O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Chamatevi tinha apenas vinte e três anos quando um velho profeta a identificou para alguns emissários do norte como a futura rainha de Haripunchai. Ela era uma jovem e bela princesa dos Mons, povo Khmer que mais tarde construiria Angkor Wat. Chamatevi era também extremamente inteligente, uma mulher rara em sua época, muito bem vista por todos na corte real.
Os Mons ficaram, portanto, atônitos quando ela anunciou que iria renunciar à sua vida de ócio e fartura, para dirigir-se ao norte em uma arrasadora viagem de seis meses durante a qual cruzaria setecentos quilômetros de montanhas, florestas e pântanos. Quando Chamatevi, acompanhada de seu séquito, “trazida por imensos elefantes”, chegou ao verdejante vale onde ficava Lamphun, seus futuros súditos imediatamente abandonaram suas lutas sectárias e colocaram no trono a jovem e linda rainha. Ela reinou por cinqüenta anos com sabedoria e justiça, elevando o reino do obscurantismo até uma era de progresso social e realização artística.
Ao setenta anos, Chamatevi abdicou de seu trono e dividiu seu reino em dois, cada parte a ser governada por um de seus filhos gêmeos. A rainha então anunciou que dedicaria o resto de sua vida a Deus. Entrou para um mosteiro budista e doou tudo o que possuía. Viveu uma vida simples e piedosa no mosteiro, morrendo aos 99 anos. A essa altura a idade de ouro de Haripunchai já acabara.
No último painel dentro do templo, uma mulher ascética e encarquilhada era carregada em magnífica carruagem para o nirvana. Uma rainha Chamatevi mais jovem, radiosamente bela ao lado de seu Buda, paira acima da carruagem no esplendor do céu. Nai Buatong Watanabe, nomeada colonizadora em Marte, ajoelhou-se no templo em Lamphun, Tailândia, e ofereceu uma prece silenciosa ao espírito de sua heroína nascida no passado distante.
Querida Chamatevi, disse ela. Há 26 anos que você vem velando por mim.
Agora estou a ponto de embarcar para um lugar desconhecido, como você quando veio para o norte em busca de Haripunchai. Guie-me com sua sabedoria e percuciência, quando eu partir para esse maravilhoso mundo novo.
3
Yukiko estava com uma blusa de seda preta, calças brancas e uma boina preta e branca, e cruzou a sala de estar para falar com o irmão. “Queria que você viesse, Kenji”, disse ela. “Vai ser a maior demonstração em favor da paz que o mundo jamais viu.”
Kenji sorriu para a irmã mais moça. “Eu gostaria de ir, Yuki”, respondeu.
“Porém, só tenho mais dois dias antes de partir, e quero passá-los com mamãe e papai.”
A mãe deles entrou pela porta do outro lado da sala. Como sempre, parecia aflita, e carregava uma valise grande. “Agora está tudo arrumado direito”, disse ela. “Mas ainda assim gostaria que você mudasse de idéia. Hiroshima vai estar um hospício. A Asahi Shimbun diz que estão esperando um milhão de visitantes, quase a metade de estrangeiros.”
“Obrigada, mamãe”, disse Yukiko, pegando a valise. “Como sabe, Satoko e eu vamos ficar no Hotel Hiroshima Prince, não precisa se preocupar. Nós nos comunicaremos todos os dias de manhã, antes de as atividades começarem, E estarei em casa na segunda à tarde.”
A jovem abriu a valise e enfiou a mão dentro de um compartimento especial, de onde tirou uma pulseira de brilhantes e um anel de safira. Colocou os dois. “Não acha que devia deixar essas coisas em casa?”, perguntou a mãe aflita. “Lembre-se de que vão estar lá todos esses estrangeiros; suas jóias podem ser tentação forte demais para eles.”
Yukiko riu-se com a gargalhada que Kenji adorava. “Mamãe, você só vive se preocupando. Só pensa nas coisas ruins que poderiam acontecer… Nós vamos a Hiroshima para as cerimônias comemorando o terceiro centenário da bomba atômica que foi jogada lá. Nosso primeiro-ministro vai estar lá, bem como três dos integrantes do Conselho Central do COG. Muitos dos músicos mais famosos do mundo vão tocar todas as noites. Vai ser o que papai chama uma experiência enriquecedora — e você só pensa em quem poderia roubar minhas jóias.”
