O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
Richard e a Águia concordaram quanto aos sistemas de transporte e comunicação no Novo Éden, tanto internos quanto exteriores, em poucas horas.
Tiveram mais dificuldades com o controle geral do meio ambiente e o desenho dos biomas. A concepção original da Águia, na qual era baseada a infra-estrutura de suporte do Novo Éden, pressupunha doze horas de luz e doze de escuridão todos os dias. Períodos de sol, nuvens e chuva seriam regulares e previsíveis. Não haveria praticamente nenhuma variação de temperatura como função de tempo e espaço.
Quando Richard pediu mudanças sazonais na duração do dia e maior variedade em todos os parâmetros climáticos, a Águia salientou que concordar com tais “variações significativas” no vastíssimo volume de ar do hábitat implicaria o uso de “recursos críticos de computação” muito maiores do que os originalmente alocados durante o desenho da infra-estrutura. A Águia indicou também que os principais algoritmos de controle teriam de ser reestruturados e retestados, com resultante adiamento da data da partida. Nicole apoiou Richard na questão do tempo e das estações, explicando à Águia que um comportamento humano verdadeiro “que aparentemente você e a Inteligência Nodal desejam observar” dependia definitivamente desses fatores.
Um acordo de meio termo foi alcançado. A duração do dia e da noite ao longo do ano duplicaria a de um local a 30° de latitude na Terra. O clima no Novo Éden teria condições de evoluir naturalmente dentro de limites específicos, com o controlador principal agindo apenas quando as condições atingissem os limites da “caixa do desenho”. Assim, temperatura, vento e precipitação poderiam flutuar dentro de certos limites de tolerância. A Águia permaneceu inabalável, no entanto, a respeito de dois itens. Não poderia haver nem raios e nem gelo. Se alguma dessas duas condições (ambas as quais introduziriam “novas complexidades” em seu modelo de computação) se tornasse iminente, mesmo que todos os outros parâmetros ainda continuassem dentro dos desenhos da caixa, o sistema de controle assumiria o comando automaticamente para regularizar o tempo.
Fora intenção inicial da Águia manter o mesmo tipo de biomas usados nas duas primeiras naves Rama. Tanto Richard quanto Nicole salientaram, no entanto, que os biomas ramaianos, em particular os que se assemelhavam a centopéias, louva-a-deuses, caranguejos e aranhas, não eram absolutamente apropriados.
“Os cosmonautas que pisaram nas duas naves Rama”, explicou Nicole, “não seriam considerados seres humanos médios. Longe disso, na verdade.
Éramos treinados especialmente para enfrentar máquinas sofisticadas — e até alguns de nós ficamos assustados com alguns de seus biomas. Os humanos mais comuns que provavelmente irão formar a massa dos habitantes do Novo Éden não se sentirão nada à vontade com essas engenhocas mecânicas esquisitas a correr por todo o seu mundo.”
Após várias horas de discussão a Águia concordou em redesenhar o pessoal bioma de manutenção. Por exemplo, o lixo seria coletado por robôs que se pareceriam com um típico caminhão de lixo na Terra — só que não haveria motoristas. Trabalhos de construção, quando necessários, seriam realizados por robôs cujas formas eram as mesmas de veículos desempenhando funções semelhantes na Terra. Desse modo as máquinas estranhas seriam familiares em aparência para os colonos, atenuando seus medos xenofóbicos.
“E quanto à realização de atividades cotidianas, de rotina?”, perguntou o homem-pássaro ao fim de uma longa reunião. “Tínhamos pensado em usar biomas humanos, que reagem à voz, distribuídos em grande número, para libertar seus colonos das tarefas mais baixas e cansativas. Gastamos tempo considerável aperfeiçoando seu desenho, desde que vocês chegaram.”
Richard gostou da idéia de auxiliares robôs, mas Nicole ficou meio desconfiada com a idéia. “É imperativo”, disse ela, “que esses biomas humanos sejam perfeitamente identificáveis. Não deve haver qualquer possibilidade de que ninguém, nem mesmo uma criança, possa confundi-lo com um ser humano verdadeiro.”
