O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
“No que diz respeito aos seres humanos a serem transportados para Marte, é desnecessário dizer que os indivíduos selecionados devem representar um generoso corte transverso da humanidade, incluindo ambos os sexos, todas as idades, e tantas culturas quantas possam ser razoavelmente incluídas. A grande biblioteca de informações sobre a Terra que é pedida no terceiro apêndice do vídeo fornecerá dados adicionais significativos a serem correlacionados com os colhidos dentro de Rama.
“Eu pessoalmente não tenho conhecimento quanto ao período que os humanos deverão passar dentro de Rama, ou exatamente aonde a espaçonave os levará, ou sequer por que a inteligência superior que criou Rama está coletando informações a respeito da vida no universo. Posso dizer, no entanto, que as maravilhas que já testemunhei desde que deixei o sistema solar deram-me um sentido completamente novo de nosso lugar no universo.”
A duração total do vídeo, metade da qual era dedicada aos apêndices detalhados, era de pouco mais de dez minutos. Ao longo da transmissão, a imagem básica não mudou. A fala de Nicole foi pausada e deliberada, pontuada por pequenas pausas quando seus olhos moviam-se entre a câmera e o caderno eletrônico em suas mãos. Embora houvesse certa modulação em seu tom, a expressão facial de seriedade de Nicole foi virtualmente constante. Só quando deu a entender que os ramaianos poderiam ter “outros métodos, menos benignos”
para obter os dados que desejavam é que alguma emoção forte passou por seus olhos.
Kenji Watanabe olhou a primeira parte do vídeo com intensa concentração. Durante os apêndices, no entanto, sua mente começou a divagar e a propor várias perguntas. Quem são esses extraterrestres? ficou ele imaginando. De onde vieram? Por que desejam observar-nos? E por que escolheram Nicole des Jardins para ser sua porta-voz?
Kenji começou a rir consigo mesmo, ao se dar conta de que haveria uma corrente sem fim de perguntas. Resolveu então focalizar questões mais tratáveis.
Se Nicole ainda estivesse viva hoje, pensou Kenji a seguir, então estaria com 81 anos. A mulher na televisão tinha fios brancos e seu rosto muito mais rugas do que tivera a cosmonauta des Jardins quando a Newton fora lançada da Terra, porém sua idade na tela não chegava nem perto dos oitenta. Talvez uns 52 ou 53, no máximo, refletiu Kenji. Será então que ela fez esse vídeo há trinta anos? Ou será que o processo de envelhecimento foi de algum modo retardado? Não lhe ocorreu de todo questionar se quem falava seria Nicole ou não, pois Kenji passara tempo suficiente com os arquivos da Newton para reconhecer imediatamente as expressões faciais e os maneirismos da astronauta. Ela deve ter feito o vídeo há quatro anos mais ou menos, pensou Kenji, mas se assim for… Ele continuava a se debater com toda a situação quando a transmissão de Nicole terminou e o diretor da AEI tornou a aparecer no monitor.
O dr. Koch explicou rapidamente que o vídeo seria integralmente repetido duas vezes em todos os canais, e depois ficaria à disposição de todos os passageiros e da tripulação, segundo a conveniência de cada um.
“Que raios está acontecendo mesmo por aqui?”, quis Max Puckett saber tão logo o rosto de Nicole tornou a aparecer no vídeo. Sua indagação era dirigida a Kenji.
“Se compreendi corretamente”, respondeu Kenji depois de ainda olhar para a imagem na tela por alguns segundos, “nós fomos propositadamente enganados pela AEI quanto a um dos objetivos primários de nosso empreendimento. Ao que parece, essa mensagem foi recebida há quatro anos, quando o financiamento da Colônia Lowell ainda estava incerto, e foi resolvido então — depois de todas as tentativas possíveis de se provar que o vídeo era falso ou que se tratava de alguma grande brincadeira de mau gosto terem fracassado — que a investigação de Rama seria um objetivo secreto de nosso projeto.”
“Merda”, disse Max Puckett, sacudindo violentamente a cabeça. “E por que raios eles simplesmente não nos contaram a verdade?”
“A minha mente empaca diante da idéia de supercriaturas enviarem toda essa tecnologia só para coletar dados a nosso respeito”, comentou o juiz Mishkin, depois de um breve silêncio. “Em outro nível, no entanto, pelo menos agora posso compreender algumas peculiaridades no processo de seleção de pessoal. Fiquei boquiaberto quando um grupo de adolescentes americanos sem teto foi acrescido à colônia há uns oito meses. Agora percebo que os critérios de seleção se basearam no intuito de satisfazer o pedido de ‘um generoso corte transverso da humanidade’ de Madame des Jardins; a possibilidade ou não de nossa mistura específica de indivíduos e capacitações vir a produzir uma colônia sociologicamente viável em Marte sempre deve ter sido uma consideração secundária.”
