Nada dura para sempre [em Português]
- Автор: Шелдон Сидни
- Год: 1996
- Язык: португальский
- Жанр: Современная русская и зарубежная проза
Электронная книга - «Nada dura para sempre [em Português]». Краткое содержание книги:
Obrigado.
O júri ficou silencioso, imóvel mas na espectativa.
Gus Venable voltou-se para a juíza:
- Meritíssima, se me permitir, gostaria de chamar Gary Williams como primeira testemunha de acusação. - Após o juramento da testemunha, o advogado perguntou:
- Você é funcionário do Embarcadero County Hospital?
- Sim, sou.
- Estava a trabalhar na ala três quando John Cronin deu entrada, no ano passado?
- Sim.
- Pode dizer-nos quem era o médico encarregado deste caso?
- A doutora Taylor.
- Como descreveria o relacionamento entre a doutora Taylor e John Cronin?
- Protesto! - Alan Penn levantou-se. - Ele está a obrigar a testemunha a tirar conclusões.
- Concedido.
- Permita-me que pergunte de outra maneira. Alguma vez ouviu qualquer conversa entre a doutora Taylor e John Cronin?
- Certamente. Não pude evitar. Trabalhei sempre nessa ala.
- Pode descrever essas conversas como amigáveis?
- Não, senhor.
- Verdade? Porque diz isso?
- Bem, lembro-me que no primeiro dia em que o senhor Cronin deu entrada e a doutora Taylor começou a examiná-lo, ele disse-lhe… - hesitou. - Não sei se posso repetir a linguagem.
- Continue, senhor Williams. Penso que não há crianças nesta sala de tribunal.
- Bem, ele disse-lhe que tirasse a merda das mãos dela de cima dele.
- Ele disse isso à doutora Taylor?
- Sim, senhor.
- Por favor diga ao tribunal tudo o que viu ou ouviu.
- Bem, ele tratava-a sempre por “aquela puta”. Não queria que ela se aproximasse dele. Sempre que entrava no quarto, dizia-lhe coisas como “Aqui vem de novo aquela puta!” e “Digam àquela puta para me deixar em paz” e “Porque é que não me mandam um verdadeiro médico?”.
Gus Venable fez uma pausa, a fim de olhar para onde a Dra. Taylor estava sentada. Os olhos dos jurados seguiram-no.
Venable abanou a cabeça como se tivesse ficado triste e, em seguida, voltou-se novamente para a testemunha:
- Parecia-lhe que o senhor Cronin era uma pessoa que queria dar um milhão de dólares à doutora Taylor? Alan Penn levantou-se de novo:
- Protesto! Mais uma vez, ele está a pedir uma opinião.
A juíza Young respondeu:
- Rejeitado. A testemunha pode responder à pergunta.
Alan Penn olhou para Paige Taylor e voltou a sentar-se:
- Diabo, não. Ele odiava-a.
O Dr. Arthur Kane estava no banco das testemunhas.
Gus Venable disse:
- Doutor Kane, o senhor era o médico de serviço quando se descobriu que John Cronin tinha sido assass… - olhou para a juíza Young. -.. morto com insulina por via intravenosa.
Está correto?
- Sim.
- E, subsequentemente, o senhor descobriu que a médica era a responsável.
- Correto.
- Doutor Kane, vou mostrar-lhe a certidão de óbito do hospital, assinada pela doutora Taylor. - Pegou numa folha de papel e entregou-a a Kane. - Por favor, leia-a em voz alta.
Kane começou a ler: - “John Cronin. Causa da morte: A paragem respiratória ocorreu como resultado de um enfarte do miocárdio originado por uma embolia pulmonar.” - E em linguagem corrente?
- O relatório diz que o doente morreu de ataque cardíaco.
- E o papel está assinado pela doutora Taylor?
- Sim.
- Doutor Kane, foi essa a verdadeira causa de morte de John Cronin?
- Não. A injeção de insulina foi a causa da morte.
- Então a doutora Taylor administrou uma dose fatal de insulina e depois falsificou o relatório.
- Sim.
- E o senhor comunicou-o ao doutor Wallace, administrador do hospital, que por sua vez alertou as autoridades.
- Sim. Julguei ser o meu dever. - A voz soou indignada.
- Sou médico. Não acredito ser possível tirar a vida de outro ser humano, qualquer que seja a circunstância.
