A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
O anfitrião balançou a cabeça.
– Nunca chegará à Lagoa da Donzela por rio. A menos de cinquenta quilômetros daqui, alguns barcos foram queimados e afundaram, e o canal se assoreou em volta deles. Ali há um ninho de fora da lei que ataca qualquer um que tente passar, e existem outros como mesmo perfil mais para baixo, em volta das Pedras Saltitantes e da Ilha do Veado Vermelho. E o senhor do relâmpago também foi visto por essa região. Atravessa o rio onde bem quer, passando para cá e para lá, sempre em movimento.
– E quem é esse senhor do relâmpago? – quis saber Sor Cleos Frey.
– É Lorde Beric, com a sua licença, sor. Dão-lhe esse nome porque ataca repentinamente, como um relâmpago vindo de um céu sem nuvens. Dizem que não pode morrer.
Todos eles morrem quando se enfia uma espada no corpo deles, pensou Jaime.
– Thoros de Myr ainda o acompanha?
– Sim. O feiticeiro vermelho. Ouvi dizer que tem estranhos poderes.
Bem, tinha o poder de acompanhar Robert Baratheon na bebida, e eram bem poucos os que podiam se gabar disso. Jaime ouvira uma vez Thoros dizer ao rei que havia se tornado sacerdote vermelho porque as vestes escondiam muito bem as manchas de vinho. Robert riu tanto que encheu de cerveja o manto de seda de Cersei.
– Longe de mim questionar – disse –, mas talvez o Tridente não seja a nossa rota mais segura.
– Eu diria que é verdade – concordou o cozinheiro. – Mesmo se passarem da Ilha do Veado Vermelho sem encontrar Lorde Beric e o feiticeiro vermelho, ainda terão à sua frente o vau rubi. Da última vez que ouvi notícias, eram os lobos do Lorde Sanguessuga que defendiam o vau, mas isso foi já há algum tempo. A essa altura podem ter voltado a ser os leões, ou Lorde Beric, ou seja lá quem for.
– Ou ninguém – sugeriu Brienne.
– Se a senhora quer apostar a pele nisso, eu não a impedirei... mas se fosse vocês, deixaria este rio aqui, cortaria caminho por terra. Se permanecerem longe das estradas principais e se abrigarem debaixo das árvores à noite, meio que escondidos... bem, ainda não quereria ir com vocês, mas talvez tenham uma pequena chance.
A grande garota estava com uma expressão de dúvida.
– Precisaríamos de cavalos.
– Aqui há cavalos – ressaltou Jaime. – Ouvi um nos estábulos.
– Sim, há cavalos – disse o estalajadeiro que não era estalajadeiro. – E logo três, por acaso, mas não estão à venda.
Jaime não conseguiu evitar uma gargalhada.
– Claro que não. Mas vai nos mostrá-los mesmo assim.
Brienne franziu a testa, mas o homem que não era estalajadeiro enfrentou seu olhar sem piscar, e um momento depois, relutantemente, ela disse:
– Mostre-me – e todos se ergueram da mesa.
Os estábulos não eram limpos havia muito tempo, julgando pelo cheiro que exalavam. Centenas de gordas moscas pretas esvoaçavam por entre a palha, zumbindo de cocheira em cocheira e passeando sobre os montículos de esterco de cavalo que se espalhavam por todo lado, mas só se viam três cavalos. Eram um trio improváveclass="underline" um pesado cavalo de tração castanho, um castrado branco, muito velho, cego de um olho, e o palafrém de um cavaleiro, sarapintado de cinza e vivaz.
– Não estão à venda por nenhum preço – anunciou seu alegado dono.
– Como arranjou estes cavalos? – quis saber Brienne.
– O de tração estava preso aqui quando a mulher e eu chegamos à estalagem – disse o homem – com aquele que você acabou de comer. O castrado apareceu uma noite, e o garoto apanhou o palafrém que corria por aí, livre, ainda selado e com rédeas. Venham, eu mostro a vocês.
A sela que lhes mostrou estava decorada com relevos de prata. O xairel tinha sido originalmente axadrezado de rosa e negro, mas agora era fundamentalmente marrom. Jaime não reconhecia as cores originais, mas reconhecia manchas de sangue com bastante facilidade.
– Bem, o dono não virá pedi-lo de volta tão cedo. – Examinou as patas do palafrém, contou os dentes do castrado. – Dê uma peça de ouro pelo cinza, se incluir a sela – aconselhou a Brienne. – Uma de prata pelo cavalo de tração. Ele devia nos pagar por tirarmos o branco das mãos dele.
