O jardim de Rama
- Автор: Ли Джентри, Кларк Артур Чарльз
- Серия: Рама #3
- Год: 1991
- Язык: португальский
- Год: Nova Fronteira
- ISBN: 85-209-0584-6
- Переводчик: Barbara Heliodora
- Жанр: Научная фантастика
Электронная книга - «O jardim de Rama». Краткое содержание книги:
“Se temos”, disse Richard, virando-se para um lado, para sua posição normal de adormecer. “E quem sabe? A parte mais interessante ainda pode estar por vir.”
6
O modelo holográfico do Novo Éden foi projetado no centro da grande sala de conferência na escala 1/2000. Dentro de Rama, o habitat terreno efetivo ocuparia uma área de 160 quilômetros quadrados na Planície Central, começando bem em frente à base da longa escadaria norte. Seu volume fechado teria vinte quilômetros de comprimento na direção em torno do cilindro, oito quilômetros de largura na direção paralela ao eixo de giro do cilindro, e oito quilômetros de altura do piso da colônia até seu imponente teto.
A maquete do Novo Éden no Módulo de Habitação, no entanto, que a Águia, Richard e Nicole usavam para seus trabalhos de desenho, era de tamanho mais manipulável. Cabia com facilidade em um único cômodo grande, e as projeções holográficas facilitavam o caminhar dos desenhistas entre as várias estruturas. As mudanças eram feitas com o uso de sub-rotinas de desenho ajudadas por computadores que funcionavam por comandos da voz da Águia.
“Tornamos a mudar de idéia”, disse Nicole, começando sua terceira maratona de discussão de desenho com a Águia, fazendo um círculo com sua “lanterna” negra em torno de uma concentração de edifícios no centro da colônia.
“Julgamos agora que é má idéia ter tudo em um lugar só, com gente se amontoando uns em cima dos outros. Richard e eu pensamos que faria mais sentido se as áreas de estar e as lojas de pequenos negócios formassem quatro aldeias separadas nos cantos do retângulo. Só os edifícios utilizados por todos os habitantes da colônia é que ficariam no complexo central.”
“É claro que nosso conceito altera completamente o fluxo de transporte que você e eu discutimos ontem”, acrescentou Richard, “bem como as disposições coordenadas específicas para os parques, a floresta de Sherwood, o Lago Shakespeare e o Monte Olimpo. Porém, todos os elementos originais ainda podem ser acomodados em nosso atual desenho para o Novo Éden — veja aqui, dê uma olhada neste esboço e poderá ver para onde mudamos tudo.”
A Águia pareceu fazer uma careta ao olhar para seus auxiliares humanos.
Após um segundo, ela olhou para o mapa no caderno de notas eletrônico de Richard. “Espero que essa seja a última das alterações de grande porte”, comentou ela. “Não vamos fazer muito progresso se cada vez que nos reunirmos tivermos, em essência, de recomeçar a desenhar tudo.”
“Sentimos muito”, disse Nicole. “Mas levamos algum tempo para apreender a magnitude de nossa tarefa. Agora compreendemos que estamos desenhando uma situação de vida a longo prazo para até dois mil seres humanos — se forem necessários vários enunciados para chegar à forma correta, teremos de gastar o tempo necessário.” “Já vi que aumentaram de novo o número de grandes estruturas no complexo central”, disse a Águia. “Qual é o objetivo desse edifício atrás da biblioteca e do auditório?”
“É um edifício de esportes e recreação”, respondeu Nicole. “Terá uma pista de atletismo, um campo de beisebol, um campo de futebol, quadras de tênis, um ginásio e uma piscina — mais lugares suficientes para que, em cada área, quase todos os cidadãos possam sentar-se. Richard e eu imaginamos que atividades atléticas terão muita importância no Novo Éden, particularmente já que tantas das tarefas rotineiras serão desempenhadas por biomas.”
“Vocês ampliaram também o tamanho do hospital e das escolas…”
“Fomos muito conservadores em nossas primeiras distribuições de espaço”, interrompeu Richard. “Não deixamos áreas suficientes de piso sem designação, que abrigarão ocupações que por enquanto não podemos especificar.”
