inferior da página, você verá uma frase realçada em amarelo. Por favor, leia em voz alta.
– O réu concorda em ser sincero e honesto em todos os momentos.
O homem de Yale parecia estar ficando sem paciência:
– Onde você quer chegar, Joel? Você está dizendo que ele não tem sido sincero e honesto?
O Canalha se recostou na cadeira e sorriu com os lábios finos.
– Talvez, Nick. – Então ele me olhou e disse: – Por que você não nos diz, Jordan? Você foi sincero e honesto?
– Claro que sim! – respondi rapidamente. – Por que eu não seria?
Olhei ao redor da sala e todos os quatro algozes me encaravam, inexpressivos.
A Bruxa começou falando:
– Você está dizendo que nunca tentou nos enganar, nem uma vez sequer…
Eu balancei a cabeça em um “não”, confiante; não havia nenhuma maneira que eles já pudessem ter descoberto sobre Atlantic City. Afinal, tinha acontecido na noite anterior… Tudo bem, duas noites atrás, pensei. Mas, seja como for, eu sempre tinha sido verdadeiro, a menos que… Dave Beall! O bilhete! Não! Não podia ser! Nem em um milhão de anos! Empurrei esse pensamento para longe de minha mente… Não tire conclusões precipitadas. Ele nunca iria me denunciar. Não levaria nenhuma vantagem com isso. E eu o tinha protegido. Salvado. Alertado. Alertado! Alertado!
– Existe alguma coisa que você queira nos contar? – perguntou TOC, cruzando os braços sobre o peito.
– Não! – respondi com segurança. Depois, não tão seguro assim. – Quer dizer, claro que não. Eu só não tinha bem certeza sobre o que vocês queriam que eu dissesse… Er… Sobre honestidade – olhei para meus captores, um por um, até que meus olhos se fixassem sobre o Canalha. – E então, sobre… Hã… Confiabilidade… – senti-me compelido a adicionar isso, embora não tivesse ideia do porquê.
Mas ele parecia sentir o cheiro de sangue.
– Deixe-me ser mais específico, então – disse ele, pacientemente. – Você nunca disse a ninguém que estava cooperando conosco?
Uma faca direta no coração! Era hora de blefar!
– Sim – disse confiante.
– Para quem?
– Meus pais, uma vez. Ou duas, pode-se dizer – sorri da minha piada. – Isso é crime?