“Quando eu era moça, ninguém ouvia falar de duas meninas, que ainda nem terminaram a universidade, viajarem pelo Japão sozinhas…”
“Mamãe, nós já discutimos tudo isso antes”, interrompeu Yuki. “Estou com quase 22 anos. No ano que vem, depois de conquistar meu diploma, não vou mais morar aqui em casa, vou morar sozinha, talvez até em outro país. Não sou mais criança. E Satoko e eu somos perfeitamente capazes de tomar conta uma da outra.”
Yukiko olhou para o relógio. “Agora tenho que ir. Ela provavelmente já está me esperando na estação do metrô.”
Chegando graciosamente perto da mãe, deu-lhe um beijo rotineiro. Depois, abraçou com força o irmão. “Que tudo lhe vá bem, ani-san”, sussurrou-lhe ao ouvido. “Tome conta de você mesmo e de sua linda mulher em Marte. Todos nós sentimos muito orgulho de você.”
Kenji jamais conhecera Yukiko muito bem. Afinal, ele era quase doze anos mais velho do que ela. Yuki só tinha quatro anos quando o sr. Watanabe foi indicado para a posição de presidente da divisão americana da Robótica Internacional. A família atravessara o Pacífico para ir morar em um subúrbio de San Francisco. Kenji não prestava muita atenção à irmãzinha naquele tempo. Na Califórnia, ele estivera muito mais interessado em sua nova vida, particularmente quando começou a freqüentar a universidade na UCLA.
O casal Watanabe e Yukiko voltaram ao Japão em 2232, deixando Kenji em seu segundo ano de História na universidade. Ele tivera muito pouco contato com Yukiko desde então. Durante suas visitas anuais à família em Kioto, ele sempre fazia planos de passar algumas horas só com Yukiko, mas afinal isso nunca acontecia. Ou ela estava por demais envolvida com a própria vida, ou seus pais programavam um número excessivo de eventos sociais, ou então o próprio Kenji não tinha tempo.
Kenji ficou vagamente entristecido, parado junto à porta, vendo Yukiko se afastar. Vou deixar este planeta, pensou ele, e no entanto nunca tive tempo para conhecer minha própria irmã.
A sra. Watanabe falava monotonamente atrás dele, expressando seus sentimentos de que sua vida fora um fracasso porque nenhum de seus filhos lhe tinha o menor respeito e ainda se mudavam para outro lugar. Agora seu único filho, que se casara com uma moça da Tailândia só para embaraçá-los, ia se mandar para morar em Marte e ela não o veria por cinco anos. Quanto à sua filha do meio casada com um banqueiro, essa pelo menos lhe havia dado duas netas, que eram tão desinteressantes e entediantes quanto seus pais…
“Como está Fumiko?”, disse Kenji, interrompendo a mãe. “Será que terei a oportunidade de vê-la e minhas sobrinhas antes de partir?”
“Eles virão de Kobe amanhã de noite, para jantar, embora eu não tenha idéia do que hei de dar-lhes para comer… Você sabia que Tatsuo e Fumiko não estão sequer ensinando as duas meninas a comer com os pauzinhos? Já pensou?
Uma criança japonesa não saber comer com os pauzinhos? Nada é sagrado?
Abrimos mão de nossa identidade para ficarmos ricos. Eu estava dizendo a seu pai…”
Kenji desculpou-se e afastou-se do queixoso monólogo da mãe, indo refugiar-se no escritório do pai. Fotografias emolduradas enchiam as paredes da sala, o documentário da vida pessoal e profissional de um homem bem-sucedido.
Duas das fotos traziam lembranças especiais para Kenji. Em uma delas, ele e o pai seguravam um grande troféu outorgado pelo clube de campo aos vencedores do torneio pai-filho de golfe. Na outra, um radiante sr. Watanabe estava entregando uma grande medalha ao filho, quando Kenji tirou o primeiro lugar no aproveitamento acadêmico do ginásio.
O que Kenji esquecera até ver a foto de novo era que Toshio Nakamura, filho do maior amigo e sócio comercial de seu pai, fora o segundo em ambos os casos. Em ambas as fotos, o jovem Nakamura, quase uma cabeça mais alto do que Kenji, trazia o rosto sombreado por um franzido intenso e zangado na testa. Isso foi muito antes dos problemas dele, refletiu Kenji, relembrando a manchete “Preso Excutivo de Osaka”, que proclamara, havia quatro anos, o indiciamento de Toshio Nakamura. O artigo que se seguia explicava que o sr.