Richard riu-se. “Você andou lendo ficção científica demais”, disse ele.
“Mas é uma preocupação concreta”, protestou Nicole. “Posso bem imaginar a qualidade dos biomas humanos feitos aqui no Nodo. Não estamos falando daquelas imitações inexpressivas que vimos dentro de Rama. As pessoas ficariam aterrorizadas se não pudessem perceber a diferença entre um ser humano e uma máquina.”
“Então limitaremos o número de variedades”, retrucou Richard. “E eles serão facilmente classificados por sua função primordial. Isso satisfaz sua preocupação…? Seria uma pena não nos beneficiarmos das vantagens desta incrível tecnologia.” “Podia funcionar”, disse Nicole, “desde que uma simples sessão de instruções pudesse familiarizar com facilidade todo mundo com os vários tipos de biomas. Temos de garantir de modo absoluto que não haja problemas de confusão de identificação”.
Após várias semanas de esforços internos, a maioria das decisões críticas sobre o desenho já haviam sido tomadas e a carga de trabalho de Richard e Nicole diminuiu. Eles puderam retomar uma vida mais ou menos normal com as crianças e Michael. Certa noite, a Águia apareceu e informou a família de que o Novo Éden estava em seu período final de testes, basicamente no sentido de verificação da capacidade dos novos algoritmos para monitorar e controlar o meio ambiente em toda a vasta gama de condições possíveis.
“E por falar nisso”, concluiu a Águia, “inserimos esquemas de troca de gases, ou ETGs, em todos os locais — florestas de Sherwood, parques, margens do lago e encosta da montanha — nos quais as plantas que eventualmente virão da Terra irão crescer. Os ETGs funcionam como as plantas, absorvendo dióxido de carbono e produzindo oxigênio, sendo também quantitativamente equivalentes. Eles impedem o crescimento de dióxido de carbono atmosférico, que a longo prazo solaparia a eficiência dos algoritmos de clima. A operação dos ETGs exige alguma energia, de modo que reduzimos ligeiramente o número de watts previstos para consumo humano durante os primeiros tempos da colônia. No entanto, uma vez que as plantas já estejam florescentes, os ETGs podem ser removidos, e haverá energia abundante para qualquer objetivo razoável.”
“OK, sr. Águia”, disse Katie quando o homem-pássaro terminou, “tudo o que queremos saber é quando deveremos partir.”
“Eu ia lhes dizer no Natal”, respondeu a Águia, com a pequena ruga que nela passava por um sorriso aparecendo em um canto da boca; “e ainda faltam dois dias.”
“Ah, diga agora, sra. Águia”, disse Patrick.
“Bem… está certo”, respondeu seu companheiro alienígena. “Nossa data alvo para terminar Rama no Hangar é 11 de janeiro. Esperamos embarcá-los no metrô e partir do Nodo dois dias mais tarde, na manhã de 13 de janeiro.”
São só três semanas, pensou Nicole, e seu coração deu um pulo quando a realidade de sua partida a penetrou fundo. Ainda há tanto o que fazer. Ela olhou para o outro lado da sala, onde Michael e Simone estavam sentados, um ao lado do outro, no sofá. Entre outras coisas, minha filha linda, tenho de prepará-la para o seu casamento.
“Então vamos nos casar no dia de seu aniversário, mamãe”, disse Simone.
“Sempre dissemos que a cerimônia seria uma semana antes de o resto da família partir.”
Os olhos de Nicole encheram-se de lágrimas involuntariamente, e ela abaixou a cabeça para que as crianças não as vissem. Eu não estou pronta para dizer adeus. Não suporto pensar que jamais tornarei a ver Simone.
Nicole preferiu abandonar os jogos de salão da família que estavam tendo lugar na sala de estar. Deu a desculpa de que ainda tinha de finalizar alguns desenhos para a Águia, mas na verdade sentia desesperada necessidade de uns momentos sozinha para organizar as três últimas semanas de sua vida no Nodo.