O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
“Não vejo nenhum bioma”, comentou Patrick.
“Não há nenhum no cassino”, respondeu Max. “Nem sequer operando as mesas, onde seriam mais eficientes do que os humanos. O rei Jap acredita que a presença deles inibe o instinto do jogo. Mas são usados com exclusividade em todos os restaurantes.”
“Max Puckett, mas parece mentira”.
Max e Patrick viraram-se. Uma moça bonita usando um vestido suave, cor-de-rosa, aproximou-se deles. “Há meses que não o vejo”, disse ela.
“Olá, Samantha”, disse Max, depois de um encabulado silêncio de vários momentos, bem pouco característico dele.
“E quem é esse jovem bonitão?”, disse Samantha, batendo os longos cílios e olhando para Patrick.
“Este é Patrick O’Toole”, respondeu Max. “Ele é…”
“Ora, vejam só”, exclamou Samantha. “Eu nunca tinha encontrado com nenhum dos colonizadores o-ri-gi-nais”, e ficou estudando Patrick por alguns segundos. “Diga-me, sr. O’Toole”, indagou ela, “é mesmo verdade que vocês todos dormiram durante anos?”
Patrick concordou com a cabeça, embaraçado.
“Minha amiga Goldie diz que essa história toda é uma porrada de mentira, e que você e toda a sua família são agentes da AEI. Ela não acredita nem que a gente tenha saído da órbita de Marte… E Goldie ainda diz mais que todo aquele tempo chatíssimo que nós passamos naqueles tanques também foi parte da mesma embromação.”
“Eu lhe garanto, minha senhora”, respondeu Patrick polidamente, “que nós realmente dormimos durante vários anos. Eu só tinha seis anos quando meus pais me colocaram no beliche. E tinha aspecto quase igual ao de hoje quando acordei”.
“Ora, eu acho isso fascinante, mesmo sem conseguir saber o que pensar de toda a história… Então, Max, o que é que você anda fazendo? E por falar nisso, você vai me apresentar oficialmente?”
“Desculpe… Patrick, está é a srta. Samantha Porter do grande estado de Mississipi. Ela trabalha no Xanadu…”
“Eu sou uma prostituta, sr. O”Toole. Uma das melhores… O senhor já tinha conhecido alguma prostituta antes?”
Patrick enrubesceu. “Não, senhora.” Samantha colocou um dedo debaixo do queixo dele. “Ele é engraçadinho”, disse ela a Max. “Traga ele lá. Se for virgem, eu faço o serviço de graça.” Deu um rápido beijo nos lábios de Patrick, fez meia-volta e foi embora.
Max não conseguiu pensar em nada apropriado para dizer depois que Samantha partiu. Pensou em pedir desculpas mas decidiu que não seria necessário. Max passou o braço nos ombros de Patrick e os dois caminharam para os fundos do cassino, onde as mesas de apostas mais altas ficavam atrás de um cordão de isolamento.
“Tudo bem, agora, yo”, gritou uma jovem de costas para eles. “Cinco e seis fazem um yo.”
Patrick olhou para Max, surpreendido. “Aquela é Katie”, disse ele, apressando o passo na direção dela.
Katie estava completamente absorta no jogo. Deu uma tragada rápida no cigarro, virou de uma vez a bebida que lhe foi servida por um homem moreno que estava a seu lado, depois segurou os dados bem alto, acima da própria cabeça.
“Todos os números”, disse ela, entregando as fichas ao crupiê. “Aqui estão 26 mais cinco marcos ou oito duro… Agora apareça, 44”, disse ela atirando os dados contra o outro extremo da mesa, com um rápido movimento do pulso.
“Quarenta e quatro”, gritou em uníssono todo o grupo que estava em torno da mesa.
Katie deu vários pulos no mesmo lugar, abraçou seu acompanhante, entornou outra bebida e tirou uma longa e lânguida baforada de seu cigarro.
“Katie”, disse Patrick, bem no momento em que ela se preparava para tornar a lançar os dados.
Ela parou em meio ao movimento e virou-se com expressão intrigada em seu rosto. “Raios me partam”, disse ela. “É o meu irmãozinho caçula.”
Katie veio tropeçando para onde Patrick estava, para saudá-lo, enquanto os crupiês e os outros jogadores gritavam para que ela continuasse.
“Você está bêbada, Katie”, disse Patrick baixinho, enquanto a segurava em seus braços.
