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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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Para: Christian Grey

Sim... Senhor.

O senhor é muito mandão.

Ana

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De: Christian Grey

Assunto: No controle

Data: 23 de maio de 2011 18:08

Para: Anastasia Steele

Anastasia, você nem imagina.

Bem, talvez já tenha uma vaga ideia.

Faça o trabalho.

Christian Grey

CEO, Grey Enterprises Holdings, Inc.

Digito “Submissa” na Wikipédia.

Meia hora depois, estou ligeiramente nauseada e francamente chocada até a alma. Será que quero mesmo esse negócio? Nossa... é isso que ele faz no Quarto Vermelho da Dor? Fico olhando para a tela, e uma parte de mim, uma parte muito essencial e úmida que só passei a conhecer há pouquíssimo tempo, está seriamente excitada. Nossa, algumas dessas informações EXCITAM. Mas será que isso é para mim? Merda... Será que eu poderia fazer isso? Preciso de um tempo. Preciso pensar.

CAPÍTULO DOZE

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Pela primeira vez na vida, saio para correr sem ninguém me obrigar. Calço meu par de tênis nojento, que nunca uso, visto uma calça de moletom e uma camiseta. Faço marias-chiquinhas no cabelo, corando com a recordação que elas trazem, e ligo meu iPod. Não consigo mais ficar sentada na frente daquela maravilha tecnológica pesquisando material perturbador. Preciso gastar um pouco dessa energia excessiva e enervante. Para ser franca, pensei em correr até o Hotel Heathman e simplesmente exigir sexo do maníaco por controle. Mas são oito quilômetros, e acho que não serei capaz de correr nem um quilômetro, que dirá oito, e, claro, ele poderia me mandar voltar, o que seria bastante humilhante.

Kate está descendo do carro quando saio de casa. Ela quase deixa cair as sacolas de compras quando me vê. Ana Steele de tênis de corrida. Aceno e não paro para a inquisição. Preciso muito ficar sozinha. Com Snow Patrol aos berros em meus ouvidos, parto no crepúsculo azulado.

Atravesso o parque. O que vou fazer? Eu o quero, mas nos termos dele? Simplesmente não sei. Talvez eu deva negociar o que quero. Ler aquele contrato ridículo linha por linha e dizer o que é aceitável e o que não é. Em minha pesquisa, descobri que o contrato é legalmente inexequível. Ele deve saber disso. Imagino que assiná-la simplesmente estabeleça os parâmetros da relação. Ilustra o que posso esperar dele e o que ele espera de mim — a submissão total. Será que estou preparada para isso? Será que ao menos sou capaz?

Uma única pergunta me atormenta — por que ele é assim? Será porque foi seduzido quando ainda era tão jovem? Simplesmente não sei. Ele ainda é um grande mistério.

Paro ao lado de um pinheiro grande e ponho as mãos nos joelhos, ofegando, puxando o precioso ar para os pulmões. Ah, é uma sensação boa, catártica. Sinto minha determinação se fortalecer. Sim, preciso dizer a ele o que está bom e o que não está. Preciso lhe enviar por e-mail minhas ideias, e depois podemos discuti-las na quarta-feira. Respiro fundo, tomando um fôlego purificador, e volto correndo para o apartamento.

Kate andou comprando, como só ela é capaz, roupas para suas férias em Barbados. Principalmente biquínis e cangas combinando. Ela vai ficar um espetáculo com todos eles, mas mesmo assim, me deixa sentada, e desfila cada look para que eu faça comentários. Não há muitas maneiras diferentes de dizer “Você está maravilhosa, Kate”. Ela tem um corpo esguio e torneado, lindo. Não é de propósito que faz isso, eu sei, mas peço desculpas e vou para o quarto toda suada com o pretexto de ter que embalar mais caixas. Será que eu poderia me sentir mais inadequada? Levando comigo meu impressionante aparelho tecnológico gratuito, coloco-o sobre minha mesa. Mando um e-mail para Christian.

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De: Anastasia Steele

Assunto: Chocada

Data: 23 de maio de 2011 20:33

Para: Christian Grey

Tudo bem, já vi o suficiente.

