A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]
- Автор: Белфорт Джордан
- Год: 2014
- Язык: португальский
- Год: Planeta
- ISBN: 9788542203134
- Жанр: Биографии и мемуары
Электронная книга - «A caçada ao lobo de Wall Street [calibre 4.2.0]». Краткое содержание книги:
Em A caçada ao Lobo de Wall Street, Jordan conta com sua fina ironia e acidez todos os detalhes de seu início de carreira, bem como tudo que aconteceu com ele depois que seu império desmoronou: perdeu a esposa, o dinheiro e quase perderia os filhos. Uma história contada sem pudores, por um homem cativante que precisou se reinventar a qualquer custo. **
O homem de Yale estava dizendo:
– … de dentro para fora, acima de tudo. Esse é meu segredo para manter a bola na grama curta – ele ofereceu a Magnum e a mim um aceno de cabeça, ao qual Magnum acenou de volta, concordando.
Eu sorri e disse:
– Você sabe, meu problema com essa conversa é que nós três somos péssimos no golfe – levantei o queixo em direção a Magnum –, especialmente você, Greg. Então, se você não se importa, eu gostaria que vocês parassem com essa merda de tortura e me dissessem quando eu vou perder minhas casas.
Meu imponente advogado sorriu.
– É claro: sua casa tem que ser entregue em 1o de janeiro, e a de Nadine, no mês de junho.
– Isso é péssimo – eu disse. – O que aconteceu com os quatro anos?
Magnum encolheu os ombros.
– Como eu sempre disse, Joel não é uma pessoa fácil de lidar, principalmente agora, que está se preparando para sair da Procuradoria-Geral. Ele quer extrair o máximo de sangue possível antes de ir embora.
O homem de Yale disse:
– Na verdade, as coisas estavam ainda mais sombrias ontem.
– Isso mesmo – acrescentou Magnum. – Na manhã de ontem, Joel queria que Nadine entregasse a casa na mesma data que você, mas conseguimos convencê-lo a recuar por causa de seus filhos. Então, nesse sentido, de certa forma foi uma vitória.
– Sim – disse eu sarcasticamente –, uma vitória. Uma vitória de merda! – respirei fundo e devagar deixei escapar o ar. – E quanto dinheiro ficará comigo?
– Oitocentos mil dólares – respondeu Magnum –, além de cada um ficar com um carro, os móveis e todos os bens pessoais. E você vai manter as notas promissórias que listou. Alguma delas já é executável?
Levei um tempo para registrar tudo em minha mente. Havia três, a maior das quais com Elliot Lavigne, que me devia 2 milhões de dólares. Naqueles dias, Elliot tinha sido meu principal laranja, me mandando de volta milhões de dólares em dinheiro. Na época, ele era uma lenda no ramo da indústria do vestuário, subindo para a presidência da Perry Ellis quando ainda estava na casa dos 30. Mas ele também era um viciado em drogas da pesada, um jogador degenerado e um devasso compulsivo (por isso nós tínhamos nos dado tão bem), e acabou perdendo tudo, inclusive o emprego. Nós não nos falávamos desde que eu tinha ficado sóbrio, e não havia nenhuma maneira, eu sabia, de ele me pagar de volta. Ele estava completamente falido.
A segunda maior promissória era de Cabana, que era de 250 mil dólares. Infelizmente, Cabana estava ainda mais quebrado que Elliot, e não havia nenhuma chance com ele. E depois havia o doutor David Schlesinger, um oftalmologista de Long Island que tinha se casado com Donna, amiga de infância da Duquesa. David era um cara muito bom, embora Donna fosse, em grande parte, uma cadela. No entanto, ele poderia me pagar de volta, e eu não tinha dúvida de que ele o faria. Afinal, eu tinha emprestado a ele 120 mil dólares para começar seu consultório e agora ele estava fazendo dinheiro com isso.
Ainda assim, a maior vergonha em tudo isso era Elliot Lavigne. Se ele ainda tivesse dinheiro, é claro que iria me pagar! Éramos como irmãos de sangue, nós dois. Eu até tinha salvado a vida dele uma vez, depois que ele quase morreu afogado em minha piscina. Ironicamente, nem TOC, nem o Canalha nunca demonstraram muito interesse em Elliot, apesar das propinas em dinheiro. Mas isso foi bom para mim, já que eles não levantavam o assunto, então eu não precisava falar sobre ele.