“Não, Patrick”, respondeu Katie, sacudindo-se e indo aos trancos de volta para a mesa. “Eu estou voando. Estou na minha nave pessoal para as estrelas.”
Ela deu as costas à mesa dos dados e levantou o braço direito bem alto.
“Tudo certo agora, yo. Você está aí dentro, yo?”, gritou ela.
2
Os sonhos tornaram a voltar nas primeiras horas da manhã. Nicole acordava e tentava lembrar-se do que estivera sonhando, mas só conseguia evocar uma ou outra imagem isolada. O rosto sem corpo de Omeh aparecera em um sonho. Seu bisavô Senoufo estava tentando avisá-la de alguma coisa, porém Nicole fora incapaz de compreender o que ele dizia. Em outro sonho, Nicole via Richard entrar em um oceano calmo logo antes de um vagalhão devastador chegar até a praia. Nicole esfregou os olhos e olhou o relógio. Eram quase quatro horas.
Praticamente a mesma hora todas as manhãs desta semana, pensou ela. Ela se levantou e cruzou para o banheiro.
Alguns momentos mais tarde, já estava na cozinha, com seus trajes para exercícios. Bebeu um copo de água. Um bioma Abraão Lincoln, que repousava imóvel junto à parede no final do balcão da cozinha, foi ativado com a aproximação de Nicole.
“Deseja um café, sra. Wakefield?” perguntou ele, pegando o copo vazio da mão dela.
“Não, Linc”, respondeu Nicole. “Agora vou sair. Se alguém perguntar por mim, diga que estarei de volta antes das seis.”
Nicole atravessou o corredor e chegou à porta. Antes de sair da casa, passou pelo escritório, à direita do corredor. Havia papéis espalhados por toda a mesa de Richard, ao lado e em cima do novo computador que ele mesmo criara.
Richard sentia-se extremamente orgulhoso desse computador novo, que Nicole o estimulara a construir, muito embora pouco provavelmente ele viesse a substituir inteiramente o brinquedo eletrônico favorito do marido, o computador de bolso AEI standard. Richard carregava o pequeno portatilzinho religiosamente desde antes do lançamento da Newton.
Nicole reconheceu a caligrafia de Richard em alguns dos papéis, mas era incapaz de ler aquela linguagem simbólica de computador que era dele. Ele tem passado muitas horas aqui nos últimos tempos, pensou Nicole, sentindo uma pontada de culpa. Mesmo acreditando que o que está fazendo seja errado.
A princípio, Richard se recusara a participar da tentativa de decodificação do algoritmo regulador do tempo no Novo Éden. Nicole lembrava-se bem de suas discussões. “Se você e eu optarmos por desrespeitar suas leis, seremos péssimos exemplos para os outros…”
“Isto não é uma lei”, interrompeu-a Richard. “É apenas uma resolução. E você sabe tão bem quanto eu que é uma idéia incrivelmente estúpida. Tanto você quanto Kenji lutaram contra ela… E além disso não é você quem me disse certa vez que é nosso dever protestar contra a estupidez da maioria?”
“Por favor, Richard”, retrucou Nicole. “Você pode muito bem, é claro, explicar a todo mundo por que considera a resolução errada. Mas o projeto do algoritmo transformou-se agora em questão de campanha política. Todo mundo na colônia sabe que nós somos muito amigos dos Watanabes, e se você ignorar a resolução vai parecer que Kenji esteja propositadamente solapando…”
Enquanto rememorava sua antiga conversa com o marido, os olhos de Nicole corriam pelo escritório. Foi com alguma surpresa que, quando sua mente voltou ao presente, Nicole se deu conta de que estava colocando três estatuetas em uma prateleira da estante acima da mesa de trabalho de Richard. Príncipe Hal, Falstaff, OB, pensou ela. Há quanto tempo Richard não nos entretém com vocês?
Nicole examinou as longas e monótonas semanas desde que sua família despertara de seus anos de sono. Enquanto ainda aguardavam a chegada dos outros coloniais, os robôs de Richard haviam sido sua principal fonte de divertimento. Na memória, Nicole ainda podia ouvir o riso alegre das crianças e ver o marido sorrindo de alegria. Eram tempos mais singelos e mais fáceis, disse ela a si mesma. Fechou a porta, continuou pelo corredor e pensou: Antes de a vida ficar complicada demais para se brincar. Agora seus amiguinhos ficam na prateleira, em silêncio.