A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
Salladhor Saan não se encontrava a bordo de seu Valiriana. Foram encontrá-lo em outro cais, a cerca de trezentos metros de distância, no interior do porão de uma larga coca de Pentos chamada Farta Colheita, contando a carga com o auxílio de dois eunucos. Um segurava uma lanterna, o outro, uma placa de cera e um estilete.
– Trinta e sete, trinta e oito, trinta e nove – o velho tratante dizia quando Davos e o capitão desceram pela escotilha. Naquele dia, usava uma túnica cor de vinho e botas de cano alto feitas de couro branco com detalhes de prata. Tirando a rolha de um pote, cheirou, espirrou e disse: – Uma moagem grosseira, e, de acordo com meu nariz, de segunda qualidade. A nota de carga diz quarenta e três potes. Onde se enfiaram os outros, pergunto eu? Esses pentoshi por acaso acham que eu não conto a carga? – Quando viu Davos, parou subitamente. – Será a pimenta que arde meus olhos, ou lágrimas? É o cavaleiro das cebolas que está diante de mim? Não, como pode ser, meu querido amigo Davos morreu no rio em chamas, todos sabem. Por que veio me assombrar?
– Não sou nenhum fantasma, Salla.
– Que outra coisa pode ser? Meu cavaleiro das cebolas nunca foi tão magro ou pálido como você. – Salladhor Saan abriu caminho por entre os potes de especiarias e rolos de tecido que enchiam o porão do navio mercante, envolveu Davos num forte abraço, depois deu-lhe um beijo em cada bochecha e um terceiro na testa. – Ainda está quente, sor, e sinto seu coração bater. Será verdade? O mar que o engoliu cuspiu-o de volta.
Davos lembrou-se do Cara-Malhada, o bobo doido da princesa Shireen. Também tinha entrado no mar e, quando voltou, estava louco. Também estarei louco? Tossiu na mão enluvada e disse:
– Nadei por baixo da corrente e fui jogado à costa numa lança do rei bacalhau. Teria morrido lá se o Dança de Shayala não tivesse me encontrado.
Salladhor Saan pousou um braço sobre os ombros do capitão.
– Isso foi ótimo, Khorane. Estou aqui pensando que vai acabar ganhando uma bela recompensa. Meizo Mahr, seja um bom eunuco e leve meu amigo Davos à cabine do proprietário. Arranje para ele um pouco de vinho quente com cravo, que não estou gostando do som dessa tosse. Esprema também um pouco de limão lá dentro. E traga queijo branco e uma tigela daquelas azeitonas verdes tostadas que contamos há pouco. Davos, logo irei encontrá-lo, assim que tiver conversado com o nosso bom capitão. Vai me desculpar, bem sei. Não coma todas as azeitonas, senão vou acabar me zangando.
Davos deixou que o mais velho dos dois eunucos o acompanhasse até uma grande e suntuosamente mobiliada cabine na popa do navio. Os tapetes eram macios, havia vitrais nas janelas e, em qualquer um dos grandes cadeirões de couro, poderiam ter se sentado, com todo o conforto, três Davos. O queijo e as azeitonas chegaram pouco depois, com uma taça de vinho tinto quase fervendo. Pegou-a com as duas mãos e bebericou, sentindo-se grato. O calor que se espalhou por seu peito teve um efeito calmante.
Salladhor Saan apareceu não muito depois.
– Precisa me perdoar pelo vinho, meu amigo. Aqueles pentoshi beberiam o próprio mijo se fosse púrpura.
– Vai ser bom para o meu peito – disse Davos. – Minha mãe costumava dizer que vinho quente é melhor do que compressas.
– Me parece que também vai precisar de compressas. Sentado todo esse tempo numa lança, caramba. Que acha dessa excelente cadeira? Ele tem nádegas gordas, não tem?
– Quem? – perguntou Davos entre pequenos goles de vinho quente.
– Illyrio Mopatis. Uma baleia com bigodes, é o que lhe digo, de verdade. Essas cadeiras foram feitas sob medida para ele, embora raramente saia de Pentos para se sentar nelas. Um gordo senta sempre confortavelmente, me parece, pois leva a almofada consigo para onde quer que vá.
– Como foi que arranjou um navio de Pentos? – perguntou Davos. – Voltou à pirataria, senhor? – Colocou de lado a taça vazia.
