A Tormenta de Espadas
- Автор: Мартин Джордж Рэймонд Ричард
- Год: 2006
- Язык: португальский
- Год: Leya
- ISBN: 9788580442625
- Переводчик: Jorge Candeias
- Жанр: Прочая древняя литература
Электронная книга - «A Tormenta de Espadas». Краткое содержание книги:
– Mas – disse Jaime – há Rochedo Casterly...
– O que você quer é um rochedo? Ou eu?
Lembrava-se daquela noite como se fosse ontem. Tinham-na passado numa velha estalagem na Viela das Enguias, bem longe de olhos vigilantes. Cersei fora encontrá-lo vestida como uma simples criada, o que acabou por excitá-lo ainda mais. Jaime nunca a tinha visto mais apaixonada. Sempre que adormecia, ela voltava a acordá-lo. Pela manhã, Rochedo Casterly parecia um pequeno preço a pagar para ficar sempre perto dela. Deu seu consentimento, e Cersei prometeu fazer o resto.
Uma volta de lua mais tarde, um corvo real chegou a Rochedo Casterly para informá-lo de que fora escolhido para a Guarda Real. Era-lhe ordenado que se apresentasse ao rei durante o grande torneio em Harrenhal, para prestar juramento e envergar o manto.
A investidura de Jaime libertou-o de Lysa Tully. Mas, tirando isso, nada se passou conforme planejado. O pai nunca estivera mais furioso. Não podia levantar objeções abertamente – Cersei julgara isso de forma correta –, mas usou um pretexto qualquer pouco convincente para se demitir do cargo de Mão e retornou a Rochedo Casterly, levando a filha consigo. Em vez de ficarem juntos, Cersei e Jaime limitaram-se a trocar de lugar, e ele se viu sozinho na corte, defendendo um rei louco enquanto quatro homens menores se sucederam dançando sobre facas, cujos pés não calçavam bem os sapatos do pai. As Mãos ascendiam e caíam tão rapidamente que Jaime recordava melhor a heráldica do que o rosto deles. A Mão cornucópia e a Mão grifos dançantes tinham ambas sido exiladas; a Mão maça e punhal, mergulhada em fogovivo e queimada viva. Lorde Rossart fora o último. Seu símbolo era um archote ardente; uma escolha infeliz, tendo em conta o destino de seu predecessor, mas o alquimista tinha ascendido em grande medida por partilhar a paixão do rei pelo fogo. Devia ter afogado Rossart em vez de estripá-lo.
Brienne continuava à espera de sua resposta. Jaime disse:
– Não tem idade para ter conhecido Aerys Targaryen...
Ela não quis ouvir.
– Aerys era louco e cruel, nunca ninguém negou isso. Ainda assim era rei, coroado e ungido. E você jurou protegê-lo.
– Eu sei o que jurei.
– E o que fez. – Ergueu-se acima dele, um metro e oitenta de desaprovação sardenta, carrancuda e com dentes de cavalo.
– Sim, e o que você fez também. Aqui somos ambos regicidas, se aquilo que ouvi dizer é verdade.
– Nunca fiz mal a Renly. Mato o primeiro homem que diga que fiz.
– Nesse caso, é melhor que comece por Cleos. E, depois disso, terá bastante matança a fazer, pelo que ele conta da história.
– Mentiras. A Senhora Catelyn estava lá quando Sua Graça foi assassinado, ela viu. Apareceu uma sombra. As velas apagaram-se e o ar ficou frio, e houve sangue...
– Ah, muito bem. – Jaime soltou uma gargalhada. – Pensa mais depressa do que eu, confesso. Quando me encontraram em pé junto ao meu rei morto, nunca pensei em dizer: “Não, não, não fui eu, foi uma sombra, uma terrível sombra fria”. – Soltou outra gargalhada. – Conte-me a verdade, de um regicida para outro: foram os Stark que lhe pagaram para cortar a goela dele, ou foi Stannis? Renly repeliu-a, foi por isso? Ou talvez estivesse com o sangue de lua. Nunca dê uma espada a uma garota quando ela estiver sangrando.
Por um momento, Jaime pensou que Brienne iria bater nele. Mais um passo, e tiro aquele punhal da bainha dela e enterro em seu ventre. Retesou uma perna debaixo do corpo, pronto para saltar, mas a garota não se moveu.
– Ser um cavaleiro é uma dádiva rara e preciosa – disse – e mais ainda quando se é um cavaleiro da Guarda Real. É algo dado a poucos, algo que você desprezou e conspurcou.