A testemunha seguinte foi a viúva de John Cronin.
Hazel Cronin era quase quarentona, de cabelos cor de fogo e um corpo volupuoso que o vestido preto não conseguia dissimular.
Gus Venable disse:
- Sei o quão doloroso isto deve ser para si, senhora Cronin, mas tenho de lhe pedir que descreva ao júri o seu relacionamento com o seu falecido marido.
A viúva Cronin limpou os olhos com um enorme lenço rendado:
- Era um homem maravilhoso. Dizia muitas vezes que eu lhe tinha dado a única e verdadeira alegria que ele jamais sentira.
- Quantos anos esteve casada com John Cronin?
- Dois anos, mas John dizia sempre que eram como dois anos no paraíso.
- Senhora Cronin, o seu marido alguma vez lhe falou da doutora Taylor?
Que grande médica ele pensava que ela era? Ou como ela lhe tinha sido prestável? Ou o quanto gostava dela?
- Ele nunca falou dela.
- Nunca?
- Nunca.
- Alguma vez John disse que a iria retirar a si e aos seus irmãos do testamento?
- Absolutamente, não. Ele era o homem mais generoso do mundo. Diziame sempre que não havia nada que eu não pudesse ter e que, quando morresse… - soluçou, - que quando morresse, eu seria uma mulher rica e… - não conseguiu continuar.
A juíza Young interveio:
- Faremos um intervalo de quinze minutos.
Sentado no fundo da sala de tribunal encontrava-se Jason Curtis, cheio de fúria. Não acreditava no que as testemunhas estavam a dizer sobre Paige.
“Trata-se da mulher que eu amo”, pensou. “A mulher com quem vou casar.”
Logo após a prisão de Paige, Jason Curtis foi visitá-la à cadeia.
- Vamos lutar - garantiu-lhe. - Vou arranjar-te o melhor advogado criminal do país. - Veio-lhe imediatamente um nome à memória. Alan Penn. Jason foi visitá-lo.
- Tenho seguido o caso através dos jornais - disse Penn. - A imprensa já a julgou e condenou pelo assassinato de John Cronin a troco de um punhado de notas. E mais, ela admite que o matou.
- Eu conheço-a - disse-lhe Jason Curtis. - Acredite-me, em hipótese alguma Paige faria o que fez por dinheiro.
- Uma vez que ela admite que o matou - disse Penn - então estamos a lidar com um caso de eutanásia.
As mortes misericordiosas são contra a lei na Califórnia, como na maioria dos estados, mas há muitos sentimentos confusos sobre isso. Posso arranjar um caso muito bom sobre Florence Nightingale que ouvia uma voz superior e todas essas merdas, mas a questão é que a sua querida senhora matou um doente que lhe deixou um milhão de dólares em testamento. O que é que surgiu primeiro, a galinha ou o ovo? Ela soube do milhão antes de o matar, ou depois?
- Paige nada sabia acerca do dinheiro - disse Jason com firmeza.
A voz de Penn não era condenadora:
- Certo. Foi apenas uma coincidência feliz. O promotor público apela por assassinato em primeiro grau e quer a sentença de morte.
- Aceita este caso?
Penn hesitou. Era óbvio que Jason Curtis acreditava na Dra. Paige. “Tal como Sansão acreditou em Dalila.” Olhou para Jason e pensou: “Será que o desgraçado do filho da puta cortou o cabelo sem saber?” Jason esperava uma resposta.
- Aceito, desde que saiba que é um caso complicado.
Vai ser difícil ganhar.
A afirmação de Alan Penn acabou por ser demasiado opimista.
Quando o julgamento recomeçou na manhã seguinte, Gus Venable chamou uma série de novas testemunhas.
Uma enfermeira depunha: “Ouvi John Cronin dizer “Sei que vou morrer na mesa de operações. Você vai matar-me. Espero que a condenem por assassinato.” Chegou a vez de um advogado, Roderick Pelham, testemunhar. Gus Venable interrogou-o.
- Quando informou a doutora Taylor sobre o milhão de dólares de John Cronin, o que é que ela respondeu?
- Ela disse algo como “Parece contrário à ética. Ele era meu doente.”,
- Ela admitiu ser contrário à ética?
- Sim.
- Mas concordou em ficar com o dinheiro?