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A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]

Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:

Jordan Belfort fez uma fortuna no mercado de ações americano nos anos 1990 e viveu uma vida de luxo, drogas, sexo e pura loucura. O problema foi que, para enriquecer dessa maneira, ele não seguiu apenas o bom caminho, e o FBI não deixou barato... Acusado de fraude de valores mobiliários, manipulação de ações, lavagem de dinheiro e outros inúmeros crimes financeiros que nem ele saberia citar, Jordan se viu obrigado a cooperar com a Justiça americana, dedurando amigos e antigos colegas para tentar se livrar de uma pena que poderia chegar a 30 anos de prisão – e arruinar de vez sua vida.
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
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– Tudo bem. Vou pegar minhas fichas e trocar agora – olhei para Kiley. – Venha, querida, está na hora de irmos embora.

– Certo – disse ela, alheia. – E vamos para onde?

Com um sorriso demente, respondi:

– Primeiro nós vamos sacar o dinheiro e então voaremos para casa – olhei para o gerente. – Pode fazer o favor de chamar o helicóptero para nós?

– Está muito tarde, senhor – respondeu ele, parecendo lutar contra o desejo de sorrir. – O helicóptero já está no caminho de volta para Long Island. Mas não se preocupe, nós temos uma bela suíte para vocês e vamos enviar-lhe algumas garrafas de Dom Pérignon e um pouco de caviar.

– Que ótimo! – chilreou Kiley. – Eu amo caviar!

Olhei para ela, sem palavras.

– Então, está bem – disse o gerente de turno, sentindo minha dor. – Vamos até os caixas de forma que possa trocar suas fichas.

Sim, pensei, é hora de colocar um fim nesse pesadelo.

– MAS QUE PORRA você está me dizendo? – quase gritei para a bruxa velha do outro lado do vidro à prova de balas. – Como você não pode me dar meu dinheiro de volta?

– Lamento muito – a resposta veio firme, através de uma fenda em uma estrutura de alumínio brilhante. – Eu não posso lhe dar o dinheiro a menos que me mostre sua identidade. É a lei.

Eu estava perplexo. Chocado. Em descrença absoluta.

Lá estava eu, de pé dentro “da gaiola”, que era do tamanho de um banheiro no Denny’s, acompanhado por uma garota menor de idade, um gerente de turno que era provavelmente um chamariz da máfia e uma pilha de multicoloridas fichas de cassino no valor de 32 mil dólares, com as quais estava agora encalhado porque a bruxa velha do outro lado do vidro à prova de balas era uma defensora dos detalhes. Aquilo era bizarro!

Virei-me para o chefe de turno e disse:

– Você tem de fazer alguma coisa, isso não está certo – e então apertei os dentes e balancei a cabeça lentamente, como se dissesse: “Alguém vai pagar por isso, no fim!”.

O chefe de turno ergueu as palmas das mãos no ar e deu de ombros.

– O que posso fazer? – disse inocentemente. – A lei é a lei.

Com frustração no coração, olhei para Kiley e disse:

– Você sabe por que essa merda acontece só comigo e com mais ninguém?

Ela abanou a cabeça nervosamente.

– Porque eu atraio essa merda pra cima de mim! Eu sou um porra de um maníaco por castigos, é por isso! – e voltei a olhar para o vidro à prova de balas, encarando desconfiado a bruxa velha. Então rodei o pescoço, como um homem à beira de um ataque. – Ouça – disse, com um tom de lógica na voz, apoiando os cotovelos na bancada de fórmica preta do meu lado do vidro. – Em geral, eu sou um cara sensato, então me deixe apenas dar-lhe um resumo dos acontecimentos da noite e, em seguida, você me diz se mereço ter meu dinheiro de volta, o.k.?

A bruxa deu de ombros.

– Bem – disse eu –, vou tomar isso como um “sim”.

E então comecei a lhe contar minha história de aflições, iniciando pelo mau funcionamento do helicóptero e terminando com o fiasco da carteira de motorista esquecida, enquanto cuidadosamente omitia todas as referências à tornozeleira, a meu espúrio telefonema para Patrick Mancini, ao problema da idade de Kiley, a meu empréstimo sem juros do dinheiro do governo federal e por último (mas não menos importante…) ao fato de que eu estava sob condicional e não fora autorizado a pisar em Atlantic City, para começo de conversa. E disse:

– Acho que é bastante óbvio que eu sou quem digo que sou. Então por que você não troca as fichas e me deixa ir embora em paz, certo? – lancei meu sorriso mais razoável para a bruxa. – É pedir demais?

A bruxa velha ficou me olhando por alguns segundos a mais do que as boas maneiras recomendam. Depois veio sua resposta firme, através das fendas:

– Me desculpe. Eu não posso trocar suas fichas a menos que você mostre sua identidade. É a lei.