Algo que você deseja desesperadamente, garota, e que nunca poderá obter.
– Eu conquistei o meu grau de cavaleiro. Nada me foi dado. Ganhei uma luta corpo a corpo num torneio com treze anos, quando ainda era escudeiro. Aos quinze, acompanhei Sor Arthur Dayne contra a Irmandade da Mata de Rei, e ele armou-me cavaleiro no campo de batalha. Foi aquele manto branco que me conspurcou, e não o contrário. Portanto, poupe-me de sua inveja. Foram os deuses que se esqueceram de lhe dar uma pica, não fui eu.
O olhar que Brienne lhe deu estava carregado de repugnância. De bom grado me cortaria em pedaços, se não fosse o seu precioso juramento, refletiu. Ótimo. Já estou farto de débeis piedades e julgamentos de donzelas. A moça afastou-se a passos largos sem dizer sequer uma palavra. Jaime enrolou-se debaixo do manto, esperando sonhar com Cersei.
Mas, quando fechou os olhos, foi Aerys Targaryen que viu, andando de um lado para o outro em sua sala de trono, repuxando as mãos cheias de crostas e sangrando. O idiota vivia se cortando nas lâminas e farpas do Trono de Ferro. Jaime tinha se esgueirado através da porta do rei, vestindo a armadura dourada e com a espada na mão. A armadura dourada, não a branca, mas ninguém nunca se lembra disso. Bem que gostaria de ter tirado também aquele maldito manto.
Quando Aerys viu o sangue em sua arma, exigiu saber se era de Lorde Tywin.
– Quero-o morto, o traidor. Quero a cabeça dele, vai me trazer a cabeça dele, senão queimo você com todos os outros. Todos os traidores. Rossart diz que estão dentro das muralhas! Foi lhes dar boas-vindas calorosas. De quem é o sangue? De quem?
– De Rossart – respondeu Jaime.
Aqueles olhos púrpura então se abriram enormemente, e a boca do rei caiu, escancarando-se com o choque. Havia perdido o controle das tripas, virado-se e corrido para o Trono de Ferro. Por baixo dos olhos vazios dos crânios pendurados nas paredes, Jaime arrancou o último rei-dragão dos degraus, guinchando como um porco e cheirando a latrina. Um único golpe na garganta foi tudo que precisou para acabar com ele. Tão fácil, lembrava-se de ter pensado. Um rei devia ser mais duro de matar do que isso. Rossart pelo menos tinha tentado lutar, se bem que, para falar a verdade, lutava como um alquimista. Estranho que nunca perguntem quem matou Rossart... mas, claro, ele não era ninguém, com seu baixo nascimento, Mão durante uma quinzena, só mais uma ideia louca do Rei Louco.
Sor Elys Westerling, Lorde Crakehall e outros dos cavaleiros do pai tinham irrompido pelo salão a tempo de ver o fim, portanto, não houve maneira de Jaime desaparecer e deixar que um fanfarrão qualquer roubasse a glória ou a culpa. Compreendeu de imediato, assim que viu o modo como o olhavam, que seria considerado culpado... embora os olhares que lhe lançavam talvez fossem de medo. Lannister ou não, ele era um dos sete de Aerys.
– O castelo é nosso, sor, e a cidade também – disse-lhe Roland Crakehall, o que era quase verdade. Ainda havia lealistas Targaryen morrendo nas escadas em espiral e no arsenal, Gregor Clegane e Amory Lorch estavam escalando as muralhas da Fortaleza de Maegor, e, nessa altura, Ned Stark ia entrando com os seus homens pelo Portão do Rei, mas Crakehall não tinha como saber disso. Não pareceu surpreendido por encontrar Aerys morto; Jaime era filho de Lorde Tywin muito antes de ser nomeado para a Guarda Real.
– Diga-lhes que o Rei Louco está morto – ordenou. – Poupe e prenda todos aqueles que se renderem.
– Deverei também proclamar um novo rei? – perguntou Crakehall, e Jaime leu claramente a questão: seria o seu pai, ou Robert Baratheon, ou pretendia tentar criar um novo rei-dragão? Por um momento, pensou no garoto, Viserys, fugido em Pedra do Dragão, e no filho bebê de Rhaegar, Aegon, ainda em Maegor com a mãe. Um novo rei Targaryen, e o meu pai como Mão. Como uivarão os lobos, como se engasgará de raiva o senhor da tempestade. Por um momento sentiu-se tentado, até voltar a olhar o corpo no chão, no meio da poça crescente de sangue. Há sangue dele em ambos, pensou.