As duas primeiras reuniões de desenho duraram dez horas cada. Tanto Richard quanto Nicole espantaram-se a princípio com a velocidade com a qual a Águia era capaz de integrar seus comentários em recomendações de desenho específicas. Na altura da terceira reunião já não se espantavam mais com a velocidade e a precisão das sínteses que ela fazia. Mas o alienígena bioma continuava a surpreendê-los regularmente, por demonstrar agudo interesse em alguns dos detalhes culturais. Por exemplo, interrogou-os longamente a respeito do nome que os humanos deram à sua nova colônia. Depois de Nicole haver explicado que era essencial que o habitat tivesse algum nome específico, a Águia indagou do significado e importância de “Novo Éden”.
“Toda a família discutiu o nome do habitat quase que um dia inteiro”, explicou Richard, “e houve muitas sugestões boas, principalmente derivadas da história e literatura de nossa espécie. Utopia era um bom nome. Arcádia, Elíseo, Paraíso, Concórdia e Beauvois foram seriamente considerados. Mas no fim julgamos que Novo Éden seria a melhor escolha.”
“Compreenda”, acrescentou Nicole, “que o Éden mitológico foi um princípio, o início do que poderíamos chamar nossa cultura ocidental moderna.
Tratava-se de um paraíso verde luxuriante, supostamente concebido especialmente para seres humanos por um Deus todo-poderoso que também criara tudo o mais no universo. Aquele primeiro Éden era rico em formas de vida, mas privado de tecnologia.
“O Novo Éden também é um começo, porém, sob todos os outros aspectos, será o oposto do jardim antigo. O Novo Éden é um milagre tecnológico sem qualquer forma de vida, ao menos no início, a não ser uns poucos seres humanos.”
Uma vez que a disposição geral da colônia ficou pronta, restavam ainda centenas de detalhes a serem resolvidos. Katie e Patrick receberam a tarefa de desenhar parques vicinais para cada uma das quatro aldeias. Mesmo que nenhum dos dois jamais houvesse visto uma folha de grama verdadeira, uma flor de verdade ou uma árvore alta, tinham visto muitos filmes e muitíssimas fotografias. Acabaram com quatro desenhos diferentes para os cinco acres de terreno aberto, jardins comunitários e passeios tranqüilos em cada aldeia.
“Mas onde arranjaremos a grama? E as flores?”, perguntou Katie à Águia. “Serão trazidas pela gente da Terra”, respondeu a Águia. “E como eles saberão o que trazer?” “Nós lhes diremos.”
Foi Katie também quem reparou que o desenho do Novo Éden omitira um elemento chave, que desempenhava papel preponderante nas histórias que sua mãe lhe contava antes de dormir, quando ela era pequena. “Eu nunca vi um zôo; poderíamos ter um no Novo Éden?”
A Águia alterou o plano geral durante a sessão seguinte de desenho, a fim de incluir um pequeno zôo perto da Floresta de Sherwood.
Richard trabalhou com a Águia na maioria dos detalhes tecnológicos para o Novo Éden. A área de especialidade de Nicole era a da ambientação para a vida cotidiana. A Águia sugerira inicialmente uma espécie de casa com um conjunto padronizado de mobiliário para todas as residências na colônia. Nicole deu uma gargalhada. “Você por certo ainda não aprendeu muita coisa a respeito de nós como espécie”, disse ela. “Os seres humanos precisam de variedade. De outro modo, ficam entediados. Se fizermos todas as casas iguais, essas pessoas irão começar a mudá-las imediatamente.”
Por ter apenas tempo limitado (os pedidos de informação da Águia estavam mantendo Richard e Nicole no trabalho de dez a doze horas por dia — mas por sorte Michael e Simone ficavam muito contentes em tomar conta das crianças), Nicole optou por oito planos básicos para residências e quatro arranjos modulares de mobília. Ao todo, então, haveria 32 configurações diferentes de ambientes de vida. Variando o desenho externo das edificações em cada uma das quatro aldeias (detalhes esses que Nicole encontrara com Richard, após algumas contribuições importantes do historiador da arte Michael O’Toole), Nicole finalmente alcançou seu objetivo de criar um desenho geral para a vida cotidiana que não era nem uniforme e nem estéril.