– Tudo bem… – respondi. – Achei que seria isso mesmo que você responderia.

Essas foram as últimas palavras que eu disse para a bruxa velha naquela noite. Na verdade, foram as últimas palavras que eu disse a qualquer pessoa naquela noite, com exceção de Kiley, que acabou por ser uma excelente companhia numa viagem tão azarada quanto aquela. Claro, jamais coloquei um dedo nela, mas, olhando para aquele dia hoje, sei que teve menos a ver com as leis de estupro e mais com meu próprio senso de certo e errado. Afinal, a maneira que eu tinha escolhido para passar meu último verão em Meadow Lane era uma vergonha. Eu sabia disso melhor que ninguém, mas simplesmente não conseguia me controlar. Era como se eu estivesse determinado a me autodestruir… Não, era como se eu precisasse me autodestruir.

Talvez estivesse pensando que, se realmente me destruísse, queimando todos os bens que possuía, tanto físicos quanto emocionais, então de alguma forma eu poderia fazer o relógio voltar no tempo, para uma época antes da Stratton, antes que a árvore envenenada brotasse. Talvez. Ou talvez eu tivesse apenas ficado maluco…

De qualquer maneira, havia certas linhas que eu mesmo não poderia atravessar: uma delas tinha sido Dave Beall e a outra tinha sido Kiley. Ao mesmo tempo que os dois não tinham nenhuma relação, cada um à sua maneira permitiu que eu me aferrasse a meus últimos vestígios de respeito próprio.

Quando cheguei em Southampton na manhã seguinte, pedi um táxi para Kiley, dei-lhe um beijo na bochecha e mandei-a seguir seu caminho. Eu sabia que um dia acabaria me encontrando com ela de novo, e provavelmente me daria um chute na bunda por não ter me aproveitado dela naquela noite de domingo. Afinal, você não se depara com meninas como Kiley todos os dias, sobretudo no mundo real e sobretudo se você é um cara como eu, com um pé no xadrez e outro no asilo.

Então eu estava sentado em uma cadeira na minha sala de estar, olhando para o oceano Atlântico e tentando fazer com que tudo tivesse um sentido. Era quase meio-dia e Patrick Mancini não tinha ligado ainda, o que significava que ele nunca o faria. Em suma: eu tinha escapado!

Então, o telefone tocou.

Ai, meu Deus!, pensei. Me pegaram! Tão rápido como um relâmpago, comecei a fabricar em meu cérebro um álibi para tudo aquilo. Tinha de haver uma explicação… Eu tinha ido visitar meu irmão em Montclair, Nova Jersey, e me perdido no caminho… Estava procurando novos lugares para meu próximo encontro com o Chef… Sim!

O telefone se manteve tocando.

Eu peguei o sem fio.

– Sim? – disse, num tom resignado e sombrio.

– Aqui é seu advogado – disse meu advogado. – Você está sozinho?

Com voz superdireita, afirmei:

– Eu juro por Deus, eu nunca toquei nessa menina, Greg! Você mesmo pode ligar para ela e perguntar! – de repente, percebi que eu não tinha o número de telefone de Kiley. Na verdade, eu não sabia nem mesmo seu sobrenome. Ela era Kiley, a criança.

– Do que você está falando? – perguntou Magnum. – Que menina?

– Esqueça – murmurei. – Eu estava apenas divagando… O que está acontecendo?

– Recebi um telefonema muito perturbador de Joel Cohen hoje pela manhã.

Minha boca imediatamente ficou seca.

– Sobre o quê?

– Ele diz que você pode ter violado o acordo de cooperação. Ele quer encontrá-lo no primeiro horário amanhã de manhã.

Eu senti uma onda de pânico subindo por minha coluna vertebral, acompanhada de desespero. Se eu não estivesse sentado, teria caído. Permaneça calmo, pensei. Você não fez nada. Nada!

– Isso é impossível! – respondi com confiança. – Ele disse como?

– Não especificamente, mas tenho a impressão de que ele pensa que você pode ter alertado alguém sobre sua cooperação. Alguma ideia do que ele está falando?

Alertado. Que palavra estranha para se usar. O que isso queria dizer no contexto? Alertar, deixar alguém saber que eu estava cooperando? Sim, minha cooperação deveria ser algo secreto, mas havia algumas pessoas que tinham de saber, como minha esposa, por um lado, e meus pais… E George… Mais ninguém; nem mesmo Bo tinha sido alertado – alertado! Eu tinha dito isso a alguns de meus amigos? Não, a nenhum. Para a Rainha do Boquete? Não. Para alguma das Natashas impertinentes? Ninguém, não. Eu não tinha dito isso para uma única alma, na verdade. Então, eu estava limpo.

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