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A Tormenta de Espadas

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A Tormenta de Espadas
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– Proclame quem lhe der na telha – disse a Crakehall.

Então, subiu até o Trono de Ferro e sentou-se, com a espada pousada nos joelhos, para ver quem viria reclamar o reino. Acabou sendo Ned Stark.

Também não tinha o direito de me julgar, Stark.

Em seus sonhos, os mortos surgiram em chamas, vestidos de bruxuleantes chamas verdes. Jaime dançou entre eles com uma espada dourada, mas para cada um que abatia, erguiam-se mais dois em seu lugar.

Brienne acordou-o com um chute nas costelas. O mundo ainda estava negro, e tinha começado a chover. Quebraram o jejum com bolos de aveia, peixe salgado e umas poucas amoras silvestres que Sor Cleos havia encontrado, e estavam de novo sobre as selas antes do nascer do sol.

TYRION

O eunuco vinha cantarolando monocordicamente para si mesmo ao atravessar a porta, vestido com um manto leve de seda cor de pêssego e cheirando a limão. Quando viu Tyrion sentado junto à lareira, parou e ficou muito quieto.

– Senhor Tyrion – soou como um guincho, pontuado por um risinho nervoso.

– Ah, então você se lembra de mim? Tinha começado a duvidar.

– É tão bom vê-lo com um aspecto tão forte e bem de saúde. – Varys deu o seu sorriso mais servil. – Embora tenha de confessar que não esperava encontrá-lo nos meus humildes aposentos.

– E realmente são humildes. Na verdade, em excesso. – Tyrion esperara Varys ser convocado por seu pai antes de se esgueirar até ali para lhe fazer uma visita. Os aposentos do eunuco eram despojados e pequenos, três quartos confortáveis e sem janelas junto à muralha norte. – Esperava descobrir grande quantidade de cestos cheios de segredos suculentos para me entreter enquanto aguardava, mas não encontrei nem um papel. – Também procurei por passagens escondidas, sabendo que a Aranha tinha de ter maneiras de ir e vir sem ser vista, mas elas se mostraram igualmente esquivas. – Havia água em seu jarro, que os deuses tenham piedade de você – prosseguiu –, a cela onde dorme não é mais larga do que um caixão e aquela cama... é mesmo feita de pedra, ou só parece ser?

Varys fechou a porta e trancou-a.

– Sou atormentado por dores nas costas, senhor, e prefiro dormir sobre uma superfície dura.

– Teria tomado você por um amante de colchões de plumas.

– Sou uma caixinha de surpresas. Está zangado comigo por tê-lo abandonado após a batalha?

– Isso fez com que pensasse em você como em alguém de minha família.

– Não foi por falta de simpatia, meu bom senhor. Tenho um caráter tão delicado, e a sua cicatriz é tão terrível de observar... – Um estremecimento exagerado sacudiu-o. – O seu pobre nariz...

Tyrion esfregou, irritado, a escara.

– Talvez deva mandar fazer um novo, de ouro. Que tipo de nariz você sugere, Varys? Um como o seu, para farejar segredos? Ou devo dizer ao ourives que desejo o nariz de meu pai? – sorriu. – Meu nobre pai trabalha com tanta diligência que já quase não o vejo. Diga-me, é verdade que ele vai restituir ao Grande Meistre Pycelle o cargo no pequeno conselho?

– É, senhor.

– Devo agradecer à minha querida irmã por isso? – Pycelle tinha sido uma criatura da irmã; Tyrion despojara o homem do cargo, da barba e da dignidade, e atirara-o em uma cela escura.

– De modo algum, senhor. Agradeça aos arquimeistres de Vilavelha, que decidiram insistir na restituição de Pycelle com o argumento de que só o Conclave pode fazer ou desfazer um Grande Meistre.

Malditos idiotas, pensou Tyrion.

– Acho que me recordo que o carrasco de Maegor, o Cruel, desfez três com o seu machado.

– É bem verdade – disse Varys. – E o segundo Aegon deu o Grande Meistre Gerardys de comer ao dragão.

– Infelizmente, não disponho de um dragão. Creio que poderia ter mergulhado Pycelle em fogovivo, incendiando-o. A Cidadela teria preferido assim?

