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Cinquenta tons de cinza [em Portugues]

Электронная книга - «Cinquenta tons de cinza [em Portugues]». Краткое содержание книги:

Quando Anastasia Steele entrevista o jovem empresario Christian Grey, descobre nele um homem atraente, brilhante e profundamente dominador. Ingenua e inocente, Ana se surpreende ao perceber que, a despeito da enigmatica reserva de Grey, esta desesperadamente atraida por ele. Incapaz de resistir a beleza discreta, a timidez e ao espirito independente de Ana, Grey admite que tambem a deseja mas em seus proprios termos. Chocada e ao mesmo tempo seduzida pelas estranhas preferencias de Grey, Ana hesita. Por tras da fachada de sucesso os negocios multinacionais, a vasta fortuna, a amada familia , Grey e um homem atormentado por demonios do passado e consumido pela necessidade de controle. Quando eles embarcam num apaixonado e sensual caso de amor, Ana nao so descobre mais sobre seus proprios desejos, como tambem sobre os segredos obscuros que Grey tenta manter escondidos...
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Ele me olha, confuso, admirado.

— Anastasia, eu... — Ele não sabe o que dizer. A princípio, acho eu. — Eu não tive intenção de ofendê-la.

— Não estou ofendida. Estou horrorizada.

— Horrorizada?

— Não quero falar com uma das suas ex-namoradas... escravas... submissas... seja lá como você as chame.

— Anastasia Steele, você está com ciúmes?

Fico vermelha como um pimentão.

— Você vai ficar aqui?

— Tenho um café da manhã de negócios amanhã no Heathman. Além do mais, já lhe disse, não durmo com namoradas, escravas, submissas nem com ninguém. Sexta-feira e sábado foram exceções. Isso não vai se repetir. — Dá para ouvir o tom de determinação em sua voz baixa e rouca.

Contraio os lábios.

— Bem, agora estou cansada.

— Você está me expulsando? — Ele ergue as sobrancelhas, achando graça e um pouco consternado.

— Estou.

— Bem, essa é mais uma novidade. — Ele me olha especulativamente. — Então, não há nada que queira discutir agora? Sobre o contrato?

— Não — respondo com petulância.

— Nossa, eu gostaria de dar uma boa surra em você. Você se sentiria muito melhor, e eu também.

— Você não pode dizer esse tipo de coisa... Eu ainda não assinei nada.

— Um homem pode sonhar, Anastasia. — Ele se inclina e segura meu queixo. — Quarta-feira? — murmura, me dando um beijo de leve na boca.

— Quarta-feira — concordo. — Acompanho você até a porta. Se você me der um minuto.

Sento-me na cama e pego a camiseta, empurrando-o da minha frente. Com relutância, ele se levanta.

— Pode pegar minha calça de moletom, por favor?

Ele a recolhe do chão e me entrega.

— Sim, madame.

Está tentando em vão disfarçar o sorriso.

Aperto os olhos para ele ao vestir a calça. Meu cabelo está todo desgrenhado, e sei que terei de enfrentar a inquisição de Katherine Kavanagh depois que ele for embora. Pego uma presilha de cabelo e abro a porta do quarto, procurando Kate. Ela não está na sala. Tenho a impressão de ouvi-la falar ao telefone em seu quarto. Christian sai atrás de mim. No curto trajeto do meu quarto até a porta da frente, meus pensamentos e sentimentos se transformam. Já não estou com raiva dele. De repente, sinto uma vergonha insuportável. Não quero que vá embora. Pela primeira vez, desejo que ele fosse normal — queria uma relação normal, que não precisasse de um acordo de dez páginas, um açoite e mosquetões no teto de seu quarto de jogos.

Abro a porta para ele e fico olhando para minhas mãos. Foi a primeira vez que fiz sexo em casa, e, quanto ao sexo, acho que foi bom à beça. Mas agora tenho a sensação de ser um receptáculo, um vaso vazio a ser preenchido como ele quiser. Meu inconsciente balança a cabeça. Você queria correr até o Heathman em busca de sexo... recebeu uma entrega expressa em domicílio. Está de braços cruzados e bate o pé com aquela cara de quem pergunta “está se queixando de quê”. Christian para no portal e segura meu queixo, obrigando-me a fitá-lo nos olhos. Ele franze a testa.

— Você está bem? — pergunta com ternura, acariciando meu lábio inferior com o polegar.

— Estou — respondo, embora, honestamente, não tenha certeza.

Sinto uma mudança de paradigma. Sei que se eu aceitar esse negócio dele, vou me machucar. Ele não tem capacidade, interesse nem disposição de oferecer mais nada... e eu quero mais. Muito mais. O ataque de ciúme que tive há pouco me diz que tenho sentimentos mais profundos por ele do que já confessei a mim mesma.