– Não fale sem cortesia do seu próprio cavalo, sor. – A garota abriu a bolsa que a Senhora Catelyn havia lhe dado e tirou três moedas de ouro. – Pago um dragão por cada um.
O homem pestanejou e estendeu a mão para o ouro, e depois hesitou e recolheu a mão.
– Não sei. Não posso montar um dragão de ouro se precisar ir embora. Nem comê-lo, se tiver fome.
– Pode também ficar com o nosso esquife – disse ela. – Viaje para cima ou para baixo no rio, como quiser.
– Deixe-me ver que gosto tem esse ouro. – O homem tirou uma das moedas da palma da mão de Brienne e mordeu-a. – Hum. Diria que é verdadeiro o bastante. Três dragões e o esquife?
– Ele está lhe roubando, garota – disse Jaime amigavelmente.
– Também vou querer provisões – disse Brienne ao anfitrião, ignorando Jaime. – Seja o que for que possa nos arranjar.
– Há mais bolos de aveia. – O homem recolheu os outros dois dragões da palma da mão dela e sacudiu-os no punho fechado, sorrindo do som que faziam. – Bem, e peixe defumado e salgado, mas isso vai lhes custar prata. As minhas camas também vão custar dinheiro. Vão querer passar a noite aqui.
– Não – disse Brienne de imediato.
O homem franziu a testa para ela.
– Mulher, você não quer cavalgar de noite por uma região onde nunca esteve e em cavalos que não conhece. O mais certo é que acabe tropeçando em algum brejo ou quebre uma pata do cavalo.
– A lua estará brilhante esta noite – disse Brienne. – Não teremos nenhum problema em encontrar o nosso caminho.
O anfitrião remoeu aquilo.
– Se não tem a prata, pode ser que alguns cobres paguem por suas camas e uma ou duas colchas para se manterem aquecidos. Não estou propriamente dispensando viajantes, se entende onde quero chegar.
– Isso parece mais do que justo – disse Sor Cleos.
– E as colchas até estão recém-lavadas. A mulher tratou disso antes de precisar ir embora. E não há nem uma pulga nelas, tem a minha palavra quanto a isso. – Voltou a sacudir as moedas, sorrindo.
Sor Cleos estava claramente tentado.
– Uma cama apropriada faria bem a todos nós, senhora – disse a Brienne. – Faríamos um tempo melhor amanhã, depois de descansarmos. – Olhou para o primo, em busca de apoio.
– Não, primo, a garota tem razão. Temos promessas a manter, e longas léguas à nossa frente. Devíamos ir andando.
– Mas – disse Cleos – você mesmo disse...
– Antes. – Quando pensava que a estalagem estava deserta. – Agora estou com a barriga cheia e uma cavalgada ao luar será mesmo a coisa certa. – Sorriu à garota. – Mas, a não ser que pretenda me atirar para a garupa daquele cavalo de tração como se fosse um saco de farinha, alguma coisa tem de ser feita com estes ferros. É difícil montar com os tornozelos acorrentados.
Brienne franziu a testa ao ver a corrente. O homem que não era estalajadeiro esfregou o queixo.
– Há uma forja ali atrás do estábulo.
– Mostre-me.
– Sim – disse Jaime –, e quanto mais depressa, melhor. Há aqui muito mais bosta de cavalo do que devia para o meu gosto. Detestaria pisar nela. – Lançou à garota um olhar penetrante, perguntando a si mesmo se ela seria suficientemente esperta para entender o que queria dizer.
Acalentava a esperança de que ela também tirasse os ferros de seus pulsos, mas Brienne mantinha-se desconfiada. Cortou ao meio a corrente dos tornozelos com meia dúzia de fortes golpes dados com o martelo do ferreiro na ponta plana de um cinzel de aço. Quando sugeriu que também quebrasse a corrente do pulso, ela ignorou-o.
– A quase dez quilômetros daqui, ao longo do rio, vão encontrar uma aldeia queimada – disse o anfitrião enquanto os ajudava a selar os cavalos e a carregar a bagagem. Daquela vez dirigia os conselhos a Brienne. – A estrada bifurca-se aí. Se virar para sul, vai chegar à torre de pedra de Sor Warren. Sor Warren foi embora e morreu, portanto não sei dizer de quem ela é agora, mas é melhor evitar o lugar. Faria bem em seguir a trilha que atravessa a floresta, para sul-sudeste.