– Bem, estaria mais em concordância com a tradição. – O eunuco soltou um risinho abafado. – Felizmente, cabeças mais sensatas prevaleceram, e o Conclave aceitou o fato da destituição de Pycelle e tratou de escolher seu sucessor. Depois de considerar devidamente Meistre Turquin, o filho do sapateiro, e Meistre Erreck, o bastardo do pequeno cavaleiro, assim demonstrando, para sua própria satisfação, que em sua ordem a competência conta mais do que o nascimento, o Conclave estava à beira de nos enviar o Meistre Gormon, um Tyrell de Jardim de Cima. Quando contei isso ao senhor seu pai, ele agiu de imediato.

Tyrion sabia que o Conclave se reunia em Vilavelha a portas fechadas; suas deliberações eram supostamente secretas. Então Varys também tem passarinhos na Cidadela.

– Entendo. Portanto meu pai decidiu apanhar a rosa antes que desabrochasse. – Não conseguiu evitar um risinho. – Pycelle é um sapo. Mas antes um sapo Lannister do que um sapo Tyrell, não é?

– O Grande Meistre Pycelle sempre foi um bom amigo da sua Casa – disse Varys suavemente. – Talvez o console saber que Sor Boros Blount também vai recuperar o cargo.

Cersei tinha despido Sor Boros do manto branco por não ter morrido em defesa do Príncipe Tommen quando Bronn capturou o garoto na estrada de Rosby. O homem não era amigo de Tyrion, mas depois daquilo era provável que odiasse Cersei quase com a mesma força. Suponho que isso seja alguma coisa.

– Blount é um covarde fanfarrão – disse, em tom amigável.

– É? Deuses. Seja como for, é verdade que os cavaleiros da Guarda Real servem a vida inteira, tradicionalmente. Talvez Sor Boros se mostre mais corajoso no futuro. Irá sem dúvida permanecer muito leal.

– Ao meu pai – disse Tyrion propositalmente.

– Já que estamos falando da Guarda Real... pergunto a mim mesmo se esta sua visita, deliciosamente inesperada, por acaso tem algo a ver com o irmão caído de Sor Boros, o galante Sor Mandon Moore. – O eunuco afagou a bochecha empoada. – Nos últimos tempos, seu amigo Bronn parece muito interessado nele.

Bronn tinha desenterrado tudo que pôde sobre Sor Mandon, mas não havia dúvida de que Varys poderia lhe dizer muito mais... se decidisse dividir o que sabia.

– O homem parece ter sido bastante desprovido de amigos – disse Tyrion, com cautela.

– Lamentavelmente – disse Varys –, oh, lamentavelmente. Talvez conseguisse encontrar alguns familiares se revirasse algumas pedras no Vale, mas aqui... Lorde Arryn trouxe-o para Porto Real e Robert deu-lhe seu manto branco, mas temo que nenhum dos dois gostasse muito dele. Nem era o tipo de homem que os plebeus aplaudem nos torneios, apesar de sua indubitável perícia. Ora, até seus irmãos da Guarda Real nunca chegaram a nutrir por ele amizade. Certa vez, ouviram Sor Barristan dizer que o homem não tinha nenhum amigo fora a espada e nenhuma vida para além do dever... mas, entenda, não creio que Selmy dissesse isso inteiramente como elogio. E isso é estranho, se pensarmos no assunto, não é? Daria para dizer que são essas as exatas qualidades que procuramos para a nossa Guarda Real... homens que não vivem para si, mas para o seu rei. Visto sob essa luz, nosso bravo Sor Mandon era o perfeito cavaleiro branco. E morreu como um cavaleiro da Guarda Real devia morrer, de espada na mão, defendendo um homem do sangue do rei. – O eunuco brindou-o com um sorriso bajulador e observou-o atentamente.

Tentando assassinar um homem do sangue do rei, você quer dizer. Tyrion perguntou-se se Varys saberia mais a respeito do que estava dizendo. Nada do que acabara de ouvir era novo; Bronn tinha lhe trazido notícias muito semelhantes. Precisava de uma ligação com Cersei, alguma indicação de que Sor Mandon havia sido uma marionete da irmã. O que queremos nem sempre é o que obtemos, refletiu, com amargura, o que lhe fez lembrar...

– Não é Sor Mandon que me traz aqui.

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