O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Quase no fim da visita aos lugares santos budistas na área de Chiang Mai, o grupo embarcou no teleférico que sobe a montanha de Doi Suthep, a fim de visitar o famoso templo budista que fica no cume. A maior parte dos turistas já estava exausta em função das atividades do dia, mas não Kenji Watanabe.
Primeiro, ele insistiu em subir a vasta escadaria do dragão, como fazem os peregrinos budistas, em lugar de subir pelo funicular que partia da estação final do teleférico. E, finalmente, quando desceram e Nai estava sentada sozinha tomando chá no lindo restaurante ao pé da montanha, Kenji deixou os outros turistas que enchiam as lojas de lembranças e aproximou-se da mesa.
“Kaw tode krap”, disse ele em excelente tai, deixando atônita a senhorita Buatong. “Posso sentar-me? Tenho mais algumas perguntas a fazer.”
“Kun pode posa thai dai mai ka?”, perguntou Nai, ainda atônita.
“Pohm kao jai pasa thai dai nitnoy”, respondeu ele, indicando que compreendia um pouco do tai. “E você? Anata wa nihon go hanashimasu ka?”
Nai sacudiu a cabeça. “Nihon go hanashimasen”, sorriu ela. “Só inglês, francês e tai. Embora às vezes possa compreender um pouquinho de japonês se for falado muito lentamente.”
“Fiquei fascinado”, disse Kenji em inglês, depois de se sentar defronte de Nai, “pelos murais que retratam a fundação do templo em Doi Suthep. É uma lenda maravilhosa — um misto de história e misticismo —, mas como historiador fiquei curioso a respeito de duas coisas. Em primeiro lugar, como poderia esse venerável monge de Sri Lanka saber, por algumas fontes religiosas de fora do reino de Lan-na, que existia uma relíquia do Buda naquele pagode abandonado ali perto? Não me parece que de outro modo ele tivesse arriscado assim sua reputação. Em segundo lugar, parece-me perfeito demais, como a vida imitando a arte, que aquele elefante branco tivesse subido a Doi Suteph carregando a relíquia, por acaso, para morrer tão logo atingiu o topo. Existe alguma fonte histórica não-budista do século XV que corrobore essa história?”
Nai ficou olhando para o sôfrego sr. Watanabe durante vários segundos antes de responder. “Senhor”, disse ela com um pálido sorriso, “nos meus dois anos como guia das excursões aos locais budistas da região, jamais tive alguém que me fizesse qualquer uma dessas duas perguntas. Eu certamente não sei as respostas, mas, se estiver interessado, posso dar-lhe o nome de um professor na Universidade Chiang Mai que é extremamente bem versado na história budista do reino de Lan-na. Ele é especialista em todo esse período, a partir do rei Mengrai…”
A conversa foi interrompida pelo anúncio de que o teleférico já estava pronto para acomodar passageiros para a primeira viagem de volta à cidade. Nai levantou-se e pediu licença ao rapaz. Kenji tornou a juntar-se ao resto do grupo.
Observando-o de longe, Nai ficou rememorando a intensidade dos olhos dele.
Eram incríveis, pensou ela; jamais vi outros olhos tão limpos e tão cheios de curiosidade.
Ela tornou a ver aqueles olhos na tarde da segunda-feira seguinte, quando foi ao Hotel Dusit Thani em Chiang Mai para sua entrevista na AEI. Ficou espantada de ver Kenji sentado atrás de uma escrivaninha com o emblema oficial da AEI na camisa. A princípio Nai ficou perturbada. “Juro que não havia visto seus documentos antes de sábado”, disse Kenji à guisa de desculpas. “Se soubesse que estava entre as candidatas, eu teria tomado uma outra excursão.”
A entrevista correu muito bem. Kenji foi extremamente elogioso, tanto a respeito da excepcional folha acadêmica de Nai quanto a seu trabalho voluntário nos orfanatos de Lamphun e Chiang Mai. Nai reconheceu honestamente que não sentira sempre algum “desejo incontrolável” de viajar no espaço, mas já que tinha em princípio uma “natureza aventureira” e o posto na AEI lhe permitiria também atender a todas as suas obrigações familiares, havia se candidatado à posição em Marte.