— Quarta-feira — ele confirma, e me dá um beijo delicado.

Algo muda enquanto está me beijando. Seus lábios ficam mais ansiosos colados nos meus, a mão que estava em meu queixo sobe e ele segura minha cabeça com as duas mãos, uma de cada lado. Sua respiração se acelera. O beijo fica mais intenso, e ele se aproxima mais. Ponho as mãos nos braços dele. Quero afagar seu cabelo, mas resisto, sabendo que ele não vai gostar disso. Ele encosta a testa na minha, olhos fechados, a voz embargada.

— Anastasia — sussurra. — O que você está fazendo comigo?

— Eu poderia fazer a mesma pergunta — retruco.

Respirando fundo, ele me beija na testa e sai. Anda decidido até o carro, passando a mão no cabelo. Olhando para cima ao abrir a porta do carro, dá aquele sorriso de tirar o fôlego. Retribuo com um sorriso fraco, completamente deslumbrado, e torno a me lembrar de Ícaro se aproximando demais do Sol. Fecho a porta de casa quando ele entra em seu carro esporte. Tenho uma vontade avassaladora de chorar, estou angustiada, e me sinto só e melancólica. Voltando depressa para o quarto, fecho a porta e me encosto nela, tentando racionalizar meus sentimentos. Não consigo. Escorrego para o chão, ponho as mãos na cabeça e deixo as lágrimas começarem a rolar.

Kate bate à porta com delicadeza.

— Ana? — murmura.

Abro a porta, ela me olha e me dá um abraço.

— O que houve? O que aquele filho da mãe nojento fez?

— Ah, Kate, nada que eu não quisesse que ele fizesse.

Ela me puxa para a cama, e nos sentamos.

— Você está com o cabelo horrível de quem acabou de trepar.

Apesar da tristeza pungente, acho graça.

— O sexo foi bom, não teve nada de horrível.

Kate sorri.

— Ainda bem. Por que está chorando? Você nunca chora.

Ela pega minha escova na mesa de cabeceira, senta-se atrás de mim e começa a escovar meu cabelo para desembaraçar os nós.

— Simplesmente acho que nossa relação não vai dar em nada.

Fico olhando para baixo.

— Pensei que você tivesse dito que ia sair com ele na quarta-feira.

— Eu vou. Esse era nosso plano original.

— Então, por que ele apareceu aqui hoje?

— Mandei um e-mail para ele.

— Pedindo para ele passar aqui?

— Não, dizendo que não queria mais sair com ele.

— E ele aparece? Ana, isso é genial.

— Na verdade, foi uma brincadeira.

— Ah. Agora estou realmente confusa.

Com paciência, explico a essência do meu e-mail, sem revelar nada.

— E você achou que ele fosse responder por e-mail.

— Achei.

— Mas em vez disso, ele apareceu aqui.

— É.

— Eu diria que ele está totalmente apaixonado por você.

Franzo a testa. Christian apaixonado por mim? É difícil. Ele só está procurando um brinquedo novo — um brinquedo conveniente que pode levar para a cama e com o qual pode fazer coisas atrozes.

— Ele veio aqui para me comer, só isso.

— Quem disse que o romance tinha morrido? — pergunta ela, horrorizada.

Eu choquei Kate. Achei que isso fosse impossível. Dou de ombros, pedindo desculpas.

— Ele usa o sexo como arma.

— Come você para torná-la submissa? — Ela balança a cabeça num gesto de desaprovação.

Pisco várias vezes, meu rosto completamente ruborizado. Ah... acertou na mosca, Katherine Kavanagh, jornalista agraciada com o Prêmio Pulitzer.

Ana, eu não entendo, você simplesmente deixa ele fazer amor com você?

— Não, Kate, a gente não faz amor. A gente fode. É a terminologia de Christian. Ele não quer saber de amor.

— Eu sabia que ele tinha alguma coisa esquisita. Ele tem medo de compromisso.

Balanço a cabeça, concordando. Por dentro, definho. Ah, Kate... eu gostaria de poder contar tudo para você, tudo sobre esse cara estranho, triste e sacana, e queria que você me dissesse para tirá-lo da cabeça. Que não me deixasse ser uma idiota.

— Acho que isso tudo é um pouco demais — murmuro. Esse é o maior eufemismo do ano.

Porque não quero mais falar sobre Christian, pergunto a ela sobre Elliot, e ela se transforma ao ouvir o nome dele. Fica toda animada, rindo para mim.

Dou um abraço nela.

— Ah, quase esqueci. Seu pai ligou enquanto você estava, hã... ocupada. Aparentemente, Bob sofreu uma lesão, então sua mãe e ele não poderão vir à formatura. Mas seu pai chegará na quinta-feira. Quer que você ligue para ele.

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