O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
O sr. Watanabe não disse nada por alguns segundos. “Nossos contatos nos informam”, continuou, depois de terminar seu conhaque, “que a única oposição à candidatura vem de um psiquiatra, um sr. Ridgemore, da Nova Zelândia, que considera, apesar da excelente ficha de Toshio durante seu período de detenção, que o filho de Nakamura continua a achar que não fez nada de errado… Eu creio que você foi pessoalmente responsável pelo recrutamento do dr.
Ridgemore para a equipe da Colônia Lowell.”
Kenji ficou estarrecido. Seu pai não estava fazendo um pedidozinho qualquer. Ele fizera pesquisas exaustivas sobre todo o quadro. Mas por quê? perguntava-se Kenji. Por que razão está ele tão interessado?
“Nakamura-san é um engenheiro brilhante”, disse o sr. Watanabe. “É pessoalmente responsável por muitos dos produtos que nos colocaram como líderes em nossa área. Porém, seu laboratório não tem sido muito inovador ultimamente. De fato, sua produtividade começou a cair mais ou menos ao tempo da prisão e condenação de seu filho.”
O sr. Watanabe inclinou-se na direção de Kenji, apoiando os cotovelos na mesa. “Nakamura-san perdeu a confiança em si mesmo. Ele e a mulher têm de visitar Toshio naquele apartamento de detenção uma vez por mês, um permanente lembrete de como a família Nakamura caiu em desgraça. Se o filho pudesse ir para Marte, talvez…”
Kenji compreendeu muito bem o que lhe pedia seu pai. Emoções de há muito reprimidas ameaçavam entrar em erupção. Kenji ficou zangado e confuso.
Estava a ponto de dizer a seu pai que tal pedido era “impróprio” quando o velho Watanabe tornou a falar.
“Tudo tem sido igualmente duro para Keiko e a menininha. Aiko está com quase sete anos. Um fim de semana sim, um não, elas disciplinadamente tomam o trem para Ashiya…”
Por mais que tentasse, Kenji não pôde evitar que lhe viessem lágrimas aos olhos. A imagem de Keiko, alquebrada e deprimida, levando a filha até a área restrita a cada duas semanas para visitar o pai, foi mais do que pôde suportar.
“Falei pessoalmente com Keiko na semana passada”, acrescentou o pai, “a pedido de Nakamura. Estava muito deprimida, mas pareceu ficar um pouco mais animada quando disse que ia pedir-lhe que intercedesse por seu marido.” Kenji respirou fundo e olhou para o rosto inexpressivo do pai. Já sabia o que iria fazer, mesmo sabendo que era realmente “impróprio” — não errado, só impróprio. Mas não valia a pena torturar-se por uma decisão que já vinha implícita no pedido.
Kenji terminou seu conhaque. “Diga a Nakamura-san que procurarei o dr.
Ridgemore amanhã”, disse ele.
E se minha intuição estiver errada? Então terei desperdiçado uma hora, no máximo noventa minutos, pensou Kenji ao desculpar-se na reunião familiar com sua irmã Fumiko e suas filhas, e correr para a rua. Virou imediatamente no sentido da colina. Faltava mais ou menos uma hora para o sol se pôr. Ela vai estar lá, disse ele para si mesmo. Esta será minha única oportunidade de me despedir.
Kenji dirigiu-se primeiro ao pequeno templo Anraku-Ji. Entrou no hondo esperando encontrar Keiko em seu lugar favorito, em frente ao altar lateral de madeira que homenageava duas freiras budistas do século XII, anteriormente integrantes do harém da corte, que haviam se suicidado quando o Imperador GoToba lhes ordenou que repudiassem os ensinamentos do Santo Honen. Keiko não estava lá. Nem do lado de fora, onde as duas mulheres estavam enterradas, nos limites da floresta de bambus. Kenji começou a pensar que se enganara. Keiko não estava lá, talvez estivesse muito envergonhada.
Sua única outra esperança era a de que Keiko estivesse esperando por ele no cemitério ao lado de Honen-In, onde dezessete anos antes ele lhe dissera que ia embora do Japão. O coração de Kenji deu um salto quando tomou o caminho que levava ao templo. Ao longe, à direita, ele vislumbrou uma figura de mulher.
Ela usava um vestido preto simples e estava de pé ao lado do túmulo de Junichiro Tanizaki.
Embora ela estivesse virada para o lado oposto e ele não tivesse visão muito clara no crepúsculo, Kenji ficou certo de que a mulher era Keiko. Ele correu pelos degraus do cemitério e finalmente parou a uns cinco metros da mulher de preto.
“Keiko”, disse ele, recuperando o fôlego, “fico tão contente…”
“Watanabe-san”, disse formalmente a figura, virando-se, de cabeça baixa e os olhos no chão. Ela curvou-se profundamente, como se fosse uma empregada.