Foi legal conhecê-lo.

Ana

Aperto “enviar”, abraçando-me, rindo da minha brincadeirinha. Será que ele vai achar graça nela? Ah, merda — talvez não. Christian Grey não é conhecido pelo senso de humor. Mas eu sei que o humor está lá, já vi. Talvez eu tenha ido longe demais. Aguardo a resposta dele.

Espero... e espero. Olho meu despertador. Dez minutos se passaram.

Para me distrair da ansiedade que se manifesta em meu estômago, começo a fazer o que disse a Kate que ia fazer — embalar minhas coisas. Começo encaixotando os livros. Nove da noite e nada ainda. Talvez ele tenha saído. Faço uma expressão petulante ao colocar os fones do iPod, ouço Snow Patrol, e me sento para reler o contrato e fazer meus comentários.

Não sei bem por que, ergo os olhos, talvez tenha percebido com o canto do olho um leve movimento, sei lá, mas, quando vejo, ele está parado à porta do meu quarto, observando-me atentamente. Está com aquela calça de flanela cinza e uma camisa branca, rodando com delicadeza as chaves do carro. Tiro os fones do ouvido e fico paralisada. Porra!

— Boa noite, Anastasia. — Sua voz é fria, sua expressão, completamente contida e misteriosa. Perco a capacidade de falar. Xingo Kate por tê-lo deixado entrar aqui sem avisar. Vagamente, me dou conta de que ainda estou com a roupa de corrida, sem tomar banho, asquerosa, e ele está gloriosamente apetitoso, a calça caída daquele jeito nos quadris, e, ainda por cima, no meu quarto.

— Achei que seu e-mail merecia ser respondido pessoalmente — explica, seco.

Abro e fecho a boca duas vezes. O tiro saiu pela culatra. Nunca na vida esperei que ele largasse tudo e aparecesse aqui.

— Posso me sentar? — pergunta, os olhos agora cheios de humor. Graças a Deus. Quem sabe ele vê o lado engraçado?

Concordo balançando a cabeça. Ainda não recuperei a capacidade de falar. Christian Grey está sentado na minha cama.

— Eu me perguntava como seria seu quarto — diz ele.

Olho em volta, traçando uma rota de fuga. Não, só há a porta ou a janela. Meu quarto é simples, mas aconchegante — alguns móveis de vime e uma cama de casal de ferro branco com uma colcha de retalhos feita por minha mãe quando ela estava na fase de trabalho artesanal com tecido. Todo o restante é azul-claro e creme.

— É muito calmo e sossegado — murmura ele.

Não é mais... não com você aqui.

Finalmente, meu bulbo raquidiano se lembra de sua finalidade. Respiro.

— Como...?

Ele sorri para mim.

— Continuo no Heathman.

Sei disso.

— Quer beber alguma coisa?

A educação leva a melhor sobre tudo que eu gostaria de dizer.

— Não, obrigado, Anastasia. — Ele abre um deslumbrante sorriso irônico, a cabeça ligeiramente inclinada para o lado.

Bem, talvez eu precise de uma bebida.

— Então, foi legal me conhecer?

Droga, será que ele está ofendido? Baixo os olhos. Como vou sair dessa? Se eu disser que foi brincadeira, acho que ele não vai engolir.

— Achei que você fosse responder por e-mail. — Falo baixinho, com uma voz patética.

— Você está mordendo o lábio intencionalmente? — pergunta ele num tom sinistro.

Pisco para ele, engasgando, soltando o lábio.

— Não percebi que estava mordendo — murmuro.

Meu coração está disparado. Sinto aquela atração, aquela eletricidade deliciosa entre nós aumentar, enchendo o ar de estática. Ele está sentado bem perto de mim, os olhos cinzentos misteriosos, os cotovelos apoiados nos joelhos, as pernas abertas. Inclinando-se, lentamente desfaz uma das minhas marias-chiquinhas, os dedos soltando meu cabelo. Minha respiração está curta, não consigo me mexer. Observo hipnotizada sua mão indo para a outra maria-chiquinha, e, puxando a presilha, ele solta o restante do meu cabelo com aqueles dedos longos e habilidosos.

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