Já no final da entrevista, quando houve uma pausa no conversa, Nai perguntou agradavelmente: “É tudo?”, levantando-se de sua cadeira.
“Só mais uma coisa”, disse Kenji Watanabe, repentinamente desajeitado.
“Isto é, se você for boa na interpretação dos sonhos.”
Nai sorriu e tornou a sentar-se. “Vamos lá”, disse.
Kenji respirou fundo. “Sábado à noite eu sonhei que estava na floresta, em algum ponto perto do sopé de Doi Suthep — sabia onde estava porque podia ver o chedi dourado no alto de minha tela de sonhos. Corria pelo meio das árvores, tentando encontrar o caminho, quando deparei com uma sucuri imensa deitada em um ramo, ao lado de minha cabeça.
‘“Aonde está indo?’, perguntou-me a sucuri.
“ ‘Estou procurando minha namorada’, respondi.
‘“Ela está no alto da montanha’, disse a sucuri.
“Eu me safei da floresta, fiquei ao sol e olhei para o cume de Doi Suthep.
Minha namorada de infância Keiko Murosawa estava lá, de pé, acenando para mim. Eu me virei e olhei para trás, para a sucuri.
“‘Olhe de novo’, disse ela.
“Quando olhei para o alto da montanha uma segunda vez, o rosto da mulher tinha mudado. Não era mais Keiko — era você quem estava acenando para mim do cume de Doi Suthep.”
Kenji ficou em silêncio por vários segundos. “Eu jamais tivera um sonho tão inesperado e vivido. Pensei talvez…”
Nai sentiu arrepios no braço enquanto Kenji contava sua história. Ela sabia o final — que ela, Nai Buatong, seria a mulher acenando do alto da montanha — mesmo antes de ele terminar. Nai inclinou-se para a frente, ainda sentada. “Sr. Watanabe”, disse ela lentamente, “espero que o que vou dizer não o ofenda…”
Nai ficou quieta por vários segundos. “Temos um famoso ditado tai”, disse ela finalmente, como os olhos evitando encontrar os dele, “que afirma que quando uma cobra fala com você em um sonho, você encontrou o homem ou a mulher com quem irá se casar.”
Seis semanas mais tarde ela recebeu o aviso, lembrou-se Nai, que continuava sentada no pátio ao lado do templo da rainha Chamatevi, em Lamphun. O pacote com o material de AEI chegou três dias mais tarde, junto com as flores de Kenji.
O próprio Kenji aparecera em Lamphun no fim de semana seguinte.
“Lamento não ter telefonado ou coisa parecida, mas não faria sentido levar avante este relacionamento se você não fosse também para Marte.”
Ele fizera o pedido na tarde de domingo e Nai aceitara logo. Casaram-se em Kioto três meses depois. Os Watanabes gentilmente pagaram a viagem das duas irmãs de Nai e três de suas amigas tai viajassem até o Japão para o casamento. Sua mãe não pôde comparecer, infelizmente, já que não havia mais ninguém para ficar com seu pai.
Depois de rever cuidadosamente as recentes mudanças em sua vida, Nai estava finalmente pronta para iniciar sua meditação. Trinta minutos depois estava serena, feliz e esperançosa a respeito da vida desconhecida à sua frente. O sol já se levantara e havia outras pessoas na área do templo. Ela caminhou lentamente por todo o perímetro do terreno, tentando saborear seus últimos momentos na aldeia natal.
Dentro do viharn principal, depois de uma oferenda e de queimar incenso no altar, Nai estudou cuidadosamente cada um dos painéis de pinturas nas paredes que já vira tantas vezes antes. Os quadros mostravam a história da rainha Chamatevi, sua única heroína desde os tempos de criança. No século VII as muitas tribos da área de Lamphun tinham culturas diferentes, e freqüentemente guerreavam entre si. Tudo o que tinham em comum naquele período em particular era uma lenda, um mito que dizia que uma jovem rainha chegaria do sul, “trazida por imensos elefantes”, e unificaria todas as diversas tribos do reino Haripunchai.