– Vis calúnias. Quem sofreu mais com os piratas do que Salladhor Saan? Só peço aquilo a que tenho direito. Muito ouro é devido, ah sim, mas não sou desprovido de compreensão; portanto, em vez da moeda, aceitei um belo pergaminho, muito enrolado. Ostenta o nome e o selo de Lorde Alester Florent, a Mão do Rei. Está me nomeando Senhor da Baía da Água Negra, e nenhum navio pode atravessar as águas sob o meu domínio sem a minha senhorial licença, ah não. E quando esses fora da lei estão tentando se esgueirar durante a noite para evitar minhas legítimas taxas e direitos alfandegários, ora, não são melhores do que contrabandistas, portanto, estou perfeitamente dentro da lei quando os confisco. – O velho pirata soltou uma gargalhada. – Mas não corto os dedos de ninguém. De que servem pedaços de dedos? Capturo os navios e as cargas, alguns resgates, nada de exorbitante. – Lançou um olhar penetrante para Davos. – Não está bem, meu amigo. Essa tosse... e tão magro que vejo seus ossos através da pele. E, no entanto, não estou vendo seu saquinho de ossos dos dedos...
O velho hábito obrigou Davos a levar a mão à bolsa de couro que já não estava lá.
– Perdi no rio. – A minha sorte.
– O rio foi terrível – disse solenemente Salladhor Saan. – Mesmo da baía, eu podia ver e tremi.
Davos tossiu, cuspiu e voltou a tossir.
– Vi o Betha Negra ardendo, e também o Fúria – conseguiu por fim dizer, com voz rouca. – Nenhum de nossos navios escapou do fogo? – Parte de si ainda tinha esperança.
– Lorde Steffon, Jenna Esfarrapada, Espada Ligeira, Lorde que Ri e mais alguns estavam a montante do mijo dos piromantes, sim. Não foram queimados, mas, com a forte correnteza, também não puderam fugir. Alguns poucos se renderam. A maior parte subiu a Água Negra, para longe da batalha, e depois foi afundada pela tripulação, para não cair em mãos Lannister. Jenna Esfarrapada e Lorde que Ri continuam se fazendo de piratas no rio, segundo ouvi dizer, mas quem sabe se é verdade?
– O Senhora Marya? – perguntou Davos. – O Espectro?
Salladhor Saan apoiou uma mão no braço de Davos e deu-lhe um apertão.
– Não. Esses, não. Lamento, meu amigo. Eram bons homens, os seus Dale e Allard. Mas posso lhe dar este conforto: seu jovem Devan está entre aqueles que embarcamos no fim. O bravo rapaz nunca saiu de junto do rei, segundo dizem.
Por um momento sentiu-se quase tonto, de tão palpável que era seu alívio. Temera perguntar a respeito de Devan.
– A Mãe é misericordiosa. Tenho de encontrá-lo, Salla. Tenho de vê-lo.
– Sim – disse Salladhor Saan. – E também vai querer zarpar para o Cabo da Fúria, eu sei, para ver sua mulher e os dois pequenos. Estou aqui pensando que precisa de um novo navio.
– Sua Graça vai me dar um navio – disse Davos.
O liseno sacudiu a cabeça.
– Quanto a navios, Sua Graça não tem nenhum, e Salladhor Saan tem muitos. Os navios do rei arderam no rio, mas os meus não. Ficará com um deles, velho amigo. Velejará para mim, sim? Entrará deslizando em Bravos, Myr e Volantis na noite cerrada, sem ser visto, e sairá também deslizando, com sedas e especiarias. Ficaremos com bolsas gordas, sim.
– É gentil, Salla, mas meu dever é para com meu rei, não para com sua bolsa. A guerra continuará. Stannis ainda é o legítimo herdeiro do trono, segundo todas as leis dos Sete Reinos.
– Todas as leis não estão ajudando quando todos os navios se queimam, me parece. E o seu rei, bem, receio que vá acabar achando-o mudado. Desde a batalha não recebe ninguém, fica só matutando naquele Tambor de Pedra. A Rainha Selyse recebe em audiência em seu nome, com o tio, Lorde Alester, que anda se chamando de Mão. Ela deu o selo do rei a esse tio, para pôr nas cartas que ele escreve, e até em meu belo pergaminho. Mas o reino que eles estão governando é pequeno, pobre e rochoso, sim. Não há ouro, nem sequer um bocadinho para pagar ao fiel Salladhor Saan o que lhe é devido, e só restam os cavaleiros que levamos no fim, e nenhum navio além de minha pequena e brava frota.