“Eu odeio mentiras e mentirosos”, disse Max, que se levantara da cadeira e andava pela sala. “Todos esses políticos e administradores do governo são iguais — os filhos da mãe mentem sem a menor dor na consciência.”
“Mas o que eles poderiam ter feito, Max?”, retrucou o juiz Mishkin. “Quase que certamente eles realmente não levaram o vídeo a sério. Pelo menos até a nova nave ter aparecido na órbita de Marte. E se nos tivessem contado a verdade desde o início, teria havido uma onda mundial de pânico.”
“Olhe aqui, juiz, eu fui contratado para ser uma porra de um pecuarista em uma colônia em Marte. Não sabia de nada a respeito de ETs e, para falar a verdade, quero continuar a não saber. Para mim já é suficientemente difícil lidar com galinhas, porcos e gente.” “Particularmente com gente”, disse logo o juiz Mishkin, sorrindo para seu amigo. Mesmo a contragosto, Max também riu.
Alguns minutos mais tarde, o juiz Mishkin e Max despediram-se e deixaram Kenji e Nai sozinhos. Pouco depois de seus convidados saírem, o videofone tocou no apartamento do casal. “Watanabe?”, ouviram dizer o comandante MacMillan.
“Sim, senhor”, respondeu Kenji.
“Desculpe incomodá-lo, Watanabe”, disse o comandante, “mas você recebeu a primeira incumbência fora da minha equipe imediata. Suas ordens são as de informar toda a tripulação da Pinta a respeito da expedição Newton, dos Ramas e da cosmonauta des Jardins às 19:00h de hoje. Julguei que quisesse começar a preparar-se.”
“… Toda a mídia informou que em 2200 Rama II foi completamente destruída, vaporizada pelas múltiplas bombas atômicas que explodiram em sua vizinhança. Os cosmonautas desaparecidos, des Jardins, O’Toole, Takagishi e Wakefield foram naturalmente dados como mortos. Com efeito, segundo tanto os documentos oficiais da missão Newton quanto os livros e séries televisivas de grande sucesso distribuídos por Hagenest e Schmidt, Nicole des Jardins presumivelmente morreu em algum ponto de Nova York, a cidade-ilha no centro do Mar Cilíndrico, semanas antes da nave científica da Newton jamais deixar Rama para retornar à Terra.”
Kenji parou a fim de olhar para a platéia. Muito embora o comandante MacMillan tivesse explicado aos passageiros e à tripulação da Pinta que um videoteipe da apresentação de Kenji lhes ficaria acessível logo a seguir, muitos dos ouvintes estavam tomando notas. Kenji estava gozando seu momento de evidência. Deu um olhar para Nai, e sorriu antes de continuar.
“A cosmonauta Francesca Sabatini, a mais famosa sobrevivente da malfadada expedição Newton, sugeriu em suas memórias que a dra. des Jardins pudesse ter encontrado um bioma hostil, ou talvez caído em alguma das regiões de blackout de Nova York. Já que as duas mulheres haviam passado a maior parte do dia juntas — estavam procurando o cientista japonês Shigeru Takagishi, que desaparecera misteriosamente do acampamento B na noite anterior —, a Signora Sabatini tinha plena consciência da quantidade de comida e água que a cosmonauta des Jardins carregara. ‘Mesmo com seu supremo conhecimento do corpo humano’, escreveu Sabatini, ‘Nicole não teria qualquer possibilidade de sobreviver mais de uma semana. E se, em estado de delírio, ela tentasse obter água do gelo do venenoso Mar Cilíndrico, teria morrido ainda mais cedo.’ “Da meia dúzia de cosmonautas da Newton que não voltaram do encontro com Rama II, foi Nicole des Jardins quem sempre atraiu maior interesse. Mesmo antes de o brilhante estatístico Roberto Lopez haver conjecturado, há sete anos, com base em informações de genomas guardadas em Haia, que o finado rei Henrique IX da Inglaterra fosse pai da filha de Nicole, Geneviève, a reputação da dra. des Jardins já se tornara legendária. Recentemente, a freqüência a seu memorial, construído perto da villa da família em Beauvois, na França, tem tido aumento marcante, em particular por parte de jovens do sexo feminino. Muita gente acorre, não só para prestar suas homenagens à cosmonauta des Jardins e ver os muitos vídeos e fotografias que comemoram sua vida notável, como também para ver as duas soberbas estátuas em bronze criadas pelo escultor grego Theo Papas. Em uma delas, a jovem Nicole é retratada com calção e camiseta, e a medalha de ouro das Olimpíadas pendurada no pescoço; na segunda, ela é vista como uma mulher madura, usando o uniforme de vôo da AEI semelhante ao que acabaram de ver no vídeo.”