“Domo arrigato gozaimasu”, repetiu ela duas vezes. Finalmente levantou-se, mas continuou a não olhar para Kenji.
“Keiko”, disse ele suavemente. “É só o Kenji. Estou sozinho. Por favor, olhe para mim.”
“Não posso”, respondeu ela com voz quase inaudível. “Mas posso agradecer pelo que fez por Aiko e por mim.” Curvou-se novamente. “Domo arrigato gozaimasu.”
Kenji curvou-se impulsivamente e pôs a mãos sob o queixo de Keiko, levantando delicadamente seu rosto até poder ver-lhe a face. Keiko ainda era bonita, mas Kenji ficou chocado ao ver tamanha tristeza permanentemente esculpida naquelas feições delicadas. “Keiko”, murmurou ele, e as lágrimas da moça cortaram-lhe o coração como pequenas facas.
“Tenho de ir”, disse ela. “Eu lhe desejo felicidades.” Afastou-se do toque dele e tornou a curvar-se. Depois ergueu-se e, sem olhar para ele, desceu lentamente o caminho para as sombras do crepúsculo.
Os olhos de Kenji seguiram-na até que desaparecesse na distância. Foi só então que se deu conta de que tinha estado encostado na lápide de Tanizaki. Ele ficou olhando por vários segundos para os dois caracteres Kanji, Ku e Jaku, na pedra cinza. Um dizia “Vazio”; o outro, “Solidão”.
5
Quando a mensagem de Rama foi retransmitida para a Terra pelo sistema de satélites rastreadores em 2241, ela causou imediata consternação. O vídeo de Nicole foi imediatamente classificado como “confidencial’, naturalmente, enquanto que a Agência Internacional de Inteligência, braço de segurança do CDG, lutava para compreender exatamente o que ele significaria. Uma dúzia dos seus melhores agentes foram logo destacados para a instalação de segurança máxima em Novosibirsk, para analisar o sinal recebido das profundezas do espaço, e elaborar o plano de resposta do CDG.
Uma vez verificado que nem os chineses e nem os brasileiros poderiam ter decodificado o sinal (suas capacidades tecnológicas ainda não eram iguais às do CDG), a confirmação pedida foi transmitida na direção de Rama, evitando com isso qualquer futura repetição da apresentação do vídeo de Nicole. Depois disso, os superagentes concentraram-se nos detalhes do conteúdo da própria mensagem.
Começaram realizando uma pesquisa histórica. Era largamente aceito, apesar de algumas evidências contrárias sugeridas (porém desacreditadas), que a nave espacial Rama II fora destruída pela barragem de mísseis nucleares de abril de 2200. Nicole des Jardins, o suposto ser humano do vídeo, fora dada com morta antes mesmo que a nave científica Newton houvesse deixado Rama. Era certo que ela, ou o que restava dela, tivesse sido aniquilada com a devastação nuclear. De modo que quem falava não podia ser realmente ela.
Mas se aquela pessoa falando no segmento televisivo fosse uma imitação ou um simulacro de Madame des Jardins em forma de robô, esta seria vastamente superior a quaisquer desenhos de inteligência artificial da Terra. A conclusão preliminar, portanto, foi a de que a Terra estava lidando com uma civilização avançada de capacidade inacreditável, coerente com os níveis tecnológicos já exibidos pelas espaçonaves Rama I e II.
Não havia dúvida quanto à ameaça implícita na mensagem, tampouco; quanto a isso os superagentes foram unânimes. Se havia realmente uma outra espaçonave Rama a caminho do sistema solar (embora nenhuma houvesse sido até então detectada pelas duas estações Excalibur), a Terra por certo não poderia ignorar a mensagem. É claro que havia alguma possibilidade de toda a coisa ser uma brincadeira, elaborada pelos brilhantes físicos chineses (eram eles definitivamente os suspeitos número 1), porém enquanto isso não fosse fato confirmado, o GDC precisava ter um plano definitivo. Felizmente, um projeto multinacional já fora aprovado tendo em vista o estabelecimento de uma modesta colônia em Marte em meados da década de 2240. Nas últimas duas décadas, meia dúzia de missões exploratórias a Marte haviam reacendido o interesse de a Terra tornar o Planeta Vermelho habitável para a espécie humana. Já havia laboratórios sem operadores humanos em Marte, levando a efeito experimentos perigosos ou controversos demais para serem realizados na Terra. A maneira mais fácil de atender aos intentos do vídeo de Nicole des Jardins — sem alarmar a população do planeta Terra — seria anunciar e financiar uma colônia consideravelmente maior em Marte. Se toda a história, afinal, não passasse de uma grande vigarice, então o tamanho da colônia podia ser reduzido a suas proporções originais.