Eu disse:
– Sim, acho que uma delas é, mas é só de 120 mil dólares, o resto é inútil. Seja como for, isso de fato não importa. No ritmo em que queimo dinheiro, estarei quebrado em seis meses de qualquer maneira.
– Bem, você tem de cortar despesas – retrucou Magnum. – E você tem de dizer a Nadine para cortar também! Isso não é brincadeira, Jordan. É hora de baixar o padrão.
Eu balancei a cabeça, dizendo não.
– Não vou dizer uma palavra a Nadine sobre isso. Por mais que a odeie, não quero que fique preocupada. De qualquer forma, tenho mais de um ano para descobrir onde ela e as crianças irão viver e, acredite, por bem ou por mal, eu vou garantir que seja em algum lugar bonito.
Magnum apertou os lábios e balançou a cabeça, como se fosse um oncologista prestes a dar um diagnóstico terminal a um paciente.
– Bem, infelizmente você vai ter que deixá-la saber de tudo um pouco mais cedo do que tinha imaginado. Joel quer que ela assine isto.
– Bem, isso é outra merda! – rebati. – Na verdade, tudo que está acontecendo hoje é uma merda – balancei a cabeça, desgostoso. – Quando eu tenho de dizer a ela?
Com o toque de um sorriso, me respondeu:
– Hoje.
QUANDO EU TELEFONEI para a Duquesa e lhe disse que precisava passar lá para falar com ela sobre algo, fiquei chocado que ela não tenha mandado eu me foder. Ela era uma menina do Brooklyn, afinal de contas, e, dada a natureza da nossa última conversa, mandar eu me foder seria o equivalente a dizer “Eu acho que seria melhor se nós nos comunicássemos por nossos advogados por um tempo”. E então, algumas horas mais tarde, quando entrei pela porta da frente um pouco antes das 5 e as crianças vieram correndo para meus braços, gritando “Papai está aqui! O papai está aqui!”, fiquei ainda mais chocado pelo modo como ela parecia genuinamente feliz com o amor de nossos filhos por mim.
Ela era uma mulher complicada e, apesar de todos os meus ressentimentos, havia uma parte de mim que sempre a olharia com admiração. Ela havia se educado sozinha, melhorado e, para o bem ou para o mal, tinha aspirado à perfeição em todos os aspectos de sua vida. Em muitos aspectos, ela era tudo o que eu nunca poderia ser: perfeitamente linda, totalmente autoconfiante e envolta por uma armadura emocional que a protegeu da dor; de outras formas, eu era tudo o que ela nunca poderia ser: inteligente, financeiramente autossuficiente e emocionalmente vulnerável a uma falha.
Talvez, em um tempo e um espaço diferentes, a gente pudesse ter composto belas músicas juntos, porque, no final, não foi a falta de amor que tirou o melhor de nós, mas, sim, tudo o que o destruiu: o dinheiro, as drogas, a vida no jet-set, os falsos amigos. E, claro, a Stratton, a árvore da qual apenas frutas venenosas brotaram, incluindo o fruto de nosso casamento. Apenas as crianças tinham conseguido sair ilesas, um fato pelo qual eu sempre daria graças a Deus.
Nós estávamos sentados na mesa da cozinha e eu tinha acabado de lhe dar todos os detalhes terríveis sobre o que ocorrera, as datas, os valores e tudo o mais.
Sua resposta me chocou.
– Eu realmente sinto muito – disse ela calmamente. – Eu sei quanto essa casa de praia significa para você. Onde você vai viver agora?
Eu olhei para ela, espantado. Ela estava mesmo falando sério? Quer dizer, depois de tudo que eu tinha dito a ela, ela estava preocupada com o lugar onde eu iria viver? Mas e sobre onde ela iria viver? E o que aconteceria com as crianças?
Eu estava prestes a falar isso quando de repente entendi: não era ironia. Ela simplesmente tinha andado pela vida debaixo de chuva por tanto tempo que assumiu que sempre seria assim. Tudo iria acabar bem para ela, ela sabia, e, por mais estranho que parecesse, eu sabia que ela estava certa.
Forcei um sorriso e disse:
– Não se preocupe comigo, Nae, vou ficar bem. E não se preocupe com você e as crianças também – olhei nos olhos dela. – Sempre cuidarei de vocês, não importa o que aconteça.
Ela assentiu com a cabeça, embora o que eu quisesse dizer com aquilo acho que nenhum de nós soubesse. Com a maior sinceridade, ela disse:
– Eu sei que você vai cuidar de nós o melhor que puder. E já sabe quanto tempo ficará… fora?