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O outro lado de mim [em Português]

Электронная книга - «O outro lado de mim [em Português]». Краткое содержание книги:

O livro traz detalhes inéditos, reveladores e sinceros, com as memórias do escritor Sidney Sheldon, um dos maiores bestsellers de toda a história, com mais de 300 milhões de livros vendidos, em 51 idiomas e em mais de 180 países. Todos os 18 romances do autor alcançaram a Lista dos Mais Vendidos. Sheldon assinou obras como 'O outro lado da meia-noite', 'A herdeira', 'A ira dos anjos', 'Juízo final', entre outros. O livro apresenta revelações sobre a vida do autor em Hollywood, ao lado de estrelas como Cary Grant, Marylin Monroe, Judy Garland, Frank Sinatra e Doris Day. 'O outro lado de mim' traz alguns detalhes sobre a vida pessoal do autor, como a infância em Chicago, em um ambiente familiar instável com as constantes discussões dos pais, a revelação de ser portador da psicose maníaco-depressiva, e muito mais.
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Quem é que quer?

O último passo era Benny Thau, que fazia os negócios com os agentes dos escritores, dos atores e dos realizadores. Na Metro, os produtores limitavam-se literalmente a ficar sentados nos seus gabinetes e a carregar em botões. Ser produtor ia ser fácil.

Continuava a gostar de dar jantares em minha casa. Os amigos, os atores e os realizadores com quem trabalhava enchiam a minha humilde casa e nunca tive um momento aborrecido.

Uma vez, decidi fazer um serão musical e convidei um grupo dos mais talentosos músicos e compositores de Hollywood, todos eles já bem sucedidos e que continuaram a ter carreiras de sucesso. Entre os meus convidados estavam:

Alfred Newman, a quem chamávamos Pappy. Era baixo de estatura, mas grande em talento. Foi nomeado para mais Óscares do que qualquer outro compositor da história do cinema e ganhou nove vezes. Tinha uma lista de mais de duzentos filmes, incluindo Alexander’s Ragtime Band, Call me Madam e The KingandI.

Victor Young, que foi nomeado para vinte e dois Óscares. Escreveu a banda sonora dos filmes Wizard of Oz, The Quiet Man, Around the World in Eighty Days e Shane.

Dimitri Tiomkin, que escreveu a banda sonora de Lost Hanzon, It’s a Wonderful Life, High Noon e de muitos mais filmes.

Johnny Green, que escreveu mais de uma dúzia de canções de sucesso, incluindo I Cover the Waterfront, Out of Nowhere e You’re Mine. Compôs as bandas sonoras de filmes para todos os principais estúdios.

Bronislau Kaper, que escreveu a banda sonora de Three Guys Named Mike. Escreveu também a banda sonora de Green Mansions, Butterfield 8 e Auntie Mame.

André Previn, que encontrou fama como dirigente ou diretor musical de filmes que incluem Silk Stockings, Kiss me Kate, My Fair Lady, Porgy and Bess e Gigi.

Era um grupo impressionante. A minha acompanhante nessa noite era uma jovem atriz que estava instalada num motel do outro lado da rua. Depois do jantar, nos juntamos na sala de estar. Decidi diverti-los. Sentei-me à espineta e anunciei:

- Ando a ter lições de piano por correspondência. É um sistema novo, aprender a tocar por meio de números.

Comecei a tocar e senti um silêncio respeitoso instalar-se na sala. A meio do meu concerto, a minha acompanhante disse baixinho:

- Sidney, peço desculpa por ter de te interromper, mas amanhã tenho que me levantar cedo...

Ergui-me.

- Eu acompanho-te ao motel, Janet. E, virando-me para os meus convidados: Já venho.

Acompanhei a minha convidada até ao seu motel e não me demorei mais do que cinco minutos. Quando regressei, preparei-me para me sentar ao piano para terminar a canção. Não havia piano. Os meus convidados tinham-no mudado para o escritório.

Olhei em volta para os rostos sorridentes e tive pena deles.

A inveja é uma coisa terrível.

CAPÍTULO 22

Agora que eu era produtor, começou a chover no meu gabinete material literário, peças, guiões e histórias originais. Mas não aparecia nada que achasse excitante. Decidira que o primeiro filme que ia produzir seria algo de que me orgulharia. Três semanas mais tarde, depois de ter sido feito produtor, a secretária de Dore Schary ligou-me:

- O senhor Schary gostava que viesse ao escritório dele. Dez minutos depois eu estava na frente de Dore.

Este hesitou por uns segundos e em seguida disse:

- Harry Cohn ligou-me.

- Sim?

- Pediu autorização para negociar consigo a possibilidade de ir dirigir a produção da Columbia...

Fiquei sem saber o que dizer.

- Não fazia idéia que ele ia...

- Falei com o senhor Mayer e concluímos que vamos dizer que não. Por duas razões. Primeiro, porque estamos muito satisfeitos com o seu trabalho aqui. Segundo, porque temos ambos a sensação de que Harry Cohn o destruiria. Ele é um homem muito difícil com quem trabalhar. Liguei-lhe e disse-lhe qual era a nossa decisão. - E olhou para mim com um ar de expectativa - Agora é consigo.

Eu tinha muito em que pensar. Dirigir um estúdio importante era um dos trabalhos de maior prestígio em Hollywood. Por outro lado, provavelmente Schary e Mayer tinham razão quanto a trabalhar com Cohn. Lembrei-me da cena no escritório de Cohn.

“-Harry, tenho a Donna Reed ao telefone. O regimento do Tony vai ser mandado para o estrangeiro e ela quer ficar com ele em São Francisco até à sua partida.

-Ela não pode ir.”

Queria passar o resto dos meus dias a trabalhar com um homem assim? Tinha de tomar uma decisão.

- Eu sinto-me muito bem aqui, Dore. Dore sorriu.

- Muito bem. Nós não o queremos perder.

Quando voltei para o meu gabinete, Harris Katleman, um agente da MCA, a principal agência de Hollywood, estava à minha espera.

- Ouvi dizer que Harry Cohn quer que vá dirigir a Columbia. As notícias andam depressa, pensei.

- É verdade. Dore acabou de me dizer.

- Sidney, a nossa agência gostava muito de o poder representar. Podemos arranjar um excelente negócio e...

Abanei a cabeça.

- Muito obrigado, Harris, mas decidi que não vou aceitar esta oferta.

Ele pareceu espantado.

- Nunca ouvi falar de ninguém que alguma vez tenha recusado uma oferta para dirigir um estúdio.

- Pois agora já ouviu.

Ele ali ficou a tentar pensar em alguma coisa para dizer. Não havia nada.

Não consegui deixar de me interrogar o que teria sido a minha vida caso tivesse aceite a proposta de Cohn, e pensava no lugar onde já conseguira chegar. Lembrei-me do guarda à entrada da Columbia Studios.

Quero ser escritor. Com quem devo falar?

- Tem hora marcada?

- Não, mas...

- Sendo assim, não vai ser recebido por ninguém.

- Mas, deve haver alguém que...

- Não, a não ser que tenha hora marcada.

“Harry Cohn quer que vá dirigir a produção da Columbia...”

Pouco tempo depois da minha conversa com Dore, estava a almoçar um dia na cantina do estúdio quando vi Zsa Zsa Gabor sentada numa mesa próxima acompanhada por uma morena muito interessante. Conhecera a Zsa Zsa Gabor vários meses antes e achava que era muito divertida. Ela e as suas irmãs, Eva e Magda, já eram lendas em Hollywood, famosas por serem famosas. Tinham vindo da Hungria, instalando-se rapidamente em Hollywood como mulheres excêntricas e talentosas. De momento, era a companheira de Zsa Zsa que me interessava. Assim que acabei de almoçar, dirigi-me à mesa delas.

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